Números de 2011: empréstimo cresce 72%

26/01/2012

Ano passado divulgamos alguns números da Biblioteca referentes ao ano anterior, resolvemos repetir a dose.

De cara, ficamos felizes com o aumento em dois índices importantes: o número de itens emprestados e a frequência de usuários.

Emprestamos em 2011 32.754 itens, crescimento de 72% em relação ao ano anterior, reflexo da unificação do sistema e do aumento no número de itens que cada usuário pode tomar emprestado simultaneamente. O crescimento maior foi no empréstimo de livros, mas o empréstimo de DVDs também teve crescimento considerável. Depois publicaremos um post com as obras mais emprestadas em 2011: livros, dvds.

A frequência de usuários, número de pessoas que passaram pela catraca na entrada da Biblioteca, aumentou em 30% e chegou a 91.579, também consequência da unificação do sistema.

Nossas bases de dados receberam um acréscimo de 8.781 documentos: livros, DVDs, CDs, teses, imagens digitais, partituras, revistas, trabalhos de conclusão de curso e outros.

Compramos 1.081 livros, DVDs, CDs e partituras novos, a maioria deles por indicação de nossos usuários. Professores e alunos da ECA podem fazer sugestões de itens usando nosso formulário online.

5.411 itens incorporados ao acervo vieram de doações. Em 2011 recebemos 9.595 itens através de doações, nem todos serão incorporados ao acervo, muitos itens, aqueles que a Biblioteca julgar sem interesse ao acervo, serão descartados.

Um pouco da performance nas redes sociais.
No Twitter ganhamos mais de mil novos seguidores. Este blog teve 22.717 visualizações no ano que passou (em média 62 por dia). Os posts mais populares foram Citando filmes (930 visualizações) e Chegaram novos DVDs (498 visualizações).

Vamos trabalhar e torcer para que em 2012 a Biblioteca seja ainda mais procurada.


Pensadores da fotografia com Simonetta Persichetti

17/01/2012

Entre abril e julho de 2011 a bibliotecária Sarah Lorenzon Ferreira participou do curso Pensadores da fotografia promovido pelo MAM, ministrado pela professora Simonetta Persichetti, dividido em dois módulos. O curso foi financiado pela Proqual.

Para o curso Simonetta dividiu através de exemplos fotográficos o que foi apontado pelos textos dos pensadores da imagem e como esses teóricos definiram o conceito fotográfico do ponto de vista sociológico, filosófico, histórico, semiótico e estético. Foram selecionados pela professora alguns pensadores mais citados quando se fala de fotografia.
De acordo com Simonetta temos que ter em mente que pensar a fotografia é fundamental, ainda mais numa época em que esse meio de expressão ocupa cada vez mais espaço.

O primeiro pensador abordado foi Walter Benjamin (1892-1940), filósofo que pertenceu à Escola de Frankfurt. Em 1935 publicou seu trabalho mais conhecido: “A obra de arte na época de sua reprodutividade”. Antes, em 1931, ele escreveu “Pequena história da fotografia” (100 anos do surgimento da fotografia). Seu interesse se voltava para o momento em que a fotografia se industrializa, ou seja, mais precisamente com o surgimento em 1861 do cartão de visita fotográfico.

A fotografia, que já era manipulada na século 19, passa a mostrar status. Walter Benjamin chama atenção não para o fazer do fotógrafo, mas para o que esté sendo retratado (a magica da fotografia é ela parecer com o real).

Walter Benjamin fala da magia da experiência fotográfica e também reconhece a importância que a fotograifa dá ao retratado. De acordo com Simonetta, quando analisamos um quadro estamos analisando o pintor, como ele retratou a cena, mas com a fotografia não se pergunta quem é o fotógrafo, mas o que está sendo retratado, que lugar é. Quando se vê uma foto o nível de interpretação muda.

Assim, Walter Benjamin faz uma analogia com o movimento pictorialista que busca aproximar a fotografia da arte. O filósofo cita dois fotógrafos que para ele são de suma importância: Eugene Atget (que fotografava o pequeno, o cotidiano) e August Sander (que fotografava homens em seu local de trabalho – visão mais antropológica).

Pierre Bourdieu (1930-2002) – sociólogo, antropólogo e filósofo. O texto “A fotografia como representação social” foi escrito em colaboração com outros estudiosos no começo dos anos 60 quando os usos sociais da fotografia ainda não estavam em discussão e a fotografia ainda sofria resistência a ser vista como uma forma de expressão artística.

Bourdieu escreveu este texto por encomenda da Kodak para o lançamento da Instamatic (1ª câmera com flash embutido) em 1969 e queria entender o impacto que a câmera teria no público. Este foi o primeiro estudo que pensou como a fotografia seria entendida pela sociedade.

Para Bourdieu o que realmente caracteriza o fenômeno fotográfico “é a quantidade ou a proliferação das imagens”. Assim, conforme Simonetta dizer que hoje se fotografa muito é clichê, sempre se fotografou muito. O problema está na recepção da imagem, ou seja, como a imagem é recebida pela sociedade. Bourdieu começa a desenvolver a tese de uma função social da fotografia, ou seja, as pessoas não fotografam em busca de uma estética ou de uma expressão de arte, mas para cumprir funções que a sociedade espera que sejam cumpridas. Ele encara o ato fotográfico como uma forma de cumprir um ritual, portanto só se fotografa o que a sociedade diz que é fotografável. E lembra: muitas pessoas só fotografam as férias porque a fotografia cria ou inventa as próprias férias.

De acordo com Simonetta o amador fotografa a família, as férias como comprovação que está inserido dentro da sociedade, enquanto que o profissional procura o cotidiano no mínimo do mínimo. A fotografia nasceu mem 1839, no período da Revolução Industrial e do nascimento da Burguesia. Pode-se dizer que a burguesia que trouxe a ideia da representação social da família patriarcal representada pela fotografia do homem sentado (pois ele trabalha e tem direito ao descanso) e a mulher em pé.

Bibliografia sobre o assunto existente na Biblioteca da ECA.

BENJAMIN, Walter. A obra de arte na época de sua reprodutibilidade técnica. In: ADORNO et al. Teoria da Cultura de massa. Trad. de Carlos Nelson Coutinho. São Paulo: Paz e Terra, 2000. p. 221-254.

BENJAMIN, Walter. Pequena História da Fotografia. In: BENJAMIN, Walter. Obras escolhidas: magia e técnica, arte e política: ensaios sobre literatura e história da cultura.  São Paulo: Brasiliense, 1987.

BENJAMIN, Walter.  Sobre la fotografia.  3.ed. Valencia: Pre-textos, 2007. 153 p. (Ensayo; v. 705).

BOURDIEU, Pierre. Un art moyen: essai sur les usages sociaux de la photographie. Paris: Ed. de Minuit, 1981. 360 p.

Blog da Professora Simonetta: http://tramafotografica.wordpress.com/


Novos latinos

09/01/2012

Acabamos  de receber diversos filmes de cinema latino americano. Na lista no fim do post(com links para o IMDB) estão filmes como Leonera e Família rodante de Pablo Trapero, O segredo de seus olhos, do argentino Juan José Campanella, e O Banheiro do Papa de Cesar Charlone e Enrique Fernández. Aproveitei o ensejo para reproduzir o texto de Camila Moraes, também colaboradora do lalatina, para o Operamundi no ano passado.

As dores do cinema latino-americano

Por Camila Moraes,em Opera Mundi

Se a América Latina fosse uma pessoa em terapia, e o cinema, o divã sobre o qual ela se deita para elaborar seus traumas, seria possível afirmar que, nos dias de hoje, a região é um paciente mais “em contato consigo mesmo”. Sem supor que a solução para todos os males passe pela psicologia, a metáfora aqui serve para dizer que o cinema latino-americano superou a fase de raiva e críticas desnorteadas e tornou-se capaz de elaborar melhor suas dores – as dores que cada país trata em seus filmes mais relevantes – como um ser humano em processo de entender melhor de onde vem para então vislumbrar novos caminhos.

Essa evolução, resultado de vários aspectos relacionados às experiências sociais, culturais e políticas de cada lugar, acontece como no consultório: de maneira sutil, perceptível só depois de se instalar. Saem os filmes nostálgicos, os que denunciam em primeiro plano nossa coleção de traumas (colonialismo, ditaduras, corrupção, crises, entre tantos outros), e entram as histórias cotidianas, bastante pessoais e ainda assim políticas, porém, não didáticas. Como já sintetizou a crítica norte-americana B. Ruby Rich, entre cujas áreas de interesse está o cinema latino: “From the revolutionary to the revelatory” (do revolucionário ao revelador).

Ao falar de cinema latino-americano hoje, felizmente é possível abarcar muitas das cinematografias do subcontinente, e não só o México, a Argentina e o Brasil, tradicionalmente os maiores produtores de filmes na região. Os dois últimos são em grande parte o objeto de estudo de um livro lançado recentemente sobre o novo cinema sul-americano, o “New South American Cinema” (Ed. Faber and Faber UK), de Demetrius Matheou, disponível no Brasil apenas por encomenda. Mas é apenas uma questão de recorte: Uruguai, Chile, Peru, Colômbia e, em menor grau, países como Venezuela, Paraguai e alguns representantes da América Central, como a Guatemala, tem visto seus esforços resultarem em uma produção independente de grande importância, ainda que lutando constantes e duras batalhas contra a imposição hollywoodiana nas salas comerciais para poder aparecer.

O “New South American Cinema”, que por sua vez cita B.Ruby Rich, trata desse tema: como a estabilidade econômica gradual de alguns países latino-americanos, junto ao fim da censura ditatorial, permitiu que os cineastas possam novamente se expressar e, com isso, contribuir para a criação de cinemas autorais que dão conta da construção de identidades nacionais e da recuperação da memória. O livro é recheado de entrevistas, entre elas uma com Walter Salles, um dos pilares da retomada do cinema brasileiro, que diz: “Não acho que sejamos países cujas identidades tenham sido plenamente cristalizadas ainda. De alguma maneira, nossos filmes captam essas sociedades em movimento; captam essas sociedades à medida que elas estão se encontrando”.

No Brasil, o território (vasto, variado, incontrolável) é um tema recorrente; uma dor (sempre que escapa à ordem e ao progresso) tratada com certa insistência em “filmes sobre o sertão” ou “filmes de favela”, etiquetas frequentes na hora de se analisar a produção nacional de meados dos 1990 em diante. Quais seriam as dores dos vizinhos? Se tomarmos Pablo Trapero e Lucrecia Martel, grandes do nomes do atual cinema da Argentina, por exemplo, temos os males da ditadura.

Em “Mundo grua”, de Trapero, uma figura marginal vive uma busca interminávelpor emprego. Em “O pântano”, de Martel, a classe média falida de uma cidade letárgica se impõe vivendo de influências passadas. Nesses filmes, premiadíssimos e de enorme valor autoral, não aparecem de frente os militares, a repressão do governo ou as injustiças sociais, senão seus resquícios, as instituições que o alimentaram e sustentaram – como é o caso das classes abastadas na Argentina ou em qualquer país onde haja sobrevivido um sistema ditatorial. É a vez de escutar a voz o povo, reverenciar a cultura popular.

Cena inicial de “Mundo Grua”, de Pablo Trapero

Ver-se na tela (e sem maquiagem)

De onde vêm essas dores cinematográficas? Obviamente, dos padrões comuns de experiência dos realizadores de cada lugar. Na Colômbia, o conflito interno que vive o país há quase 60 anos fez da violência um ponto obrigatório do cinema nacional. Do lado do público, o colombiano se queixa. Ou não enche as salas, quando o filme troca cenas de ação e sexo por sequências lentas do dia-a-dia de um jovem que se refugia em uma vila de pescadores amedrontada pela violência para se recuperar de dramas pessoais – como é o caso de “El vuelvo del cangrejo”, de Oscar Ruiz Navia, um filme que não ignora o conflito, mas não tenta esmiuçá-lo, preferindo se ater às suas consequências.

Para a pesquisadora Juana Suárez, autora de “Cinembargo Colombia – Ensayos críticos sobre cine y cultura”, é como um espelho: “Há realidades que são levadas à tela, o colombiano as vê e se sente horrorizado, como uma pessoa que não suporta se ver sem maquiagem”. Segundo ela, há um tipo de espectador que espera “que o cinema faça propaganda da nação, mas o cinema não trata disso”.

Trailer de “Abril Despedaçado”, de Walter Salles

Cinema não é mera crítica social, mas, sempre que se manifesta sob os mandamentos da Arte, brilha se for capaz de ser crítico, construir identidades e gerar memória, além de oferecer prazer estético ou mero entretenimento. Claro que, para que ele alcance tão nobres objetivos, o espectador entra na equação.

Filmes como os que realizaram os cineastas latino-americanos mais talentosos dos nossos tempos não são daqueles que se contam sozinhos ou que gritam suas palavras de ordemem megafones. Dependem do espectador para (re)construí-los, saboreá-los e perpetuá-los, permitindo que eles cumpram seu nobre papel. Quem se arrisca?

Lista de novos filmes

O banheiro do papa ( Cesar Charlone, Enrique Fernández) – Uruguai, Brasil, 2007

Dois irmãos  (Daniel Burman) – Argentina, 2010

Gigante (Adrián Biniez) – Argentina, Uruguai, 2009

Família rodante (Pablo Trapero) – Argentina, 2004

Febre do loco (Andrés Wood) – Chile, 2001

Leonera (Pablo Trapero) – Argentina, 2008

Plata quemada (Marcelo Piñeyro) – Argentina, 2000

O segredo dos seus olhos (Juan José Campanella) – Argentina, Espanha, 2009

A teta assustada (Claudia Lhosa) – Espanha, Peru, 2009


Novos DVDs – Docs musicais

04/01/2012

Começa hoje a Mostra Cine MPB do CCBB e vai até o dia 15, serão exibidos 17 filmes. Abaixo a lista de novidades da biblioteca que estão na  Mostra.

Música Doc:

FABRICANDO TOM ZÉ(DVD2378)

de Decio Matos Jr. (89 min, 2006)
Retrata a vida e obra de um dos mais controversos integrantes do movimento da Tropicália, o documentário tem por fio condutor a turnê européia que Tom Zé fez em 2005. Sem censura e de forma espontânea, o músico conta como começou sua carreira na década de 1960, fala abertamente do ostracismo nos anos 1970 e de seu ressurgimento no início anos 1990. O filme ainda conta com entrevistas de Gilberto Gil, Caetano Veloso, David Byrne e outros. Vencedor do prêmio de melhor documentário na Mostra Internacional de Cinema de São Paulo e no Festival do Rio, ambos pelo júri popular.

VINICIUS  (DVD2417/8)
de Miguel Faria Jr. (110 min, 2005)
A vida, a obra, a família, os amigos, os amores de Vinicius de Moraes (1913-1980), autor de mais de 400 poesias e cerca de 400 letras de música.  O documentário aborda a essência criativa do artista e filósofo do cotidiano e mostra as transformações do Rio de Janeiro através de raras imagens de arquivo, entrevistas e interpretação de muitos de seus clássicos. Vencedor dos prêmios de melhor documentário e melhor trilha sonora no Grande Prêmio do Cinema Brasileiro 2006, de melhor filme musical no Washington DC International Film Festival, de melhor documentário de 2006 pela ACIE – Associação dos Correspondentes de Imprensa Estrangeira no Rio de Janeiro e pelo Prêmio Contigo de Cinema.

CARTOLA(DVD1111)

de Hilton Lacerda & Lírio Ferreira (88 min, 2007, c)
A história de um dos compositores mais importantes da música brasileira: Angenor de Oliveira (1908-1980), mais conhecido como Cartola. Utilizando linguagem fragmentada, o documentário traça um painel da formação cultural do Brasil, convidando a uma reflexão na construção da memória deste país. Vencedor do prêmio de melhor trilha sonora do Grande Prêmio do Cinema Brasileiro 2008.

Novidades que não estão na Mostra:

Alô-Alô Terezinha  – sobre Chacrinha

Coração vagabundo – Fernando Grostein Andrade

Uma noite em 67

Uma Noite Noel

Pixinguinha

Mostra Cine MPB

CCBB-SP – Rua Álvares Penteado 112, Centro -  (11) 3113.3651 – R$ 4,00 e R$ 2,00

Links:

http://www.woohoo.com.br/woohoonews/woohoonews.asp?id_news=3910&offset=7

http://www.estadao.com.br/noticias/arteelazer,mostra-no-ccbb-reune-filmes-sobre-musicos-brasileiros,818418,0.htm


Livros no cinema

15/12/2011

Literatura e cinema se relacionam há tempos, talvez desde que o segundo surge. Referências a livros, poemas, escritores em filmes são frequentes, há também os filmes que falam da vida de escritores como O enfeitiçado sobre Lúcio Cardoso ou O sereno desespero sobre Cecília Meireles.

Pensando nessa relação entre literatura e cinema preparamos uma lista de adaptações feitas pelo cinema de obras literárias.

São só alguns títulos, pois a lista completa seria bem grande:

Os matadores (Brasil, 1997), direção de Beto Brant. A Biblioteca tem também o conto em que se baseou o filme e o roteiro, ambos de Marçal Aquino.

Dona Flor e seus dois maridos (Brasil, 1976), direção de Bruno Barreto. Há também no acervo adaptação da mesma obra feita para televisão, com direção de Mauro Mendonça Filho. Há outros filmes no acervo adaptados de obras de Jorge Amado, dizem que o cara não é muito amado pela Fuvest (fundação que organiza o vestibular da USP), mas parece que é bem cotado entre os cineastas.

Sinhá Moça (Brasil, 1953), direção de Tom Payne. Da obra homônima de Maria Dezonne Pacheco Fernandes. Parece que uma das vantagens de adaptar obras pouco conhecidas é que o debate recorrente sobre fidelidade do filme à obra literária, é posto de escanteio.

Macunaíma (Brasil, 1969), direção de Joaquim Pedro de Andrade, cineasta que manteve um diálogo produtivo com a literatura, além do citado, temos também Guerra conjugal baseado em obra de Dalton Trevisan; Os inconfidentes, “baseado nos Autos da Devassa, em poemas da época e no Romanceiro da Inconfidência, de Cecília Meirelles”; O homem do pau Brasil sobre aspectos da vida e obra de Oswald de Andrade; O padre e a moça, baseado em obra de Carlos Drummond de Andrade.

E o vento levou (Estados Unidos, 1939), direção de Victor Fleming. Adaptação de obra de Margaret Mitchell.

Vidas secas (Brasil, 1963), direção de Nelson Pereira dos Santos. Da obra de Gracialiano Ramos.

O processo (França; Itália; Alemanha , 1962), direção de Orson Welles. Adaptação da obra homônima de Franz Kafka.

Madame Bovary, direção de Claude Chabrol, adaptação da obra homônima de Gustave Flaubert.

Um lugar ao sol (Estados Unidos, 1951), direção de George Stevens, adaptação do calhamaço de Theodore Dreiser, Uma tragédia americana.

Vidas amargas (Estados Unidos, 1955), direção de Elia Kazan, adaptação de outro calhamaço East of Eden, de John Steinbeck.

Apocalipse (Estados Unidos, 1979), direção de Francis Ford Coppola, da obra Heart of Darkness de Joseph Conrad.

Amor, sublime amor (Estados Unidos, 1961), direção de Jerome Robbins e Robert Wise.

A última tempestade (Grä-Bretanha; França; Japäo , 1991), direção de Peter Greenaway.

Elizabeth Taylor e Montgomery Clift em Um lugar ao sol

Othello (Estados Unidos; Itália; França; Marrocos , 1952), direção de Orson Welles.

Os três últimos adaptações de obras de Shakespeare.

O diálogo entre as duas áreas é profícuo, para ver a lista completa acesse nosso catálogo de filmes e vídeos, use “adapatação” como termo de busca no campo “Gênero/Forma” e divirta-se!

Duas indicações de leitura sobre o assunto:

BRITO, João Batista de. Literatura no cinema. São Paulo: Unimarco, 2006.

PELLEGRINI, Tânia et al. Literatura, cinema e televisão. São Paulo: Senac São Paulo; Instituto Itaú Cultural, 2003.


Embalagens para conservação

08/12/2011

Elizabete Ortiz e Rosa Maria Lima, funcionárias da Biblioteca da ECA com formação em conservação de acervo, participaram da Oficina Como Fazer – Confecção de embalagens para acondicionamento de documentos , nos dias 11 e 12 de novembro.

Promovido pela  Associação de Arquivistas de São Paulo (ARQ-SP) e ministrado por Fernanda Brito, o curso mostrou, na prática, técnicas para confecionar alguns modelos de caixas e envelopes para conservação, com o objetivo de capacitar o profissional da área a criar suas próprias soluções de acondicionamente.

Segundo Elizabete, a prática e o conhecimento de técnicas de encadernação artesanal que Rosa  e ela já adquiriram em cursos anteriores e no exercício de suas atividades na Biblioteca foi fundamental para o seu bom desempenho no momento da execução dos modelos.

As técnicas aprendidas já estão sendo compartilhadas com os demais funcionários da Biblioteca que trabalham com preservação de documentos.

Rosa e Elizabete confeccionaram, entre outras embalagens, as seguintes caixas:

Caixa Solander

Confeccionada com papelão rígido próprio para encadernação, com revestimento interno em Tyvec e externo em Museum Barrier Paper, é uma caixa bastante resistente, própria para acondicionar manuscritos e coleções especiais. Foi criada pelo botânico sueco Daniel Carlsson Solander.

Caixa em cruz com abas

Usada para guarda de livros, suas abas laterais evitam a entrada de poeira e luz.  Feita com papel alcalino Archival Board, livre de ácidos e lignina, sem fibras recicladas nem branqueadores.

O curso foi pago com recursos da ProQual – Comissão do Programa Permanente de Qualidade de Produtividade da ECA USP, iniciativa de grande importância para a formação do corpo funcional da Universidade.


Filmes de professores

28/11/2011

Se você gosta de cinema brasileiro, já deve ter visto muitos filmes que têm a participação de um professor do curso de Audiovisual da ECA.  Vários deles fazem parte do acervo da Biblioteca, para quem quiser ver ou rever.

Acabou de chegar o DVD do longa dirigido por Roberto Moreira, Quanto dura o amor?, doado por ele mesmo. Outros filmes têm a participação de nossos professores em funções como montagem, fotografia, som, roteiro etc.

Fizemos uma pequena seleção desses títulos, que inclui trabalhos de Wilson de Barros e Chico Botelho, prematuramente falecidos, e o único longa metragem produzido pela ECA, As três mortes de Solano.

Deixamos de fora, por enquanto, filmes de ex-alunos e ex-professores. Ficam para outro post.

Além dos citados, alguns professores têm vários outros trabalhos no acervo, principalmente curta-metragens de produção da Escola. Procure em nosso catálogo de Filmes e vídeos pelo nome do professor, se quiser conhecer essas outras produções.

VÂNIA DEBS

A casa de Alice

Direção: TEIXEIRA, Chico

Brasil, 2007, Superfilmes

Roteiro: TEIXEIRA, Chico; PESSOA, Júlio; ANZUATEGUI, Sabina; GOMES, Marcelo

Montagem: DEBS, Vânia

Som: MENDES, Eduardo Santos, edição; GODOY, João, som direto

Alice é uma mulher que trabalha como manicure, cuida da casa, dos filhos e tenta conviver com a indiferença e as traições de seu marido. Ela releva o fato porque também sai com outros homens. Até que reencontra um ex-namorado e pensa em reviver a paixão da juventude.

Árido movie

Direção:  FERREIRA, Lírio, 1965-

Brasil, 2005 – Cinema Brasil Digital

Montagem: DEBS, Vânia

Jonas, desgarrado da família desde pequeno, é apresentador da previsão do tempo em um canal de TV em São Paulo. O inesperado assassinato do pai obriga-o a fazer uma jornada de retorno às suas origens, no sertão nordestino. Ele desconhece o verdadeiro motivo de sua volta, solicitada pela avó, que o escolhe para vingar a morte do pai e lavar a honra da família. Ao chegar à cidade Natal, Jonas encontra um clima de vingança pairando no ar. O enterro do seu pai é carregado de emoções dúbias.É aí que Jonas descobre seu infortúnio: o peso de ser o herdeiro de uma realidade que julgava não ser mais a sua.

O mundo cabe numa cadeira de barbeiro

Direção:  TORERO, José Roberto, 1963-

Brasil, 2002

Synapse Produções; Museu da Pessoa; Superfilmes

Montagem: DEBS, Vânia

Som: GODOY, João, som direto; MENDES, Eduardo Santos, edição e mixagem

Um paralelo entre os tipos variados de fios de cabelos e as nacionalidades dos imigrantes no Brasil, mais especificamente no estado de São Paulo. Seis imigrantes, um de cada país: Japão, Itália, Espanha, Portugal, Bolívia e Síria. Com a bandeira do seu país ao lado, tentando lembrar e cantar o hino do país correspondente, cada imigrante conta como era sua vida em seu país, o que motivou sua saída de lá, geralmente questões políticas. A maioria dos imigrantes se sente mais brasileira do que estrangeira e está feliz por morar no Brasil. Enquanto eles são entrevistados, o narrador fala sobre os cabelos, as diferenças entre eles.

Carrego comigo

Montagem: DEBS, Vânia

Som: MENDES, Eduardo Santos, edição; GODOY, João, edição e som direto; COMPASSO, Aluísio, som direto; VAZ, Jorge A, som direto; SASSO, José Luiz, mixagem

Depoimentos de gêmeos. Entre eles, dois transformistas, duas cabeleireiras, dois presidiários, duas modelos, duas duplas de cantoras, dois cartunistas, duas concorrentes a miss Rio de Janeiro em 1966, dois religiosos, duas atletas de nado sincronizado, entre outras duplas de gêmeos e um trio. Falam sobre o mistério da formação dos fetos gêmeos, algumas suposições científicas, o nascimento, o crescimento e convivência com outras pessoas, com os colegas de escola, relacionamentos amorosos, as dificuldades e as vantagens de conviverem o tempo todo juntos. O sentimento que cada um tem sobre a possibilidade de separação, por morte ou afastamento. O relato de um gêmeo sobre a sua separação do irmão por discordarem de algo, mas também a falta que um sente do outro. A reunião de todos os gêmeos entrevistados para se conhecerem e conversarem. Há fotos de infância, trechos de shows de música, do concurso de miss Rio de Janeiro, de missas, de desfile de moda, de apresentação de nado sincronizado e imagens das famílias de dois gêmeos que são vizinhos. A dupla de cartunistas faz desenho de todos os entrevistados. No final alguns cantam e aparece o poema “Carrego comigo” de Carlos Drummond de Andrade.

Baile perfumado

Direção:  CALDAS, Paulo; FERREIRA, Lírio

Brasil, 1997, Saci Filmes

Montagem: DEBS, Vânia

Som: FERRO, Valério, direção; CALAÇA, Renato; FLORES, Virginia, edição; MIGLIORIN, César; ARIANI, Fernando

Depois da morte de Padre Cícero, o jovem fotógrafo libanês Benjamin Abrahão, parte de Juazeiro, no Ceará, em busca de recursos para filmar Lampião e seu bando. Recorre a pessoas influentes e, graças a sua habilidade de estabelecer contatos, Benjamin localiza Lampião e registra o cotidiano do grupo. Exibir o filme, porém, torna-se mais difícil do que realizá-lo. O filme é proibido pelo governo Vargas. Benjamin acaba morrendo de forma violenta.

O povo brasileiro

Direção:  FERRAZ, Isa Grinspum; FREDERICO, Flávio; FARIAS, Mauro

Brasil, 2000, Superfilmes

Montagem: LACRETA, Idê; DEBS, Vânia

Som: MENDES, Eduardo Santos; GODOY, João

Série baseada na obra do antropólogo Darcy Ribeiro, que investiga a formação do povo e da nação brasileira.

EDUARDO SANTOS MENDES

Seo Chico: um retrato

Direção:  MAMIGONIAN, José Rafael, 1973-

Brasil, 2007, Atalaia Filmes

Som: GODOY, João; MENDES, Eduardo Santos

Francisco Thomaz dos Santos, descendente de imigrantes açorianos, era herdeiro do último engenho tradicional em atividade na Ilha de Santa Catarina (SC). São registrados seus hábitos, sua rotina de trabalho na roça e o processo de produção de pinga em alambique. Seo Chico conta fatos de sua vida e explica sua visão de mundo.

Vale a pena sonhar

Direção:  GRISOTTI, Stela; BOEHM, Rudi

Brasil, 2003, Superfilmes; TV Cultura

Som: MENDES, Eduardo Santos; GODOY, João

A vida de Apolônio de Carvalho, que lutou em defesa dos republicanos na Guerra Civil Espanhola, juntou-se à Resistência francesa durante a Segunda Guerra Mundial, combateu a ditadura brasileira na década de 60 e ajudou a fundar o Partido dos Trabalhadores. Imagens de arquivo registram cenas do cotidiano dos combatentes das Brigadas Internacionais na Espanha, os bombardeios em Guernica, Madri e Barcelona, a ocupação nazista na França, entre outros eventos históricos. Depoimentos de Apolônio, sua esposa e filhos; de combatentes espanhóis; de membros da Resistência francesa e das Brigadas Internacionais.

 

Garotas do ABC: Aurélia Schwarzenega

Direção:  REICHENBACH, Carlos, 1945-

Brasil, 2004

Europa Filmes; Dezenove Sons e Imagens

Som: QUINTO, Romeu; GODOY, João; MENDES, Eduardo Santos

Direção de arte: ROSSI, Luís

Um grupo de mulheres trabalha numa tecelagem em São Bernardo, cidade do ABC paulista. Aurélia, moça forte e decidida, fã de soul e de homens musculosos, namora um rapaz perturbado que se envolve com uma gangue de neonazistas. A novata Antuérpia tenta, aos 38 anos, aprender uma nova profissão. Paula, líder natural entre as colegas, é convidada a entrar para o sindicato. Suzana, apaixonada pelo patrão, coleciona marcas de acidentes de trabalho e indenizações.

Tônica dominante

Direção:  CHAMIE, Lina

Brasil, 2000, Cinematográfica Superfilmes; Ledo Audiovisual Teatro

Som: CHIARINI, Ana, edição; MENDES, Eduardo Santos

Três dias na vida de um músico. No primeiro dia, ele deve encarar a solidão e o medo. No segundo, a paixão e o auxílio desajeitado a uma pianista e no terceiro, o encontro da sua iluminação musical, a chance de mostrar seu talento.

Através da janela

Direção:  AMARAL, Tata, 1960-

Brasil, 1999, A.F. Cinema e Vídeo

Roteiro: AMARAL, Tata; BONASSI, Fernando; BERNARDET, Jean-Claude

Argumento: BERNARDET, Jean-Claude

Som: GODOY, João, som direto; MENDES, Eduardo Santos, edição

Selma, enfermeira aposentada e viúva, vive em São Paulo com o filho Raimundo, de 24 anos, desempregado e que age como adolescente. Sua rotina de dona de casa é perturbada quando o filho traz para casa, certa noite, um amigo ferido. Após Selma fazer os curativos, seu filho e um amigo levam o ferido embora. Raimundo não dá explicações à mãe, que passa a estranhar seu comportamento. Dias depois, o moço piora e Raimundo pede a Selma que lhe aplique uma injeção. Na manhã seguinte, a fazer suas compras, Selma vê no jornal a foto do ferido e descobre que ele fora seqüestrado. Assustada, vai à farmácia ver o que aplicou e descobre que é um forte sedativo. Volta para casa perturbada.

Dois córregos: verdades submersas no tempo

Direção:  REICHENBACH, Carlos, 1945-

Brasil, 1999, Dezenove Som e Imagens; TV Cultura

Som: MEJÍA, Pedro; MENDES, Eduardo Santos, ed. som

São Paulo, 1997. Ana Paula, 45 anos, viaja ao interior a fim de recuperar a casa de campo herdada dos pais, que está ocupada por grileiros. Constrangida pela indiferença de seu advogado e da rispidez da polícia, recorda a última vez que esteve na casa. Em 1969, aos 17 anos, Ana Paula leva a amiga de escola Lydia, uma exímia pianista e filha de um militar graduado, para conhecer a casa. Passam alguns dias em companhia de Tereza, empregada e pajem da irmã de criação de Ana Paula, e de seu tio Hermes, que mora no sul do país e que ela não conhecia. Perseguido e exilado devido ao seu envolvimento com a luta armada, Hermes está escondido da polícia e tenta regularizar sua volta ao Brasil. A convivência com o clandestino Hermes transforma a temporada em uma espécie de rito de passagem para as duas amigas adolescentes, que aos poucos vão conhecendo o que se passava naquele momento da vida do país. Um incidente com o namorado de Tereza, o sargento Percival, encerra abruptamente a temporada no local, culminando com o desaparecimento de Hermes. De volta ao presente, Ana Paula consegue esclarecer o mistério a respeito do desaparecimento do homem que amou em segredo durante a adolescência. Resumo extraído de: Cinema brasileiro: um balanço dos 5 anos da retomada do cinema nacional.

Um céu de estrelas

Direção:  AMARAL, Tata, 1960-

Brasil, 1996, Casa de Produção

Roteiro: BERNARDET, Jean-Claude; MOREIRA, Roberto

Som: GODOY, João, edição; MENDES, Eduardo Santos

Dalva, jovem cabeleireira que vive com a mãe na zona operária do bairro da Móoca, São Paulo, ganha uma viagem para Miami num concurso profissional. Vítor, seu ex-noivo desempregado vem visitá-la. Disposto a reconquistar Dalva, ele usa uma arma para fazer as duas mulheres de reféns.

A casa de Alice

O mundo cabe numa cadeira de barbeiro

Carrego comigo

O povo brasileiro

JOÃO GODOY

Chega de saudade

Direção:  BODANZKY, Laís, 1969-

Brasil, 2007, Gullane Filmes; Buriti Filmes; Miravista; Globo Filmes; Arte France

Som: GODOY, João, gravação

Em São Paulo, os frequentadores de um salão de dança para a terceira idade chegam para mais um baile. Ainda há luz do sol quando o salão abre suas portas e o baile terminará antes da meia-noite. Várias histórias ocorrem simultaneamente: a do casal mais velho que briga e se reconcilia; a de duas amigas que procuram alguém para dançar; de um marido que gosta de paquerar e dançar com outras mulheres; do jovem casal composto pelo DJ do baile e sua namorada, que está ali apenas para esperá-lo terminar o trabalho; da mulher que engana seu marido e dança com o melhor dançarino da noite.

O mundo cabe numa cadeira de barbeiro

O povo brasileiro

Vale a pena sonhar

Garotas do ABC

Antônia

Contra todos

HENRI GERVAISEAU

Tem que ser baiano?

Direção, roteiro e fotografia :  GERVAISEAU, Henri

Brasil, 1993, Alô Vídeo

O vídeo mescla sequências de entrevistas e imagens do passado e do presente da comunidade nordestina em São Paulo. Depoimentos de migrantes nordestinos anônimos e famosos, como Lula e Luiza Erundina, misturam-se com entrevistas de habitantes da metrópole e de políticos paulistas conservadores. Completam esse painel discursos de políticos dos anos 30, manchetes de jornais, fotografias, músicas, vídeos e filmes. Resumo extraído da base de dados Curtagora.

WILSON DE BARROS

Anjos da noite

Direção:  BARROS, Wilson de Rodrigues, 1948-1992

Brasil, 1987, Superfilmes

Roteiro: BARROS, Wilson Rodrigues de

Durante uma única noite, em São Paulo, acompanhamos a trajetória de uma série de personagens: Malu, ex-manequim negra que, herdeira do amante, promove artistas marginais; Cissa, jovem estudante de Sociologia que quer desvendar o submundo numa tese universitária; Mauro, que na madrugada se transforma na ”divina Lola”; Teddy, garoto de aluguel; Jorge, diretor teatral que seduz todas as possíveis candidatas a atriz que encontra; Maria Clara, candidata a atriz; Leger, artista plástico que, obtendo um relativo sucesso, vive embriagado de álcool e glória; Bimbo, negro sensual, selvagem e amoral, que faz qualquer coisa por dinheiro – até matar; Milene, criada negra de Malu e amante de Bimbo, cínica e debochada; Guto, jornalista quarentão, homossexual, elegante e discreto; Fofo, misto de ganster e delegado corrupto; e, finalmente, Marta Brum, atriz no ocaso de sua glória que perdeu as curvas mas não a exuberância bem-humorada. Todos eles estão direta ou indiretamente envolvidos com dois crimes aparentemente gratuitos, que vão permanecer insolúveis e impunes até o amanhecer. O primeiro acontece ao entardecer: o secretário de um industrial é brutalmente assassinado por um vendedor ambulante negro, em meio a um engarrafamento de trânsito. O segundo se revela na madrugada: o corpo nu de um jovem é encontrado na banheira ensangüentada de um conhecido ator. Mas, no amanhecer, dois jovens desconhecidos se encontram por acaso, e seus sorrisos ternos vão redimir o peso dessa noite. (Resumo: Cinemateca Brasileira)

Verão

Direção:  BARROS, Wilson Rodrigues de, 1948-1992

Brasil, 1983, Barca Filmes; Embrafilme; Capes; ECA-USP

Roteiro: BARROS, Wilson Rodrigues de

Montagem: DEBS, Vânia

Um casal, isolado numa ilha e perturbado por lembranças de um passado de violência e perseguições, sente-se ameaçado por um cavalo misterioso que tenta invadir sua casa. Dissertação de mestrado do diretor.

CHICO BOTELHO

Cidade oculta

Direção:  BOTELHO JR, Francisco Cassiano, 1948-1991

Brasil, 1986, Orion Cinema e Vídeo

Roteiro: BOTELHO JR, Francisco Cassiano; BARNABÉ, Arrigo; ROGÉRIO, Walter

Anjo (Arrigo Barnabe), depois de ficar livre apos sete anos na cadeia, reecontra seu antigo comparsa, agora chefe de uma organização, e se vê as voltas com a estrela do submundo Shirley Sombra (Carla Camurati), além de arrumar inimizade com um policial corrupto. Sinopse extraída da Wikipédia.

O evangelho segundo Teotônio

Direção:  CARVALHO, Vladimir, 1935-

Brasil, 1984, Microfile; Fundação Teotônio Vilela

Fotografia:BOTELHO JR, Francisco Cassiano

A vida e a carreira política de Teotônio Vilela estão documentadas neste filme. O próprio Teotônio relata fatos de sua vida: a infância, a família, o casamento, mostrados através de antigas fotos. O documentário apresenta sua carreira política desde quando ingressa na UDN, até ser presidente do PMDB. Mostra cenas de manifestações durante uma greve dos trabalhadores do ABC, alguns de seus discursos, sua última aparição em público e sua morte. Participação de Miguel Arraes, Lula, Tancredo Neves, Carlos Castelo Branco, Henfil, Fafá de Belém e Mané Vaqueiro.

As três mortes de Solano

Direção:  SANTOS, Roberto, 1928-1987

Brasil, 1976, ECA-USP

Fotografia: BOTELHO JR, Francisco Cassiano

Montagem: LEONE, Eduardo

Baseado no conto A caçada, de Lígia Fagundes Telles.

1. TRATAMENTO (absurdo e loucura): Solano é frequentemente atormentado por pesadelos em que se vê, durante a Idade Média, perseguido pelo caçador Faro, que pretende matá-lo. Ao descobrir, num antiqüário, uma tapeçaria que representa uma caçada e que o faz lembrar seu sonho, tenta comprá-la, mas a dona se recusa à venda. Quando Solano descobre a caça, penetra na tapeçaria, vindo a morrer. 2. TRATAMENTO (realidade): Durante o ensaio de uma peça teatral cujo tema aborda as relaçöes do caçador e da caça, dois atores, Solano e Faro, antagonizam-se culminando com a morte de Solano. 3.TRATAMENTO (pantomima trágica): Num circo mambembe, o palhaço Solano tenta vender uma tapeçaria à cigana, iludindo-a de que ela é mágica. Surge um lobo, Faro, e mata o palhaço. (Guia de Filmes, jan/jun. 1977)

ROBERTO MOREIRA

Antônia

Direção:  AMARAL, Tata, 1960-

Brasil, 2006, Globo Filmes; O2 Filmes; Tangerina Entretenimento; Coração da Selva

Roteiro: MOREIRA, Roberto; AMARAL, Tata

Som: GODOY, João

Na Vila Brasilândia, periferia de São Paulo, quatro jovens mulheres negras batalham pelo sonho de viver de sua música. Amigas desde a infância, Preta, Barbarah, Mayah e Lena deixam os backing vocals do conjunto de rap de homens para montar seu próprio grupo, Antônia. Descobertas pelo empresário Marcelo Diamante, elas começam a cantar rap, MPB, pop e soul em bares e festas de classe média. Mas quando o sonho de fazer algo da vida parece tomar corpo, as viradas de um cotidiano marcado pela pobreza, pela violência e pelo machismo ameaçam o grupo. Em um acesso de ciúme, Preta rompe com Mayah e com o marido, e assume sozinha o sustento da filha pequena, Emília. Lena cede à pressão do marido, que não quer vê-la cantando rap. E Barbarah, lutadora de kung fu, envolve-se em uma briga fatal depois que o namorado do irmão é morto na porta de sua casa. Separadas por um destino amargo, as quatro terão que lutar para juntar os pedaços do grupo e resgatar a alegria de cantarem juntas. Resumo extraído do site Meu Cinema Brasileiro.

A cidade dos homens: última temporada

Direção:  MOREIRA, Roberto, 1961-; MORELLI, Paulo; GOLDMAN, Adriano; CASÉ, Regina; MEIRELLES, Fernando, 1955-

Brasil, 2005, TV Globo; O2 Filmes

Laranjinha e Acerola, agora jovens entrando na idade adulta, enfrentam a batalha diária pela sobrevivência, no morro e no asfalto.

Contra todos

Direção:  MOREIRA, Roberto, 1961-

Brasil, 2004, Coração da Selva; O2 Filmes

Roteiro: MOREIRA, Roberto

Som: GODOY, João

Na aridez de um bairro da periferia de São Paulo vivem Teodoro, sua filha adolescente, Soninha, e sua segunda mulher, Cláudia. Mas o dia-a-dia dessa família classe média baixa está assentado sobre mentiras. Por trás da fachada de homem religioso, Teodoro ganha a vida como matador, bate na revoltada Soninha e tem uma relação extraconjugal com Terezinha, sua companheira de culto. Vaidosa e insatisfeita no casamento, Cláudia vive um caso com Júlio, filho do açougueiro da vizinhança. Em torno do grupo orbita Waldomiro, amigo e sócio de Teodoro e objeto do desejo de Soninha. A ação é desencadeada pelo assassinato de Júlio. Culpando o marido, Cláudia destrói a casa e foge. Num hotel do Centro, conhece o porteiro Lindoval, com quem começa um namoro. Exausto, Teodoro decide deixar sua vida em São Paulo, casar-se com Terezinha e mandar Soninha para a casa da avó. Mas nada sai como planejado. Quando Lindoval é espancado por carecas até quase a morte, Cláudia suspeita do ex-marido. Na mesma noite, Terezinha recebe em casa uma fita de vídeo em que Teodoro transa com Cláudia. O matador atribui a idéia da fita a Cláudia. O engano duplo prepara o desfecho chocante da história, entrecortado por várias revelações e por uma surpresa final. Sinopse extraída do site oficial do filme.

Quanto dura o amor?

Direção: Roberto Moreira

Brasil, 2009, Coração da Selva

Marina, jovem aspirante a atriz, chega a São Paulo cheia de sonhos de independência e realização profissional. Vai dividir um apartamento com Suzana, advogada solitária que guarda um misterioso segredo. Na noite, Marina se encanta pela cantora Justine, entrando num arriscado triângulo amoroso com o marido dela. No Fórum, Suzana e o colega Gil começam um namoro. Na rua, o romântico Jay, escritor de um livro só, elege para musa a prostituta Michelle. No ritmo impiedoso da cidade, eles vão viver a euforia da paixão e a sua outra face. São Paulo, entre encontros e desencontros, elevadores e elevados, esbarões e tropeços, você vai descobrir quanto dura o amor.

colaboração: Mateus Lourenço



Dia da Consciência Negra

18/11/2011

Curtas brasileiros, produções de Hollywood, trabalhos acadêmicos, reportagens, documentários, obras polêmicas ou não.  Spike Lee, Jeferson De, Walter Lima Jr, Eduardo Coutinho, Jean Rouch e vários outros cineastas. A Biblioteca da ECA tem vários  filmes sobre  racismo, discriminação, escravidão, cultura africana e afro-brasileira etc.  Escolha, assista, discuta.

Abolição – BULBUL, Zózimo

Realizado no ano da Comemoração do Centenário da Abolição dos Escravos, este documentário retrata a situação dos negros no país desde a promulgação da Lei Áurea. Apresenta fotos e imagens dos fatos sociais e políticos relevantes ocorridos desde 1888; imagens do cotidiano e da situação de moradia e emprego dos negros no Brasil na atualidade; trechos de teatro infantil de bonecos sobre o tema; encenação da Princesa Isabel promulgando a abolição; depoimentos de várias pessoas e personalidades que discorrem sobre o centenário, entre elas: padres, políticos, esportistas, sambistas da velha guarda das escolas de samba do Rio de Janeiro, um senhor negro de 120 anos, ator Grante Otelo, cantor e deputado Agnaldo Timóteo, a então vereadora Benedita da Silva, o neto da Princesa Isabel, entre outros. Nos depoimentos destacam-se assuntos como: os protestos dos negros e a formação dos quilombos, a abolição, a não realização de uma reforma agrária e a vinda de mão de obra imigrante; o preconceito e a discriminação racial; o movimento literário e a imprensa negra do início do século; o samba; a cultura negra; o teatro experimental do negro da década de quarenta; Lei Afonso Arinos; os veículos de massa e os negros etc.

Blue eyed (Olhos azuis) – ELLIOT, Jane

Aborda o trabalho da educadora norte-americana Jane Elliot, mostrando um workshop realizado para adultos na década de 90 e cenas de um exercício em sala de aula para crianças, em 1968. Jane desenvolveu com crianças e adultos uma atividade de conscientização: fazer com que crianças e adultos brancos, por um dia, se sintam discriminados como os negros. Durante o workshop com adultos, são separados dois grupos: um de pessoas negras, ou imigrantes latinos que são identificadas como as pessoas de olhos castanhos e outro grupo, que são os norte-americanos de ascendência anglo-saxônica, identificados como as pessoas de olhos azuis. As pessoas de olhos castanhos são instruídas a discriminarem as brancas de olhos azuis, a chamarem-nas de burras, preguiçosas e desmotivadas, as tratarem como crianças e por diminutivos. Em um depoimento, Jane conta que escolheu a cor dos olhos como critério de exclusão, por influência do mesmo método utilizado pelos nazi-fascistas na Alemanha da Segunda Guerra Mundial para discriminar os judeus. Como branca, ela não aceita ser omissa frente à discriminação, sob o risco de corroborar com ela e tenta passar esta idéia para os participantes, ensinando o valor de não se submeter ao preconceito e à opressão para ser aceito na sociedade, ao contrário do que é normalmente ensinado nas escolas e na própria criação familiar dos Estados Unidos.

Boyz’n the hood (Os donos da rua) – SINGLETON, John

Ambientado na região com o maior contingente de negros da cidade de Los Angeles (EUA), conta a história de três jovens com objetivos e estilos de vida bastante diferentes.

Chico Rei – LIMA JR, Walter

No século XVIII, entre os escravos que trabalhavam nas minas de ouro de Vila Rica está Galanga, rei do Congo, o Chico Rei. Desde que chegou ao Brasil, após perder a sua mulher durante a viagem, ele tenta libertar seu povo. Descobrindo uma importante reserva de ouro, Chico compra sua liberdade. Proprietário, ele permite a vários escravos comprar sua própria liberdade, num ambiente de crescente efervescência social contra o colonialismo. Não se sabe o que aconteceu em seguida a Chico, mas ele continua presente na memória popular e no folclore afro-brasileiro (Centre Georges Pompidou, Le cinéma bresilien, p.309).

The color purple (A cor púrpura) – SPIELBERG, Steven

Drama baseado na obra homônima de Alice Walker. História de um mulher negra, violentada pelo pai e separada da irmã durante quarenta anos, cercada de mulheres igualmente maltratadas por seus homens, revelando o machismo da comunidade afro-americana. Resumo: FDE, Série Apontamentos.

Discriminação, minorias e racismoGOIFMAN, Kiko; BITTAR, Eduardo

Vídeo de caráter didático, produzido pela Associação Nacional de Direitos Humanos Pesquisa e Pós-graduação com o objetivo de motivar discussões sobre o tema em sala de aula.

Distraída para a morte – DE, Jeferson

Três adolescentes negros andam pelas ruas da cidade de São Paulo, dois rapazes e uma garota. Ela é mais pensativa, quieta, eles mais despreocupados, rindo de piadas racistas contadas por um deles. Fazem uma brincadeira, onde um deles é sorteado e deve atravessar uma avenida movimentada com uma venda nos olhos. A garota atravessa primeiro, o próximo é atropelado e o outro foge, deixando a garota segurando o rapaz morto.

Do the right thing (Faça a coisa certa) – LEE, Spike

Num dia quente no Brooklyn, um cliente negro da pizzaria mais freqüentada da região fica insatisfeito por não ter fotos de negros famosos junto às fotos na parede de astros ítalo-americanos. Sal, o dono do estabelecimento não concorda e discute com o cliente, que sai ameaçando organizar um boicote à pizzaria. Mookie, o único funcionário negro do local, já está cansado de trabalhar lá e de discutir com o filho rascista do seu chefe. Durante o passar do dia e com a temperatura muito alta, os ânimos vão se exaltando e a tensão vai crescendo entre os negros e o dono da pizzaria, até culminar numa briga. A polícia os separa e o rapaz que batia em Sal é morto por policiais. Quando a polícia vai embora, Mookie e os outros começam a quebrar, saquear e incendiar tudo até o local ser totalmente destruído. Na manhã seguinte, o funcionário procura seu ex-patrão para cobrar seu salário.

Driving Miss Daisy (Conduzindo Miss Daisy) – BERESFORD, Bruce

Drama baseado em peça de Alfred Uhry sobre a relação entre uma viúva judia que já não pode dirigir e um motorista negro contratado por seu filho, abordando a velhice e o racismo no Sul dos Estados Unidos.

O fio da memória – COUTINHO, Eduardo

Realizado de 1988 a 1991, no Estado do Rio, o filme procura condensar, em personagens e situaçöes do presente, a experiência negra do Brasil, a partir de dois eixos – as criaçöes do imaginário, sobretudo na religião e na música, e a realidade do racismo, responsável pela perda de identidade étnica e pela marginalizaçäo de boa parte dos cerca de 60 milhöes de brasileiros de origem africana. Gabriel Joaquim dos Santos, trabalhador de salina e artista semianalfabeto que construiu em Säo Pedro da Aldeia, a Casa da Flor- feita de restos de obras e fragmentos retirados do lixo – é o fio condutor do filme. Ligando temas e personagens, a vida de Gabriel, contada por ele mesmo, revela o esforço obsessivo de um homem para deixar marcas de sua existência no mundo (resumo extraído da capa do vídeo). Imagens: interior e exterior da Casa da Flor, mostrados em detalhes; retratos de escravos brasileiros, feitos pelo fotógrafo Cristiano Jr. (1866); culto à escrava Anastácia; rituais de candomblé e umbanda: danças, oferendas a Iemanjá, festas de Cosme e Damião, festa de Omulu; favelas; manifestaçöes e passeatas do movimento negro. Depoimentos: ex-escravos; mäe de santo Carmen de Oxum; sambistas Carlos Cachaça, Sinval Silva e Aniceto do Império; meninos de rua; internos da FUNABEN; favelados que foram presos e amarrados com cordas, em 1992; Benedita da Silva, na época deputada federal.

Ganga Zumba – DIEGUES, Carlos

A criação do Quilombo dos Palmares traz uma esperança aos escravos das plantações de cana-de-açúcar no período colonial. Um grupo empreende uma fuga. Uma das mulheres segue viagem sozinha, procurando uma solução individual. Os outros tentam encontrar Palmares, mas são traídos e caem numa emboscada. Ganga Zumba, seu futuro líder, mata o traídor e conduz o grupo até a nova terra prometida: Palmares (Centre Georges Pompidou, Le cinéma bresilien, p.278).

Hip-hop – CÉSAR FILHO, Francisco

Painel da cultura hip-hop em São Paulo, que documenta manifestações artísticas da juventude negra da cidade, como o rap, a dança de rua e o graffiti. Contém imagens de garotos dançando na rua, fotos que registram a violência policial, depoimentos de meninos de rua e um número musical da dupla Thaíde e DJ-Um. A violência urbana é o tema dominante.

His trust – GRIFFITH, D.W.

Oficial confederado parte para a guerra, deixando mulher e filha aos cuidados de George, um empregado negro. Após a morte do patrão, George continua cuidando da família, que salva de um ataque dos soldados yankees.

Jaguar – ROUCH, Jean

Para registrar o fenômeno da migração de jovens do Níger para a Costa do Ouro (atual Gana), Jean Rouch acompanhou três desses migrantes por um ano, filmando sua jornada, sem som. Posteriormente, mostrou aos personagens o material filmado, pediu-lhes que comentassem o que estavam vendo e incorporou esses comentários à trilha sonora do filme. Durante a viagem, os personagens vão encontrando pessoas e costumes diferentes dos seus, passam aldeias e cidades, encontram o mar e enfrentam as alfândegas. São documentados detalhes do cotidiano dos povos da região, rituais religiosos, formas de trabalho, danças e festas.

Jubiabá – SANTOS, Nelson Pereira dos

Drama baseado na obra homônima de Jorge Amado. Conta a história do amor impossível entre o negro Antônio Balduíno e Lindinalva, filha do comendador Ferreira, por quem o menino foi criado. Após sua expulsão da casa, Balduíno se torna famoso no meio dos malandros e marinheiros do cais. Resumo: FDE, Série Apontamentos.

Les maîtres fous (Os mestres loucos) – ROUCH, Jean

Estudo antropológico realizado a partir de um ritual praticado pela seita dos haoukas em Gana, África. A comunidade costuma se reunir diariamente após o trabalho num mercado local, onde os membros se juntam para passar o tempo. No domingo, saem da cidade em direção a um local isolado na mata. É lá que praticarão seu rito. Ele se inicia quando alguns deles admitem ter cometidos faltas. Para se redimir delas começam a entrar num outro nível de consciência, chegando a um estado de transe, no qual incorporam os espíritos dos haoukas. Haoukas são para os membros da seita representações particularizadas de elementos da cultura britânica. Assim o guarda, o governador, o general assumem para eles papéis de divindades, as quais personificam durante o rito. Chegar a esse estado corresponde a estar em um nível superior aos demais homens. Para demonstrar que realmente incorporaram os haoukas, devem se submeter à prova final do rito: sacrificar um cão e comer a sua carne; quem o fizer será um verdadeiro haouka e continuará como membro da seita. No dia seguinte, voltam à sua rotina de trabalho como se nada tivesse ocorrido.

O melhor amigo do homem – SAVIETTO, Tânia

O adestramento de cães pastores alemães, onde os treinadores são quase sempre alemães e as “vítimas”, negros que realizam seu trabalho como quem dança um balé africano (resumo da diretora).

Minoria absoluta – AUTRAN, Arthur

Intelectuais negros discorrem sobre temas como a posiçäo do negro na Universidade, a relaçäo entre cultura negra e cultura acadêmica, a opçäo pela negritude, as dificuldades na divulgaçäo da produçäo intelectual do negro e outros. Depoimentos de: Dulce Pereira, Clóvis Moura, Milton Santos, Fernando Conceiçäo e Emanoel Araújo.

Moi, un noir (Eu, um negro) – ROUCH, Jean

Os personagens da história são representações extraídas diretamente da realidade em que vivem os jovens que os interpretam; ou seja, estes representam a si mesmos, rompendo, desse modo, com a barreira que se estabelece entre ficção e realidade. Esses jovens são migrantes nigerianos que partem de suas pequenas comunidades, abandonando família e escola, para tentar prosperar na cidade de Abidjan, na Costa do Marfim, e, assim, adaptar-se e integrar-se aos valores da cultura ocidental. Dentro desse contexto se situa o cotidiano de dois rapazes: Edward  G. Robinson e Eddie Constantine. Ambos trabalham em subempregos na cidade, Robinson é carregador no porto e Constantine, vendedor de tapetes. Um contraponto à rotina de trabalho exaustiva e tediosa de Robinson é, segundo o próprio, a chegada do fim-de-semana, sobretudo sábado, único dia no qual se considera verdadeiramente feliz, quando se reúne com os amigos para ir à praia e sair à noite. No domingo, por sua vez, se junta a Constantine para ir a Goumbé, uma espécie de sociedade particular à qual pertencem, e onde se realizam danças, concursos e música. Na segunda-feira, tudo recomeça, com uma diferença: Eddie Constantine é preso e terá que passar três meses na prisão.

Múltiplos e fragmentos: resignificando traços da identidade do homem negro brasileiro, através da arte brasileira – FONSECA, Celso Matias da

Documentação audiovisual da tese do autor: áudio e texto dos depoimentos; vídeo da performance O corpo; imagens das exposições Impressões digitais, Navios negreiros e Ifá; material recolhido durante a visita à Irmandade da Boa Morte, em Cachoeira (BA).

Offerings: making personal collections into public history
JUNGELS, Bob

Apresenta o trabalho de museus especializados em cultura afro-americana, nos Estados Unidos, que organizam exposições a partir de coleções pessoais de membros da comunidade. Na primeira parte, destaca a mostra The sounds of this city, sobre a música negra do século 20, na Filadélfia, organizada pelo Afro-American Historical and Cultural Museum. Na segunda parte, apresenta a instalação montada por Marie Johnson-Calloway no The Museum of African-American Art, que recria o ambiente da comunidade na qual a artista cresceu, incluindo a reprodução de uma igreja na qual se apresenta um coral gospel. Mostra também a exposição Homecoming: African-American Family History in Georgia, na Herndon Home, a única residência de família negra nos Estados Unidos que se tornou museu. Há depoimentos de membros da equipe dos museus e dos colecionadores que ajudam a montar as exposições, entre eles uma senhora de mais de 90 anos que tem sua casa repleta de objetos históricos.

O olhar indignado de Jane Elliot

Aborda o trabalho da educadora norte-americana Jane Elliot, mostrando uma atividade realizada com universitários na década de 90. Assim como no workshop feito com adultos já graduados, Jane separou dois grupos: estudantes negros e estudantes brancos. Numa sala de aula, fez com que jovens estudantes brancos se sentissem discriminados por algumas horas, da mesma forma que os jovens negros se sentem todos os dias. Tentou ensinar a todos os participantes o valor de não se submeter ao preconceito e à opressão para ser aceito na sociedade, ao contrário do que é normalmente ensinado nas escolas e na própria criação familiar dos Estados Unidos.

Ori – GERBER, Raquel

Beatriz Nascimento e seu álbum de família são ponto de partida para ilustrar como a cultura africana foi reproduzida no Brasil. O documentário explica o significado de ritos afro-brasileiros e apresenta imagens de eventos importantes, tais como: Quinzena do negro – USP (1977), Dia nacional da consciência negra – S. Paulo (1977), Ensaio e desfile da Escola de Samba Vai-vai (1990), III Congresso de cultura negra das Américas – S. Paulo (1992).

O povo brasileiro: Matriz afro
FERRAZ, Isa Grinspum; FREDERICO, Flávio; FARIAS, Mauro

Série baseada na obra do antropólogo Darcy Ribeiro, que investiga a formação do povo e da nação brasileira. Este capítulo aborda a herança africana na cultura brasileira. Apresenta a civilização africana antes da chegada dos europeus e a cultura original dos povos trazidos ao Brasil como escravos; bantos, malês e yorubás. São exibidas imagens de arquivo, em preto e branco, documentando lugares e povos da África. Depoimentos de Carlos Serrano, François Neyt, das mães de santo Mãe Filhinha e Mãe Estela, e de Darcy Ribeiro, explicando porque considera o negro “o componente mais criativo da cultura brasileira”.

A propaganda contraintuitiva e seus efeitos em crenças e estereótiposLEITE, Francisco Vanildo

Contém 6 comerciais de TV analisados na tese do autor: Margarina Qualy; Automóvel Palio: A escola, O elevador, O motorista; Micro-ondas Brastemp; Banco Real

Quilombo – DIEGUES, Carlos

No século XVII, um grupo de escravos se rebela em um engenho de açúcar da Capitania de Pernambuco. Fogem para as montanhas e instauram o Quilombo dos Palmares. À frente dos rebeldes está Ganga Zumba, rei dos Palmares. Palmares é o refúgio de todos os oprimidos, sejam negros, brancos, índios, soldados ou comerciantes. Vítima de traição, Ganga Zumba morre e a liderança passa a ser de Zumbi, seu afilhado. Palmares é invadido e Zumbi é morto pelo Bandeirante Domingos Jorge Velho a mando dos governantes.

Ragtime – FORMAN, Milos

No início do século 19, as vidas de diversos habitantes de Nova York são afetadas pelos acontecimentos mundiais. Entre eles, um pianista negro que, assaltado por homens brancos que não suportam seu sucesso, tenta, em vão, obter justiça.

A raisin in the Sun (O sol tornará a brilhar) – PETRIE, Daniel

A família Younger, formada pela viúva Lena, seus dois filhos, uma nora e um neto, vive em um pequeno apartamento em Chicago. Lena recebe um cheque do seguro do marido e começa a pensar como aplicá-lo. O filho Walter tenta convencê-la a dar-lhe o dinheiro para investir numa sociedade que envolve a venda de bebidas, mas ela é contra, assim como a nora e a filha. Após muitas desavenças, Lena decide dar uma parte do dinheiro como entrada numa casa em nome do neto. A outra parte, ela entrega ao filho para que aplique um pouco em seus negócios e o restante para os estudos da irmã. Todos ficam desanimados quando recebem a visita do representante dos seus novos vizinhos brancos, informando que a família não será bem-vinda ao condomínio. Desesperam-se ainda mais ao descobrirem que Walter aplicou o dinheiro todo em sua sociedade e que o sócio o enganou, fugindo com o investimento. Walter decide não ceder à pressão do representante do condomínio e toda a família muda-se para a nova casa.

Retrato em branco e preto – ARAÚJO, Joel Zito de

Carta de um homem negro denunciando a persistência do racismo na sociedade e na mídia brasileira, um século depois do fim da escravidão. Apresenta as contradições entre duas imagens sobre as relações raciais no Brasil. A imagem do país divulgada no exterior, que difunde um retrato de paraíso e democracia racial. A imagem interna, apresentada nos livros didáticos e na televisão, onde persistem estereótipos negativos contra a população negra.Imagens: desfile de carnaval, com mulheres negras sambando; Olodum, Ilê Ayê e outros blocos afro-brasileiros da Bahia; trechos de programas e anúncios de televisão onde só aparecem brancos em contraponto a imagens de negros em situações de marginalidade.

São Paulo memória em pedaços: Bixiga
DUARTE, Neide; POLI, Maria Cristina

No bairro paulistano do Bixiga, convivem dois povos: os negros e os imigrantes italianos e seus descendentes. Uma cerimônia de batismo mostra influência de rituais africanos; uma grande família mestiça aparece reunida para tocar samba. Traz depoimentos de uma dona de cortiço, do proprietário de uma padaria tradicional, de Rui Afonso, sobre o Teatro Brasileiro de Comédia e da dona de uma cantina, sobre seu encontro com a cantora Elis Regina. Imagens do casario do bairro, de um conjunto musical tocando na escadaria do Bixiga, do casarão de D. Iaiá (a Louca do Bixiga), de padarias e cantinas, do TBC, da procissão da festa de Nossa Senhora Achiropita e do músico Adoniran Barbosa, com amigos numa mesa de bar.

School daze (Lute pela coisa certa) – LEE, Spike

Universidade só para negros no Sul dos EUA é o palco para muitas confusões, romances e intrigas. Para conseguir levar adiante seu plano de forçar os administradores da escola a boicotar o regime sul-africano, o ativista Dap terá primeiro que conscientizar seus colegas, uma tarefa complicada. Resumo VideoBook.

Sinhá Moça – PAYNE, Tom

No final do século XIX, as fugas de escravos alarmaram os fazendeiros. Sinhá Moça, filha de um coronel, volta de São Paulo com ideias abolicionistas. Apaixona-se por um rapaz, mas repudia suas ideias escravagistas. Um levante de escravos termina em caçada humana. Quando o líder da revolta é levado a julgamento, seu advogado é, para surpresa geral, o jovem amado por Sinhá Moça. Durante o processo, um mensageiro vem anunciar que a escravidão foi abolida no Brasil (Centre Georges Pompidou, Le cinéma bresilien, p.269).

La ultima cena (A última ceia)  – GUTIÉRREZ ALEA, Tomás

No final do século 18, durante a Semana Santa, um conde de Havana reúne, na quinta-feira, doze escravos para lavar-lhes os pés, sentá-los à mesa e servir-lhes a ceia. Ao serem obrigados a trabalhar na sexta-feira santa, os escravos iniciam uma rebelião que é fortemente reprimida (Resumo extraído da base de dados do Memorial da América Latina).

Xica da Silva – DIEGUES, Carlos

No século XVIII, em Arraial do Tijuco, hoje Diamantina, Minas Gerais, o contratador de diamantes José Fernandes de Oliveira é enviado ao Brasil por D. José I para explorar a extração de pedras preciosas. Ele implantou sistemas modernos e eficazes de extração, fazendo fortuna e incomodando Lisboa. Apaixonou-se por Xica da Silva, escrava negra, concedendo-lhe alforria e dando-lhe direitos e poderes que escandalizaram a burguesia colonial. Satisfaz os desejos mais extravagantes de Xica e, gradativamente acirra os ânimos da sociedade e da coroa. Volta à Portugal a mando da coroa, deixando Xica no Arraial do Tijuco.


A tese de que você precisa está em outra biblioteca?

03/11/2011

Se você estiver precisando de cópias de documentos de outras bibliotecas, o Programa de Comutação Bibliográfica (Comut) pode ajudar. Artigos de periódicos, teses, dissertações etc., podem ser solicitados.

Para usar o Comut através da nossa biblioteca é preciso informar corretamente a biblioteca base (a biblioteca na qual o item será solicitado) e informações bibliográficas tais como:

  • Artigos de periódicos: autor, título do artigo, título do periódico, volume, número do fascículo, ano e páginas do artigo.
  • Tese e dissertação: autor, título, ano e nome da universidade onde foi defendida.
  • Anais/proceedings/conferência: título da conferência, promotor do evento, data de realização do evento, publicador, local de publicação, ano, volume, parte, páginas, autor e título do artigo.
  • Relatórios: número do relatório, autor, título, local de publicação, publicador e ano.
  • Publicações oficiais: país ou estado, órgão, autor e título, local de publicação, publicador e ano.

O COMUT é um serviço pago, cada cinco cópias custam R$ 2,20 (nacional), a solicitação só é feita mediante pagamento antecipado. O prazo de atendimento depende da agilidade da biblioteca base e da escolha do usuário se quer o material impresso ou eletrônico.

Usuários de outras bibliotecas que queiram ter acesso a documentos da Biblioteca da ECA devem entrar em contato com sua biblioteca de origem ou acessar a página do Comut no site do Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia (Ibict).


Colocando os discos em ordem

27/10/2011

por Marina Macambyra

Muita gente nos pergunta como a Biblioteca da ECA organiza seu acervo de discos, porque gostaria de arrumar sua coleção particular de forma correta.

Na verdade, são duas perguntas e duas respostas. A forma de organização de uma biblioteca pode não ser a mais adequada para uma coleção particular.
Nossa Biblioteca tem mais de 9.000 discos, e atende a um público grande e heterogêneo, que precisa localizar discos por compositor, intérprete, arranjador, auto de texto, título do disco, título das músicas, meio de expressão e assunto, pelo menos. Para isso é necessário uma base de dados com estrutura bastante complexa. A ordem dos discos nas estantes é o que menos importa, porque não é isso que vai responder às questões dos usuários.
Para uma coleção menor e que atenda apenas ao seu proprietário, a melhor solução é organizar fisicamente os discos por alguma lógica que permita encontrar os discos sem precisar de um catálogo ou base de dados, coisa sempre difícil de ser preparada.


Se você tem uma coleção grande e necessidades semelhantes às de uma biblioteca, não tem jeito. Você vai precisar contratar um profissional para fazer o trabalho, e esse profissional se chama BIBLIOTECÁRIO. Pois é, bibliotecários também sabem organizar discos, filmes, fotografias, além de livros. Contrate um ou uma, explique direitinho o que você precisa e peça uma forma de organização que você consiga manter depois. Sim, porque sua coleção vai continuar crescendo e esse profissional, em princípio, não vai ficar morando com você.
Mas se você tiver entre 500 e 1000 discos, digamos, e não for muito obsessivo em relação à ordem, posso dar algumas sugestões. Mas antes, dois  alertas:

1.  Não existe uma única forma correta para organizar discos. Vai depender da sua necessidade e das suas possibilidades.
2.  Organização perfeita também não existe. Algum nível de improvisação sempre será necessário.

Classificando a coleção

Separe seus discos em categorias gerais. Por exemplo: Música Popular, Música Erudita, Trilha sonora de filmes e programas de TV. Provavelmente será necessário subdividir essas primeiras categorias:
Música popular
      Música popular brasileira
       Outros países
        ou
Música popular
        Vocal
        Instrumental

É possível ir fazendo outras subdivisões hierárquicas conforme a necessidade e subdividir a música popular brasileira em ritmos e gêneros, por exemplo, mas tenha cuidado. Quanto mais subdivisões a gente inventa, mas difícil se torna a manutenção do sistema. Tente manter no máximo três níveis, mesmo que seja necessário deixar no mesmo nível categorias que deveriam, pela lógica, ficar uma dentro da outra.
Os pequenos problemas de classificação logo vão aparecer. Alguns discos se encaixam em mais de uma categoria, outros não se encaixam em nenhuma. As bibliotecas e as lojas de discos também têm esse problema da realidade que sempre teima em fugir aos esquemas. O disco da Sarah Vaugham cantando música brasileira fica onde? A opção pelo intérprete é a mais usual, mas não é obrigatória. Decida o critério e procure manter o mesmo para outras situações semelhantes. E as coletâneas que têm um pouco de tudo? Invente a categoria Coletâneas ou force a barra e classifique na categoria que predomina no disco (se houver uma), ou  onde se encaixam suas músicas prediletas, porque não existe uma fórmula certa para resolver o problema.
Inventar suas próprias categorias pode ser divertido, mas considere a opção de usar um sistema já testado. Copiar ou adaptar a organização de uma loja de discos que tenha uma solução interessante ou uma classificação de biblioteca pode ser uma boa ideia.
Vejam, por exemplo, o esquema usado pela Discothèque de France, e minha própria versão, traduzida e adaptada:
0 Música popular do mundo
000 Antologias
010 África Negra
020 Magreb, Oriente Médio, Ásia Central
030 Extremo Oriente
040 América do Sul (menos Brasil)
050 Antilhas e América Central
052 Reggae, raggamuffin, dub, ska
060 América do Norte
070 Europa meridional e oriental
080 Europa setentrional, central, ocidental
090 Música brasileira
091 Samba
092 Caipira e música de raiz
093 Bossa Nova
095 Canção brasileira
Essas classes podem ser subdivididas por país.
1 Jazz
110 Blues
115 Gospel, spirituals
180 Soul, rhythm and blues, funk
2 Rock
3 Música erudita
Antologias
300 Antologia geral
301 Canto gregoriano
302 Idade Média, Ars antiqua, Ars nova
303 Renascimento
304 Barroco
305 Época clássica
306 Romantismo e pós-romantismo
307 Final do Século 19
Recitais
310 Pianos
320 Cravos
330 Órgão
340 Cordas
350 Harpas e liras
360 Violões e alaúdes
370 Madeiras e sopros
380 Metais
390 Percussão
398 Orquestra e regentes
399 Vozes e coros
Dividir por instrumentos específicos, se necessário.

Gêneros musicais
300.10 Música de câmara
.11 Música para 1 instrumento
.19 Concerto
.20 Música sinfônica
.24 Sinfonia
.28 Música e suíte para balé
.30 Música vocal profana
.35 Ópera (integral e excertos)
.37 Opereta
.40 Música vocal sacra

4 Música do século 20
.10 Música de câmara
.20 Música sinfônica
.30 Música vocal profana
.40 Música vocal sacra
.50 Open musique

5 Diversos
511 Comédia e filmes musicais
520 Trilhas de filme e televisão
530 Hinos diversos
550 Expressão corporal, ginástica, relaxamento
551 Danças folclóricas
560 Música pitoresca, fanfarra, música de circo
570 Música de ambientação
572 Música de dança popular, tango, valsa
580 Música para cerimônias : casamentos, funerais
590 Sons diversos, ruídos, animais

Muito complicado? Veja uma proposta mais simples:

Minha sugestão

Música popular
Divisão geográfica: países, continentes, regiões, estados (o que for mais conveniente). Se for interessante, usar a tabela da Discothèque de France. Esse tipo de divisão só é útil para quem tem um acervo grande e eclético, com música de muitos países.
Subdividir por:
Gêneros, ritmos e movimentos específicos
Trilhas de filmes, peças teatrais, programas de TV
Música para dançar
Música para crianças
Cantores solistas, cantores compositores
Antologias de um único compositor (songbooks)
Música instrumental

Quem não usar a divisão geográfica, pode classificar somente de acordo com as categorias acima. Depende do gosto.

Música erudita: usar a tabela da Discothèque de France.

Talvez seja necessário criar algum tipo de código para cada uma dessas categorias, para poder identificar cada disco com uma etiqueta. Facilita a guarda, evita confusões. O código pode ser numérico, alfabético ou alfa-numérico, mas precisa ser simples.
Muita gente gosta de trabalhar com cores. Dá para identificar cada categoria com uma cor e botar uma etiqueta da cor correspondente? Dá, mas cuidado. Cores são boas para decorar e, no máximo, para sinalizar, não para organizar. Você corre o risco de esgotar as cores nitidamente diferentes, ou de começar a confundir laranja com vermelho. Números costumam ser mais eficientes para esse tipo de coisa.

O esquema da Discothèque parece baseado na Classificação Decimal de Dewey (CDD), bastante utilizada em bibliotecas para classificar acervos de livros. Estou preparando uma versão resumida da parte de música dessa tabela, usando apenas as classes que considerei mais úteis para usar num acervo de discos. Se ficar interessante, publico num próximo post.

A ordem alfabética

Diante dos problemas que surgem ao classificar a coleção, a tentação de colocar tudo em ordem alfabética é grande. Parece uma forma de simplificar a tarefa, boto tudo em ordem alfabética e pronto. Pronto nada. Pode ser o começo dos problemas.
Ordem alfabética de quê? De título? Tente encontrar o título de todos os seus discos. De nome de artista? Qual, o intérprete ou o compositor? É sempre fácil identificar o responsável principal pelo disco, o nome pelo qual você vai ordenar? Outra questão: ordenar por nome, sobrenome ou pelo nome mais conhecido? São várias decisões que vão levá-lo, quase que fatalmente, a não lembrar onde colocou a Cyda Moreira cantando o Chico Buarque.

Se você pensa em usar a ordem alfabética, lembre-se de que quanto maior o universo, maiores serão os problemas de alfabetação. Por esse motivo, essa deve ser sua última forma de ordenação, a ser usada quando você tiver esgotado todas as possibilidades de divisões por categorias. E pense seriamente em colocar uma pequena etiqueta no disco com a letra escolhida para ordenação, para ajudá-lo a lembrar de que colocou o Tom Jobim no “T” de Tom, não do “J” de Jobim ou no “A” de Antônio.

Minha experiência pessoal é engraçada. Organizei minha pequena coleção particular de uns 300 discos, se tanto, da forma mais simples possível. Dividi os discos em Música Erudita, Música Popular Brasileira e Música Popular Internacional. Dentro de cada categoria, coloquei os discos numa única ordem alfabética de intérprete individual, banda ou conjunto, compositor e título. O intérprete foi o elemento escolhido quando se tratava de discos de um mesmo cantor, instrumentista ou grupo. Para as coletâneas de obras de um mesmo compositor – Songbook Noel Rosa, por exemplo – o disco foi ordenado pelo nome do compositor. O título foi escolhido quando era bastante evidente e me parecia o melhor elemento para definir o conteúdo gravado, por exemplo: Modinhas de amor (coletânea de modinhas antigas, de vários autores e intérpretes); Baile perfumado (trilha de filme).

Muito fácil, mas quando comprei diversos discos de tango, acabei juntando todos no “T” de tango, porque seria totalmente incapaz de lembrar os nomes de todos os artistas que não fossem Gardel e Piazzolla. O mesmo aconteceu com os discos de flamenco, o que deixou evidente a necessidade de criar mais subcategorias no meu acervo.

Além disso, sempre tenho dificuldades em encontrar aquela cantora de Cabo Verde que não é a Cesária Évora. Se eu tivesse sido menos bibliotecária e seguido minha tendência natural a agrupar as coisas por afinidades difusas e ecléticas, teria colocado a Mayra Andrade junto da Cesária, um nome que não esqueço. E a Maria Rita ao lado da mãe dela, e todos os músicos baianos enfileirados na mesma prateleira, Chico César perto de Zeca Baleiro. Uma ordem menos técnica, sem dúvida, mas talvez mais eficiente para essa situação específica. Por que não?

Armazenagem e conservação

A poeira, as altas temperaturas e a umidade relativa do ar são os maiores inimigos dos discos, tanto em vinil quanto em CD.
Qual o mobiliário ideal para guardar discos? Estantes ou armários de aço fechados seriam a solução mais adequada, mas na casa da gente pode ser difícil. São caros e comprometem a decoração. Por esse motivo a maioria das pessoas acaba optando por mobiliário de madeira. O problema é que a madeira é uma substância higroscópica, que absorve a umidade do ar.
Analise o ambiente de sua casa. É muito úmido? Seus armários que ficam fechados por muito tempo cheiram a bolor? Opte por estantes de madeira abertas e cuide bem da limpeza. Você não percebe sinais visíveis de umidade alta, mas a poeira que vem da rua é um horror? Talvez seja melhor guardar os discos em armários fechados, com o cuidado de abrir sempre as portas, para ventilar a coleção. Escolha mobiliário de madeira dura, de boa qualidade.


Discos em vinil não podem ser empilhados, precisam ficar na posição vertical. Nunca deixe seus discos tombados, vertical é vertical mesmo, sempre. Se precisar, use aparadores em forma de “L” para segurar a coleção, desses que as bibliotecas usam.


Mantenha seus discos sempre dentro das capas ou estojos e cuidado para não deixar suas impressões digitais na superfície de leitura. Para saber mais sobre conservação e limpeza de discos, veja indicações de bibliografia e textos esse outro post:

A volta do vinil na Biblioteca da ECA

Outras abordagens

Imagino que muita gente tenha outra concepção de organização de discos. Pessoas com mais conhecimento de música do que eu com certeza terão considerações a fazer sobre minhas sugestões de classificação. Se for o seu caso, faça um comentário, mande suas sugestões.
E você já teve uma experiência boa ou mesmo totalmente catastrófica organizando discos? Vale a pena contar tudo, pode ser útil para outras pessoas.

 

 


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