Trabalhos acadêmicos e seus formatos

08/12/2014

Fomos convidados a participar do 4º Seminário de Pesquisas em Andamento, promovido pelo Programa de Pós-Graduação em Artes Cênicas da ECA/USP, cedendo alguns trabalhos acadêmicos de nosso acervo para a realização de uma exposição no encerramento do evento, no dia 29 de Novembro de 2014.

O Seminário foi organizado por um grupo de alunos do Programa, sob a responsabilidade da Profa. Dra. Elisabeth Lopes, e teve como objetivo “criar um espaço de troca de experiências entre pesquisadores das Artes Cênicas (e áreas afins) para ampliar a difusão das pesquisas em andamento e recém-concluídas na área”. A ideia de mostrar teses, dissertações e trabalhos de conclusão de curso com formatos especiais surgiu a partir da exposição Trabalhos de Arte, organizada pela Biblioteca da ECA no início de 2014, talvez a primeira mostra que apresentou ao público esse segmento tão particular da produção intelectual da Escola representada no acervo.

Os mestrandos Umberto Cerasoli e Nádia Satie, da comissão organizadora do evento, selecionaram para exposição os seguintes trabalhos:

BUENO, Luciana
Muito além da caixa cênica : a realização cenográfica contemporânea na cidade de São Paulo
Dissertação (Mestrado) – 2007
Orientador: RAMOS, Luiz Fernando
Localização: t792.025 B928m

CALLAS, Marcelo Girotti
O traje de cena como documento : estudo de casos de acervos da cidade de São Paulo / Marcello Girotti Callas.
Dissertação (Mestrado) – 2012
Orientador: VIANA, Fausto Roberto Poço
Localização: t792.026 C156t

GRINFELD, Fanny
Framboesas e cerejas
Tese (Doutorado) – 2003
Orientador: FAJARDO, Carlos Alberto
Localização: t709.8104 G867f

KAGUEYAMA, Flávia Adriana Ferreira
Poligrafias / Flávia Adriana Ferreira Kagueyama.
TCC, 2012.
Orientador: OLIVEIRA, Branca
Localização: TC2870

LIMA, Mariana Marcondes de
Projeto 1 : para um mergulho ; Projeto 2 : trafego entre o vazio do corpo
TCC, 2000.
Orientador: BUTI, Marco Francesco
Localização: TC376

LUCAS, Constança Maria Lima de Almeida, 1960-
Imagem e palavra
Dissertação (Mestrado) – 2007
Orientador: OLIVEIRA, Branca Coutinho de
Localização: t702.81 L933i

MASUKO, Wallace Vieira
HRMD : R / Wallace Vieira Masuko
Dissertação (Mestrado) – 2012
Orientador: Carlos Fajardo
Localização: t709.73 D826m

PELED, Yiftah
DTEEP dinâmicas e trocas entre estados de performance
Tese (Doutorado) – 2013
Orientação: TAVARES, Ana
Formato: 2 v (caixas) il.
Localização: t709.04074 P381d

PIMENTA, Rodrigo D’Avila
Móbil : cultura visual em movimento
TCC, 1998
Localização: TC3033

ROJAS, Yili Maria
Cadernos de partida
Dissertação (Mestrado) – 2010
Orientador: MUBARAC, Luiz Claudio
Localização: G t702.81 R741c

ZAMARIOLI, Débora
Cartografia de um corpo em cena : extração e codificação de matrizes corporais através do método Body Mind Centering
Dissertação (Mestrado) – 2009
Localização: t792.028 Z23c

Durante a exposição o público foi convidado a interagir com os trabalhos, manuseá-los e descobri-los. O interesse foi grande, com muitos buscando inspiração para enriquecer seu próprio trabalho.

foto: Nádia Satie

foto: Nádia Satie

foto: Nádia Satie

foto: Nádia Satie

Todos os trabalhos expostos, e muitos outros com características semelhantes, aguardam sua visita na Biblioteca da ECA.

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Trabalhos de Arte

24/02/2014

Existe um pensamento visual? Não sei se esses Trabalhos de Conclusão de Curso, Mestrados e Doutorados, desenvolvidos na Graduação e Pós-graduação dos cursos de Artes Visuais respondem a essa pergunta. Mas, sendo uma pequena parcela do que nossos alunos têm feito nas últimas décadas, demonstram que o visível não se limita ao legível e que a visualidade é uma forma particular de articular nossa experiência frente ao mundo, contribuindo assim para melhor analisarmos as diferentes naturezas dos discursos, dos raciocínios e sensibilidades.

O texto do professor Claudio Mubarac abre caminho para refletirmos sobre os trabalhos acadêmicos da exposição Trabalhos de arte, que a Biblioteca da ECA apresenta entre os dias 17 de março e 17 de fevereiro. 

Não são apenas textos, são fotografias, cadernos de desenhos, gravuras, caixas de madeira, saquinhos cheios de sementes ou mel. Objetos atraentes  que podem ser tocados e manuseados à vontade, porque fazem parte do acervo de uma biblioteca.  Nessa exposição, para usar as palavras “roubadas” à autora da tese Framboesas e cerejas, a interatividade é permitida.

Veja a lista completa das obras expostas (e mais algumas):

Exposição Trabalhos de Arte

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Filmes da ECA no IPTV

01/04/2013

O professor Almir Antonio Rosa, do Departamento de Cinema, Rádio e Televisão da ECA/USP, está coordenando um projeto de digitalização e divulgação dos filmes produzidos pelos alunos do curso de Audiovisual no IPTV.

A partir de um levantamento inicial realizado na base de dados da Biblioteca, já estão disponíveis para visualização os seguintes filmes:

A João Guimarães Rosa  – Direção: Marcello Tassara, 1969

Abismo – Direção: Sílvia Hayashi, 1998

Antes que seja tarde – Direção: André Queiroz, 2006

Cidade do tesouro – Direção: Célio Franceschet, 2008

Cigano – Direção: Eduardo Mattos, 2008

Contos de obituário : Mulher de bandidoEscritórioSopa – Direção: Ricardo Mordoch, – 2009

O desenho inacabado – Direção: Rosemery Saçashima, 1998

Eletrotorpe – Direção: Nalu BÉCO e Yuri AMARAL, 2008

A escada – Direção: BARCINSKI, Philippe – 1995 (DVD0382, XDVD0370)

Espalhadas pelo ar – Direção: Vera Egito, 2007

A estória da figueira – Direção: Júlia Zakia, 2006

Fim de semana sim – Direção: Miriam Ritton Magami e Vinicius Toro, 2009

Fuzarca no paraíso – Diretor: Regina Rheda, 1981 a 1982

A guerra de Arturo – Diretor: Júlio Taubkin e Pedro Arantes, 2009

A história de Angelo – Diretor: Diogo Cronenberger, 2009

O lençol branco – Direção: Juliana Rojas e Marco Dutra, 2004

Mais uma noite – Direção: Luís Eduardo Amaral e  Pedro Morelli, 2009

O malvindo – Direção: Régis Approbato, 1998

Noturno – Direção: Daniel Salaroli, 2004

Nuvens – Direção: Daniel Grinspum, 2008

O presidente – Direção: Luiza Favale, 2009

Projeto trapézio – Direção: Marília Fredini Alves, 2011

Romance .38 – Direção: Vitor Brandt e Vinícius Casimiro, 2008

Santa chuva – Direção: Rafael Salomão Cruz, 2007

Shpluph – Diretor: César Cabral, 1998

Velhas Virgens: atrás de cerveja e mulher – Direção: Ângelo Ravazi, 2009

No acervo da Biblioteca há cópias em DVD de todos esses filmes, que podem ser emprestadas. Verifique, pelo Dédalus ou Busca Integrada, se estão disponíveis.


A Biblioteca Digital da Produção Intelectual da USP: um novo caminho

29/10/2012

No dia 22 de outubro, durante o Simpósio Internacional sobre Rankings Universitários e Impacto Acadêmico na Era do Acesso Aberto, foi oficialmente apresentada à comunidade acadêmica a Biblioteca Digital da Produção Intelectual da USP (BDPI).

Esse novo serviço tem como objetivo principal aumentar a visibilidade da produção acadêmica da Universidade e tornar público e acessível o conhecimento gerado pelas pesquisas aqui desenvolvidas. Para alcançar esses objetivos, a BDPI permite o arquivamento não apenas de informações referenciais sobre a produção, como já fazem o Banco de Dados Bibliográficos da USP e a plataforma Lattes, mas dos documentos com seu texto completo.

Esse recurso não vai, de forma alguma, ferir os direitos dos autores e editores, pois o próprio docente definirá a forma de acesso aos seus artigos e outros trabalhos: aberto, restrito ou fechado. Dessa forma, o professor pode ter seus trabalhos na BDPI mesmo sem o acesso ao texto completo, se assim o decidir. A vantagem disso, além da visibilidade, é a garantia da preservação desses arquivos, pois a BDPI tem, entre suas diversas funcionalidades, a preservação digital.

Outro aspecto interessante da Biblioteca Digital é a possibilidade de acesso às estatísticas de uso, ou seja, o autor pode acompanhar a quantidade de acessos aos seus trabalhos de forma muito rápida e simples. E como o conteúdo da BDPI é recuperado pelo Google, espera-se que os documentos nela depositados tenham muitos acessos.

Nesse momento inicial a BDPI tem como conteúdo os artigos coletados pela equipe do Departamento Técnico do SIBiUSP nos portais Scielo e Web of Science referentes ao período 2008 a 2011 e os trabalhos do ano de 2011 cadastrados pelas quatro bibliotecas que participaram do projeto piloto, entre as quais a Biblioteca da ECA.

O próprio autor poderá, se assim o desejar, cadastrar e fazer upload de seus trabalhos na BDPI, pois o sistema é baseado no princípio do autoarquivamento, procedimento que agiliza a divulgação dos trabalhos. Naturalmente, se o professor preferir, os bibliotecários de sua unidade poderão se encarregar da tarefa. O cadastramento rotineiro da produção na Biblioteca Digital deverá começar em 2013, após a elaboração de manuais e capacitação das equipes bibliotecárias e dos próprios autores.

Futuramente a BDPI deverá incluir, além de outros tipos de publicações impressas, a produção artística e audiovisual dos nossos professores. A Biblioteca da ECA está trabalhando, junto à equipe do DT-SIBi, na definição da estrutura e características principais de uma biblioteca digital para produção audiovisual, sob orientação do professor Eduardo Morettin.

Em 2010 fizemos uma pesquisa sobre o tema “acesso aberto” entre os docentes da ECA/USP, cujo resultado foi divulgado no post Panorama do acesso na ECA. Na ocasião, todos os professores que responderam ao questionário acreditavam que o acesso aberto é uma forma de dar visibilidade à suas pesquisas e afirmavam que publicariam sua produção numa publicação de acesso aberto. Por esse motivo, acreditamos que a Biblioteca Digital da Produção Intelectual tem tudo para ser um sucesso em nossa Escola.

Resolução da USP nº 6.444, de 22-10-2012

Acesso Aberto na USP

Semana Internacional do Acesso Aberto na UNAM

Gabinete de Projetos Open Access dos SDUM

Open Access Week

Wiki Acceso Abierto


Publicações da Biblioteca

22/10/2012

Hoje fazemos uso das redes sociais, blog e site para divulgar a biblioteca e seus produtos. Mas não é de hoje que temos a preocupação de divulgar as novas aquisições, a produção bibliográfica das áreas de interesse da Escola, as publicações que interessam ao nosso público. A maior parte das publicações que produzimos no passado eram bibliografias, catálogos, guias, boletins.

Algumas dessas publicações eram produzidas em coautoria com outras instituições, alguns dos parceiros foram o Museu Lasar Segall, a Sociedade Brasileira de Música Contemporânea, a Federação Paulista de Conjuntos Corais.

As bibliografias tinham como objetivo manter os pesquisadores atualizados com o que se publicava nas áreas de interesse da Escola, os títulos dessas publicações deixam bem claro isso: Bibliografia Brasileira de Comunicação, Bibliografia da Dramaturgia Brasileira, Catálogo de Teses, Boletim de Documentação Musical etc..

Outras publicações buscavam principalmente divulgar o acervo: Catálogo do Serviço de Difusão de Partituras, Catálogo de filmes produzidos pela ECA, Sumários de Periódicos de Música, Sumários de Periódicos de Biblioteconomia e Sumários das demais áreas da Escola, publicações que chegaram a ter uma versão eletrônica acessível pelo antigo site da Biblioteca. As nossas lista de novas aquisições, hoje publicadas no blog, também já eram feitas.

O Boletim de Documentação Musical tinha por objetivo “noticiar a produção e as atividades musicais brasileiras”, era parte de um esforço que a Biblioteca desenvolvia na área de música. Mais tarde esse boletim fundiu-se ao Caderno de Música, que publicava artigos de pesquisadores da área e era publicado pela Federação Paulista de Conjuntos Corais.

Também foram produzidas bibliografias sobre autores específicos. O já citado Boletim de Documentação Musical era suplementado por catálogo de obras de compositores, por ex.: Camargo Guarnieri, Armando Albuquerque, Bruno Kiefer etc.

Algumas dessas publicações eram periódicas, outras foram preparadas em função de algum evento ocorrido na Escola, em homenagem a um artista ou simplesmente para atender demanda relacionada a determinado assunto que estivesse despertando interesse entre os pesquisadores. Vejam alguns títulos:

Bibliografia Comentada da Telenovela Brasileira (edição preliminar)

Bibliografia sobre a Classificação Decimal de Dewey

Bibliografia sobre Aplicações da Computação às Áreas de Comunicações e Artes.

Bibliografia sobre Comunidade e Jornalismo Comunitário.

Homenagem a Villa-Lobos – dez peças para piano

Homenagem a Henrique Oswald – oito peças para piano

Esses trabalhos de documentação tiveram a preocupação adicional de envolver a comunidade, como ocorreu na publicação Gláuber Rocha: bibliografia, de 1984,  cuja capa foi escolhida a partir de um concurso promovido pela Biblioteca e vencido por um estudante de cinema.  Em seu seu texto de abertura para essa bibliografia, Teixeira Coelho escrevia:

Quanto mais se apresentam projetos de preservação, menos se preserva. Talvez essa seja uma lei perversa sobre as relações entre pesquisa e preservação. Ou talvez seja uma lei que só tenha validade aqui, entre nós. Glauber escapará dessa maldição, através das brechas abertas pela Cinemateca Brasileira e outras, como esta construída pela Biblioteca da ECA. E quem pode dormir somos nós; sabemos que quando acordarmos poderemos consultar tudo isso. Ou que podemos consultar tudo isso para podermos acordar.

Entre 1987 e 1989  editamos o Biblioteca Informa, um pequeno e extremamente despretensioso boletim semanal, no qual eram publicadas listas de novas aquisições, divulgação de serviços e notícias diversas. A publicação, feita com recursos da própria Biblioteca, era tão simples e caseira que provocou em nosso diretor na época, professor Walter Zanini, o seguinte comentário:

“Tudo bem, meninas, eu gosto de arte povera, mas isso aqui é demais …”.


Filmes de professores

28/11/2011

Se você gosta de cinema brasileiro, já deve ter visto muitos filmes que têm a participação de um professor do curso de Audiovisual da ECA.  Vários deles fazem parte do acervo da Biblioteca, para quem quiser ver ou rever.

Acabou de chegar o DVD do longa dirigido por Roberto Moreira, Quanto dura o amor?, doado por ele mesmo. Outros filmes têm a participação de nossos professores em funções como montagem, fotografia, som, roteiro etc.

Fizemos uma pequena seleção desses títulos, que inclui trabalhos de Wilson de Barros e Chico Botelho, prematuramente falecidos, e o único longa metragem produzido pela ECA, As três mortes de Solano.

Deixamos de fora, por enquanto, filmes de ex-alunos e ex-professores. Ficam para outro post.

Além dos citados, alguns professores têm vários outros trabalhos no acervo, principalmente curta-metragens de produção da Escola. Procure em nosso catálogo de Filmes e vídeos pelo nome do professor, se quiser conhecer essas outras produções.

VÂNIA DEBS

A casa de Alice

Direção: TEIXEIRA, Chico

Brasil, 2007, Superfilmes

Roteiro: TEIXEIRA, Chico; PESSOA, Júlio; ANZUATEGUI, Sabina; GOMES, Marcelo

Montagem: DEBS, Vânia

Som: MENDES, Eduardo Santos, edição; GODOY, João, som direto

Alice é uma mulher que trabalha como manicure, cuida da casa, dos filhos e tenta conviver com a indiferença e as traições de seu marido. Ela releva o fato porque também sai com outros homens. Até que reencontra um ex-namorado e pensa em reviver a paixão da juventude.

Árido movie

Direção:  FERREIRA, Lírio, 1965-

Brasil, 2005 – Cinema Brasil Digital

Montagem: DEBS, Vânia

Jonas, desgarrado da família desde pequeno, é apresentador da previsão do tempo em um canal de TV em São Paulo. O inesperado assassinato do pai obriga-o a fazer uma jornada de retorno às suas origens, no sertão nordestino. Ele desconhece o verdadeiro motivo de sua volta, solicitada pela avó, que o escolhe para vingar a morte do pai e lavar a honra da família. Ao chegar à cidade Natal, Jonas encontra um clima de vingança pairando no ar. O enterro do seu pai é carregado de emoções dúbias.É aí que Jonas descobre seu infortúnio: o peso de ser o herdeiro de uma realidade que julgava não ser mais a sua.

O mundo cabe numa cadeira de barbeiro

Direção:  TORERO, José Roberto, 1963-

Brasil, 2002

Synapse Produções; Museu da Pessoa; Superfilmes

Montagem: DEBS, Vânia

Som: GODOY, João, som direto; MENDES, Eduardo Santos, edição e mixagem

Um paralelo entre os tipos variados de fios de cabelos e as nacionalidades dos imigrantes no Brasil, mais especificamente no estado de São Paulo. Seis imigrantes, um de cada país: Japão, Itália, Espanha, Portugal, Bolívia e Síria. Com a bandeira do seu país ao lado, tentando lembrar e cantar o hino do país correspondente, cada imigrante conta como era sua vida em seu país, o que motivou sua saída de lá, geralmente questões políticas. A maioria dos imigrantes se sente mais brasileira do que estrangeira e está feliz por morar no Brasil. Enquanto eles são entrevistados, o narrador fala sobre os cabelos, as diferenças entre eles.

Carrego comigo

Montagem: DEBS, Vânia

Som: MENDES, Eduardo Santos, edição; GODOY, João, edição e som direto; COMPASSO, Aluísio, som direto; VAZ, Jorge A, som direto; SASSO, José Luiz, mixagem

Depoimentos de gêmeos. Entre eles, dois transformistas, duas cabeleireiras, dois presidiários, duas modelos, duas duplas de cantoras, dois cartunistas, duas concorrentes a miss Rio de Janeiro em 1966, dois religiosos, duas atletas de nado sincronizado, entre outras duplas de gêmeos e um trio. Falam sobre o mistério da formação dos fetos gêmeos, algumas suposições científicas, o nascimento, o crescimento e convivência com outras pessoas, com os colegas de escola, relacionamentos amorosos, as dificuldades e as vantagens de conviverem o tempo todo juntos. O sentimento que cada um tem sobre a possibilidade de separação, por morte ou afastamento. O relato de um gêmeo sobre a sua separação do irmão por discordarem de algo, mas também a falta que um sente do outro. A reunião de todos os gêmeos entrevistados para se conhecerem e conversarem. Há fotos de infância, trechos de shows de música, do concurso de miss Rio de Janeiro, de missas, de desfile de moda, de apresentação de nado sincronizado e imagens das famílias de dois gêmeos que são vizinhos. A dupla de cartunistas faz desenho de todos os entrevistados. No final alguns cantam e aparece o poema “Carrego comigo” de Carlos Drummond de Andrade.

Baile perfumado

Direção:  CALDAS, Paulo; FERREIRA, Lírio

Brasil, 1997, Saci Filmes

Montagem: DEBS, Vânia

Som: FERRO, Valério, direção; CALAÇA, Renato; FLORES, Virginia, edição; MIGLIORIN, César; ARIANI, Fernando

Depois da morte de Padre Cícero, o jovem fotógrafo libanês Benjamin Abrahão, parte de Juazeiro, no Ceará, em busca de recursos para filmar Lampião e seu bando. Recorre a pessoas influentes e, graças a sua habilidade de estabelecer contatos, Benjamin localiza Lampião e registra o cotidiano do grupo. Exibir o filme, porém, torna-se mais difícil do que realizá-lo. O filme é proibido pelo governo Vargas. Benjamin acaba morrendo de forma violenta.

O povo brasileiro

Direção:  FERRAZ, Isa Grinspum; FREDERICO, Flávio; FARIAS, Mauro

Brasil, 2000, Superfilmes

Montagem: LACRETA, Idê; DEBS, Vânia

Som: MENDES, Eduardo Santos; GODOY, João

Série baseada na obra do antropólogo Darcy Ribeiro, que investiga a formação do povo e da nação brasileira.

EDUARDO SANTOS MENDES

Seo Chico: um retrato

Direção:  MAMIGONIAN, José Rafael, 1973-

Brasil, 2007, Atalaia Filmes

Som: GODOY, João; MENDES, Eduardo Santos

Francisco Thomaz dos Santos, descendente de imigrantes açorianos, era herdeiro do último engenho tradicional em atividade na Ilha de Santa Catarina (SC). São registrados seus hábitos, sua rotina de trabalho na roça e o processo de produção de pinga em alambique. Seo Chico conta fatos de sua vida e explica sua visão de mundo.

Vale a pena sonhar

Direção:  GRISOTTI, Stela; BOEHM, Rudi

Brasil, 2003, Superfilmes; TV Cultura

Som: MENDES, Eduardo Santos; GODOY, João

A vida de Apolônio de Carvalho, que lutou em defesa dos republicanos na Guerra Civil Espanhola, juntou-se à Resistência francesa durante a Segunda Guerra Mundial, combateu a ditadura brasileira na década de 60 e ajudou a fundar o Partido dos Trabalhadores. Imagens de arquivo registram cenas do cotidiano dos combatentes das Brigadas Internacionais na Espanha, os bombardeios em Guernica, Madri e Barcelona, a ocupação nazista na França, entre outros eventos históricos. Depoimentos de Apolônio, sua esposa e filhos; de combatentes espanhóis; de membros da Resistência francesa e das Brigadas Internacionais.

 

Garotas do ABC: Aurélia Schwarzenega

Direção:  REICHENBACH, Carlos, 1945-

Brasil, 2004

Europa Filmes; Dezenove Sons e Imagens

Som: QUINTO, Romeu; GODOY, João; MENDES, Eduardo Santos

Direção de arte: ROSSI, Luís

Um grupo de mulheres trabalha numa tecelagem em São Bernardo, cidade do ABC paulista. Aurélia, moça forte e decidida, fã de soul e de homens musculosos, namora um rapaz perturbado que se envolve com uma gangue de neonazistas. A novata Antuérpia tenta, aos 38 anos, aprender uma nova profissão. Paula, líder natural entre as colegas, é convidada a entrar para o sindicato. Suzana, apaixonada pelo patrão, coleciona marcas de acidentes de trabalho e indenizações.

Tônica dominante

Direção:  CHAMIE, Lina

Brasil, 2000, Cinematográfica Superfilmes; Ledo Audiovisual Teatro

Som: CHIARINI, Ana, edição; MENDES, Eduardo Santos

Três dias na vida de um músico. No primeiro dia, ele deve encarar a solidão e o medo. No segundo, a paixão e o auxílio desajeitado a uma pianista e no terceiro, o encontro da sua iluminação musical, a chance de mostrar seu talento.

Através da janela

Direção:  AMARAL, Tata, 1960-

Brasil, 1999, A.F. Cinema e Vídeo

Roteiro: AMARAL, Tata; BONASSI, Fernando; BERNARDET, Jean-Claude

Argumento: BERNARDET, Jean-Claude

Som: GODOY, João, som direto; MENDES, Eduardo Santos, edição

Selma, enfermeira aposentada e viúva, vive em São Paulo com o filho Raimundo, de 24 anos, desempregado e que age como adolescente. Sua rotina de dona de casa é perturbada quando o filho traz para casa, certa noite, um amigo ferido. Após Selma fazer os curativos, seu filho e um amigo levam o ferido embora. Raimundo não dá explicações à mãe, que passa a estranhar seu comportamento. Dias depois, o moço piora e Raimundo pede a Selma que lhe aplique uma injeção. Na manhã seguinte, a fazer suas compras, Selma vê no jornal a foto do ferido e descobre que ele fora seqüestrado. Assustada, vai à farmácia ver o que aplicou e descobre que é um forte sedativo. Volta para casa perturbada.

Dois córregos: verdades submersas no tempo

Direção:  REICHENBACH, Carlos, 1945-

Brasil, 1999, Dezenove Som e Imagens; TV Cultura

Som: MEJÍA, Pedro; MENDES, Eduardo Santos, ed. som

São Paulo, 1997. Ana Paula, 45 anos, viaja ao interior a fim de recuperar a casa de campo herdada dos pais, que está ocupada por grileiros. Constrangida pela indiferença de seu advogado e da rispidez da polícia, recorda a última vez que esteve na casa. Em 1969, aos 17 anos, Ana Paula leva a amiga de escola Lydia, uma exímia pianista e filha de um militar graduado, para conhecer a casa. Passam alguns dias em companhia de Tereza, empregada e pajem da irmã de criação de Ana Paula, e de seu tio Hermes, que mora no sul do país e que ela não conhecia. Perseguido e exilado devido ao seu envolvimento com a luta armada, Hermes está escondido da polícia e tenta regularizar sua volta ao Brasil. A convivência com o clandestino Hermes transforma a temporada em uma espécie de rito de passagem para as duas amigas adolescentes, que aos poucos vão conhecendo o que se passava naquele momento da vida do país. Um incidente com o namorado de Tereza, o sargento Percival, encerra abruptamente a temporada no local, culminando com o desaparecimento de Hermes. De volta ao presente, Ana Paula consegue esclarecer o mistério a respeito do desaparecimento do homem que amou em segredo durante a adolescência. Resumo extraído de: Cinema brasileiro: um balanço dos 5 anos da retomada do cinema nacional.

Um céu de estrelas

Direção:  AMARAL, Tata, 1960-

Brasil, 1996, Casa de Produção

Roteiro: BERNARDET, Jean-Claude; MOREIRA, Roberto

Som: GODOY, João, edição; MENDES, Eduardo Santos

Dalva, jovem cabeleireira que vive com a mãe na zona operária do bairro da Móoca, São Paulo, ganha uma viagem para Miami num concurso profissional. Vítor, seu ex-noivo desempregado vem visitá-la. Disposto a reconquistar Dalva, ele usa uma arma para fazer as duas mulheres de reféns.

A casa de Alice

O mundo cabe numa cadeira de barbeiro

Carrego comigo

O povo brasileiro

JOÃO GODOY

Chega de saudade

Direção:  BODANZKY, Laís, 1969-

Brasil, 2007, Gullane Filmes; Buriti Filmes; Miravista; Globo Filmes; Arte France

Som: GODOY, João, gravação

Em São Paulo, os frequentadores de um salão de dança para a terceira idade chegam para mais um baile. Ainda há luz do sol quando o salão abre suas portas e o baile terminará antes da meia-noite. Várias histórias ocorrem simultaneamente: a do casal mais velho que briga e se reconcilia; a de duas amigas que procuram alguém para dançar; de um marido que gosta de paquerar e dançar com outras mulheres; do jovem casal composto pelo DJ do baile e sua namorada, que está ali apenas para esperá-lo terminar o trabalho; da mulher que engana seu marido e dança com o melhor dançarino da noite.

O mundo cabe numa cadeira de barbeiro

O povo brasileiro

Vale a pena sonhar

Garotas do ABC

Antônia

Contra todos

HENRI GERVAISEAU

Tem que ser baiano?

Direção, roteiro e fotografia :  GERVAISEAU, Henri

Brasil, 1993, Alô Vídeo

O vídeo mescla sequências de entrevistas e imagens do passado e do presente da comunidade nordestina em São Paulo. Depoimentos de migrantes nordestinos anônimos e famosos, como Lula e Luiza Erundina, misturam-se com entrevistas de habitantes da metrópole e de políticos paulistas conservadores. Completam esse painel discursos de políticos dos anos 30, manchetes de jornais, fotografias, músicas, vídeos e filmes. Resumo extraído da base de dados Curtagora.

WILSON DE BARROS

Anjos da noite

Direção:  BARROS, Wilson de Rodrigues, 1948-1992

Brasil, 1987, Superfilmes

Roteiro: BARROS, Wilson Rodrigues de

Durante uma única noite, em São Paulo, acompanhamos a trajetória de uma série de personagens: Malu, ex-manequim negra que, herdeira do amante, promove artistas marginais; Cissa, jovem estudante de Sociologia que quer desvendar o submundo numa tese universitária; Mauro, que na madrugada se transforma na ”divina Lola”; Teddy, garoto de aluguel; Jorge, diretor teatral que seduz todas as possíveis candidatas a atriz que encontra; Maria Clara, candidata a atriz; Leger, artista plástico que, obtendo um relativo sucesso, vive embriagado de álcool e glória; Bimbo, negro sensual, selvagem e amoral, que faz qualquer coisa por dinheiro – até matar; Milene, criada negra de Malu e amante de Bimbo, cínica e debochada; Guto, jornalista quarentão, homossexual, elegante e discreto; Fofo, misto de ganster e delegado corrupto; e, finalmente, Marta Brum, atriz no ocaso de sua glória que perdeu as curvas mas não a exuberância bem-humorada. Todos eles estão direta ou indiretamente envolvidos com dois crimes aparentemente gratuitos, que vão permanecer insolúveis e impunes até o amanhecer. O primeiro acontece ao entardecer: o secretário de um industrial é brutalmente assassinado por um vendedor ambulante negro, em meio a um engarrafamento de trânsito. O segundo se revela na madrugada: o corpo nu de um jovem é encontrado na banheira ensangüentada de um conhecido ator. Mas, no amanhecer, dois jovens desconhecidos se encontram por acaso, e seus sorrisos ternos vão redimir o peso dessa noite. (Resumo: Cinemateca Brasileira)

Verão

Direção:  BARROS, Wilson Rodrigues de, 1948-1992

Brasil, 1983, Barca Filmes; Embrafilme; Capes; ECA-USP

Roteiro: BARROS, Wilson Rodrigues de

Montagem: DEBS, Vânia

Um casal, isolado numa ilha e perturbado por lembranças de um passado de violência e perseguições, sente-se ameaçado por um cavalo misterioso que tenta invadir sua casa. Dissertação de mestrado do diretor.

CHICO BOTELHO

Cidade oculta

Direção:  BOTELHO JR, Francisco Cassiano, 1948-1991

Brasil, 1986, Orion Cinema e Vídeo

Roteiro: BOTELHO JR, Francisco Cassiano; BARNABÉ, Arrigo; ROGÉRIO, Walter

Anjo (Arrigo Barnabe), depois de ficar livre apos sete anos na cadeia, reecontra seu antigo comparsa, agora chefe de uma organização, e se vê as voltas com a estrela do submundo Shirley Sombra (Carla Camurati), além de arrumar inimizade com um policial corrupto. Sinopse extraída da Wikipédia.

O evangelho segundo Teotônio

Direção:  CARVALHO, Vladimir, 1935-

Brasil, 1984, Microfile; Fundação Teotônio Vilela

Fotografia:BOTELHO JR, Francisco Cassiano

A vida e a carreira política de Teotônio Vilela estão documentadas neste filme. O próprio Teotônio relata fatos de sua vida: a infância, a família, o casamento, mostrados através de antigas fotos. O documentário apresenta sua carreira política desde quando ingressa na UDN, até ser presidente do PMDB. Mostra cenas de manifestações durante uma greve dos trabalhadores do ABC, alguns de seus discursos, sua última aparição em público e sua morte. Participação de Miguel Arraes, Lula, Tancredo Neves, Carlos Castelo Branco, Henfil, Fafá de Belém e Mané Vaqueiro.

As três mortes de Solano

Direção:  SANTOS, Roberto, 1928-1987

Brasil, 1976, ECA-USP

Fotografia: BOTELHO JR, Francisco Cassiano

Montagem: LEONE, Eduardo

Baseado no conto A caçada, de Lígia Fagundes Telles.

1. TRATAMENTO (absurdo e loucura): Solano é frequentemente atormentado por pesadelos em que se vê, durante a Idade Média, perseguido pelo caçador Faro, que pretende matá-lo. Ao descobrir, num antiqüário, uma tapeçaria que representa uma caçada e que o faz lembrar seu sonho, tenta comprá-la, mas a dona se recusa à venda. Quando Solano descobre a caça, penetra na tapeçaria, vindo a morrer. 2. TRATAMENTO (realidade): Durante o ensaio de uma peça teatral cujo tema aborda as relaçöes do caçador e da caça, dois atores, Solano e Faro, antagonizam-se culminando com a morte de Solano. 3.TRATAMENTO (pantomima trágica): Num circo mambembe, o palhaço Solano tenta vender uma tapeçaria à cigana, iludindo-a de que ela é mágica. Surge um lobo, Faro, e mata o palhaço. (Guia de Filmes, jan/jun. 1977)

ROBERTO MOREIRA

Antônia

Direção:  AMARAL, Tata, 1960-

Brasil, 2006, Globo Filmes; O2 Filmes; Tangerina Entretenimento; Coração da Selva

Roteiro: MOREIRA, Roberto; AMARAL, Tata

Som: GODOY, João

Na Vila Brasilândia, periferia de São Paulo, quatro jovens mulheres negras batalham pelo sonho de viver de sua música. Amigas desde a infância, Preta, Barbarah, Mayah e Lena deixam os backing vocals do conjunto de rap de homens para montar seu próprio grupo, Antônia. Descobertas pelo empresário Marcelo Diamante, elas começam a cantar rap, MPB, pop e soul em bares e festas de classe média. Mas quando o sonho de fazer algo da vida parece tomar corpo, as viradas de um cotidiano marcado pela pobreza, pela violência e pelo machismo ameaçam o grupo. Em um acesso de ciúme, Preta rompe com Mayah e com o marido, e assume sozinha o sustento da filha pequena, Emília. Lena cede à pressão do marido, que não quer vê-la cantando rap. E Barbarah, lutadora de kung fu, envolve-se em uma briga fatal depois que o namorado do irmão é morto na porta de sua casa. Separadas por um destino amargo, as quatro terão que lutar para juntar os pedaços do grupo e resgatar a alegria de cantarem juntas. Resumo extraído do site Meu Cinema Brasileiro.

A cidade dos homens: última temporada

Direção:  MOREIRA, Roberto, 1961-; MORELLI, Paulo; GOLDMAN, Adriano; CASÉ, Regina; MEIRELLES, Fernando, 1955-

Brasil, 2005, TV Globo; O2 Filmes

Laranjinha e Acerola, agora jovens entrando na idade adulta, enfrentam a batalha diária pela sobrevivência, no morro e no asfalto.

Contra todos

Direção:  MOREIRA, Roberto, 1961-

Brasil, 2004, Coração da Selva; O2 Filmes

Roteiro: MOREIRA, Roberto

Som: GODOY, João

Na aridez de um bairro da periferia de São Paulo vivem Teodoro, sua filha adolescente, Soninha, e sua segunda mulher, Cláudia. Mas o dia-a-dia dessa família classe média baixa está assentado sobre mentiras. Por trás da fachada de homem religioso, Teodoro ganha a vida como matador, bate na revoltada Soninha e tem uma relação extraconjugal com Terezinha, sua companheira de culto. Vaidosa e insatisfeita no casamento, Cláudia vive um caso com Júlio, filho do açougueiro da vizinhança. Em torno do grupo orbita Waldomiro, amigo e sócio de Teodoro e objeto do desejo de Soninha. A ação é desencadeada pelo assassinato de Júlio. Culpando o marido, Cláudia destrói a casa e foge. Num hotel do Centro, conhece o porteiro Lindoval, com quem começa um namoro. Exausto, Teodoro decide deixar sua vida em São Paulo, casar-se com Terezinha e mandar Soninha para a casa da avó. Mas nada sai como planejado. Quando Lindoval é espancado por carecas até quase a morte, Cláudia suspeita do ex-marido. Na mesma noite, Terezinha recebe em casa uma fita de vídeo em que Teodoro transa com Cláudia. O matador atribui a idéia da fita a Cláudia. O engano duplo prepara o desfecho chocante da história, entrecortado por várias revelações e por uma surpresa final. Sinopse extraída do site oficial do filme.

Quanto dura o amor?

Direção: Roberto Moreira

Brasil, 2009, Coração da Selva

Marina, jovem aspirante a atriz, chega a São Paulo cheia de sonhos de independência e realização profissional. Vai dividir um apartamento com Suzana, advogada solitária que guarda um misterioso segredo. Na noite, Marina se encanta pela cantora Justine, entrando num arriscado triângulo amoroso com o marido dela. No Fórum, Suzana e o colega Gil começam um namoro. Na rua, o romântico Jay, escritor de um livro só, elege para musa a prostituta Michelle. No ritmo impiedoso da cidade, eles vão viver a euforia da paixão e a sua outra face. São Paulo, entre encontros e desencontros, elevadores e elevados, esbarões e tropeços, você vai descobrir quanto dura o amor.

colaboração: Mateus Lourenço



Caio Cavechini fala de suas primeiras experiências com documentário

27/04/2011

Por Crenilda Abreu

Ex-aluno do curso de jornalismo da ECA, Caio Cavechini teve como estréia o documentário Antes, um dia e depois que começou como trabalho de conclusão e foi crescendo até ganhar a versão definitiva, mais enxuta, que lhe rendeu o prêmio ‘diretor revelação’ na Mostra Internacional de 2006.
Resultado de um ano de viagens pelo país e um monstruoso trabalho de edição, o filme traz as histórias de oito pessoas prestes a dar uma grande reviravolta.



Desde 2007 no Profissão Repórter, continua realizando documentários e acaba de estrear no festival É Tudo Verdade com Carne e Osso que será assunto de debate/palestra com ele no próximo dia 4 no auditório Freitas Nobre a convite professor José Roberto Cintra, que o orientou no TCC.

Em meio à correria com seu último trabalho, feito em parceria com Carlos Juliano Barros, ele nos concedeu entrevista por e-mail em que comenta Carne e Osso e suas experiências em tempos de ECA. Um roteiro valioso das dificuldades técnicas, escolhas estéticas, da ajuda que recebeu de professores e colegas e da importância desse momento como estudante.

Outros colegas de curso optaram por um tema, um lugar, pessoas falando do lugar onde trabalham, vivem etc. Outros falam de assuntos como educação, um hobby… Antes, um dia e depois parece não ter um tema. São pessoas e suas histórias num momento de transição, histórias distantes que de certa forma estão unidas. Como é que surgiu a idéia desse primeiro documentário do TCC?

Eu não queria um tema, mas uma maneira de contar as histórias. Queria escolher um método, delimitar um campo de ação e dentro dele eu poderia transitar livremente. No começo, o próprio professor orientador torceu o nariz, mas isso me ajudou a fechar melhor a proposta. Meu documentário seria aquilo que acontecesse naquele espaço de tempo, e só. Então eu teria que me jogar na observação daquelas histórias, independente do que acontecesse, o importante era o registro cru daqueles momentos. Na hora da edição, percebi que o meu olhar sobre aquelas experiências havia sido um fio condutor, e assim segui.

Como é que começou aqui na ECA a movimentação pra fazer o documentário (gastos, a mobilização, a ajuda dos professores) ?

Tive uma ajuda monstruosa dos professores e da estrutura da Eca para fazer documentários, poder viajar com equipamento, poder experimentar na edição. Esse é o principal para quem faz documentário: poder testar, refazer, ver o que ficou bom e o que não ficou, trocar ideias para aprimorar. Os gastos com viagens obviamente foram por minha conta, mas só isso. Todo o resto foi na Eca, principalmente porque eu sabia que o tempo de experimentar é esse, depois a gente consegue um emprego e tem nossas margens de ação reduzidas.

Essa coisa de contar e focar em pessoas, parece que é a diferença do seu trabalho para outros, o seu parece o mais ficcional dos documentários dos alunos da ECA, você acha que isso foi fundamental no sucesso que teve?

Acho que mesmo quando você foca numa temática específica, você tem que estar aberto para olhar e observar as pessoas. Mesmo em um documentário investigativo, opinativo, social, enfim, são as pessoas e a qualidade dos depoimentos e das ações que vão dar corpo ao documentário. Eu observava um domínio da entrevista nos documentários dos alunos, e a entrevista não é tudo. Para alcançarmos personagens mais complexos, temos que observá-los de outras formas, registrar a forma com que se relacionam no seu meio, suas contradições, suas grandes virtudes e pequenos defeitos. Não que a gente consiga sempre isso, mas é o que o documentarista tem que buscar.

Você quando escolheu isso levou em conta que os documentários que se aproximam do ficcional porque narram historias têm uma recepção mais ampla? Ou isso teve mais a ver com as influências que recebeu de outros documentaristas?

Eu sinceramente não pensei na recepção. Claro que quando a gente quer contar uma história bem contada estamos pensando no público, mas não necessariamente é o seu ponto de partida. Já que o documentário atacava para vários lados, eu precisava de uma proposta unificadora, um princípio que orientasse minha ação, e a partir daí seu seria livre dentro desse limite que eu mesmo estabeleci. Acho que todo bom documentário precisa delimitar bem o seu campo de atuação para dentro dele ser o mais livre possível. Isso é algo que eu percebo sempre que assisto a um bom documentário, e percebia naquela época. Aí, quando eu estabeleci esse recorte de tempo, tudo o que acontecesse era matéria prima para mim. Temos um personagem e alguma coisa que vai acontecer na vida dele. Nesse sentido pode se aproximar da ficção, mas nem todas as histórias têm conflitos. E ao mesmo tempo, na vida real sempre acontece algo na nossa vida. Então acho que é o documentário que pode estar mais aberto a isso, e não necessariamente tomarmos esse registro das “transformações” como exclusividade da ficção.

Você não aparece no documentário, ao mesmo tempo em que se tem a sensação de que é seu o papel principal, talvez porque você se torne uma ligação entre as histórias. Por que essa escolha de não aparecer?

Primeiro uma questão técnica, que na maior parte das vezes eu estava sozinho, com a câmera na mão. E depois, uma escolha estética mesmo, porque queria dar luz aos personagens, mas ao mesmo tempo evidenciar que se tratava de um olhar de alguém que está atrás da câmera.

As frases escritas e as intervenções de texto na sua voz parecem colocá-lo em evidência. Você imagina o filme sem essas intervenções? O que o filme perderia sem elas?

Sim, é possível. O filme poderia se transformar em uma sequência de curtas, ao invés de um longa, porque as intervenções funcionam como amarração. Além disso, eu precisava de explicações sobre algumas passagens que eu não considerava adequado dar em texto na tela, porque eram explicações um pouco mais longas, sobre o contexto de cada história. Eu poderia fazer explicações mais impessoais e objetivas, por exemplo. Mas como o filme partia de uma ideia maluca de alguém que de repente quis registrar as histórias dessas mudanças, achei que isso precisava ficar claro também. Então é sempre uma questão de escolhas e de quais se adaptam melhor no projeto em questão. Já fiz documentários com e sem intervenções, e não tenho preferência por esse ou aquele estilo. É uma questão de escolher o que o filme pede.

Pelo que li o Carne e osso também tem esse foco em narrativas de pessoas.
Além da maturidade, o que mudou como documentarista desde Antes um dia e depois até o Carne e osso?

O Carne e Osso tem uma outra linguagem. É um documentário de crítica social, em que a voz do autor está ausente. Temos os depoimentos dos trabalhadores e a linha de montagem, a repetição que desumaniza a pessoa. É um documentário mais frio e mais seco, mas era o que a história pedia. Pessoalmente, acho que a gente sempre pode evoluir no sentido de encontrar as melhores soluções técnicas, estéticas e narrativas para a história que você quer contar.

Palestra com os diretores Caio Cavechini e Carlos Juliano de Barros:
Dia 4/05 no auditório Freitas Nobre do CJE às 20h.


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