Um dia no serviço de atendimento da Biblioteca

04/05/2012

O serviço de atendimento de uma biblioteca lida com necessidades específcas dos usuários, das pessoas que procuram a biblioteca seja presencialmente ou usando um dos canais que colocamos à disposição para atendimento (e-mail, chat, telefone). Enquanto as outras seções da biblioteca lidam com um usuário padrão, e portanto abstrato, no atendimento cada questão é diferente, mesmo que às vezes pareça igual. A mesma questão feita por pessoas diferentes requer frequentemente respostas diferentes, adaptadas às suas necessidades, às vezes a resposta deve ser dada pronta, noutras deve-se ensinar como obter a resposta.

Uma grande parte das perguntas diz respeito a assuntos administrativos da biblioteca, por exemplo: por que o acervo de DVD é fechado, quais os critérios para recebimento de doações etc. Outra parte considerável diz respeito a autores e obras ou à localização deles no acervo, é bem comum obras fora de lugar no momento em que usuário precisa, ou porque estão perdidas, ou porque estão sendo usadas por outra pessoa, ou ainda porque foram escondidas. Isso acontece, Umberto Eco disse que o melhor lugar para esconder um livro é numa biblioteca.

E há consultas que demandam um pouco mais de tempo para serem respondidas, por exemplo: uma estudante de Relações Públicas precisa de textos que tratem de “product placement no cinema” (algo como “colocação de produto” em tradução livre). Pra começar não existe em nosso vocabulário controlado tal termo, começamos então por ‘merchandising’, que ajudou mais não é muito preciso, pois merchandising também é usado para descrever técnicas de colocaçao de produto no mercado e não só aparição em programas de entretenimento e ficção. Testamos então um termo mais amplo ‘campanhas publicitárias’, também não resolveu.  Acabamos optando por usar ‘product placement’ nas bases de dados disponíveis no portal do Sibi, pois a busca não fica restrita aos campos assunto ou título, busca também nos resumos e textos, só então a questão foi respondida satisfatoriamente.

Deixando de lado as questões trazidas pelos usuários, há atividades mais primordiais, de certa forma as causadoras das citadas antes: empréstimos, devoluções, renovações, consultas etc. Essas são atividades que contamos diariamente. Vamos a alguns números do atendimento no dia de ontem, 2 de maio de 2012, mas poderia ser outro dia qualquer: emprestamos 154 itens, outros 111 foram devolvidos, 81 tiveram o prazo do empréstimo prorrogado, 196 itens foram recolhidos das mesas de leitura (consulta) e pela catraca passaram 603 pessoas. O período das 13h às 18h registra sempre o maior número de pessoas, é quando a biblioteca está mais cheia. No outro balcão de atendimento os números são os seguintes: 49 DVDs, 33 partituras, 16 CDs, 2 vídeos, entre empréstimo e consulta no interior da biblioteca.

Existe uma bibliografia razoável sobre serviço de atendimento em biblioteca, uma indicação de leitura pra quem se interessa pelo assunto: GROGAN, Denis. A prática do serviço de referência.


Livros no cinema

15/12/2011

Literatura e cinema se relacionam há tempos, talvez desde que o segundo surge. Referências a livros, poemas, escritores em filmes são frequentes, há também os filmes que falam da vida de escritores como O enfeitiçado sobre Lúcio Cardoso ou O sereno desespero sobre Cecília Meireles.

Pensando nessa relação entre literatura e cinema preparamos uma lista de adaptações feitas pelo cinema de obras literárias.

São só alguns títulos, pois a lista completa seria bem grande:

Os matadores (Brasil, 1997), direção de Beto Brant. A Biblioteca tem também o conto em que se baseou o filme e o roteiro, ambos de Marçal Aquino.

Dona Flor e seus dois maridos (Brasil, 1976), direção de Bruno Barreto. Há também no acervo adaptação da mesma obra feita para televisão, com direção de Mauro Mendonça Filho. Há outros filmes no acervo adaptados de obras de Jorge Amado, dizem que o cara não é muito amado pela Fuvest (fundação que organiza o vestibular da USP), mas parece que é bem cotado entre os cineastas.

Sinhá Moça (Brasil, 1953), direção de Tom Payne. Da obra homônima de Maria Dezonne Pacheco Fernandes. Parece que uma das vantagens de adaptar obras pouco conhecidas é que o debate recorrente sobre fidelidade do filme à obra literária, é posto de escanteio.

Macunaíma (Brasil, 1969), direção de Joaquim Pedro de Andrade, cineasta que manteve um diálogo produtivo com a literatura, além do citado, temos também Guerra conjugal baseado em obra de Dalton Trevisan; Os inconfidentes, “baseado nos Autos da Devassa, em poemas da época e no Romanceiro da Inconfidência, de Cecília Meirelles”; O homem do pau Brasil sobre aspectos da vida e obra de Oswald de Andrade; O padre e a moça, baseado em obra de Carlos Drummond de Andrade.

E o vento levou (Estados Unidos, 1939), direção de Victor Fleming. Adaptação de obra de Margaret Mitchell.

Vidas secas (Brasil, 1963), direção de Nelson Pereira dos Santos. Da obra de Gracialiano Ramos.

O processo (França; Itália; Alemanha , 1962), direção de Orson Welles. Adaptação da obra homônima de Franz Kafka.

Madame Bovary, direção de Claude Chabrol, adaptação da obra homônima de Gustave Flaubert.

Um lugar ao sol (Estados Unidos, 1951), direção de George Stevens, adaptação do calhamaço de Theodore Dreiser, Uma tragédia americana.

Vidas amargas (Estados Unidos, 1955), direção de Elia Kazan, adaptação de outro calhamaço East of Eden, de John Steinbeck.

Apocalipse (Estados Unidos, 1979), direção de Francis Ford Coppola, da obra Heart of Darkness de Joseph Conrad.

Amor, sublime amor (Estados Unidos, 1961), direção de Jerome Robbins e Robert Wise.

A última tempestade (Grä-Bretanha; França; Japäo , 1991), direção de Peter Greenaway.

Elizabeth Taylor e Montgomery Clift em Um lugar ao sol

Othello (Estados Unidos; Itália; França; Marrocos , 1952), direção de Orson Welles.

Os três últimos adaptações de obras de Shakespeare.

O diálogo entre as duas áreas é profícuo, para ver a lista completa acesse nosso catálogo de filmes e vídeos, use “adapatação” como termo de busca no campo “Gênero/Forma” e divirta-se!

Duas indicações de leitura sobre o assunto:

BRITO, João Batista de. Literatura no cinema. São Paulo: Unimarco, 2006.

PELLEGRINI, Tânia et al. Literatura, cinema e televisão. São Paulo: Senac São Paulo; Instituto Itaú Cultural, 2003.


Woody Allen e Almodóvar, os preferidos

01/08/2011

Woody Allen e Pedro Almodóvar estão com tudo na Biblioteca da ECA, além de ocuparem primeiro e segundo lugar na lista que preparamos dos filmes mais vistos na Biblioteca em 2010 e no primeiro semestre de 2011, com seus Noivo neurótico, noiva nervosa e Tudo sobre minha mãe, são os cineastas mais presentes na lista.

De Woody Allen aparecem também Manhattan e A rosa púrpura do Cairo; de Almodóvar, Fale com ela, Maus hábitos e Volver.

Dentre os brasileiros, deu o óbvio: Glauber Rocha, aparece num honroso terceiro lugar com Deus e o Diabo na terra do sol, outro filme seu, Terra em transe foi a 18ª obra mais emprestada.

Correndo por fora, mas em posições destacadas, aparecem outros títulos brasileiros: Lavoura arcaica, de Luis Fernando Carvalho; Jogo de cena, de Eduardo Coutinho; Bang bang; Blá… blá… Blá; Olho por olho, de Andrea Tonacci (são três filmes no mesmo DVD).

Europeus e estadunidenses dominam a relação dos filmes mais emprestados.

Veja lista:

1 Título:  Noivo neurótico, noiva nervosa Direção:  ALLEN, Woody, 1935-

2 Título:  Tudo sobre minha mãe Direção:  ALMODÓVAR, Pedro, 1949-

3 Título:  Deus e o Diabo na terra do sol Direção:  ROCHA, Glauber, 1938-1981

4 Título:  Morangos silvestres Direção:  BERGMAN, Ingmar, 1918-2007

5 Título:  Dogville Direção:  TRIER, Lars von

6 Título:  Fale com ela Direção:  ALMODÓVAR, Pedro, 1949-

7 Título:  O caçador de andróides Direção:  SCOTT, Ridley, 1939-

8 Título:  Apocalipse Now Direção:  COPPOLA, Francis Ford, 1939-

9 Título:  Maus hábitos Direção:  ALMODÓVAR, Pedro, 1949-

10 Títulos:  Um cão andaluz; A idade do ouro Direção:  BUÑUEL, Luis, 1900-1983

11 Título:  Manhattan Direção:  ALLEN, Woody, 1935-

12 Título:  Bonequinha de luxo Direção:  EDWARDS, Blake, 1922-

13 Título:  Psicose Direção:  HITCHCOCK, Alfred, 1899-1980

14 Título:  O encouraçado Potemkin Direção:  EISENSTEIN, Sergei, 1898-1948

15 Título:  Dançando no escuro Direção:  TRIER, Lars von, 1956-

16 Título:  Lavoura Arcaica Direção:  CARVALHO, Luis Fernando, 1960-

17 Título:  A rosa púrpura do Cairo Direção:  ALLEN, Woody, 1935-

18 Título:  Terra em transe Direção:  ROCHA, Glauber, 1938-1981

19 Título:  Cidade dos sonhos Direção:  LYNCH, David, 1946-

20 Título:  Jogo de cena Direção:  COUTINHO, Eduardo, 1933-

21 Título:  Volver Direção:  ALMODÓVAR, Pedro, 1949-

22 Título:  Édipo Rei Direção:  PASOLINI, Pier Paolo, 1922-1975

23 Título:  2001: uma odisséia no espaço Direção:  KUBRICK, Stanley, 1928-1999

24 Título:  O eclipse Direção:  ANTONIONI, Michelangelo, 1912-2007

25 Título:  O enigma de Kaspar Hauser Direção:  HERZOG, Werner, 1942-

26 Título:  Berlin Alexanderplatz Direção:  FASSBINDER, Rainer Werner, 1946-1982

27 Títulos:  Bang bang; Blá… blá… Blá; Olho por olho Direção:  TONACCI, Andrea, 1944-

28 Título:  Rashomon Direção:  KUROSAWA, Akira, 1910-1998

29 Título:  Alphaville Direção:  GODARD, Jean-Luc, 1930-

30 Título:  O homem elefante Direção:  LYNCH, David, 1946-


Leituras de férias

15/07/2011

Continuando na proposta anterior, estamos refazendo o convite para um uso mais descompromissado da Bilbioteca nestas férias.

Que tal ver aquele filme que todo mundo viu menos você? Ou ler aquele livro que está em sua lista de leitura há tempos, mas nunca sobra tempo pra ler, sempre tem algo mais urgente e necessário.

Italo Calvino disse que “é só nas leituras desinteressadas que pode acontecer deparar-se com aquele que se torna o seu livro”, então venha deparar-se com o seu livro ou seu filme.

Temos no acervo muitas obras que com certeza vão enriquecer seu repertório, quem sabe fazer você ir além das costumeiras platitudes na mesa do boteco.

Sabe o “cânone ocidental”?, não, não estamos falando de religião, e sim de Shakespeare, Molière, Goethe, Ibsen, Beckett, uma galera que por algum motivo o mundo não deixou morrer.


International Index to Performing Arts: teatro, cinema e dança

19/05/2011
International Index to Performing Arts é uma das bases de dados disponíveis para a comunidade USP no portal do Sibi (Sistema Integrado de Bibliotecas), com foco nas artes. Apesar de informar que fornece ampla cobertura das artes e da indústria do entretenimento, como circo, ópera, mímica etc., suas áreas principais são realmente teatro, cinema e dança, pois quase um terço dos periódicos lá disponíveis abordam essas áreas.Tem um período de abrangência relativamente estendido, já que possui resumos e textos completos desde 1864, no entanto, do ponto de vista do idioma a seleção é mais estreita, pois quase todos os periódicos da base são em inglês, uns poucos em francês, espanhol etc., nenhuma diferença de outras bases de dados nesse ponto. A língua portuguesa quase sempre não se faz presente nessas bases de dados.Da maioria dos periódicos só há acesso a resumos, no entanto mais de uma centena deles permite acesso ao texto integral.Um ponto forte da base é seu layout, que torna fácil e intuitiva a navegação. A busca também é facilmente apreendida. Pode ser feita uma busca geral Quick Search logo na primeira página e estão disponíveis alguns filtros e refinamentos, como buscar em um periódico apenas ou selecionar alguns. Em Search Articles você pode limitar sua busca a somente artigos com texto integral.

A forma de apresentação dos resultados é limpa e objetiva.

Pode-se salvar buscas e artigos criando um cadastro. Além disso você pode se manter atualizado com os novos conteúdos e funcionalidades da base assinando o RSS, basta usar qualquer leitor de feeds como o Google Reader.

Para chegar até a base, acesse o portal do Sibi, clique em Bases de dados, a partir daí há duas opções: 1) Visualizar a lista das bases de dados em ordem alfabética e descer a barra de rolagem até a letra I. 2) Ou escolher a visualização das bases por assunto Linguística, Letras e Artes. 

Esse é um serviço de qualidade, aproveitem.


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