Como o cinema vê o índio brasileiro?

Como o cinema mostra o índio brasileiro? De uma forma estereotipada? Consegue ir além do cocar de pena, urucum e arco e flecha? Abaixo uma lista de filmes, séries e reportagens feitas para televisão, documentários etnográficos do nosso acervo de material audiovisual mostrando e discutindo as questões dos índios brasileiros.

Sylvio Back fez uma “colagem de trechos de filmes brasileiros e estrangeiros que contêm imagens de índios, realizada com o objetivo de mostrar como o cinema vê o índio brasileiro. Documentários, filmes de ficção, cinejornais, desenhos animados, comerciais e filmes de propaganda governamental, produzidas entre 1912 e 1983, alternam-se sem preocupação cronológica, exibindo imagens ora estereotipadas, ora realistas, idílicas, cômicas ou trágicas.”
Yndio do Brasil
Brasil, 1995, 70 min

Planos de fundos-001

Também do mesmo diretor, República Guarani, no qual “historiadores, antropólogos e jesuítas de diversas nacionalidades discorrem sobre o projeto de assimilação dos índios guaranis, empreendido pela Companhia de Jesus no sul da América do Sul. O processo de evangelização dos índios, os conflitos com os bandeirantes, a cultura desenvolvida nas missões, as peculiaridades de seu modo de produção e as causas de sua destruição são alguns dos assuntos discutidos, em pontos de vista por vezes conflitantes. Imagens das ruínas das construções jesuíticas, de obras de arte sacras, trechos de filmes e iconografia da época são exibidos entre os depoimentos.”
Brasil, 1981, 100 min

Cenas de Vera Cruz
ZATZ, Inácio
Brasil, 1979, 30 min

Macunaíma
ANDRADE, Joaquim Pedro de, 1932-1988
Brasil, 1969, 103 min
Nascido numa tribo de índios da Amazônia, um menino negro cresce habituado a ingênuas malandragens. Em delirantes aventuras, ele sai em busca de uma medalha da sorte e chega a São Paulo onde, já adulto e branco, reafirma seu comportamento de herói preguiçoso e sem caráter. Baseado no romance homônimo de Mário de Andrade. Resumo extraído do catálogo da Mostra Eduardo Escorel, CINUSP, 2005.

Como era gostoso o meu francês
SANTOS, Nélson Pereira dos, 1928-
Brasil, 1971, 84 min

como era gostoso
Drama em que um francês é capturado por índios tupinambás no Brasil do século XVI. Torna-se, assim, objeto de ritual antropofágico. Resumo: FDE, Série Apontamentos.

Terra de índios
VIANA, Zelito, 1938-
Brasil, 1979, 105 min
Documentário que traça um panorama da situação real dos índios brasileiros. Índios de várias tribos, Xavante, Pacaas Novos, Nonoaí, Guarani, Nhambikuara, Amambaí e outras falam sobre a luta para conservar seus valores culturais, a demarcação de terras, a marginalização, as doenças levadas pelo homem branco, a falta de assistência médica, a invasão das reservas. Mostra todos os preparativos e o significado de uma festa Tupi e a XIa. Assembléia de Chefes Indígenas. Entre os depoimentos, aparece Darcy Ribeiro na XXXa. Reunião Anual da SBPC em São Paulo, 1978, discutindo o problema do índio.

Asurini x Araweté: Documentários etnográficos
RIBEIRO, Frederico F
Brasil, 1981, 60 min
Registro do modo de vida e formas de produção dos Asurini e dos Araweté, dois grupos indígenas da região do Xingu, ameaçados de extinção. 1. Asurini: fuso e fio: a transformação do algodão em fio e tecido. 2. Asurini: barro e corpo: a manufatura da cerâmica e a pintura corporal. 3. Araweté: a índia vestida: a confecção da indumentária feminina. 4. Araweté: técnicas primitivas: a produção de fogo pelo atrito de duas varinhas e o uso de uma espécie de formão para trabalhar madeira.

Yanomami: a luta pela demarcação
LIMA, Rui; Reportagem
Brasil, 1989, 45 min

Povo da lua, povo do sangue
TASSARA, Marcello G, l933-
Brasil, 1983, 35 min
Documentário sobre os índios Yanomami, realizado com fotos de Cláudia Andujar. As fotos, feitas entre 1972 e 1982, registram aspectos da cultura e da vida dos Yanomami, seu habitat, seus costumes, gestos, corpos e rostos. A primeira parte do filme documenta a cultura original dos Yanomami, destacando: a lenda da criação do povo branco, o papel do líder na comunidade, as festas, a relação com o meio-ambiente, a cerimônia funerária. A segunda parte mostra o processo de desagregação social e cultural provocada pela chegada do homem branco. Depoimentos: tuxuaua Chico Opiktheri, Sra. Dantas, Lino Pereira Cordeiro, Álvaro F. Sampaio.

Deixem viver os Yanomami
Brasil, 1989 a 1990, 32 min

Yanomami
SCHIMITT, Caco
MESQUITA, Salma; Reportagem
Brasil, 1990, ca.60 min
O filme enfoca o problema da ocupação de territórios Yanomami por garimpeiros e o processo de destruição e extinção das populações indígenas, causado pela exploração do ouro na região. O dia-a-dia dos Yanomami, sua cultura e seus costumes são confrontados com incorporação de novos hábitos e com a chegada de doenças infecciosas transmitidas pelos garimpeiros. É exibida uma manifestação de garimpeiros, realizada contra a operação montada pela Polícia Federal para tirá-los das áreas indígenas. Programa apresentado no Concurso anual da Federação Nacional de Associações de Jornais.

Xingu
NOVAES, Washington
Brasil, 1985, 120 min
Compacto da série em 11 capítulos apresentada pela Rede Manchete em 1985, que retrata a cultura e o modo de vida das nações do Xingu. Os diversos rituais e seus significados, com destaque para os ritos de iniciação (prova dos marimbondos e perfuração da orelhas); a pajelança, ritual de cura; o Iamaricumá, dança exclusivamente feminina; o “Jauari”, ritual guerreiro; o Quarup, festa em honra aos mortos. Os próprios índios explicam as relações familiares em sua sociedade, a educação das crianças, o processo da passagem da adolescência para a vida adulta, o casamento e o relacionamento entre homens e mulheres. Paru, chefe da nação Iawalapiti, conta como se escolhe um pajé entre seu povo. Os chefes Raoni e Marcos Terena falam sobre os problemas da posse da terra e o inevitável contato com o homem branco.

A arca dos Zo’É
CARELLI, Vincent
Brasil, 1993, 22 min
Mostra a experiência de um índio da aldeia Waiãpi, do estado do Amapá, que viaja de avião para a aldeia dos índios Zo’É, levando vídeo sobre sua tribo realizado pelo projeto Vídeo na aldeia. Intercalando cenas das tribos Zo’É e Waiãpi, apresenta as descobertas recíprocas entre as duas tribos, suas semelhanças, diferenças e estabelecimento de relações de amizade.

Mata, a alma do índio
PERERA, Mirta Gonzalez
Brasil, 1996, 11 min

Jaraguá
D’AVILA, Fernanda Melfi Braga Silveira
Brasil, 1999, 14 min

Ao redor do Brasil
REIS, Luiz Thomaz
Brasil, 1932, 71 min

Catehe
JEHÁ, Regina
Brasil, 19–, 9 min

O povo brasileiro: Matriz tupi
FERRAZ, Isa Grinspum; FREDERICO, Flávio; FARIAS, Mauro
Brasil, 2000, ca.25 min
Série baseada na obra do antropólogo Darcy Ribeiro, que investiga a formação do povo e da nação brasileira. Este capítulo aborda a cultura dos habitantes da terra antes da chegada dos portugueses: costumes, sexualidade, relações entre homens e mulheres, guerras. Descreve-se o ritual antropofágico, ilustrado por desenhos de artistas europeus. Darcy Ribeiro fala de sua convivência com os índios caapós. Os índios são vistos em seu ambiente natural, envolvidos com as atividades próprias de sua cultura. Depoimentos: Darcy Ribeiro, Aziz Ab’Saber e Washington Novaes.

Hans Staden
PEREIRA, Luiz Alberto Mendes (Gal)
Brasil / Palestina, 1999, 91 min
capa hans staden-001Em 1550, o viajante alemão Hans Staden naufraga no litoral de Santa Catarina. Dois anos depois, consegue chegar à vila de São Vicente, reduto da colonização portuguesa. Durante dois anos, trabalha como artilheiro do forte de Bertioga. Quando se preparava para voltar à Europa, onde receberia o reconhecimento e o ouro do Rei de Portugal por seus serviços na Colônia, sua vida muda de forma inesperada. Em janeiro de 1554, Staden vai em busca de um escravo da tribo Carijó que o servia no Forte, desaparecido depois de sair para pescar. À beira do rio onde o índio costumava pescar, encontra uma cruz fincada, que era sinal usado pelos portugueses para chamar os Tupiniquins, seus aliados. Staden dá um tiro de mosquetão para atrair os Tupiniquins, mas quem aparece são sete Tupinambás, inimigos dos Portugeses e de seus aliados, que o aprisionam. O prisioneiro é levado para a aldeia de Ubatuba, onde os índios preparam um ritual festivo para matá-lo e devorá-lo. Staden se esforça para encontrar uma estratégia para se manter vivo. Mente que é francês, povo aliado dos Tupinambás, mas acaba desmascarado. Ciente do forte misticismo dos Tupinambás, consegue convencer os índios a não devorá-lo, tornando-se curandeiro e adivinho da tribo. Após nove meses entre os Tupinambás, Staden é libertado em troca de um baú de mercadorias oferecido pelo capitão de um navio francês, voltando em seguida para a Europa. Resumo extraído da obra Cinema brasileiro: um balanço dos 5 anos da retomada do cinema nacional.

A muralha
ARAÚJO, Carlos; RIOS, Luiz Henrique; SARACENI, Denise
AMARAL, Maria Adelaide
Brasil, 2000, 13h30

Viagem interior 1996-2003: Ouroboros spiritus mundi
BÏYAN, Sacha Dean
Brasil, 2004,
CDR0145
Fotografias, textos e biografia do fotógrafo Sacha Dean Bïyan. Traz imagens de habitantes dos países andinos e amazônicos.

Caramuru: a invenção do Brasil
ARRAES, Guel
Brasil, 2001, 88 min
A invenção de um país chamado Brasil começa em Portugal, onde o talentoso pintor Diogo Álvares cultiva a arte de embelezar a realidade, o que lhe cria muitos problemas com a poderosa corte de Portugal. Contratado para ilustrar os mapas que seriam usados nas viagens de Pedro Alvares Cabral, Diogo envolve-se com a sedutora Isabelle, francesa que frequenta a corte em busca de ouro. A cortesã rouba o mapa de Diogo, que é então, punido e deportado para as costas brasileiras, onde conhece a bela índia Paraguaçu e sua irmã Moema, vivendo então o primeiro triângulo amoroso da história do Brasil.

Brava gente brasileira
MURAT, Lúcia, 1949-
Brasil, 2000, 104min
Diogo, cartógrafo português a serviço da Coroa, viaja pela região do Pantanal no ano de 1778. No caminho do Forte Coimbra, os soldados que o acompanham estupram e matam um grupo de índias. O português também participa mas, com remorso, salva a mulher que violentou e a leva até o forte, que está em guerra com os índios. Os dois iniciam um romance e ela engravida. Os índios enganam os portugueses com um estratagema semelhante ao cavalo de Tróia e invadem o forte. A índia e o bebê desaparecem, e o comandante do forte explica a Diogo que as mulheres daquela tribo têm o costume de matar as crianças que não podem levar quando fogem.

Do outro lado do rio: os Pankararu do Real Parque e a cidade de São Paulo
MOTOKI, Carolina Falcão
Brasil, 2005, 50min

Conversas no Maranhão
TONACCI, Andrea, 1944-
Brasil, 1977, 120 min

Mato eles?
BIANCHI, Sérgio, 1945-
Brasil, 1983, 33 min
O extermínio suave dos últimos índios da reserva de Mangueirinha, no sudeste do Paraná, com a conivência daqueles que os deveriam proteger. As questões se desenvolvem como numa estrutura de teste de múltipla escolha. Resumo extraído do site da Cinemateca Brasileira.

mato eles sergio bianchi

Kuarup
GUERRA, Ruy, 1931-
Brasil, 1989, 119 min
kuarup01Em crise por não conseguir conter seus instintos sexuais, padre Nando é enviado às missões no Xingu, onde tem um envolvimento com uma repórter inglesa. No Rio de Janeiro, durante um reunião sobre a criação do Parque Nacional do Xingu, percebe que a real intenção das autoridades é garantir o controle político da região.De volta ao Xingu, participa do Kuarup, cerimônia indígena que retrata a criação dos homens. Com o suicídio de Getúlio Vargas, a situação política do país piora. Nando eventualmente abandona o sacerdócio, abraça definitivamnete a causa indígena e, já durante a ditadura militar, junta-se à luta dos camponeses, é preso e torturado, mas não desiste de lutar pela liberdade.

O espírito da TV
CARELLI, Vincent
Brasil, 2005, 18 min

Eu já fui seu irmão
CARELLI, Vincent
Brasil, 1993/94, 32 min
Um documentário sobre o intercâmbio cultural entre os Parakatêjê, do Pará e os Krahô, do Tocantins, que embora falem a mesma língua, nunca haviam se encontrado antes. Krôhôkrenhum, líder dos Parakatejê, preocupado com a descaracterização do seu povo, resolve ir conhecer uma aldeia Krahô que conserva muitas de suas tradições. Um ano depois, os Parakatejê retribuem o convite. No final, os chefes selam um pacto de amizade entre os dois povos. Resumo extraído do livro Vídeo nas aldeias 25 anos.

Shomôtsi
PYÃKO, Wewito
Brasil, 2001, 42 min

Marangmotxíngmo mïrang = Das crianças Ikpeng para o mundo
TXICÃO, Natuyu Yuwipo; TXICÃO, Karané; TXICÃO, Kumaré
Brasil, 2001, 32 min

Kinja Iakaha, um dia na aldeia
WAIMIRI, Araduwá; WAIMIRI, Iawysu; WAIMIRI, Kabaha; ATROARI, Sanapyty; WAIMIRI, Sawá; ATROARI, Wamé
Brasil, 2003, 42 min

Imbé Gikegü, Cheiro de Pequi
MARIKÁ; KUIKURO, Takumã
Brasil, 2006, 36 min

Pi’õnhitsi, Mulheres xavantes sem nome
TSEREWAHÚ, Divino; TÔRRES, Tiago Campos
Brasil, 2009, 54 min

Kene Yuxi, As voltas do Kene
YUBE, Zezinho
Brasil, 2010, 48 min

Bicicletas de Nhanderú
ORTEGA, Ariel; FERREIRA, Patricia
Brasil, 2011, 48 min
Uma imersão na espiritualidade presente no cotidiano dos Mbya-Guarani da aldeia Koenju, em São Miguel das Missões no Rio Grande do Sul. Resumo extraído do livro Vídeo nas aldeias 25 anos.

M’Boi Mirim – Dos índios, das águas, dos sonhos
CHNAIDERMAN, Miriam
Brasil, 2007, 26 min

Tainá 2 – a aventura continua
Lima, Mauro
Brasil, 2005, 80 min
DVD2846

Marubo: Uma tribo da Amazônia
Mota, Gonzaga; Rosa, Ricardo Monte
Brasil, 1991, 5 min
No Vale do Rio Javari, fronteira como Peru, vivem os Índios Marubo – uma tribo amazônica que luta para preservar suas tradições e cultura. Este documentário mostra um grupo de Marubos, seu dia a dia, sua relação com a “civilização” e principalmente sua riqueza de ritos e valores.

O Brasil, os índios e, finalmente, a USP
Tassara, Marcello G.
Brasil, 1988, 120 min

O povo brasileiro: Brasil caboclo
FERRAZ, Isa Grinspum; FREDERICO, Flávio; FARIAS, Mauro
Brasil, 2000, ca.25 min

Também faz parte de nosso acervo a coleção de filmes etnográficos produzida por Harald Schultz para a Encyclopaedia Cinematographica, projeto do Instituto do Filme Científico de Gottingen, que registra aspectos da culutra de índios de aldeias Kraô, Kalapalo, Waura, Suyá etc., no cultivo de campo queimado, juntando e preparando tartarugas, luta livre, jogo de luta javari, danças de exorcirmos, dança de márcaras Kokrit, obtenção de corante urucu, preparando o beiju etc.

Para uma lista completa acesse nossa base de Filmes e Vídeos digite índios e selecione Assunto. Como ilustra a imagem.

indios assunto

Os resumos usados neste post vieram da base Filmes e Vídeos.

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One Response to Como o cinema vê o índio brasileiro?

  1. Republicou isso em Blogue do Anápuákae comentado:
    Boa sugestão de como não queremos e não gostamos de ser retratados e apresentando já que não tínhamos o controle da arte e técnica do audiovisual, somo audiovisualizados entendemos a narrativas e fazemos nosso videos com nosso olhar para o nosso e com linguagem e cultura compatível a diversidade étnica de cada povo. Assistam, comentem e boa sessão.
    Anápuáka Muniz Tupinambá Hã hã hãe

    Curtido por 1 pessoa

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