Pedro Costa

O cineasta “cult” português nascido em 1959 está representado no acervo da Biblioteca da ECA pela trilogia Cartas de Fontainhas, formada pelos filmes Ossos (1997), No quarto de Vanda (2000) e Juventude em marcha (2006), todos ambientados num bairro pobre de Lisboa.

De que nos falam estes filmes? Contam as histórias de um bairro marginal. Nesse cinema, os relatos se constroem a partir das relações tecidas entras as pessoas que participam de um projeto, assim como em relação aos eventos e mudanças que acontecem no bairro. Falamos de um cinema que não representa nem heróis nem figurantes. A singularidade de cada indivíduo se dá no seio de um espaço que permanece compartilhado; os indivíduos não estão isolados uns dos outros, senão o contrário, no compartilhar de sentidos e de mundos. Os filmes nos mostram uma comunidade, a precariedade dos serem que a integram, mas também sua possibilidade de constituir-se socialmente num espaço de trabalho.

Leia a íntegra do trabalho citado acima:
http://www.centroecuatorianodeartecontemporaneo.org/proyectos/investigacion/estudios-imagen-2/jornada-estudios/maria-del-pilar-gavilanes/pedro-costa

Ossos (1997) 97 min, col., ficção

Em Fontainhas, bairro pobre de Lisboa onde vivem imigrantes das antigas colônias portuguesas, uma jovem dá à luz um bebê indesejado e tenta se matar. Desesperada, confia a criança ao perturbado e violento pai.

Ossos (1997), na minha opinião, é o melhor filme de Costa, até mesmo uma obra de arte: um filme obscuro, misterioso e hipnotizante, filmado em cores com locações em Lisboa, em meio aos pobres da cidade. Os rostos que Costa registra são cativantes, e inquietantes, o tipo de rostos que vemos em sonhos perturbados [ou perturbadores]: em especial, a jovem no começo do filme e também, o de Tina, que acabou de ter um bebê que é levado pelo parceiro, representado por Nuno Vaz, com a intenção de se livrar da criança, primeiro entregando-a para uma enfermeira do hospital e depois para uma prostituta. Estes rostos parecem pertencer a fantasmas ou mortos. A atmosfera do filme é extraordinária, como a de um filme de horror sem o horror, ou como uma versão realista social de Eraserhead de David Lynch.

Leia a íntegra do artigo:
http://www.theguardian.com/film/filmblog/2009/sep/17/pedro-costa-tate-retrospective

No quarto de Vanda (2000) 171 min, col. Documentário
Um olhar sobre um grupo de autodestrutivos e marginalizados habitantes do bairro de Fontainhas (Lisboa), centrado em Vanda Duarte, mulher viciada em heroína.

No Quarto da Vanda. Também chamado “quarto das meninas”. É nele que mais tempo estamos, é ele o espaço que melhor ficamos a conhecer. Mas não é todo o tempo do filme, nem todo o espaço do filme. Que espaço é esse que não é o quarto da Vanda? Fora alguns declarados exteriores, nunca sabemos ao certo se é dentro ou fora que estamos. Podem ser casas ou ruínas de casa, ou restos de casa, ou caminhos entre casas. Relentos ou abrigos. Mas fora ou dentro quase nunca se está certo, quase nunca é certo. O espaço, bem como o tempo, perdeu fronteiras no bairro e para as pessoas dele. Antigamente, diz Vanda e confirma Zita, não era assim, não foi assim. Mas como foi, quando ainda estavam orientadas, ou quando ainda estão desorientadas?

Leia a íntegra do artigo em:
http://pedrocosta-heroi.blogspot.com.br/

Juventude em marcha (2006) 156 min., col. Documentário

Fontainhas, o bairro pobre de Lisboa onde Pedro Costa filmou Ossos e O quarto da Vanda, foi demolido. Seus moradores foram removidos para Casal Boba, um bairro novo, de habitações populares construídas pelo governo, com cômodos pequenos e paredes brancas. Juventude em marcha mostra essa “mudança” pelos olhos de Ventura, antigo morador de Fontainhas que foi abandonado pela mulher, Clotilde. Mais do que um homem velho, Ventura é um homem “antigo”, símbolo de uma classe que não existe mais (a operária) e de um tipo de elegância que também se dissipa. É ele o protagonista de Juventude em marcha – um título tanto irônico quanto iluminador -; é ele o homem que Pedro Costa quer registrar em película. Ventura escreve uma carta a Clotilde na (vã) esperança de obter uma resposta. Enquanto ela não chega, visita seus filhos (os que de fato o são e os que poderiam ser, os filhos reais e imaginários), e conversa com eles. Resumo extraído do artigo Documentar uma sensibilidade humana, de Pedro Butcher, publicado na revista Cinética.

Com uma duração superior a duas horas e meia e praticamente sem enredo, Juventude em Marcha, do diretor português Pedro Costa, é um filme extraordinário e transcendente, mas, ao mesmo tempo, implacável. Não é a primeira vez que Costa entra nas vizinhanças mais pobres de Lisboa e filma entre os moradores marginais, cada um contando uma história da própria vida numa espécie de docu-drama híbrido. Eles declamam linhas, desprovidos de emoção, o que, quando funciona (o que não é sempre), reforça heroicamente seu significado. Entre eles está Ventura, um trabalhador originário da África ocidental, que visita pessoas às quais ele chama de filhos, apesar de nenhum deles ser seu parente. A mais comovente é Vanda, viciada em heroína, que fala sobre ser mãe e sobre sua filha pequena. Costa enquadra com precisão, como um pintor de naturezas mortas, muitas vezes pondo os rostos dos personagens na sombra, encontrando virtudes em uma parede com manchas semelhantes a hematomas ou em um sofá destruído. Pode ser frustrante, mas hipnótico quando se persiste.

Leia o original do comentário de Cath Clarke em:
http://www.theguardian.com/film/2008/apr/25/drama.worldcinema1?guni=Article:in%20body%20link

A caixa de DVDs lançada pela distribuidora Criterion traz, além dos 3 filmes, um folheto com críticas e comentários e um DVD de extras contendo curta-metragens de Pedro Costa, um documentário sobre ele e outros conteúdos interessantes.
http://www.criterion.com/boxsets/704-letters-from-fontainhas-three-films-by-pedro-costa

Mais alguns documentos online o trabalho de Pedro Costa:

Mal do século: Ossos e a morte de um cinema, por Juliano Gomes

http://www.revistacinetica.com.br/ossos.htm

Sangue, Ossos e Juventude em Marcha: 3 linhas em Pedro Costa, por Gabriel Martins
http://www.filmespolvo.com.br/site/eventos/cobertura/575

Vanda, uma iluminação profana, por António Guerreiro
http://ipsilon.publico.pt/cinema/entrevista.aspx?id=317518

No quarto da Vanda, por João Bénard da Costa
http://www.focorevistadecinema.com.br/FOCO1/benard-vanda.htm

El cine es paciencia (entrevista)
http://www.revistaenie.clarin.com/escenarios/Pedro-Costa-cine-paciencia_0_980302010.html

Uma busca na base de dados Art Full Text, disponível no portal do SIBi, recuperou diversos sobre o cineasta, publicado em revistas especializadas. Todos os artigos estão disponíveis online, mas o acesso só é possível pela rede de computadores da USP ou pelos usuários da rede VPN, porque tanto a base de dados quanto as revistas são recursos pagos, assinados pela Universidade. Em caso de dúvida, procure os bibliotecários de referência na Biblioteca da ECA.

AZALBERT, N. Entretien avec Pedro Costa. (French). Cahiers du Cinema, n. 652, p. 66-66, 01// 2010. ISSN 0008011X. Disponível em: < http://search.ebscohost.com/login.aspx?direct=true&db=aft&AN=505288383&lang=pt-br&site=ehost-live >.

BERGALA, A. Double noir: Ne change rien de Pedro Costa. (French). Cahiers du Cinema, n. 652, p. 64-65, 01// 2010. ISSN 0008011X. Disponível em: < http://search.ebscohost.com/login.aspx?direct=true&db=aft&AN=505288384&lang=pt-br&site=ehost-live >.

BURDEAU, E. Seul le cinéma: Pedro Costa tourne Dans la chambre de Vanda. (French). Cahiers du Cinema, n. 536, p. 60-62, 06// 1999. ISSN 0008011X. Disponível em: < http://search.ebscohost.com/login.aspx?direct=true&db=aft&AN=505814771&lang=pt-br&site=ehost-live >.

BURDEAU, E.; LOUNAS, T. “Mon regard et celui des acteurs étaient le même”. (French). Interview with Pedro Costa, n. 619, p. 74-78, 01// 2007. ISSN 0008011X. Disponível em: < http://search.ebscohost.com/login.aspx?direct=true&db=aft&AN=505209630&lang=pt-br&site=ehost-live >.

Colossal Youth. Sight & Sound, v. 21, n. 11, p. 83-83, 11// 2011. ISSN 00374806. Disponível em: < http://search.ebscohost.com/login.aspx?direct=true&db=aft&AN=525896239&lang=pt-br&site=ehost-live >.

CORLESS, K. Ace Ventura: king of the quarter. Interview with P. Costa, v. 18, n. 5, p. 12-12, 05// 2008. ISSN 00374806. Disponível em: < http://search.ebscohost.com/login.aspx?direct=true&db=aft&AN=505304202&lang=pt-br&site=ehost-live >.

______. Crossing the Threshold. Interview with P. Costa, v. 19, n. 10, p. 28-31, 10// 2009. ISSN 00374806. Disponível em: < http://search.ebscohost.com/login.aspx?direct=true&db=aft&AN=505256929&lang=pt-br&site=ehost-live >.

COSTA, P. Un cinéaste punk. (French). Cahiers du Cinema, n. 603, p. 85-85, 07//July/August 2005 2005. ISSN 0008011X. Disponível em: < http://search.ebscohost.com/login.aspx?direct=true&db=aft&AN=505137719&lang=pt-br&site=ehost-live >.

FRIEL, P. Box Set Pick: Letters from Fontainhas: Three Films by Pedro Costa. Film Comment, v. 46, n. 2, p. 74-74, 03//March/April 2010 2010. ISSN 0015119X. Disponível em: < http://search.ebscohost.com/login.aspx?direct=true&db=aft&AN=504397549&lang=pt-br&site=ehost-live >.

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