Pensadores da fotografia com Simonetta Persichetti

Entre abril e julho de 2011 a bibliotecária Sarah Lorenzon Ferreira participou do curso Pensadores da fotografia promovido pelo MAM, ministrado pela professora Simonetta Persichetti, dividido em dois módulos. O curso foi financiado pela Proqual.

Para o curso Simonetta dividiu através de exemplos fotográficos o que foi apontado pelos textos dos pensadores da imagem e como esses teóricos definiram o conceito fotográfico do ponto de vista sociológico, filosófico, histórico, semiótico e estético. Foram selecionados pela professora alguns pensadores mais citados quando se fala de fotografia.
De acordo com Simonetta temos que ter em mente que pensar a fotografia é fundamental, ainda mais numa época em que esse meio de expressão ocupa cada vez mais espaço.

O primeiro pensador abordado foi Walter Benjamin (1892-1940), filósofo que pertenceu à Escola de Frankfurt. Em 1935 publicou seu trabalho mais conhecido: “A obra de arte na época de sua reprodutividade”. Antes, em 1931, ele escreveu “Pequena história da fotografia” (100 anos do surgimento da fotografia). Seu interesse se voltava para o momento em que a fotografia se industrializa, ou seja, mais precisamente com o surgimento em 1861 do cartão de visita fotográfico.

A fotografia, que já era manipulada na século 19, passa a mostrar status. Walter Benjamin chama atenção não para o fazer do fotógrafo, mas para o que esté sendo retratado (a magica da fotografia é ela parecer com o real).

Walter Benjamin fala da magia da experiência fotográfica e também reconhece a importância que a fotograifa dá ao retratado. De acordo com Simonetta, quando analisamos um quadro estamos analisando o pintor, como ele retratou a cena, mas com a fotografia não se pergunta quem é o fotógrafo, mas o que está sendo retratado, que lugar é. Quando se vê uma foto o nível de interpretação muda.

Assim, Walter Benjamin faz uma analogia com o movimento pictorialista que busca aproximar a fotografia da arte. O filósofo cita dois fotógrafos que para ele são de suma importância: Eugene Atget (que fotografava o pequeno, o cotidiano) e August Sander (que fotografava homens em seu local de trabalho – visão mais antropológica).

Pierre Bourdieu (1930-2002) – sociólogo, antropólogo e filósofo. O texto “A fotografia como representação social” foi escrito em colaboração com outros estudiosos no começo dos anos 60 quando os usos sociais da fotografia ainda não estavam em discussão e a fotografia ainda sofria resistência a ser vista como uma forma de expressão artística.

Bourdieu escreveu este texto por encomenda da Kodak para o lançamento da Instamatic (1ª câmera com flash embutido) em 1969 e queria entender o impacto que a câmera teria no público. Este foi o primeiro estudo que pensou como a fotografia seria entendida pela sociedade.

Para Bourdieu o que realmente caracteriza o fenômeno fotográfico “é a quantidade ou a proliferação das imagens”. Assim, conforme Simonetta dizer que hoje se fotografa muito é clichê, sempre se fotografou muito. O problema está na recepção da imagem, ou seja, como a imagem é recebida pela sociedade. Bourdieu começa a desenvolver a tese de uma função social da fotografia, ou seja, as pessoas não fotografam em busca de uma estética ou de uma expressão de arte, mas para cumprir funções que a sociedade espera que sejam cumpridas. Ele encara o ato fotográfico como uma forma de cumprir um ritual, portanto só se fotografa o que a sociedade diz que é fotografável. E lembra: muitas pessoas só fotografam as férias porque a fotografia cria ou inventa as próprias férias.

De acordo com Simonetta o amador fotografa a família, as férias como comprovação que está inserido dentro da sociedade, enquanto que o profissional procura o cotidiano no mínimo do mínimo. A fotografia nasceu mem 1839, no período da Revolução Industrial e do nascimento da Burguesia. Pode-se dizer que a burguesia que trouxe a ideia da representação social da família patriarcal representada pela fotografia do homem sentado (pois ele trabalha e tem direito ao descanso) e a mulher em pé.

Bibliografia sobre o assunto existente na Biblioteca da ECA.

BENJAMIN, Walter. A obra de arte na época de sua reprodutibilidade técnica. In: ADORNO et al. Teoria da Cultura de massa. Trad. de Carlos Nelson Coutinho. São Paulo: Paz e Terra, 2000. p. 221-254.

BENJAMIN, Walter. Pequena História da Fotografia. In: BENJAMIN, Walter. Obras escolhidas: magia e técnica, arte e política: ensaios sobre literatura e história da cultura.  São Paulo: Brasiliense, 1987.

BENJAMIN, Walter.  Sobre la fotografia.  3.ed. Valencia: Pre-textos, 2007. 153 p. (Ensayo; v. 705).

BOURDIEU, Pierre. Un art moyen: essai sur les usages sociaux de la photographie. Paris: Ed. de Minuit, 1981. 360 p.

Blog da Professora Simonetta: http://tramafotografica.wordpress.com/

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