Às vezes, a novidade é um jornal velho

Se jornal virou coisa do passado, tanto melhor, ler jornal velho pode ter um gosto todo novo.

A biblioteca da ECA tem no acervo diversas publicações da dita imprensa alternativa dos anos 70, época marcada pela censura.

Depois de maio de 68 o mundo não poderia mais ser o mesmo. A mesma juventude exasperada que deslancha a liberação sexual e o psicodelismo das drogas vai fazer valer o feminismo e se meter em política. Na imprensa, o sinal dos tempos veio em forma de tablóide. Publicações ousadas, diferentes da bem comportada imprensa ‘Standard’ começaram a aparecer aos montes: mais de 160 publicações surgiriam até o fim dos anos 70. Conhecida como imprensa alternativa ou ‘nanica’, tinham a metade do tamanho de um jornal convencional, e o orçamento bem reduzido.

A Revolução não veio mas O Pasquim revolucionou a “imprensa nanica”. A patota (Millor, Fortuna, Ziraldo, Jaguar, Sérgio Augusto) gritava aos quatro cantos que ‘foi feito pra dar errado’. Mas parece que deu certo. Numa época em que a Veja (única com cobertura nacional) já reinava e vendia 170 mil, o Pasquim passou dos 200 mil. Pasquim significa “jornal injurioso, difamador”, nas palavras de Jaguar ‘Já que vão esculhambar o jornal, vamos esculhambá-lo desde logo’. Com a incumbência no próprio nome, o Pasquim esculhambava geral: políticos, músicos, artistas, a igreja, até a própria patota entrava na roda.

O jornal Opinião, ao contrário, tinha tudo pra dar certo, financiado pelo industrial nacionalista Fernando Gasparian , durou de 72 a 78. Era denso, texto corrido de mais de duas páginas, falava de economia, tinha tradução do Le Monde, Times e colaboradores do naipe de um Fernando Henrique. No inicio juntava esquerdistas de vários calibres, mas um racha na redação levou a ala ‘popular’ a fundar o ‘Movimento’, que se ocupou da questão operária. O Lula naquela época já era capa, só que na pele de líder sindical. O primeiro número de Movimento vendeu 21 mil exemplares em banca. Oscilou muito até chegar a quatro mil em fevereiro de 1978.

O acervo da ECA guarda uma enorme variedade de publicações deste período.

O Pif-Paf, que foi o ensaio para o Pasquim, o Coojornal de Porto Alegre, também de grande importância com entrevistas inéditas de importantes intelectuais, tem quase todos os números no acervo. O Lampião da Esquina publicação homossexual insuspeita também está no acervo e aguarda os iniciados.

Abaixo, a lista das publicações no acervo da ECA:

Clique na imagem para ampliar

Fonte: Kucinski, Bernardo. Jornalistas e revolucionários: nos tempos da imprensa alternativa. Localização: 079.81 K95j 2.ed. Também disponível no acervo.

Anúncios

2 Responses to Às vezes, a novidade é um jornal velho

  1. […] acervo inclui a coleção quase completa do jornal O Pasquim, com números desde 1969; títulos  Manchete e O Cruzeiro, este com exemplares a partir de 1947; […]

    Curtir

  2. […] This post was mentioned on Twitter by Biblioteca ICE-UFJF, Biblioteca da ECA. Biblioteca da ECA said: A imprensa alternativa no acervo da Biblioteca https://bibliotecadaeca.wordpress.com/2011/02/22/as-vezes-a-novidade-e-um-jornal-velho/ […]

    Curtir

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: