Revistas sentimentais

As fotonovelas foram bastante populares no Brasil durante os anos 1950, até boa parte da década de 1970. Eram um um tipo de literatura muito difundida, com texto de caráter sentimental e fácil, para atingir um público grande. Apresentadas em forma de quadrinhos fotográficos sequenciados e veiculadas por revistas especializadas, para um público feminino romântico.

Sua origem remonta à Itália pós Segunda Guerra, quando eram impressos fotogramas de filmes de sucesso com texto. No entanto essa ascendência não é muito reclamada. Também em sua genealogia encontramos os romances populares, dos quais herdou a predileção por assuntos sentimentais.

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As revistas especializadas em fotonovelas eram tão populares que se tornavam as principais publicações de suas editoras. Grande Hotel era o título mais importante da editora Vecchi e Capricho ocupava a mesma posição na editora Abril. Na Bloch, este posto era da revista Sétimo Céu.

Grande Hotel foi a pioneira no Brasil. Surge em 1947, mas só passa a publicar fotonovelas em 1951. Em 1952 surge a revista da editora Abril. Juntas dominaram o mercado por toda a década de 1950, com a Capricho na dianteira. Em 1970 a editora Bloch, que já publicava a revista Sétimo Céu, põe nas bancas brasileiras a revista Amiga, especializada na programação e nos artistas da televisão, mas que trazia fotonovelas desde seu número de estreia. O grupo das revistas de fotonovelas só perdia em circulação para as revistas de quadrinhos infantis.

As primeiras fotonovelas que aparecem na revista Grande Hotel não traziam fotografias e sim, “foto-desenhos”, e eram publicadas em capítulos, uma espécie de retomada dos folhetins do século anterior. Boa parte dos títulos eram adaptações de filmes e romances famosos.

Capricho, assim como Grande Hotel, publicava principalmente traduções de fotonovelas estrangeiras. Era a principal revista brasileira, vendia mais que Manchete e Claudia. Fazia tanto sucesso que acabou dando origem a outros títulos, como Supernovelas Capricho e Grandes Romances, edições especiais só com fotonovelas. E, reclamando a paternidade bastarda, as primeiras fotonovelas de Capricho eram chamadas de cinenovelas.

Já a revista Amiga trouxe desde seu número inicial fotonovelas brasileiras, com atores de telenovelas, alguns bastante conhecidos. Eram uma imitação simplificada das congêneres estrangeiras.

Caso queira saber mais sobre o assunto, nas Coleções especiais da Biblioteca da ECA temos os títulos Grande Hotel, Capricho e Amiga e um exemplar de Supernovelas Capricho.

Sobre fotonovelas no acervo:

  1. El comic y la fotonovela en el aula, de Roberto Aparici. 1992. Localização: 741.5 A639.c
  1. Fotonovela e indústria cultural: estudo de uma forma de literatura sentimental fabricada para milhões, de Angeluccia Bernardes Habert. 1974. Localização: 301.161 H115f
  1. O quadrado amoroso: algumas considerações sobre a narrativa de fotonovela, dissertação de mestrado de Dulcília Helena Schroeder Buitoni, defendida em 1977.  Localização: t301.161 B932q.
  1. La presse féminine, de Evelyne Sullerot. 1963. Localização: 070.48 S949p.

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