Comunicação científica imediata

No início dos anos 1990 surge a primeira tentativa bem sucedida de criar um repositório de preprints, o ArXiv, que permitia a pesquisadores das ciências exatas disponibilizarem seus trabalhos antes de passar pelo exame da revisão pares. O ArXiv deu tão certo que está até hoje disponível e servindo de referência para outros modelos que vieram depois. Hoje há vários repositórios de preprints, inclusive alguns que atendem nossas áreas.

Resumidamente, preprints são trabalhos acadêmicos publicados em servidores ou repositórios antes da avaliação pelos pares, o que garante divulgação imediata e portanto, precedência sobre sobre suas descobertas, além claro, de um acesso mais amplo, pois os interessados em ler o trabalho não terão de se deparar com a restrição do acesso pago.

O debate sobre preprints vem paulatinamente crescendo já há algum tempo, mas iniciativas importantes tomadas nos últimos anos deram força ao debate. O Plano S, iniciativa europeia que conta com apoio de 14 países e de instituições de financiamento importantes, defende que pesquisas que tenham sido financiadas com dinheiro público, tenham seus resultados divulgados de forma pública.

No Brasil duas iniciativas importantes foram a decisão da Fapesp de determinar que pesquisas resultantes de financiamento da Fundação tenham conteúdo divulgado em acesso aberto e o lançamento pelo Scielo de um servidor de preprints.

Mas a pandemia da covid-19 parece ter jogado ainda mais luz sobre o assunto. 

“Com a pandemia, os preprints se tornaram ainda mais importantes, já que por meio deles é possível que pesquisadores no mundo inteiro acompanhem quase em tempo real todas as novas descobertas a respeito da covid-19. Porém, existe um lado negativo desse processo. Preprints são artigos preliminares, e devem ser sempre lidos desta forma. Caso contrário, as consequências podem ser grandes.”

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Argumentos a favor dos preprints vão desde estudos indicando que divulgar seus trabalhos dessa maneira pode aumentar as citações e uma comunicação científica sem as barreiras impostas pelos elevados valores das assinaturas cobradas pelos grupos editoriais que fizeram da mediação do acesso ao conhecimento científico seu negócio. Além disso os preprints permitiram mais facilmente o surgimento de ideias controversas e novas, ou mesmo o registro de resultados nulos ou negativos

E se você ainda pensa que os preprints continuam sendo assunto de interesse apenas para pesquisadores de exatas, biológicas e adjacências, engana-se. Dê uma olhada nessa lista aqui de servidores de preprints, e veja que a diversidade de áreas cobertas tem ganhado espaço.

Então, da próxima vez que for divulgar o resultado de sua pesquisa pense na possibilidade de conseguir divulgação imediata, poder compartilhar o trabalho em suas redes, receber comentários de pares e pesquisadores de outras áreas que podem contribuir para melhorar o trabalho.

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