Cahiers du Cinéma

Foi em abril de 1951 que surgiu, na França, o primeiro fascículo da revista Cahiers du Cinéma. Criada por André Bazin, Jacques Doniol-Valcroze, Joseph-Marie Lo Duca e Léonide Keigel, a Cahiers du cinéma, uma revista de espessura fina e capa amarela, tornaria-se publicação ressignificadora no âmbito do Cinema, tendo sido um verdadeiro “journal de combat”, uma revista com um plano de batalha, que objetivou incluir o Cinema na esfera das Artes.

Com uma equipe editorial inicialmente composta por personalidades como André Bazin, Claude Chabrol, Jean-Luc Godard, Jacques Rivette, Eric Rohmer e François Truffaut, a primeira publicação, de 1951, mostrava suas intenções, com seu manifesto aberto denunciando: “o maléfico neutralismo que toleraria um cinema medíocre, uma crítica cautelosa e um público estupefato”. Os autores denunciavam, ainda, a hipótese de que o filme era uma extensão empobrecida da literatura ou do teatro e não uma expressão artística em si mesmo.

Esta hipótese, então em voga, estava para ser desconstruída definitivamente pelo grupo editorial da Cahiers que, com seus textos críticos buscava lançar um novo olhar sobre o fazer cinematográfico, tendo um longo caminho a percorrer em busca de estabelecer a ideia de que os filmes também poderiam ser considerados arte, ideia absurda até aquele momento.

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Talvez um dos artigos mais marcantes da revista tenha sido “Une certaine tendance du cinéma français“, escrito por Truffaut e publicado no fascículo número 31 de janeiro de 1954. Nele, Truffaut expõe o filme como um grande meio de expressão das ideias pessoais do diretor. O texto seria uma manifesto para aquilo que mais tarde seria conhecido como teoria do autor.

Embora  para nós, atualmente, seja difícil vislumbrar o cenário daquela época, imagine, por exemplo, que naquele momento a maioria das pessoas iria referir-se ao filme Janela indiscreta como um filme de James Stewart (um dos atores) e não uma obra de Alfred Hitchcock.

A Cahiers du Cinéma, ao longo da década de 1950, conseguiu alcançar seu propósito inicial, firmando suas ideias sobre o cinema, que passaria a ser considerado a sétima arte e não mais um simples produto da indústria do entretenimento.

Redefinindo-se ao longo dos anos 1960 e 1970, a revista acompanhou as transformações pelas quais passavam o cinema, gerando artigos críticos e consistentes sobre o universo do cinema. Sua importância prevalece nos dias atuais, sendo uma publicação mensal de relevo no âmbito do cinema.

A Biblioteca da ECA conta com a Cahiers du Cinéma em seu acervo. Há desde o primeiro exemplar de 1951 até fascículos do ano corrente.

Devido a questões de preservação, os exemplares de 1951 até o fim da década de 1970 estão na nossa Coleção Especial, portanto, o acesso  é controlado e  demanda alguns cuidados especiais. Para ter acesso a um fascículo deste período, basta solicitar a um funcionário que ele trará para que você possa consultá-lo.  Os fascículos dos anos subsequentes estão no acervo aberto da biblioteca; a consulta é livre ao público em geral e o empréstimo permitido aqueles que possuem cadastro no sistema de bibliotecas da USP.

Para escrever este post consultamos: A short history of Cahiers du cinéma, escrito por Emilie Bickerton e  The Cahiers du Cinéma Names the 10 Best Films of the Year, from 1951 to 2014, escrito por Jonathan Crow. Disponível em <http://www.openculture.com/2015/01/cahiers-du-cinema-top-10.html>

Para saber mais sobre a teoria do autor no cinema, consulte:

Autoria cinematográfica : a impressão digital de François Truffaut. Dissertação de Eduardo Portanova Barros. t791.430944 T866a e. 2

O autor no cinema : a política dos autores : França, Brasil anos 50 e 60. Tese e livro de  Jean-Claude Bernardet. 791.4301 B522a

Theories of authorship : a reader. Edição de John Caughie. 791.4301 C371t 1990.

 

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