Peças de teatro essenciais

Volta e meia nos deparamos com listas do tipo: 100 livros que todos devem ler, ou, os melhores livros do século XX, os melhores romances de todos os tempos etc. Às vezes divertidas, essas listas podem servir para ajudar na escolha do próximo livro a ler, mas é preciso olhar para elas com um pouco de indulgência, afinal as obras apontadas são quase sempre ocidentais, e um ocidente bastante reduzido, que abrange apenas Estados Unidos, Canadá e parte da Europa.

Tendo isso em mente e baseados em listas presentes nos livros O cânone ocidental, de Harold Bloom; e Como ler um livro, de Mortimer J. Adler e Charles Van Doren (ambos fazem parte de nosso acervo), fizemos uma lista de textos dramáticos essenciais.

A leitura de peças normalmente exige mais do leitor do ponto de vista da criação do cenário e do “mundo em que os personagens vivem e se movimentam, pois nas peças não encontramos descrições extensas como nos romances.”

Outra coisa interessante de ler peças, é que boa parte dos textos são curtos, podem ser lidos em pouco tempo, ou seja, quando estiver dando uma olhada na sua lista de leituras ao final do ano, vai ficar feliz.

Algumas dicas presentes no livro de Adler e Van Doren sobre a leitura de peças teatrais:

Imagine que tem uma meia dúzia de bons atores sob suas ordens. Explique a eles como devem dizer uma frase, como representar uma cena. Explique a importância das palavras e como aquela ação é o clímax da obra. p.181.
Outro conselho pode ser útil, sobretudo para a leitura de Shakespeare. Já sugerimos a importância de ler peças teatrais de uma vez só, quando possível, para captar a noção do todo. Entretanto, como as peças são quase todas em versos, e o verso é mais ou menos obscuro em certos trechos, devido às mudanças ocorridas na língua desde 1600, é conveniente ler uma passagem mais confusa em voz alta. Deve ser lida lentamente, como se fosse dirigida ao público, e com “expressão” – isto é, procurando dar sentido às palavras à medida que se lê. Este artifício simples pode resolver muitas dificuldades. Só quando ele falha é que devemos recorrer ao glossário ou às notas. p.181

Vamos à lista. Os títulos em negrito aparecem nas duas listas. Todas as peças citadas fazem parte do nosso acervo.

Jean Anouilh
Becket, ou a honra de Deus
Antigone

John Arden
As iniciativas do bom governo

Aristófanes
Comédias, especialmente
As nuvens
Os pássaros
As rãs

Bertolt Brecht
A alma boa de setsuan
Mãe coragem
Galileu
O círculo de giz caucasiano
A ópera dos três vinténs

Georg Büchner
Woyzeck
A morte de Danton

Pedro Calderón de la Barca
A vida é sonho
El alcade de Zalamea
O mágico prodigioso

François-René Chateaubriand
Atala
René

Jean Cocteau
A máquina infernal

William Congreve
The way of the world
Love for love

Pierre Corneille
O Cid
Polyeucte
Nicomède
Horácio
Cinna
Rodogune

Ésquilo
tragédias

Eurípedes
tragédias, especialmente
Medeia
Hipólito
As bacantes

Carlos Fuentes
Todos los gatos son pardos

John Gay
A ópera do mendigo

Jean Genet
O balcão

Johann Wolfgang von Goethe
Fausto

Henrik Ibsen
Hedda Gabler
Casa de bonecas
O pato selvagem

Eugène Ionesco
As cadeiras
A lição
O rinoceronte

Thomas Kyd
The Spanish tragedy

Tony Kushner
Angels in America (a Biblioteca tem apenas a segunda parte impressa, mas tem os dois DVDs da adaptação para cinema dirigida por Mike Nichols).

Gotthold Ephraim Lessing
Nathan the Wise

David Mamet
Speed-the-plow

John Marston
The Malcontent

Thomas Middleton e William Rowley
The changeling

Arthur Miller
A morte de um caixeiro viajante

Molière
Comédias, especialmente
O avarento
O misantropo
Escola de mulheres
O doente imaginário
Tartufo
e outras

Tirso de Molina
O sedutor de sevilha

Sean O’Casey
Juno e o pavão
The shadow of a gunman
The plough and the stars

Eugene O’Neill
Longa jornada noite adentro
Lázaro riu
The iceman cometh

Harold Pinter
A volta ao lar
The caretaker

Jean-Baptiste Racine
Tragédias, especialmente
Andrômaca
Fedra

Fernando de Rojas
A Celestina

Jean-Paul Sartre
Entre quatro paredes

Arthur Schnitzler
A cacatua verde

Bernard Shaw
peças e seus prefácios, especialmente
Homem e super-homem
Major Barbara
César e Cleópatra
Pigmalião
Santa Joana

William Shakespeare
Hamlet
Otelo
Rei Lear
Macbeth
Antônio e Cleópatra
Ricardo II
Henrique IV etc. etc. etc.,  pois “bibliotecas e teatros (e cinemas) não são capazes de contê-lo.”

Richard Brinsley Sheridan
Escola de má-língua
Os rivais

Friedrich Schiller
Maria Stuart
e outras

Sófocles
tragédias

August Strindberg
Rumo a Damasco
Senhorita Julia
e outras

Cyril Tourneur
The revenge’s tragedy

Lope de Vega
Fuente ovejuna
La Dorotea
Lost in a mirror
The knight of Olmedo
John Webster
The white devil
The Duchess of Malfi

Frank Wedekind
Lulu
O despertar da primavera

Oscar Wilde
A importância de ser prudente

Thornton Wilder
Nossa cidade
The skin of our teeth
The matchmaker

Tennessee Williams
Um bonde chamado desejo
Gata em teto de zinco quente
A rosa tatuada
À margem da vida

De outros autores são citadas coletâneas publicadas em outros países, do tipo Selected works, Seven comedies etc., que não temos no acervo.

Anton Pavlovich Tchekhov
Luigi Pirandello
Jean Millington Synge
Pierre Carlet de Marivaux
W.S. Gilbert
Francis Beaumont e John Fletcher
John Dryden
Ben Jonson
George Chapman
Lord Byron
Alfred Jarry
Heinrich von Kleist
Joe Orton
Sam Shepard
George Chapman

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