Teste Bechdel-Wallace: representatividade feminina no cinema

Que tal assistir a um filme que tenha no mínimo 2 personagens mulheres, devidamente nomeadas, conversando entre si sobre um assunto que não seja “homens”.

Aparentemente simples? Ou complexo?

Bem, para a cartunista americana  Alice Bechdel não parecia algo que se encontra facilmente nos filmes. Em 1985, ela fez uma tirinha para sua série Dykes to watch out for na qual aqueles que viriam a tornar-se os critérios do Bechdel-Wallace teste apareceram pela primeira vez.

Alice explica que a tirinha foi feita inspirada em conversa com sua amiga Liz Wallace, que lhe deu a ideia.

Nos anos 2000, os 3 critérios apresentados pela personagem tornaram-se constitutivos daquele que ficou conhecido como Teste Bechdel-Wallace, que confere aos filmes um selo de aprovação. A ideia é de Ellen Tejle, sueca diretora de uma sala de cinema que, em 2013, passou a usar um selo para marcar os filmes em cartaz que passaram no teste. Além de colar adesivos nos pôsteres, Ellen inseriu uma vinheta nos traillers e divulgou material na internet para disseminar a ideia.

Atualmente o selo do “A-list movement” – referência aos filmes aprovados –  está presente em 10 países: Brasil, China, Itália, França, Reino Unido, Canadá, Austrália, Alemanha, Romênia, Albania, Turquia, Islândia e em 30 cinemas na Suécia.

No site Bechdel test movie list é possível que os usuários adicionem títulos de filmes, informando se o mesmo passa ou não no teste. Outros usuários, podem contra argumentar.

O teste Bechdel-Wallace  levanta discussões. Há aqueles que o critiquem por ser demais simplista acenando para a importância de que outros parâmetros sejam adotados. Entretanto, a iniciativa choca ao fazer com que constatemos que em muitos filmes realmente não há uma única cena com duas personagens mulheres, com nome, conversando entre si sobre algo além de homens.

O teste sem dúvidas traz à tona a importância de se pensar a representatividade feminina no cinema. Se os filmes comunicam é importante refletirmos sobre quais mensagens estão sendo transmitidas à nossa sociedade. Quais são as questões inerentes a vida das mulheres e quais lugares estas ocupam na sociedade que é  representada na tela dos cinemas que espelham, em certo grau, a vida real.

E os filmes que compõem o acervo da Biblioteca da ECA? Será que passam no teste? Quem quiser se aventurar adicione um comentário na seção Comentários deste post. 😉

Para saber mais: http://www.a-listfilm.com/

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