O que dava Manchete

A revista Manchete aparece nas bancas do Brasil em 26 de abril de 1952, apresenta-se como uma

“revista de atualidades, correta e modernamente impressa. Em todos os números daremos páginas a cores – e faremos o possível para que essas cores se ponham sistematicamente a serviço da beleza do Brasil e das manifestações de seu progresso.”

Nesse momento reinava soberana nas bancas de revistas do Brasil O Cruzeiro, que circulava desde 1928, mas não demorou muito para que Manchete assumisse a dianteira, fez isso aprimorando a qualidade gráfica e recrutando jornalistas diretamente nas bases do inimigo.

Ficou durante quase 20 anos como a revista mais vendida no Brasil, com tiragens médias de 220 mil. Algumas edições atingiram números bem mais expressivos como a que trazia a inauguração de Brasília que vendeu 700 mil exemplares, ou a edição que cobria a visita do Papa João Paulo II em 1980, que teve mais de 2 milhões e meio de exemplares.

Em seu primeiro número a revista fornece pistas eloquentes do recado que daria dali pra frente: mulher bonita na capa, textos curtos, fotos ocupando mais da metade das páginas, certo otimismo dando o tom.

Manchete1

As mulheres das capas são geralmente jovens, brancas e bonitas segundo os padrões da época. Quanto aos homens que aparecem nas capas, bom, esses podem ser velhos, ter rugas, afinal, ao contrário das mulheres, não estão ali para terem seus corpos avaliados.

O espaço privilegiado para fotos foi inspirado em publicações de sucesso naquele momento, como a francesa Paris Match, a americana Life e mesmo O Cruzeiro.  O otimismo dava o tom da revista, percebia-se nos textos, nas fotos, na escolha das pautas. Segundo Carlos Heitor Cony a Manchete “era otimista ao desvario, procurava ver o lado bom de tudo, o lado bonito e positivo”.

Já em seu primeiro número a revista escancara essa escolha editorial:

“O Brasil cresceu muito, suas mil faces reclamam muitas revistas, como a nossa, para espelhá-las. Manchete será o espelho escrupuloso das suas faces positivas, assim como do mundo trepidante em que vivemos e da hora assombrosa que atravessamos.”

Em julho de 2000 circula a última edição da revista, a de nº 2.519. “Nos computadores da Redação já lacrada pelos oficiais de Justiça ficou, intocada e pronta, a edição que jamais seria impressa.” A edição de nº 2.520 que nunca circulou trazia na capa Rubinho Barrichello comemorando sua primeira vitória na Fórmula 1.

A Manchete faz parte da Coleção Especial da Biblioteca da ECA. Essa coleção tem outros títulos importantes da imprensa brasileira, como Veja, Pasquim, Lampião da Esquina, Senhor, Isto é, O Cruzeiro etc. Como são materiais especiais necessitam de medidas diferenciadas de preservação e segurança, o acesso é intermediado pelos funcionários da Biblioteca, pode-se fotografar, não se pode xerocar, nem emprestar, mas não se assuste, o acesso não é tão complicado quanto possa parecer, pode vir que nós atendemos.

Documentos citados

Gonçalves, J.E.; Barros, J.A. (org.). Aconteceu na Manchete: as histórias que ninguém contou. Rio de Janeiro: Desiderata, 2008. p. 64 e 413.

MANCHETE. Rio de Janeiro: Bloch Editores, n. 1, 26 de abril de 1952. p.1.

Outros documentos

Nascimento, P.C. Jornalismo em revistas: ação e relação em Veja e Manchete, 1999. 176 p. Dissertação (Mestrado).

Silva, A.C.T.da. Temporalidades em imagens de imprensa: capas de revistas como signos de olhares contemporâneos. Maringá: Eduem, 2011.

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One Response to O que dava Manchete

  1. […] acervo inclui a coleção quase completa do jornal O Pasquim, com números desde 1969; títulos  Manchete e O Cruzeiro, este com exemplares a partir de 1947; Veja, desde 1968;  Cosmopolitan Nova, com […]

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