Do tema da pesquisa aos termos de busca

23/09/2019

A frase “eu não encontrei quase NADA sobre o tema da minha pesquisa”, pronunciada em variados tons de decepção e até de franco desespero, é algo que bibliotecários ouvem com muita frequência.

Mas como isso é possível, se estamos numa biblioteca universitária com acervo na área de interesse do pesquisador? E numa universidade que acessa grande quantidade de recursos disponíveis online, para não falar de toda a informação que podemos localizar pelo Google Acadêmico?

A busca por assunto, seja nos catálogos de bibliotecas como o Dédalus, nos buscadores da internet ou em bases de dados de artigos acadêmicos não é um processo intuitivo. Já falamos um pouco sobre a questão aqui no blog, no post Em busca dos assuntos perdidos.

Observamos que muitos pesquisadores têm dificuldades em traduzir seu tema de pesquisa em termos para busca no mundo da informação organizada. Usar um tema de pesquisa, que pode ser uma frase ou uma pergunta, como expressão de busca num sistema raramente dá bons resultados. Primeiramente precisamos identificar com clareza os conceitos que vamos estudar e descobrir quais termos os representam nos catálogos e bases de dados nos quais vamos fazer a busca.

Para ficar mais claro, vamos usar um exemplo real, a dissertação intitulada “Efeito da educação musical na promoção das habilidades sociais e escolares em crianças”. A autora explica no resumo que seu objetivo geral era “investigar o efeito da educação musical sobre o repertório de habilidades sociais e escolares em crianças expostas e não expostas a educação musical”. E como ela conseguiu levantar referências para fundamentar seu trabalho? Provavelmente não foi apenas jogando “efeitos da educação musical nas habilidades das crianças” no Google , nem “educação efeitos” no Dédalus . Ela deve ter concluído que precisaria entender e explorar os conceitos mais importantes do seu tema, ou seja, educação musical, educação infantil, socialização (por exemplo) e, a partir daí, fundamentar sua pesquisa prática com dois grupos de alunos para avaliar os possíveis efeitos da educação musical. Observem as palavras-chaves que a autora indicou e que foram registrados no campo “assunto” no Dédalus:

Música
Educação Musical
Comunicação
Aprendizagem
Habilidades sociais

Embora a gente não saiba quais termos a autora usou em suas buscas, é bastante provável que sejam semelhantes a essas palavras-chaves. Podemos apenas apontar a falta dos termos relacionados ao grupo específico que foi estudado (crianças, educação infantil) ou questionar o uso do termo comunicação, que não parece muito pertinente ao trabalho.

De qualquer forma, o raciocínio que precisamos fazer ao iniciar uma pesquisa é, em linhas gerais:

Além disso, não podemos esquecer que, em pesquisas acadêmicas, é sempre importante descobrir quais termos são usados em outras línguas, para poder localizar literatura internacional para nosso trabalho.


DMPtool e a criação do Plano de Gestão de Dados de Pesquisa

16/09/2019

Plano de Gestão de Dados de pesquisa (PGD) é um documento formal com a descrição daquilo que será feito com os dados durante e após a pesquisa.  A DMPtool é uma ferramenta utilizada para a elaboração de PGDs de forma rápida e prática e a comunidade USP passa a ter acesso a plataforma, podendo utilizar a interface no idioma inglês ou português.

Preencher o plano a partir da DMPtool auxilia o pesquisador a identificar elementos essenciais a serem considerados no planejamento da gestão de dados, pois as perguntas irão conduzir o  processo de preenchimento do plano.

A DMPtool permite o compartilhamento do plano entre distintos participantes da pesquisa com a atribuição de perfis variados (edição, visualização etc.). Após preencher as informações solicitadas, basta fazer o download do arquivo com o seu PGD.

É possível criar planos para projetos distintos e os mesmos irão constar em sua conta no DMPtool.

A seção “Aprender” traz algumas orientações gerais sobre o gerenciamento de dados. Ler essa seção auxiliará o pesquisador a considerar questões como tipos, forma, quantidade dos dados, formato dos arquivos, como organizar os arquivos, metadados, segurança e armazenamento, compartilhamento, citação de dados, etc.

Para utilizar a ferramenta vá em  https://dmptool.org/ .

Em ‘sign in’ selecione  ‘Option 1: If your institution is affiliated with DMPTool‘ e na próxima tela digite ‘University of São Paulo‘, clique em ‘go’ e crie uma conta. Após criar a conta, é possível escolher o idioma da interface no canto superior direito em ‘language’.


Organizando seus fichamentos com o Mendeley: parte 2

09/09/2019

A preocupação com a documentação de suas fontes deve vir desde o começo de sua graduação e acompanhá-lo de forma contínua, no entanto é preciso pensar também na recuperação desse material, afinal, não adianta juntar um monte de referências e anotações de leitura se você depois não consegue encontrar isso quando precisa. É preciso criar a sua biblioteca de referências e saber encontrar, recuperar isso.

Dois posts atrás nós sugerimos um esquema de organização de seus fichamentos usando o Mendeley para quem está desenvolvendo uma monografia, por isso sugerimos usar o seu sumário-hipótese ou plano de trabalho e criar uma organização de pastas usando a mesma lógica.

Mas, e se você apenas começou sua graduação e o TCC ainda não está no horizonte de suas preocupações? Temos uma sugestão também, inspirada no livro Metodologia do trabalho científico, de Antonio Joaquim Severino, veja o que ele diz:

Cada estudante pode formar seu fichário de documentação temática relacionado ao curso que está seguindo, a partir da estrutura curricular deste. Nesse caso, cada disciplina corresponderia a um setor do fichário e suas partes essenciais determinariam os títulos das fichas, enquanto os conceitos e elementos fundamentais dessas partes corresponderiam aos subtítulos das fichas.
p.72 24.ed.

Adaptando essa sugestão ao Mendeley, criamos uma pasta para o curso de Turismo, e dentro dessa pasta, uma subpasta para cada disciplina do curso. Abaixo, no exemplo, um destaque para a pasta da disciplina Meios de hospedagem

Você pode adicionar todas as referências indicadas e os PDF, quando estiverem disponíveis

Pode adicionar os links para os fichamentos feitos no Google Drive ou Dropbox

Pode marcar os já lidos

Se há algum item que você acha importante ler por conta dessa disciplina, mas não consta da bibliografia oficial, adicione na mesma lista e, se achar necessário, coloque uma tag para diferenciar dos outros itens, por exemplo: adicional, complementar…

Quer saber mais? Precisa de ajuda? Apareça aqui na Biblioteca ou agende por aqui.


Escolha de periódicos para publicar

02/09/2019

Todos sabem que publicar é preciso, mas encontrar a revista certa para submeter um artigo nem sempre é um processo claro para todo mundo.

Para esclarecer um pouco as dúvidas dos pesquisadores, o Programa de Pós-Graduação em Ciência da Informação, com apoio da Biblioteca da ECA, convidou uma bibliotecária que entende do assunto para fazer uma palestra, que ocorreu no dia 29 de agosto, no auditório Paulo Emílio Salles Gomes da ECA.

Paola de Marco Lopes dos Santos, bibliotecária da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP faz assistência editorial para duas revistas de sua unidade, Paisagem e Ambiente e Revista Pós da FAUUSP. Com sua experiência no lado de lá, ou seja, de quem publica, Paola reuniu muitas informações interessantes para quem deseja ser publicado. Agradecemos à Biblioteca da FAU pela liberação da bibliotecária para essa atividade.

A seguir, resumimos as dicas apresentadas na palestra.

Seleção das publicações

Publique nas revistas que você lê. Um dos motivos mais importantes para publicar em revistas é dialogar com a comunidade acadêmica da qual você faz parte por meio dos textos, e é nas revistas que você acompanha que vai encontrar o público com o qual estabelecer esse diálogo.

É importante observar onde publicam os pesquisadores e grupos de pesquisa com os quais você se relaciona e os autores que você cita.

Antes de enviar seu trabalho, observe se a revista faz revisão por pares, se o corpo editorial é composto por pesquisadores reconhecidos na área de estudos, quantos números são publicados por ano, se é indexada em portais, diretórios e bases de dados (Scielo, Redalyc, Portal de Revistas da USP, Scopus, Web of Science etc), se é de acesso aberto e cobra ou não taxas de publicação.

Adequação da revista é importante. Verifique se a linha editorial da revista é compatível com o tipo de artigo que pretende escrever, qual é o público-alvo e o tempo entre a submissão e publicação do artigo.

Fuja das revistas predatórias.

Ética e boas práticas

Evite enviar o mesmo artigo para duas revistas, porque o recebimento e avaliação de um artigo gera muito trabalho para as revistas. Fazer as pessoas perderem tempo não pega nada bem.

Cuidado para não fazer plágio ou autoplágio. Faça citações com cuidado e não submeta um texto que já foi publicado em outro veículo, mesmo que seja em outra língua, mesmo que você reescreva o mesmo conteúdo em outras palavras.

Obtenha todas as autorizações para publicar conteúdo alheio (imagens, por exemplo).

Métricas

É importante conhecer e acompanhar os rankings de revistas científicas, elaborados a partir de análises de citações de artigos. Não basta publicar, é preciso ser citado. Nos slides cedidos pela palestrante há informações sobre o assunto.

Uma ajuda a mais

Seletores de revistas acadêmicas, para ajudar na escolha:

Journal Guide – https://www.journalguide.com/

Para fugir dos predadores:

Doaj – Directory of Open Access Journals – https://doaj.org/

Lista de revistas predatórias – https://predatoryjournals.com/

Sugestão de leitura:

A pesquisa e a estruturacao do artigo acadêmico em Administração

Dúvidas? Procure as bibliotecárias ou o bibliotecário da ECA, que assistiram à palestra. Paola também se dispõe a conversar com quem precisar de orientação.

Acesse aqui os slides da palestra.

Não percam a próxima palestra dela, na FAU, dia  09/09 das  14h às 16h. Inscrições no link: https://forms.gle/M1qQUcYqv5SXNGez9

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


Organizando seus fichamentos com o Mendeley: uma proposta

26/08/2019

A palavra fichamento vem de uma época anterior à disseminação do uso de computadores, quando as anotações de leitura eram feitas em fichas, que depois eram organizadas num fichário. Mundo girou e provavelmente quase ninguém mais mantém um fichário com fichas para esse fim, mas a palavra permaneceu e continuou sendo usada para falar da prática de fazer anotações, apontamentos, comentários, resumos etc. de leituras, ou mesmos de palestras e aulas assistidas.

E em áreas de estudo como as nossas, em que as fontes de pesquisa são livros, artigos, filmes, partituras etc., fazer anotações no momento de leitura ou estudo dessas fontes continua sendo necessário. Anotar ajuda a lembrar, a tornar inteligível, a perceber se a ideia está ou não clara, inequívoca.

Hoje as pessoas fazem seus fichamentos num editor de textos qualquer, online ou offline. E quando se trata de um arquivo pdf fazem anotações no próprio documento, usando um programa como o Mendeley, por exemplo.

 

Para manter tudo num único lugar, use o Mendeley também para anexar seus fichamentos feitos no Google Drive, Dropbox, Word etc. Nesses casos adicione um link para o fichamento externo e abra-o no seu navegador preferido.

Mas como organizar tudo isso? Não faz mais sentido manter um fichário com fichas de cartolina. Uma sugestão para quem está trabalhando numa monografia é usar seu sumário-hipótese como estrutura de organização no Mendeley. Vamos supor que seu tema é formação de professores e seu plano de trabalho, ou sumário-hipótese, esteja montado. Crie no Mendeley uma estrutura de pastas com a mesma hierarquia de seu sumário

Lembre-se, essa estrutura não é fixa, é seu plano de trabalho, serve de guia para orientar nos próximos passos de sua investigação. Obviamente poderá ser mudada várias vezes à medida que a pesquisa avança.

Uma vez disposto o índice como hipótese de trabalho, as fichas e outros tipos de documentação deverão sempre se referir aos vários pontos do índice.

Pastas criadas, insira suas referências, PDFs e fichamentos no escaninho conveniente. A mesma referência pode estar em mais de uma pasta sem que isso signifique duplicação.

A citação acima veio do livro do Umberto Eco, Como se faz uma tese; sumário-hipótese, ou índice-hipótese, conforme Umberto Eco, é uma espécie de plano de trabalho a que você se propõe para a pesquisa, apresentada em forma de sumário. A divisão de pasta sugerida vem de exemplo usado no livro Métodos e técnicas de pesquisa bibliográfica, de Ângelo Domingos Salvador.

Editoras e revistas predatórias

19/08/2019

Uma editora ou revista qualificada como predatória é aquela que adota critérios bastante frouxos para selecionar o que irá publicar, ou, talvez fosse melhor dizer, que visa principalmente a obtenção de um pagamento por parte do autor.

Surgem no bojo do movimento do Acesso Aberto (Open Access) –  que busca a construção de caminhos para que os avanços nos campos do conhecimento científico sejam comunicados à sociedade científica em geral – revestindo-se de um discurso em prol da democratização na comunicação do conhecimento científico, mas, de fato passando longe dos princípios éticos que devem marcar o campo da publicação científica.

Um trabalho publicado em uma revista ou editora predatória não corresponde a um trabalho de má qualidade necessariamente, entretanto, o mesmo é colocado em questão dado a falta de rigor da publicação. No caso de editoras de livros, muitas vezes nem mesmo a revisão do texto é feita.  Portanto, publicar nesses circuitos é um risco de depreciação do trabalho produzido.

No caso de teses e dissertações tem se tornado cada vez mais frequentes os relatos de autores que recebem um convite para publicá-las em formato de livro. São convites oferecendo a oportunidade de publicação e lançando a possibilidade de alcance internacional. Todavia,  a verdade que se revela é o fornecimento de uma edição digital do trabalho acadêmico com a capa da editora. A revisão fica sob responsabilidade do autor que, se quiser a obra impressa, terá que pagar para tanto. Fora as questões de cessão de direitos autorais para uma editora duvidosa, cabendo avaliar rigorosamente o que está implicado quando se opta por publicar nesses circuitos. É indispensável, também, verificar se a editora possui ISBN cadastrado. Para isso basta acessar o Portal do ISBN.

Quanto aos artigos científicos, a atuação predatória se torna perceptível pela falta de rigor para análise dos materiais que são publicados, assim como a rapidez com que são aceitos bastando o pagamento das taxas solicitadas. Para publicar em revistas é importante verificar se o site da publicação apresenta um campo de submissão claro e apropriado, um conselho editorial interinstitucional ou internacional com especialistas reconhecidos e informações de contato atualizadas, descrição do processo de revisão por pares, registro no ISSN, existência de DOI, informações sobre normalização bibliográfica, indicação das bases em que a revista é indexada. Para saber mais, leia o post Como avaliar uma revista para publicar.

No dia 29.08, das 14h às 18h, ocorrerá a palestra A escolha de periódicos para publicação de artigo científico  no Auditório Paulo Emílio Salles Gomes, na ECA. Para inscrever-se preencha esse formulário.

Imagem do filme O predador (2018)

 


Uma bibliotecária da ECA em Göttingen

12/08/2019

Nossa colega Sarah Lorenzon Ferreira participou da Conferência do IIIF (International Image Interoperability Framework), em Göttingen, Alemanha, na semana de 24 a 28 de junho de 2019, organizada pela Universidade de Göttingen e sua biblioteca.

Sarah recebeu uma bolsa dos organizadores do evento e apoio financeiro da Comissão do Programa Permanente de Qualidade e Produtividade da ECA/USP – ProQual, que possibilitaram sua viagem e participação.

Participaram da Conferência 250 gestores de repositórios digitais, curadores de conteúdos, desenvolvedores de softwares, acadêmicos, bibliotecários, administradores de museus, arquivos, empresas de softwares e organizações que trabalham, de alguma forma, com imagens digitais e materiais audiovisuais.

As atividades foram divididas em duas partes: showcases de apresentações para os novos usuários do IIIF, com o propósito de dar uma visão geral do que é possível fazer com o IIIF e mostrar as aplicações mais recentes desenvolvidas pela Comunidade, e workshops.

Em seu relatório sobre o evento, Sarah destacou as apresentações que considerou mais interessantes. Segue um resumo de suas observações>

Tom Crame (Universidade de Stanford)

Apresentou as evoluções  do IIIF e os diferentes casos de uso do IIIF: bibliotecas, museus, manuscritos, pesquisa e humanidades digitais, jornais e os usos divertidos do IIIF, como joguinhos. O IIIF é uma comunidade que desenvolve APIs compartilhadas, implementa-os em softwares, disponibilizando o conteúdo de forma interoperável. Foram apresentados os detalhes técnicos e práticos de como implementar o IIIF em diferentes projetos de Áudio, Vídeo e o que chamam de “deep dive”, ou seja, a visualização de imagens com zoom profundo.

Os projetos apresentados chamavam a atenção de como o uso do IIIF facilitou o trabalho de construção de bancos de imagens e repositórios. Visualizadores de imagens que compõem os softwares de bancos de imagens são difíceis de criar e podem ser difíceis de configurar, especialmente se cada um tiver uma maneira diferente de ser “conectado” a um conjunto específico de imagens. A Comunidade IIIF  propôs a padronização dos dados que qualquer visualizador de imagens precisaria. Como os aplicativos visualizadores e as imagens e metadados com os quais eles trabalham podem ser separados, é possível reutilizar o mesmo visualizador em muitos conjuntos de imagens diferentes, desde que os metadados da imagem sejam estruturados de acordo com um padrão. A API de apresentação do IIIF é precisamente esse padrão, e um visualizador compatível com IIIF é um visualizador de imagens que entende e sabe como exibir dados estruturados de acordo com essas regras.

Trabalhar com o IIIF significa ter uma maneira padronizada de fazer o que estamos fazendo há mais de uma geração: digitalizar materiais e colocá-los on-line para que nosso público possa encontrá-los e apreciá-los.

IIIF e Bibliotecas – Zeki Mustafa Dogan da SUB Göttingen

A Universidade de Göttingen possui mais de 30.000 objetos 3D em 38 coleções disponíveis digitalmente e acessíveis via IIIF. Exemplos dos projetos desenvolvidos:

Sammlungsportal

https://sammlungen.uni-goettingen.de/objekt/record_DE-MUS-062622_kenom_170662/1/-/

Göttinger Digitalisierungszentrum

https://gdz.sub.uni-goettingen.de/id/DE_611_BF_5619_1772_1779?origin=/id/DE_611_BF_5619&collection=aschiana&tify={%22pages%22:[69],%22panX%22:0.408,%22panY%22:0.227,%22view%22:%22export%22,%22zoom%22:1.244}

Durante o desenvolvimento desse projeto, receberam ajuda da Comunidade e aprenderam muito sobre o IIIF. Assim, decidiram compartilhar o software IIIF Bundle que desenvolveram no github com licença AGPL:

https://github.com/subugoe/IIIFBundle

O IIIF para bibliotecas fornecerá acesso uniforme a dados baseados em imagens; ajudará a construir serviços escalonáveis; agregará valor aos serviços existentes por reutilização de software e de dados; promoverá a interação com outras instituições que enfrentam desafios semelhantes; contribuirá para a preservação do patrimônio cultural.

IIIF e Museus

– Emmanuelle Delmas-Glass, Centro de Arte Britânico de Yale (YCBA)

Emmanuelle falou sobre seu trabalho na YCBA e do acesso às imagens técnicas de conservação no catálogo de coleções on-line através do Mirador. Segundo ela,  as instituições de patrimônio cultural têm digitalizado suas coleções há muitos anos e, embora a publicação digital e os metadados tenham tido um impacto positivo para torná-los relevantes em nosso mundo conectado, a colaboração digital entre as instituições acadêmicas continua sendo uma proposta difícil. Um obstáculo principal para a pesquisa baseada em imagens, eficiente e escalonável, tem sido a falta de interoperabilidade entre os silos de imagens, que podem ter impedido o progresso da pesquisa. Reconhecendo esse obstáculo, o IIIF fornece acesso uniforme a uma rede de repositórios de imagens.

IIIF A/V (Áudio e Vídeo)

–  Andy Irving,  da Biblioteca Britânica e Tom Crane, da Digirati.

O Grupo de Especificações Técnicas do IIIF A/V, presidido por Tom Crane, diretor técnico da Digirati, e Jon Dunn, diretor assistente de tecnologias da Universidade de Indiana, moldaram alguns casos de uso de acordo com a especificação da API de Apresentação do IIIF, adicionando uma dimensão de tempo para incluir recursos de A/V no cenário de recursos digitais interoperáveis ​​na Web.

Sugestões de uso para o IIIF A/V foram coletados de toda a Comunidade, revelando a necessidade da criação de uma funcionalidade A/V interoperável, com a capacidade de:

  • anotar e exibir anotações em um arquivo de vídeo e/ou áudio;
  • comparar vários recursos A/V lado a lado;
  • reproduzir vários vídeos sincronizados ao mesmo tempo;
  • reproduzir uma gravação de áudio (ou várias gravações de áudio) de uma peça de música, usando o realce de hits para seguir junto com as imagens da partitura correspondente;
  • realce ou especificação de uma região ou ponto de interesse em um arquivo A/V.

A Biblioteca Britânica recebeu um subsídio da The Andrew W. Mellon Foundation para liderar o esforço de estabelecer a interoperabilidade de recursos audiovisuais via IIIF, como parte do projeto de digitalização A/V “Save the Sounds” da Biblioteca. Alguns exemplos:

http://www.kanzaki.com/works/2016/pub/image-annotator?u=https://tomcrane.github.io/fire/manifest3.json

http://www.kanzaki.com/works/2016/pub/image-annotator?u=/works/2017/annot/tea-sprout-manifest.json

IIIF e AI (Inteligência Artificial)

– Sonia Wronkowska e Jacek Tlaga da Biblioteca Nacional da Polônia

Polona é uma biblioteca digital polonesa, que fornece livros digitalizados, revistas, gráficos, mapas, música, panfletos e manuscritos de coleções da Biblioteca Nacional da Polônia e instituições cooperantes. Começou sua operação em 2006,  e atualmente possui mais de 2,8 milhões de objetos digitais.

O atual Projeto Patrimonium, da Biblioteca Nacional e da Biblioteca Jaguelônica, localizada na Cracóvia, visa à digitalização de 1 milhão de documentos de domínio público em 3 anos, cobrindo a maior parte da produção editorial da história da Polônia. O objetivo da estratégia de digitalização da Biblioteca Nacional é, entre outros, fornecer acesso ao patrimônio literário polonês através de metadados ricos e pesquisa de texto completo. O problema encontrado foi que seis mil livros poloneses impressos estão fora do alcance dos mecanismos de OCR comerciais. Assim, decidiram trabalhar neste piloto de IIIF AI.

Outros casos de uso do IIIF

Papiro Ebers  – http://papyrusebers.de

Um dos tratados médicos mais antigos e importantes que se conhece, escrito no Antigo Egito e datado de aproximadamente 1550 a.C.

Mirador 3 – https://bit.ly/mirador-master

Nova arquitetura da popular ferramenta de comparação e visualização – o Mirador – uma biblioteca JavaScript de código aberto que visa fornecer ferramentas de comparação, visualização e análise para o conteúdo IIIF.

Storiiies Editor  – https://storiiies-editor.cogapp.com

Uma narrativa digital feita com o IIIF, apresentado por Bem Rubinstein, Diretor Técnico do Cogapp. Trata-se de um editor para criação de histórias. Basta subir as imagens e fazer as anotações (versão Alpha).

API de Apresentação

A versão 3.0.0 da API terá suporte para recursos em áudio e vídeo; melhor e maior internacionalização; manual e registro de extensões.

Timeliner – https://iiif-timeliner.netlify.com (demo)

Uso do IIIF para ensino-aprendizagem de música apresentado por Maria Whitaker, Universidade de Indiana Bloomington.  Utilizam o Avalon Timeliner (Variations Audio Timeliner) – ferramenta de anotação e análise de áudio para criar e rotular diagramas de bolhas. Originalmente criado como parte da Biblioteca de Música Digital Variations da Universidade de Indiana, o Variations Audio Timeliner agora pode ser usado independentemente das outras ferramentas. Arquivos no disco rígido do computador em vários formatos, como mp3, wav e midi, podem ser conectados  à linha do tempo, diagramados e anotados.

Scrapbook “Kunshujo” –  https://kunshujo.dl.itc.u-tokyo.ac.jp/table.html

Desenvolvimento de sistema de recuperação de conteúdos do scrapbook usando IIIF e Deep Learning,  apresentado por Satoru Nakamura, da Universidade de Tóquio.

Transkribus – https://transkribus.eu/Transkribus/

Nova infraestrutura de pesquisa para reconhecimento de texto escrito a mão (HTR – Handwritten Text Recognition). Transcreve e pesquisa documento de qualquer data, idioma e estilo.

Plataforma colaborativa Cubana de IIIF

Em 2016, um grupo de instituições cubanas desenvolveu um projeto como prova de conceito, ou seja, um modelo prático para mostrar as oportunidades de usar a estrutura do IIIF para compartilhar suas coleções digitais na Internet. Bibliotecas e outras instituições de patrimônio cultural em Cuba vêm desenvolvendo bibliotecas digitais e outros projetos de coleções digitais há anos com recursos nacionais e cooperação internacional. A Universidade de Havana, a Infomed – Rede Nacional de Saúde, a Biblioteca Nacional Cubana José Martí e o Instituto de História Cubana fizeram um esforço conjunto para implementar uma primeira plataforma de IIIF que foi hospedada e servida pela Infomed. Esta foi a primeira implementação prática do IIIF em Cuba e pode ser visitada em http://iiif.sld.cu/.

Europeana

IIIF e a missão Europeana apresentado por Antoine Isaac.

APIs Europeana: https://pro.europeana.eu/resources/apis

Portal Europeana : http://europeana.eu

 

Mais sobre o IIIF neste blog:

https://bibliotecadaeca.wordpress.com/2019/05/20/iiif-international-image-interoperability-framework/

Relatório da Sarah na íntegra:

Conferência do IIIF

 


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