Livros que somem

Em março deste ano fizemos o inventário da coleção da Biblioteca da ECA. Para quem não sabe, trata-se de comparar todo o acervo físico com seus registros no banco de dados, para verificar se há materiais sumidos, registros errados no sistema e outros problemas.

Essas verificações são necessárias porque toda biblioteca bastante consultada está sujeita a furtos, apesar das câmeras de vigilância e do controle eletrônico do material.
Antigamente, no tempo da ficha, esse processo era tão complicado e moroso que precisávamos fechar a Biblioteca por, no mínimo, 20 dias. Hoje, felizmente, já podemos fazer inventários automatizados, que demandam bem menos tempo e trabalho, já que os dados são coletados por leitores de códigos de barras e posteriormente comparados automaticamente pelo programa com os dados do Dédalus. Dessa forma, todo o processo pode ser feito com a Biblioteca aberta.

Esse foi nosso segundo inventário automatizado (o primeiro foi feito em 2012). De lá para cá a quantidade de materiais desaparecidos por ano diminuiu, fenômeno que já havíamos detectado no inventário anterior, realizado em 2006. É uma boa notícia, principalmente se considerarmos que o volume de empréstimos e a frequência de usuários estão se mantendo estáveis nos últimos anos.

Entre 2006 e 2012 a nossa média anual de perdas era de 42 volumes. De lá para cá, a média caiu para 34 volumes, com o diferencial de que este último inventário também incluiu parte do acervo de audiovisuais.

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Muitos leitores devem estar pensando “que horror, desaparecem 34 livros por ano de uma biblioteca e vocês ainda acham pouco”. Pois é, na verdade não é muito. Pensem que, nesse mesmo período, circularam pela Biblioteca da ECA, em média 7200 pessoas por mês e fizemos 2300 empréstimos mensais (também em média). Além disso, provavelmente alguns desses perdidos ainda vão aparecer nos próximos meses.

De qualquer forma, ainda que a quantidade de livros desaparecidos não seja preocupante, é muito triste constatar que livros importantes, caros, adquiridos e mantidos com verbas públicas e difíceis de serem localizados em outros locais, provavelmente tenham sido furtados de uma biblioteca. Pesquisadores foram privados do acesso a informações vitais para seus trabalhos. Estudantes sem recursos tiveram sua chance de ler um livro que não podem comprar roubada por alguém que agiu de forma egoísta.

E ainda existem pessoas que se orgulham de furtar  livros em bibliotecas, como se fosse um gesto transgressor e rebelde. Vamos pensar melhor e rever isso aí?

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