Turismo por quem não é turismólogo

O turismo toma emprestado de áreas como antropologia, geografia, marketing, psicologia alguns conceitos. Por outro lado, pesquisadores de outras áreas, como urbanismo, sociologia, economia etc., volta e meia se debruçam sobre conceitos como turismo, viagem, turista, analisando-os de acordo com as ferramentas de suas áreas.

Em sua tese de doutorado Viagem e turismo: conceitos na literatura e nos relatos de viagem, Silvio José de Lima Figueiredo estuda os conceitos de viagem e turismo presente em obras de ficção, como romances, contos, filmes e nos relatos de viajantes que percorreram o Brasil desde a colonização.

Uma amostra desse outro olhar sobre o turismo pode ser conferida nas obras abaixo:

Novidades8

A arte de viajar, de Alain de Botton. Uma reflexão a partir da Filosofia sobre o que nos motiva a fazer as malas e sair do conforto de nossas casas.

Gringo na laje: produção, circulação e consumo da favela turística. Bianca Freire-Medeiros aborda o turismo na favela carioca da Rocinha sob o olhar da sociologia.

Turismo e paisagem, organizado por Eduardo Yazigi. Geógrafos, arquitetos, historiadores, museólogos, paisagistas lançam olhares sobre o planejamento turístico.

Cidades turísticas: identidades e cenários de lazer, de Maria da Glória Lanci da Silva. A partir da observação do turismo nas cidades de Parati e Campos do Jordão, a arquiteta, urbanista e professora da FAU discute “em que medida os valores estéticos tornam uma cidade particularmente turística.”

Saindo um pouco da abordagem acadêmica e adentrando no terreno dos relatos de viagens, sob o título de O turista aprendiz, estão reunidos os diários das “viagens etnográficas” que Mario de Andrade fez pelo norte e nordeste brasileiros, na segunda metade da década de 1920.

Antes de Mario de Andrade, naturalistas, artistas, religiosos e viajantes estrangeiros de várias outras formações percorreram o Brasil desde a colonização registrando suas impressões e oferecendo uma ideia de como “temos sido vistos pelo estrangeiro ao longo dos séculos”. Os relatos desses viajantes falam dos costumes, do povo, da fauna e flora, das condições das viagens, da infraestrutura dos lugares visitados. No trecho abaixo, de 1883, do livro Imagens do Brasil, Carl von Koseritz compara Desterro, hoje Florianópolis, e Porto Alegre:

“A cidadezinha é totalmente amável e muito limpa; provoca a melhor impressão no visitante. A linha de bondes de burro está estragada, mas Desterro conta com bons carros de aluguel, uma vantagem que, como é sabido, Porto Alegre não pode, ainda, se vangloriar.”

Novidades9Outros títulos desses viajantes estrangeiros podem ser conferidos na Biblioteca, além dos listados abaixo:

Viagem pitoresca e histórica ao brasil, Jean-Baptiste Debret

Vida no Brasil, Thomas Ewbank

Viagem pitoresca através do Brasil, Johann Moritz Rugendas

Viagem às nascentes do Rio São Francisco, Auguste de Saint-Hilaire

Viagem ao Rio Grande do Sul, Auguste de Saint-Hilaire

Duas viagens ao Brasil, Hans Staden

No âmbito da ficção a lista seria infinita, vamos ficar só com três exemplos, dois dos quais citados na tese acima:

As férias do Sr. Hulot, filme dirigido por Jacques Tati; A peça La turista, de Sam Shepard, sobre um casal em férias no México e o conto Uma excursão milagrosa, de Machado de Assis.

Sobre o Brasil dos viajantes, há obra Ana Maria de Moraes Belluzzo.

Todos os títulos citados fazem parte do acervo da Biblioteca da ECA.

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