Como não destruir um livro

Livros existem para serem lidos. E livros de bibliotecas existem para serem lidos e manuseados por muita gente, às vezes por muitos anos. Portanto, livros de bibliotecas sempre terão sinais de uso e da passagem do tempo.

Isso não chega a ser um problema, até porque livros podem ser reparados, encadernados, higienizados e até restaurados. Mas tudo isso tem custo e leva tempo, portanto temos que nos esforçar para não estragar muito e garantir que nossos livros se mantenham em condições de uso o maior tempo possível. 

Então, vamos lá. Temos seis dicas de ações que devemos evitar, para não destruir livros que emprestamos das bibliotecas. Dicas que também servem para nossas coleções pessoais, claro.

1. Fazer rabiscos, grifos e anotações

O hábito de grifar o que nos interessa ou fazer anotações nas margens dos livros pode inviabilizar muito rapidamente a leitura para os próximos interessados. Isso é algo que jamais deve ser feito em livros de bibliotecas. Atrapalha a leitura, incomoda e pode até mesmo impedir que outras pessoas aproveitem o conteúdo do texto, dependendo do grau de “intervenção” aplicada e de quem for o leitor.

Já escrevemos sobre esse problema que nos preocupa muito neste post. Recebemos muitas reclamações sobre esse tipo de comportamento, que pode até ser classificado como vandalismo.

Importante: nem mesmo anotações a lápis estão liberadas, porque a ação de apagar com borracha pode rasgar o papel ou apagar a impressão. Além disso, apagar grifos e rabiscos é algo que toma muito tempo dos funcionários, tempo que poderia ser usado em outras atividades de conservação mais especializadas. Vejam só que coisa mais feia:

Há várias maneiras de fazer anotações de leitura sem bagunçar livros de uso público: digitalizar e usar um programa que permita editar os arquivos em pdf, fotografar trechos e jogar num arquivo de texto ou usar o bom e velho sistema do caderna e da caneta. Esse último ainda ajuda a fixar melhor os  conteúdos, segundo vários professores.

2. Misturar comida, bebida e livros

Sim, sabemos que é muito difícil estudar sem tomar um cafezinho ou comer alguma coisa. Mas não custa tomar alguns cuidados. Não apoie copos e xícaras sobre os livros, cuide para não derrubar migalhas de pão, gordura e molho de tomate nas páginas, não manuseie o livro com as mãos sujas, tente manter distância segura entre os alimentos para o corpo e para a mente. Acidentes acontecem, vamos tentar evitá-los. 

 

3. Tomar chuva

Livros não são guarda-chuva. Usar um livro para se proteger daquela chuvinha inesperada é uma péssima ideia. Dependendo da quantidade de água, do tipo de papel e no tempo em que o livro permanecer molhado, a perda pode ser total. Livros molhados ficam deformados, podem ser afetados por fungos, as páginas podem grudar umas nas outras ou rasgar. Quando sair com livros, procure sempre protegê-los com um saco plástico, por exemplo, evitando ao máximo o contato com chuva e outros líquidos.

Isso também vale para o transporte em dias não chuvosos. Levar livros, alimentos e garrafas com líquidos dentro da mesma mochila é arriscado, porque as embalagens podem se abrir e provocar pequenas calamidades. Se não der para evitar esse tipo de situação, é importante embalar e proteger bem o livro.

Em muitos casos, nossos técnicos conseguem salvar livros molhados, mas nem sempre. Quando recebemos um livro molhado e não conseguimos secá-lo em tempo de impedir que se estrague, temos que cobrar do responsável a reposição do item estragado. Tentemos  evitar isso.

4. Colocar objetos nos livros

Dentro dos livros, só marcadores de páginas fininhos, feitos de papel, plástico ou tecidos, e que não soltem tinta. Um dos objetos mais nocivos são são os clips de metal, que podem enferrujar rapidamente, deixar marcas no papel e até provocar rasgos. Mesmo que a ideia seja retirar rapidamente o clip, é melhor evitar. Temos casos de livros que foram devolvidos com clips, os funcionários não perceberam e o livro foi para a estante com essa má companhia dentro dele. Resultado: o clip enferrujou e, ao ser retirado, provocou rasgos em várias páginas.

5. Manuseio incorreto

Além de não dobrar as páginas nem virar o livro do avesso, que todo mundo já sabe que não deve fazer, uma boa dica é tirar os livros das estantes do jeito certo. Não devemos puxar pela parte superior da encadernação, mas pelo meio do livro, como mostram essas imagens:

Esse cuidado simples evita que a encadernação se rasgue muito rapidamente. Se não houver espaço para puxar o livro da maneira certa, basta empurrar um pouco para trás os dois vizinhos dele.

6. Intervenções amadoras

Arrumar um estrago pode ser mais fácil do que consertar uma tentativa de “restauração” feita do jeito errado, como demonstra esse exemplo célebre:

 

O livro está rasgado? Avise os funcionários da Biblioteca, para que a gente faça os reparos com materiais e técnicas adequados. Colocar uma fita adesiva comum pode até piorar as condições do livro, porque essas fitas têm colas que atacam o papel e precisam ser removidas – um processo delicado e demorado.

Limpeza também é algo que deve ser feito apenas por profissionais habilitados. Algumas técnicas e produtos podem ser nocivos, tanto aos livros quanto às pessoas.  Deixe isso conosco.

Para concluir

Informações sobre conservação de livros, documentos em geral, objetos, obras de arte etc são confiáveis apenas se vierem de profissionais especializados, ou de instituições da área. Restauradores e conservadores, ou arquivistas, bibliotecários e museólogos que tenham formação na área de conservação, por exemplo, são profissionais que devemos consultar.  

Hoje é muito fácil encontrar informações sobre conservação de livros no Youtube, por exemplo, mas nem sempre são totalmente corretas. É preciso tomar cuidado.

Se você tiver dúvidas sobre o assunto, pode perguntar para a Biblioteca da ECA. Temos uma Oficina de Encadernação e Conservação com pessoal treinado e habilitado que pode responder a muitas questões ou, se for o caso, indicar profissionais ou instituições com mais conhecimentos.  Outras bibliotecas da USP, como a da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo, também contam com estrutura e pessoal especializado na área.

Algumas referências disponíveis online

Projeto Conservação Preventiva em Bibliotecas e Arquivos

http://arqsp.org.br/cpba/

Arquivo do Estado de São Paulo

http://www.arquivoestado.sp.gov.br/site/publicacoes/tecnica/ver/como-fazer-conservacao-preventiva-em-arquivos-e-bibliotecas-v5

Blog da Biblioteca da ECA

 https://bibliotecadaeca.wordpress.com/2018/04/09/acao-e-reacao-a-importancia-de-cuidar-dos-nossos-acervos/

 

Veja, se preferir, a versão em vídeo deste post.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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