Colocando os discos em ordem

27/10/2011

por Marina Macambyra

Muita gente nos pergunta como a Biblioteca da ECA organiza seu acervo de discos, porque gostaria de arrumar sua coleção particular de forma correta.

Na verdade, são duas perguntas e duas respostas. A forma de organização de uma biblioteca pode não ser a mais adequada para uma coleção particular.
Nossa Biblioteca tem mais de 9.000 discos, e atende a um público grande e heterogêneo, que precisa localizar discos por compositor, intérprete, arranjador, auto de texto, título do disco, título das músicas, meio de expressão e assunto, pelo menos. Para isso é necessário uma base de dados com estrutura bastante complexa. A ordem dos discos nas estantes é o que menos importa, porque não é isso que vai responder às questões dos usuários.
Para uma coleção menor e que atenda apenas ao seu proprietário, a melhor solução é organizar fisicamente os discos por alguma lógica que permita encontrar os discos sem precisar de um catálogo ou base de dados, coisa sempre difícil de ser preparada.


Se você tem uma coleção grande e necessidades semelhantes às de uma biblioteca, não tem jeito. Você vai precisar contratar um profissional para fazer o trabalho, e esse profissional se chama BIBLIOTECÁRIO. Pois é, bibliotecários também sabem organizar discos, filmes, fotografias, além de livros. Contrate um ou uma, explique direitinho o que você precisa e peça uma forma de organização que você consiga manter depois. Sim, porque sua coleção vai continuar crescendo e esse profissional, em princípio, não vai ficar morando com você.
Mas se você tiver entre 500 e 1000 discos, digamos, e não for muito obsessivo em relação à ordem, posso dar algumas sugestões. Mas antes, dois  alertas:

1.  Não existe uma única forma correta para organizar discos. Vai depender da sua necessidade e das suas possibilidades.
2.  Organização perfeita também não existe. Algum nível de improvisação sempre será necessário.

Classificando a coleção

Separe seus discos em categorias gerais. Por exemplo: Música Popular, Música Erudita, Trilha sonora de filmes e programas de TV. Provavelmente será necessário subdividir essas primeiras categorias:
Música popular
      Música popular brasileira
       Outros países
        ou
Música popular
        Vocal
        Instrumental

É possível ir fazendo outras subdivisões hierárquicas conforme a necessidade e subdividir a música popular brasileira em ritmos e gêneros, por exemplo, mas tenha cuidado. Quanto mais subdivisões a gente inventa, mas difícil se torna a manutenção do sistema. Tente manter no máximo três níveis, mesmo que seja necessário deixar no mesmo nível categorias que deveriam, pela lógica, ficar uma dentro da outra.
Os pequenos problemas de classificação logo vão aparecer. Alguns discos se encaixam em mais de uma categoria, outros não se encaixam em nenhuma. As bibliotecas e as lojas de discos também têm esse problema da realidade que sempre teima em fugir aos esquemas. O disco da Sarah Vaugham cantando música brasileira fica onde? A opção pelo intérprete é a mais usual, mas não é obrigatória. Decida o critério e procure manter o mesmo para outras situações semelhantes. E as coletâneas que têm um pouco de tudo? Invente a categoria Coletâneas ou force a barra e classifique na categoria que predomina no disco (se houver uma), ou  onde se encaixam suas músicas prediletas, porque não existe uma fórmula certa para resolver o problema.
Inventar suas próprias categorias pode ser divertido, mas considere a opção de usar um sistema já testado. Copiar ou adaptar a organização de uma loja de discos que tenha uma solução interessante ou uma classificação de biblioteca pode ser uma boa ideia.
Vejam, por exemplo, o esquema usado pela Discothèque de France, e minha própria versão, traduzida e adaptada:
0 Música popular do mundo
000 Antologias
010 África Negra
020 Magreb, Oriente Médio, Ásia Central
030 Extremo Oriente
040 América do Sul (menos Brasil)
050 Antilhas e América Central
052 Reggae, raggamuffin, dub, ska
060 América do Norte
070 Europa meridional e oriental
080 Europa setentrional, central, ocidental
090 Música brasileira
091 Samba
092 Caipira e música de raiz
093 Bossa Nova
095 Canção brasileira
Essas classes podem ser subdivididas por país.
1 Jazz
110 Blues
115 Gospel, spirituals
180 Soul, rhythm and blues, funk
2 Rock
3 Música erudita
Antologias
300 Antologia geral
301 Canto gregoriano
302 Idade Média, Ars antiqua, Ars nova
303 Renascimento
304 Barroco
305 Época clássica
306 Romantismo e pós-romantismo
307 Final do Século 19
Recitais
310 Pianos
320 Cravos
330 Órgão
340 Cordas
350 Harpas e liras
360 Violões e alaúdes
370 Madeiras e sopros
380 Metais
390 Percussão
398 Orquestra e regentes
399 Vozes e coros
Dividir por instrumentos específicos, se necessário.

Gêneros musicais
300.10 Música de câmara
.11 Música para 1 instrumento
.19 Concerto
.20 Música sinfônica
.24 Sinfonia
.28 Música e suíte para balé
.30 Música vocal profana
.35 Ópera (integral e excertos)
.37 Opereta
.40 Música vocal sacra

4 Música do século 20
.10 Música de câmara
.20 Música sinfônica
.30 Música vocal profana
.40 Música vocal sacra
.50 Open musique

5 Diversos
511 Comédia e filmes musicais
520 Trilhas de filme e televisão
530 Hinos diversos
550 Expressão corporal, ginástica, relaxamento
551 Danças folclóricas
560 Música pitoresca, fanfarra, música de circo
570 Música de ambientação
572 Música de dança popular, tango, valsa
580 Música para cerimônias : casamentos, funerais
590 Sons diversos, ruídos, animais

Muito complicado? Veja uma proposta mais simples:

Minha sugestão

Música popular
Divisão geográfica: países, continentes, regiões, estados (o que for mais conveniente). Se for interessante, usar a tabela da Discothèque de France. Esse tipo de divisão só é útil para quem tem um acervo grande e eclético, com música de muitos países.
Subdividir por:
Gêneros, ritmos e movimentos específicos
Trilhas de filmes, peças teatrais, programas de TV
Música para dançar
Música para crianças
Cantores solistas, cantores compositores
Antologias de um único compositor (songbooks)
Música instrumental

Quem não usar a divisão geográfica, pode classificar somente de acordo com as categorias acima. Depende do gosto.

Música erudita: usar a tabela da Discothèque de France.

Talvez seja necessário criar algum tipo de código para cada uma dessas categorias, para poder identificar cada disco com uma etiqueta. Facilita a guarda, evita confusões. O código pode ser numérico, alfabético ou alfa-numérico, mas precisa ser simples.
Muita gente gosta de trabalhar com cores. Dá para identificar cada categoria com uma cor e botar uma etiqueta da cor correspondente? Dá, mas cuidado. Cores são boas para decorar e, no máximo, para sinalizar, não para organizar. Você corre o risco de esgotar as cores nitidamente diferentes, ou de começar a confundir laranja com vermelho. Números costumam ser mais eficientes para esse tipo de coisa.

O esquema da Discothèque parece baseado na Classificação Decimal de Dewey (CDD), bastante utilizada em bibliotecas para classificar acervos de livros. Estou preparando uma versão resumida da parte de música dessa tabela, usando apenas as classes que considerei mais úteis para usar num acervo de discos. Se ficar interessante, publico num próximo post.

A ordem alfabética

Diante dos problemas que surgem ao classificar a coleção, a tentação de colocar tudo em ordem alfabética é grande. Parece uma forma de simplificar a tarefa, boto tudo em ordem alfabética e pronto. Pronto nada. Pode ser o começo dos problemas.
Ordem alfabética de quê? De título? Tente encontrar o título de todos os seus discos. De nome de artista? Qual, o intérprete ou o compositor? É sempre fácil identificar o responsável principal pelo disco, o nome pelo qual você vai ordenar? Outra questão: ordenar por nome, sobrenome ou pelo nome mais conhecido? São várias decisões que vão levá-lo, quase que fatalmente, a não lembrar onde colocou a Cyda Moreira cantando o Chico Buarque.

Se você pensa em usar a ordem alfabética, lembre-se de que quanto maior o universo, maiores serão os problemas de alfabetação. Por esse motivo, essa deve ser sua última forma de ordenação, a ser usada quando você tiver esgotado todas as possibilidades de divisões por categorias. E pense seriamente em colocar uma pequena etiqueta no disco com a letra escolhida para ordenação, para ajudá-lo a lembrar de que colocou o Tom Jobim no “T” de Tom, não do “J” de Jobim ou no “A” de Antônio.

Minha experiência pessoal é engraçada. Organizei minha pequena coleção particular de uns 300 discos, se tanto, da forma mais simples possível. Dividi os discos em Música Erudita, Música Popular Brasileira e Música Popular Internacional. Dentro de cada categoria, coloquei os discos numa única ordem alfabética de intérprete individual, banda ou conjunto, compositor e título. O intérprete foi o elemento escolhido quando se tratava de discos de um mesmo cantor, instrumentista ou grupo. Para as coletâneas de obras de um mesmo compositor – Songbook Noel Rosa, por exemplo – o disco foi ordenado pelo nome do compositor. O título foi escolhido quando era bastante evidente e me parecia o melhor elemento para definir o conteúdo gravado, por exemplo: Modinhas de amor (coletânea de modinhas antigas, de vários autores e intérpretes); Baile perfumado (trilha de filme).

Muito fácil, mas quando comprei diversos discos de tango, acabei juntando todos no “T” de tango, porque seria totalmente incapaz de lembrar os nomes de todos os artistas que não fossem Gardel e Piazzolla. O mesmo aconteceu com os discos de flamenco, o que deixou evidente a necessidade de criar mais subcategorias no meu acervo.

Além disso, sempre tenho dificuldades em encontrar aquela cantora de Cabo Verde que não é a Cesária Évora. Se eu tivesse sido menos bibliotecária e seguido minha tendência natural a agrupar as coisas por afinidades difusas e ecléticas, teria colocado a Mayra Andrade junto da Cesária, um nome que não esqueço. E a Maria Rita ao lado da mãe dela, e todos os músicos baianos enfileirados na mesma prateleira, Chico César perto de Zeca Baleiro. Uma ordem menos técnica, sem dúvida, mas talvez mais eficiente para essa situação específica. Por que não?

Armazenagem e conservação

A poeira, as altas temperaturas e a umidade relativa do ar são os maiores inimigos dos discos, tanto em vinil quanto em CD.
Qual o mobiliário ideal para guardar discos? Estantes ou armários de aço fechados seriam a solução mais adequada, mas na casa da gente pode ser difícil. São caros e comprometem a decoração. Por esse motivo a maioria das pessoas acaba optando por mobiliário de madeira. O problema é que a madeira é uma substância higroscópica, que absorve a umidade do ar.
Analise o ambiente de sua casa. É muito úmido? Seus armários que ficam fechados por muito tempo cheiram a bolor? Opte por estantes de madeira abertas e cuide bem da limpeza. Você não percebe sinais visíveis de umidade alta, mas a poeira que vem da rua é um horror? Talvez seja melhor guardar os discos em armários fechados, com o cuidado de abrir sempre as portas, para ventilar a coleção. Escolha mobiliário de madeira dura, de boa qualidade.


Discos em vinil não podem ser empilhados, precisam ficar na posição vertical. Nunca deixe seus discos tombados, vertical é vertical mesmo, sempre. Se precisar, use aparadores em forma de “L” para segurar a coleção, desses que as bibliotecas usam.


Mantenha seus discos sempre dentro das capas ou estojos e cuidado para não deixar suas impressões digitais na superfície de leitura. Para saber mais sobre conservação e limpeza de discos, veja indicações de bibliografia e textos esse outro post:

A volta do vinil na Biblioteca da ECA

Outras abordagens

Imagino que muita gente tenha outra concepção de organização de discos. Pessoas com mais conhecimento de música do que eu com certeza terão considerações a fazer sobre minhas sugestões de classificação. Se for o seu caso, faça um comentário, mande suas sugestões.
E você já teve uma experiência boa ou mesmo totalmente catastrófica organizando discos? Vale a pena contar tudo, pode ser útil para outras pessoas.


Biblioteca da ECA no MuSimid

21/09/2011

Participei da mesa-redonda Música e memória, do 7º. Encontro Internacional de Música e Mídia, representando a Biblioteca da ECA.
O CD com os textos dos palestrantes já está sendo catalogado e logo estará disponível para consulta.
Abaixo, o texto da minha apresentação, contando um pouco da história do nosso trabalho relacionado à documentação musical.


A Biblioteca da ECA e o tratamento dos documentos musicais

por Marina Macambyra

A importância dada aos documentos musicais e audiovisuais é uma das características mais marcantes da Biblioteca da Escola de Comunicações e Artes da USP, que começou a formar acervos desses documentos no final dos anos 1960. A Biblioteca desenvolve padrões próprios para o tratamento de gravações sonoras, partituras, imagens fixas e imagens em movimento. Os manuais criados para divulgação dessas metodologias estão publicados no website da Biblioteca. As novas regras internacionais de catalogação de documentos trazem boas perspectivas para a Biblioteca da ECA, pois sua forma de trabalho está mais próxima das novas normas do que das antigas.
1. Uma biblioteca para ver, ouvir e tocar
A Biblioteca da Escola de Comunicações e Artes da USP tem como uma de suas características mais importantes a forte presença de documentos audiovisuais no acervo, marca que a distingue no cenário das bibliotecas universitárias brasileiras. Os documentos audiovisuais e musicais correspondem a cerca de quarenta por cento do total do acervo, fato que, por si só, já a tornaria uma biblioteca universitária diferente.
Mas não se trata apenas de uma questão quantitativa. Na Biblioteca da ECA os documentos sonoros, as partituras, as imagens em movimento e os acervos fotográficos têm tanta importância para o pesquisador quanto os documentos textuais e recebem tratamento condizente com sua relevância para o usuário. Esses documentos não são vistos como anexos dos livros e teses, nem como simples ilustração, muito menos como produtos destinados exclusivamente ao lazer. A Biblioteca destina espaços e equipes de bibliotecários e técnicos exclusivamente para o armazenamento, tratamento documentário e difusão da documentação audiovisual.
O acervo atual de documentos musicais é composto por 9242 discos (em vinil e CD), 1533 fitas cassetes e 12152 partituras, em constante crescimento. Compramos regularmente novos documentos, com verbas destinadas à aquisição de material bibliográfico pela Reitoria da USP e agências de fomento, e recebemos doações em quantidades expressivas. Também fazemos reprodução de documentos, copiando em CD o acervo em vinil e fita magnética, para possibilitar a divulgação do material sem comprometer sua conservação. O material está catalogado de forma cuidadosa, adequadamente armazenado e conservado e, em sua maior parte, registrado em bases de dados acessíveis pela página da Biblioteca no website da ECA:
http://www3.eca.usp.br/biblioteca
2 Pioneiros
A Biblioteca da ECA começou a formar e a tratar acervos de documentos musicais logo em seu início, no final dos anos 1960, quando a Escola foi criada. Na época, discos e partituras ainda eram relativamente raros em bibliotecas. A questão que se apresentou logo de início é a mesma que ainda hoje preocupa os bibliotecários que trabalham com documentos audiovisuais: é possível tratar discos – ou partituras – com as mesmas técnicas e padrões criados para documentos textuais? E seria essa a melhor solução para um usuário tão especializado quanto os alunos e professores de música da ECA?

As normas de catalogação mais amplamente adotadas em bibliotecas foram criadas para tratamento de livros e posteriormente adaptadas aos demais tipos de documentos. Por esse motivo, não chegam a oferecer respostas aos desafios específicos do documento musical e tendem a frustrar o pesquisador. Foi essa percepção que levou a equipe encarregada de começar a organizar os discos e partituras da Biblioteca em seus primórdios a procurar outras soluções. A primeira ideia foi realizar um levantamento entre as bibliotecas e arquivos de música de outros países para descobrir como as instituições com acervo semelhante resolviam a questão. Mas a melhor solução veio do próprio público-alvo dos serviços, os alunos e professores de música da Escola. Foram as críticas e sugestões desse público que fundamentaram a decisão de criar um sistema próprio de catalogação e organização do acervo que, embora baseado em padrões existentes, priorizava atender principalmente às demandas do usuário (MILANESI, 1997).
Esses primeiros estudos conduziriam, alguns anos mais tarde, em 1978, à criação de um catálogo automatizado de partituras, desenvolvido pelo professor Denis Charalambos Stamopoulos e pela bibliotecária da Fonoteca, Ariede Maria Migliavacca. Foi a primeira base de dados da Biblioteca da ECA e, provavelmente, uma das primeiras de partituras do Brasil.
3 O Manual de catalogação de partituras
A metodologia desenvolvida pela Biblioteca da ECA para catalogação e indexação de partituras sempre despertou interesse de bibliotecários, músicos e outros profissionais envolvidos na organização de acervos musicais. Por esse motivo, decidimos transformar nosso manual interno de trabalho numa publicação destinada ao público em geral interessado no tratamento de partituras e publicá-lo. Esse manual está hoje disponível para download no site da Biblioteca, no endereço:
http://www3.eca.usp.br/biblioteca/manuais
O mesmo deverá ser feito com o manual de catalogação de discos, mas ainda não há previsão de data para sua publicação. Entretanto, os pontos mais importantes da metodologia de tratamento de partituras, como a descrição do meio de expressão e as regras para registro e normalização dos títulos também são válidos para as gravações musicais.
4 Projetos e experiências: SDP e LAM
Uma das experiências mais interessantes da Biblioteca da ECA no campo da documentação musical foi o Serviço de Difusão de Partituras (SDP), idealizado pelo professor Luís Milanesi. O SDP fornecia cópias de partituras dos compositores que enviavam suas obras em depósito, recolhendo para o autor uma porcentagem simbólica sobre cada cópia. Quando foi extinto, em 1989, o Serviço já reunia 1200 partituras de compositores, muitos deles desconhecidos, ao lado de nomes consagrados como Gilberto Mendes e Ernst Mahle.
Mais recentemente, a Biblioteca participou de um projeto de catalogação de manuscritos com o Laboratório de Musicologia do Departamento de Música. Estudantes de música, sob a orientação de docentes do Departamento, catalogaram a coleção de partituras manuscritas de música sacra mineira dos séculos 18 e 19, provenientes das cidades mineiras de Ayuruoca, Brasópolis, Campanha, Catas Altas e Barão de Cocais. Uma das bibliotecárias da equipe, Analúcia Viviani dos Santos Recine, participou do projeto para garantir a um mínimo de uniformidade entre os procedimentos da Biblioteca e do LAM, já que a catalogação de manuscritos feita por especialistas em música e o tratamento da informação da forma como os bibliotecários o entendem guarda diferenças significativas. Hoje, a após a incorporação à Biblioteca das coleções do LAM , o resultado desse trabalho está incorporado à base de dados da Biblioteca (RECINE e MACAMBYRA, 2006).
5 Conservação e preservação
Atualmente, as principais medidas de conservação dos acervos de discos e partituras ainda estão circunscritas à esfera da preservação dos suportes da informação. Podemos citar: armazenamento em estantes deslizantes de aço fechadas; realização rotineira de pequenos reparos e encadernação artesanal, na Oficina de Encadernação e Conservação da Biblioteca; encadernação comercial de partituras editadas; restauro eventual e digitalização de manuscritos e obras raras; criação e confecção de embalagens para conservação, também em nossa Oficina; higienização de documentos; migração de suportes (vinil e fita magnética para CD). Por enquanto, ainda não trabalhamos efetivamente com a preservação digital, mas já estamos nos preparando para isso.
Mais detalhes sobre o trabalho de conservação realizado pela Biblioteca em nosso blog:
http://bibliotecadaeca.wordpress.com/2010/04/13/a-conservacao-transformadora/

6 Perspectivas: Dédalus, FRBR, RDA
Nosso trabalho de catalogação e nossas bases de dados são experiências institucionais locais, desenvolvidas pela Biblioteca da ECA e até o momento não incorporadas pelo Sistema Integrado de Bibliotecas da USP (SIBi).
Nossos registros ainda não foram migrados para o Banco de Dados Bibliográficos da USP (Dédalus). Além das questões técnicas e políticas envolvidas, há outro empecilho à realização desse projeto: as diferenças de concepção no tratamento da informação entre nossa metodologia e os padrões de catalogação e formatação de dados da biblioteconomia tradicional. No Dédalus, por exemplo, ainda não existe um campo para uma informação fundamental para nós, que é o meio de expressão. As dificuldades não são tão grandes que não possam ser transpostas com algumas adaptações, mas os seus documentos musicais da Biblioteca da ECA ainda são minoria diante dos 2 milhões de registros do Dédalus, em sua maioria referentes a documentos textuais.
As regras de catalogação, entretanto, estão prestes a mudar. O RDA (Resource Description & Access) é um novo padrão para catalogação de documentos, concebido para o mundo digital e baseado no modelo dos Requisitos Funcionais para Registros Bibliográficos (FRBR), estudo desenvolvido pela International Federation of Library Association (IFLA) com o propósito de reestruturar os registros bibliográficos ( IFLA). Esse modelo promete trazer benefícios aos catálogos de documentos musicais, ao permitir a identificação de quatro entidades: obra, expressão, manifestação e item, enquanto a catalogação tradicional praticada nas bibliotecas tem seu foco apenas no item (VELLUCCI, p. 131). Além disso, a adoção desses novos padrões pelas bibliotecas da USP, se ocorrer, poderá ser interessante para a Biblioteca da ECA, cuja metodologia está mais próxima desse novo universo do que das regras tradicionais.

Referências
IFLA – INTERNATIONAL FEDERATION OF LIBRARY ASSOCIATIONS AND INSTITUTIONS. Functional Requirements for Bibliographic Records: final report. Frankfurt, 1997. Disponível em: . Acesso em: 29 jul. 2011.

MILANESI, Luiz Augusto. Memorial. São Paulo: L.A. Milanesi, 1997, 191p.

RECINE, Analúcia dos Santos Viviani; MACAMBYRA, Marina M. Manual de catalogação de partituras da Biblioteca da ECA. São Paulo: SBD/ECA/USP, 1998, 59p.

RECINE, Analúcia dos Santos Viviani; MACAMBYRA, Marina. A organização de acervos musicais na ECA/USP: as experiências da Biblioteca e do Laboratório de Musicologia do Departamento de Música. Revista Música, São Paulo, v. 11, p.143-154, 2006.

VELLUCCI, Sherry L. FRBR and music. In.: UNDERSTANDING FRBR: what it is and how it will affect our retrieval tools. Westport: Libraries Unlimited, 2007.


A volta do vinil na Biblioteca da ECA

21/09/2010

4991 discos em vinil. Muitos deles não foram lançados em CD nem tiveram suas faixas postadas em websites.  E alguns são bastante raros.

É um dos acervos menos conhecidos da Biblioteca da ECA, embora exista desde a criação desta e continue crescendo. Crescendo? Sim, porque a oferta de doações de bons discos em vinil aumenta a cada ano, por parte de pessoas que desistiram do vinil seduzidas pela praticidade do CD ou simplesmente por não terem mais toca-discos para ouvir seus discos, herdeiros que não sabem o que fazer com as coleções de seus familiares, professores que substituiram seus LPs por gravações digitais. A Biblioteca, embora tenha critérios de seleção, principalmente no que se refere ao estado de conservação e à pertinência do material, recebe quantidades importantes de discos em doação.

A coleção é formada, principalmente, por discos de música erudita, mas também tem música popular brasileira, jazz, música folclórica, programas de rádio etc.

Agora, no momento em que se anuncia a “volta do vinil”, um evento da V Semana da Biblioteconomia vai mostrar ao público esse segmento do acervo da Biblioteca. Robson Ashtoffen, aluno do curso de Biblioteconomia, vai demonstrar as diferenças entre o som do vinil e o som digital, numa performance em frente à Biblioteca. Depois da apresentação, haverá uma visita orientada ao acervo de discos. Além disso, está sendo montada uma pequena exposição de capas de discos, que incluirá alguns trabalhos de conservação desenvolvidos pelos técnicos da Biblioteca.

Não perca:

Analógico e Digital: uma performance auditiva na Biblioteca da ECA

http://www.cabieca.com.br/semanabiblio/?p=62

Acompanhe:

Músicos comemoram a volta do vinil e lançam discos http://entretenimento.r7.com/videos/musicos-comemoram-a-volta-do-vinil-e-lancam-discos/idmedia/8ba6c8db7ff70797bdfa2476568216b5.html

A volta do vinil

http://portalexame.abril.com.br/revista/exame/edicoes/0955/negocios/volta-vinil-508753.html

Leia trabalho inédito do aluno Robson Ashtoffen:

A degeneração progressiva do som – A relação entre analógico e digital

(Analógico e digital.pdf)

Saiba mais sobre conservação de discos:

A preservação e o acesso de acervos fonográficos – relato de pesquisa

(AN-2009-207.pdf)

 

Care and handling of CDs and DVDs

http://www.itl.nist.gov/iad/894.05/papers/CDandDVDCareandHandlingGuide.pdf

 

Guarda e manuseio de materiais de registro sonoro

(Discos.pdf)

Divirta-se:

http://lpcoverlover.com/

http://www.danacountryman.com/danacovers/danacovers.html

http://www.superseventies.com/greatestalbumcovers.html


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