Onde mesmo eu encontro…

24/11/2020

Teses online?
TCCs?
Artigos acadêmicos?

Já escrevemos bastante aqui neste blog, mas não custa fazer uma revisão, não é mesmo? Então, vamos lá.

Teses e dissertações

No catálogo das bibliotecas da USP, o Dédalus, você vai encontrar todas as teses e dissertações defendidas na nossa universidade, online ou impressas. Procure por título, autor, orientador, assunto etc . Para uma busca mais precisa, selecione a base de dados Teses, no canto inferior direito da página.

Os trabalhos mais recentes – a partir de 2006, aproximadamente – estão disponíveis em pdf. É só clicar no link que aparece no Dédalus e baixar. O acesso é livre para qualquer interessado. Teses mais antigas não estão digitalizadas. Para ter acesso a esse material, só quando for possível voltarmos ao trabalho presencial. Não podemos digitalizar essas teses e enviar, por enquanto, porque isso significaria expor funcionários ao contágio.

Para localizar trabalhos defendidos em outras instituições brasileiras, a Biblioteca Digital Brasileira de Teses e Dissertações do IBICT ajuda bastante. As bases PQDT Open e EBSCO Open Dissertations são boas fontes para teses de outros países.

Trabalhos de Conclusão de Curso

O Dédalus também é a fonte. Para recuperar apenas os TCCs de determinados autores ou assuntos, é só usar o filtro Tipo de material, no cantinho inferior esquerdo da tela. Mais detalhes nestes posts:

Como pesquisar TCCs no Dédalus

Acesso aos TCCs

E-books

De acesso aberto, temos o Portal de Livros Abertos da USP, que reúne material de autoria de docentes e funcionários, além desse ótimo levantamento preparado pela Biblioteca da Universidade Federal de Santa Catarina.

No Portal de Busca Integrada da USP temos um link para os Livros Eletrônicos assinados pela USP. E vale a pena dar uma olhada na plataforma Minha Biblioteca, embora o conteúdo que assinamos seja, majoritariamente, da área da saúde. Mas, atenção: para acessar recursos assinados, você precisa instalar o programa e se conectar ao VPN da USP.

Artigos acadêmicos

Para localizar e ler artigos acadêmicos publicados nas melhores revistas internacionais da sua área de pesquisa, há duas possibilidades. A conexão VPN da USP é necessária em ambos os casos.

Caso você tenha interesse num periódico específico, procure na lista de Revistas Eletrônicas e procure pelo título. O sistema vai mostrar onde acessar a revista. Observe que, em alguns casos, o mesmo título está em vários locais, com períodos de abrangência diferentes, como no exemplo da Cinema Journal:

Para fazer uma busca em diferentes revistas e localizar artigos por assunto ou autor, acesse uma das bases de dados assinadas pela USP ou pela CAPES.

Portal de Periódicos CAPES

Bases de dados da Aguia

Algumas dessas bases são especializadas numa área, tais como: Art Full Text, LISA: Library and Information Science Abstracts, RILM Abstracts of Music Literature, Business Source Complete, Project Muse, Classical Scores Library etc. Há também excelentes bases de dados multidisciplinares, como Scopus, Web of Science, Academic Search Premier e JStor.

Neste blog publicamos diversos textos com orientações sobre bases de dados nas diversas áreas da ECA.

Comunicações, Relações Públicas e Turismo

Música

Biblioteconomia e Ciência da Informação

Artes Cênicas

Audiovisual

Artes Visuais

Outra opção é fazer uma busca pelo assunto de seu interesse no Portal CAPES ou no Portal de Busca Integrada da USP e descobrir quais são as fontes de informação que trazem os melhores resultados. Os dois portais têm filtros que mostram de qual base vieram os resultados. Experimentem!

Para saber mais

Se você precisar de ajuda ou mais informações sobre o uso desses recursos, acesse nossa página de treinamentos e marque uma conversa (remota) conosco. E nosso canal no YouTube tem tutoriais em vídeo sobre alguns desses recursos.


Tabulando dados

27/10/2020

Tabelas são uma forma de apresentar informações em linhas e colunas com intuito de resumir, facilitar consulta, dispensar leitura do todo, se se tem pressa. Explicar o que é uma tabela do ponto de vista gráfico, é meio tautológico. É uma forma bastante comum de exibir dados em artigos científicos.

Nos trabalhos acadêmicos as tabelas devem ser apresentadas segundo as Normas de apresentação tabular, documento de trabalho do IBGE disponibilizado publicamente. Sua última atualização é 1993, quando boa parte dos recursos de edição a que estamos acostumados eram talvez incipientes, ou seja, as tabelas não mudaram muito de lá pra cá.

Segundo esse documento, uma tabela é  uma “Forma não discursiva de apresentar informações, das quais o dado numérico se destaca como informação central.”

a informação central de uma tabela é o dado numérico e que todos os outros elementos que a compõem têm a função de complementá-lo e explicá-lo.

Algumas recomendações sobre apresentação e diagramação de tabelas:

  • devem ser apresentadas numa única página
  • devem apresentar uniformidade gráfica
  • devem ter um título precedido da palavra TABELA e cabeçalho indicando conteúdo das colunas
  • devem ser citadas no texto e estar próximas ao trecho a que se referem
  • devem ser identificadas com algarismos arábicos sempre que houver mais de uma
  • podem ter no rodapé indicação de fonte e notas específicas e gerais
  • se a tabela precisar ser apresentada em mais de uma página deve-se repetir título e cabeçalho. Nesse caso:

 

cada página deve conter uma das seguintes indicações: continua para a primeira, conclusão para a última e continuação para as demais

 

Quando se optar por numerar as tabelas numa sequência para cada capítulo, o número da tabela deve começar pelo número do capítulo, por exemplo: TABELA 4.2, significando que se trata da segunda tabela no quarto capítulo.

A Lista de tabelas, que faz parte dos elementos opcionais pré-textuais de dissertações e teses, é recomendada quando há a partir de cinco tabelas, deve ser feita seguindo o mesmo critério de numeração das tabelas no texto, ou nos capítulos. O título LISTA DE TABELAS não é numerado, e como outros elementos que não são numerados, deve ser centralizado, mas o destaque tipográfico é o mesmo dado às outras seções primárias do documento.

A norma da ABNT NBR 14724 recomenda fonte menor para as tabelas, mas não diz o tamanho, já as Diretrizes… recomendam fonte tamanho 10 ou 11. Também o espaço entrelinhas deve ser simples, diferente do restante do texto, que se recomenda espaço 1,5.

as tabelas acima são das Normas de apresentação tabular, do IBGE

Ferramentas para seleção de revistas

19/10/2020

A escolha de um periódico para publicar exige a participação ativa e consciente do autor em todo o processo da pesquisa. Para publicar, o pesquisador deve ser também um leitor, conhecer e acompanhar as melhores revistas de sua área, conectar-se a outros pesquisadores de sua área, situar-se, enfim, nesse mundo. Não existe um método simples e mágico para fazer essa escolha, mas algumas ferramentas podem ajudar um pouco.

Uma delas é a Master Journal List, da empresa Clarivate. Funciona assim: o autor insere numa tela o título e o resumo de seu artigo e a ferramenta mostra uma lista das publicações indexadas na base Web of Science que, provavelmente, seriam adequadas. 

https://mjl.clarivate.com/home

É interessante mas, na verdade,  não é tão diferente do procedimento clássico de fazer a busca pelo assunto do artigo numa base de dados e observar quais revistas publicam sobre. E não exime o autor de fazer a análise dos periódicos sugeridos e avaliar suas chances de ter um artigo aceito. Observem, ainda, que essa ferramenta abrange um determinado universo de revistas, aquelas que são indexadas nessa base específica.

A Agência USP de Gestão da Informação Acadêmica – AGUIA, indica algumas ferramentas e dá diversas dicas sobre o assunto seleção de revistas. Vejam:

https://www.aguia.usp.br/apoio-pesquisador/escrita-publicacao-cientifica/selecao-revistas-publicacao/

Este texto da plataforma Sci Writing – Escrita e Comunicação Científica, também tem sugestões:

Ver no Medium.com

E aqui, as sugestões da distribuidora de revistas científicas Dot.LIb:

 

https://dotlib.com/blog/4-ferramentas-que-ajudam-a-encontrar-o-periodico-adequado-para-a-publicacao-de-artigos-cientificos

Testem as várias ferramentas e escolham a que melhor atender suas expectativas. Provavelmente vocês terão de usar mais de uma. Mas não se esqueçam: nada substitui seu conhecimento da sua área de pesquisa, algo que pode demorar um pouco para ser adquirido.

Outros posts sobre o assunto que já publicamos aqui no blog:

https://bibliotecadaeca.wordpress.com/2019/09/02/escolha-de-periodicos-para-publicar/

https://bibliotecadaeca.wordpress.com/2020/06/08/como-submeter-um-artigo-para-publicacao/

https://bibliotecadaeca.wordpress.com/2020/08/18/como-acompanhar-chamadas-de-artigos/

 


De novo esse ORCID?

03/08/2020


Sim, de novo! A USP está muito empenhada em garantir que todos os docentes e pós-graduandos se cadastrem no ORCID. Muitos dos nossos professores já o fizeram, mas nem todos. Além disso, é importante lembrar que não basta ter o número, é preciso também:

1. Vincular seu ORCID à USP, para que a Universidade possa, futuramente, autenticar as informações institucionais de sua comunidade. Para criar ou vincular à USP um ORCID já existente, acesse este link:
http://www.usp.br/orcid

Exemplo de perfil não vinculado à instituição

 

Exemplo de perfil vinculado à USP



2. Inserir suas informações. O ORCID não é apenas um número, é uma plataforma de currículo como o Lattes, mas internacional e capaz de se conectar a outras instituições. Por esse motivo, é importante que o pesquisador coloque seus dados pessoas e registre sua produção. Não é necessário fazer tudo isso manualmente, parte das informações da produção pode ser puxada da Biblioteca Digita da Produção Intelectual da USP  (BDPI) ou do perfil do autor no Google Acadêmico, desta forma:

Entre na Biblioteca Digital da Produção Intelectual

Clique em “Usuário” e entre com seu login e senha dos sistemas USP (seu nome vai aparecer no alto da tela, à esquerda)

Clique sobre seu nome

Clique em “Exportar sua produção em formato Bibtex” e um arquivo com o nome export_bdpi será baixado em seu computador. Esse arquivo pode ser puxado para seu ORCID. Toda a sua produção cadastrada no Dédalus e BDPI entrará no ORCID.

3. Deixe suas informações públicas, para que possam ser vistas. Muitos pesquisadores têm mantido seus dados no ORCID privados, o que não faz muito sentido num currículo.

Perfil sem informações públicas

 

Perfil com informações públicas

 

A Biblioteca da ECA pode orientar na criar, vinculação e alimentação do ORCID. Agora, durante a pandemia, oferecemos atendimento remoto pelo Google Meet. Acesse nossa página de treinamentos para agendar um horário.
http://www3.eca.usp.br/biblioteca/servicos/treinamentos

 


Dúvidas

18/05/2020

Muitos estudantes e pesquisadores estão entrando em contato conosco para fazer perguntas e pedir ajuda. Mas achamos que muitos outros, talvez,  ainda não apresentaram suas dúvidas.

Então, vamos fazer um resumo das perguntas que temos respondido e algumas que já apareceram no nosso questionário sobre serviços remotos, que está aberto para respostas até o dia 20 de maio. Não deixem de participar.

A Biblioteca tem material disponível online? Como faço para acessar?

A resposta já está aqui mesmo no blog, neste post. Os artigos de periódicos são os recursos disponíveis online mais importantes (e numerosos) que a USP oferece. Mas também temos teses e dissertações, partituras, e-books e outros. Vejam lá no post e acompanhem nossas postagens nas redes sociais para ver as novidades.

Já fizemos vários posts explicando como acessar informações nas diversas áreas de interesse da ECA. Façam a busca por “fontes de informação”, a diversão é garantida.

Em breve, essa informação estará em destaque no site da Biblioteca.

Preciso de um livro, é possível ter acesso ao pdf?

Acreditem, a gente fica tão triste em responder quanto vocês em ler a resposta, que geralmente é não.

A grande maioria dos livros do acervo têm direitos autorais vigentes, portanto não podemos digitalizá-los. Sabemos que atualmente é muito comum encontrarmos pdfs de livros novos para download gratuito em vários sites por aí. Mas uma biblioteca de instituição pública não pode adotar práticas ilegais, porque as consequências seriam muito sérias, tanto para a USP quanto para os funcionários envolvidos.

Alguns livros também foram publicado em e-book de acesso aberto. Nesses casos, você encontram o link no próprio Dédalus. Geralmente são produções de professores da USP.

De qualquer forma, perguntem. Já aconteceu de localizarmos um pdf que não estava no Dédalus porque foi liberado tempos depois que catalogamos o impresso (e não ficamos sabendo). Perguntar não ofende!

Mas, e os livros e capítulos de livros indicados pelos professores?

Vale a mesma resposta para a pergunta anterior.  Não podemos digitalizar livros com direitos autorais vigentes.

A Biblioteca pode ajudar nas questões de normalização?

Sim, claro! Temos materiais de apoio disponíveis na página Normalização do nosso site: manuais, modelos de formatação, exemplos de referências, apresentações etc. Vejam esta apresentação. Questões não resolvidas pelos materiais na página ou dúvidas específicas, a gente resolve por e-mail. Normalização não é o assunto mais divertido do mundo, mas é importante e mais fácil do que parece.

Não dá mesmo para pegar livros emprestados?

No momento, ainda não é possível. Durante o período de distanciamento social, os funcionários estão trabalhando apenas à distância. Não temos condições de atender à demanda de empréstimos, que é muito grande, sem colocar em risco a saúde dos funcionários e dos próprios usuários da Biblioteca.

Preciso fazer a ficha catalográfica da minha tese (dissertação, TCC). A Biblioteca pode fazer?

Melhor ainda: temos um formulário online para gerar a ficha. É só entrar, preencher, e a ficha é gerada automaticamente, na hora. Dá para fazer várias vezes e refazer se alguma coisa estiver errada. É bastante simples e eventuais dúvidas serão respondidas por e-mail.

Quando a Biblioteca vai reabrir? Já existe uma previsão?

Ainda não. Precisamos aguardar as determinações do Governo do Estado e da Reitoria da USP. Avisaremos quando isso ocorrer, pelas redes sociais e pelo nosso site. Daremos um prazo para devolução do material emprestado, após a reabertura.

Entretanto, tudo indica que nem todos os serviços poderão ser retomados imediatamente. Teremos que fazer adaptações para garantir a segurança de todos, e acreditamos que muitos serviços serão prestados remotamente ou por agendamento, por algum tempo.

Tenho dúvidas, mas não quero incomodar neste momento tão difícil

Gente, não tem problema mesmo, de verdade. Os funcionários estão trabalhando em casa, bem de saúde (por enquanto), em condições de responder às suas questões. Todos temos acesso à internet e os equipamentos necessários para realizar nosso trabalho. A administração da ECA está tentando auxiliar quem tem problemas nesse sentido. Não hesitem em pedir ajuda. Se estiver ao nosso alcance, atenderemos.

Estamos nos organizando para oferecer atendimento remoto pelo Google Meet. Aguardem notícias, em breve.

 

 


A leitura de textos acadêmicos: algumas dicas e considerações

21/10/2019

A FFLCH/USP disponibilizou no Youtube uma série de aulas, com conteúdos valiosos sobre a leitura e escrita acadêmica, voltadas especificamente para a área de Humanas. Neste post iremos trazer alguns elementos centrais presentes em uma das aulas que aborda a leitura acadêmica e que você pode assistir clicando aqui.

Para iniciar vamos, de antemão, estabelecer uma perspectiva: a leitura é um diálogo entre o leitor e a obra/o autor. Adotar essa perspectiva coloca o leitor na posição de quem busca compreender e argumentar, portanto, ler não é meramente assimilar conteúdos e isto implica uma postura crítica e reflexiva do leitor que, em seu percurso de diálogos com os textos, deve buscar a autonomia intelectual.

Vamos lá!

  • É importante estar atento para desenvolver um pensar crítico e reflexivo, sendo autônomo intelectualmente. Ou seja, não assumir uma posição pela autoridade ou posição de quem fala/escreve, mas, sim, pensar e construir justificativas racionais.
  • Não devemos aceitar passivamente tudo aquilo com o que nos defrontamos, mas, sim, explicitar a coerência interna, a lógica daquilo que nos é apresentado. Precisamos, portanto, compreender a coerência, a lógica do que chega até nós.
  • Num campo do conhecimento em particular: é essencial ser capaz de avaliar de modo racional as variáveis teóricas da área e escolher, diante de diferentes situações, qual esquema teórico aplicar, qual argumento montar, como construir uma objeção. Enfim, é preciso pensar crítica e rigorosamente.

Alguns problemas na prática de leitura e como avançar:

1) Leitura fragmentada: o leitor destaca apenas aquilo que compreende, que lhe é familiar. Ignora aquilo que desconhece (termos, frases, parágrafos, referências, etc.). Assim, há a sensação de que a leitura avançou rápido, mas, ela foi limitada e ficou comprometida. O leitor decodificou todos os signos, mas, não necessariamente adentrou em todas as significações. É preciso repensar essa atitude para conseguir dialogar com o texto.  Explorar o vocabulário é essencial para compreender o texto, avançar e, consequentemente, para o próprio processo pessoal de escrita.  Sanar dúvidas de vocabulário, referências, sintaxe, buscar compreender aquilo que não conhece é essencial para prosseguir. Os elementos que o leitor desconhece são parte do texto, portanto, essenciais à sua compreensão.  Ler impacta diretamente no escrever. E, nesse sentido, uma leitura criteriosa, rigorosa irá impactar em uma escrita também crítica e rigorosa.

2) Tomar posição valorativa:  o leitor não concorda com algo do texto –  ou com o todo – e acaba adotando uma atitude que pode gerar distorções. Seria algo como: “não concordo com você e, portanto, não quero escutar, não quero dialogar”.  A leitura será limitada, pois o leitor, provavelmente, não conseguirá compreender a lógica argumentativa do autor (não se trata de concordar, mas, sim de compreender e, inclusive, construir suas próprias argumentações a partir disso). É importante compreender a posição do autor.

3) Ler sem considerar o todo e desconsiderar a estrutura do texto: em muitas situações o estudante faz a leitura de trechos/capítulos solicitados em aula desconsiderando a estrutura da obra na qual o material está inserido. É importante ter consciência da obra como um todo. Se o estudante ler um capítulo, é essencial reconhecer em qual obra está inserido, qual o objetivo dessa obra, quem é esse autor, observar o sumário, a orelha do livro. Enfim, quando for ler um trecho isolado,  não apenas ler o texto, mas, também, ler a própria estrutura na qual ele está inserido.

Fora isso, é importante identificar a estrutura lógico-conceitual do texto: uma sugestão é realizar a numeração dos parágrafos quando estamos iniciando nossas leituras acadêmicas. E, após numerá-los, é interessante reunir os parágrafos em blocos que estabelecem relação mais direta e para os quais você poderia atribuir uma síntese. Seria algo como pensar assim: “se eu precisar definir em uma palavra, em uma linha do que trata esse bloco de parágrafos, como eu faria?” Com isso, o leitor consegue fazer um movimento de explicitar o pensamento do autor e sua estrutura lógica. Isso é um exercício importante para que o leitor consiga aprender a dialogar com o texto. O leitor que sintetiza/agrupa nessa perspectiva é um leitor que consegue compreender o raciocínio do autor, algo essencial ao diálogo e a produção do conhecimento.

 

 

 


Sobre fazer anotações em aulas

07/10/2019

É muito comum fazermos anotações durante as aulas para registrar as informações consideradas importantes. O processo de fazer anotações em aulas é individual, não há regras a serem seguidas, entretanto, muitos estudantes simplesmente não se dão conta de que para recuperar, posteriormente, os registros é importante utilizar algum padrão de organização. Quanto melhor organizadas estiverem as anotações, mais simples será recuperá-las para estudar.

Veja algumas dicas:

  • Fazer anotações em aulas não deve ser um ato de transcrição de tudo que o professor escreve, mas, sim de escrever ideias centrais abordadas na aula.
  • Anote o tema da aula, a data, o nome do professor
  • Use suas próprias palavras
  • Deixe espaços em branco, caso queira escrever coisas posteriormente
  • Use abreviações
  • Numere os pontos
  • Utilize cores para fazer destaques
  • Agrupe itens semelhantes (linhas, cores, números, caixas, círculos, destaques com cores, quadros)
  • Citações – dê destaque
  • Use palavras que auxiliem a lembrar de tópicos importantes
  • Revise suas anotações, destaque os pontos mais importantes

A imagem abaixo é do Método Cornell, um método bastante simples e eficaz que foi desenvolvido para a elaboração de anotações. Consiste em dividir a página em três seções. Uma delas (a área central) deve conter as principais ideias da aula, a outra (canto esquerdo) trazê-las de modo sintético em conceitos/palavras-chave, o canto inferior da página é destinado à anotação de perguntas e um resumo sobre o tópico.

Veja abaixo alguns exemplos para, quem sabe, começar a fazer suas anotações de uma forma diferente.

Método Cornell

 

Exemplo de uso do método Cornell

 


Como fazer um fichamento

30/09/2019

Já indicamos no blog aqui e aqui como usar o Mendeley para organizar seus fichamentos, mas há uma pergunta que ficou pairando, por ser anterior: como fazer um fichamento?

Como há pessoas que entendem realmente do riscado, vamos indicar algumas fontes.

No Canal USP há uma série de aulas sobre metodologia de pesquisa e três dessas aulas versam sobre fichamento de uma forma bem detalhada, vale muito a pena:

https://www.youtube.com/watch?v=R4Sag80pQ5Y&list=PLAudUnJeNg4vWJhEJ_da26C-QW5qiS7uZ&index=22

Nas nossas estantes, na classificação 001.43 há diversos livros sobre metodologia de pesquisa e frequentemente eles trazem capítulos sobre fichamento, leitura, métodos de estudo. Às vezes mesmo obras antigas trazem ótimas considerações sobre o assunto, ou como disse Umberto Eco em Como se faz uma tese “quando queremos fazer uma pesquisa, não podemos desprezar nenhuma fonte, e isso por princípio.”

Em A arte de pesquisar, Mirian Goldenberg sugere um roteiro de leitura em forma de perguntas:

  1. Qual o objetivo da autora?

  2. Com que outros autores está dialogando ou discutindo (explícita ou implicitamente)?

  3. Quais as categorias utilizadas? (como são definidas?)

  4. Quais as suas hipóteses de trabalho?

  5. Qual a metodologia utilizada em sua pesquisa?

  6. Qual a importância de seu estudo no campo em que está inserido? (o que a autora diz? o que eu acho?)

  7. A autora sugere novos estudos?

  8. Resumo do livro

  9. Minha avaliação crítica do texto

 

Umberto Eco. Como se faz uma tese

Antônio Joaquim Severino. Metodologia do trabalho científico

Délcio Vieira Salomon. A maravilhosa incerteza

 

Abaixo um resumo de algumas fontes consultadas.

A qualidade do fichamento está diretamente ligada à qualidade da leitura feita e às referências que você traz previamente, ou seja, ao seu repertório.

Já o tipo do fichamento vai ser influenciado por outras coisas, como: objetivo da leitura, tipo de texto que se está lendo, posse ou não do livro etc. Por exemplo, se você está lendo um manual, uma peça de teatro ou um ensaio, textos que são estruturalmente diferentes, demandam leituras diferentes. Ou, o livro é seu? Se sim, talvez valha a pena anotar na margem do texto apenas. Ou, ao contrário, é um livro de difícil acesso? Nesse caso talvez seja melhor ser menos econômico nas anotações.

Diferencie seus comentários e opiniões de citações e transcrições, estas devem sempre vir entre aspas e com indicação de página. Não corra o risco de esquecer se um texto é seu ou não e ser acusado de não citar suas fontes. A transcrição tem de ser textual preservando inclusive erros de grafia que porventura existam no original, nesse caso, siga o que diz a norma de citação adotada na sua faculdade, isso vai facilitar depois o trabalho de redação.

O que deve constar dos fichamentos?

Referências, citações, opiniões, resumos, ideias surgidas durante a leitura, novas leituras indicadas. Use cores para destacar.

Por que fazer fichamentos?

  • porque anotar ajuda a lembrar, a tornar claro
  • porque escrever sobre o que está lendo, assim como recontar, contribui para a reapropriação do texto
  • porque o material consultado nem sempre é seu e quando você precisar dele novamente pode estar indisponível
  • para identificar e documentar corretamente suas fontes, sua pesquisa pode depender diretamente dessa documentação
  • para que no momento da redação do trabalho suas citações e referências não se transformem em dor de cabeça e agonia
  • porque se a sua prática de leitura tem um peso na qualidade de suas anotações, também a prática de anotar, questionar, resumir etc. melhora a sua prática de leitura

 


Do tema da pesquisa aos termos de busca

23/09/2019

A frase “eu não encontrei quase NADA sobre o tema da minha pesquisa”, pronunciada em variados tons de decepção e até de franco desespero, é algo que bibliotecários ouvem com muita frequência.

Mas como isso é possível, se estamos numa biblioteca universitária com acervo na área de interesse do pesquisador? E numa universidade que acessa grande quantidade de recursos disponíveis online, para não falar de toda a informação que podemos localizar pelo Google Acadêmico?

A busca por assunto, seja nos catálogos de bibliotecas como o Dédalus, nos buscadores da internet ou em bases de dados de artigos acadêmicos não é um processo intuitivo. Já falamos um pouco sobre a questão aqui no blog, no post Em busca dos assuntos perdidos.

Observamos que muitos pesquisadores têm dificuldades em traduzir seu tema de pesquisa em termos para busca no mundo da informação organizada. Usar um tema de pesquisa, que pode ser uma frase ou uma pergunta, como expressão de busca num sistema raramente dá bons resultados. Primeiramente precisamos identificar com clareza os conceitos que vamos estudar e descobrir quais termos os representam nos catálogos e bases de dados nos quais vamos fazer a busca.

Para ficar mais claro, vamos usar um exemplo real, a dissertação intitulada “Efeito da educação musical na promoção das habilidades sociais e escolares em crianças”. A autora explica no resumo que seu objetivo geral era “investigar o efeito da educação musical sobre o repertório de habilidades sociais e escolares em crianças expostas e não expostas a educação musical”. E como ela conseguiu levantar referências para fundamentar seu trabalho? Provavelmente não foi apenas jogando “efeitos da educação musical nas habilidades das crianças” no Google , nem “educação efeitos” no Dédalus . Ela deve ter concluído que precisaria entender e explorar os conceitos mais importantes do seu tema, ou seja, educação musical, educação infantil, socialização (por exemplo) e, a partir daí, fundamentar sua pesquisa prática com dois grupos de alunos para avaliar os possíveis efeitos da educação musical. Observem as palavras-chaves que a autora indicou e que foram registrados no campo “assunto” no Dédalus:

Música
Educação Musical
Comunicação
Aprendizagem
Habilidades sociais

Embora a gente não saiba quais termos a autora usou em suas buscas, é bastante provável que sejam semelhantes a essas palavras-chaves. Podemos apenas apontar a falta dos termos relacionados ao grupo específico que foi estudado (crianças, educação infantil) ou questionar o uso do termo comunicação, que não parece muito pertinente ao trabalho.

De qualquer forma, o raciocínio que precisamos fazer ao iniciar uma pesquisa é, em linhas gerais:

Além disso, não podemos esquecer que, em pesquisas acadêmicas, é sempre importante descobrir quais termos são usados em outras línguas, para poder localizar literatura internacional para nosso trabalho.


DMPtool e a criação do Plano de Gestão de Dados de Pesquisa

16/09/2019

Plano de Gestão de Dados de pesquisa (PGD) é um documento formal com a descrição daquilo que será feito com os dados durante e após a pesquisa.  A DMPtool é uma ferramenta utilizada para a elaboração de PGDs de forma rápida e prática e a comunidade USP passa a ter acesso a plataforma, podendo utilizar a interface no idioma inglês ou português.

Preencher o plano a partir da DMPtool auxilia o pesquisador a identificar elementos essenciais a serem considerados no planejamento da gestão de dados, pois as perguntas irão conduzir o  processo de preenchimento do plano.

A DMPtool permite o compartilhamento do plano entre distintos participantes da pesquisa com a atribuição de perfis variados (edição, visualização etc.). Após preencher as informações solicitadas, basta fazer o download do arquivo com o seu PGD.

É possível criar planos para projetos distintos e os mesmos irão constar em sua conta no DMPtool.

A seção “Aprender” traz algumas orientações gerais sobre o gerenciamento de dados. Ler essa seção auxiliará o pesquisador a considerar questões como tipos, forma, quantidade dos dados, formato dos arquivos, como organizar os arquivos, metadados, segurança e armazenamento, compartilhamento, citação de dados, etc.

Para utilizar a ferramenta vá em  https://dmptool.org/ .

Em ‘sign in’ selecione  ‘Option 1: If your institution is affiliated with DMPTool‘ e na próxima tela digite ‘University of São Paulo‘, clique em ‘go’ e crie uma conta. Após criar a conta, é possível escolher o idioma da interface no canto superior direito em ‘language’.


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