Ismail Xavier: veja o que temos no acervo

21/11/2017

Ismail Xavier foi homenageado na semana passada pela ECA. Recebeu o título de professor emérito e viu acontecer o colóquio O Cinema Pensado: Homenagem a Ismail Xavier, que convidou professores, pesquisadores e ex-orientandos para refletir sobre a importância de sua obra.

Ismail é autor de diversos livros. Alguns de seus textos são de leitura obrigatória em cursos de audiovisual país adentro. Seus livros ganharam traduções em outras línguas, o que mostra também o interesse pela sua obra além das fronteiras nacionais.

Quando a ECA foi criada no final dos anos 1960, Ismail já estava por aqui e fez parte da primeira turma. Graduou-se em 1970 e no ano seguinte passa a integrar o corpo docente do curso de cinema. Mestrado e doutorado foram ambos realizados na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humana, o primeiro sob a orientação de Paulo Emílio Salles Gomes, o segundo, com Antonio Candido, com o título Narração contraditória: uma análise do estilo de Glauber Rocha, 1962-64, que seria mais tarde editado com o título Sertão mar: Glauber Rocha e a estética da fome e se tornaria obra fundamental para o estudos sobre o cineasta brasileiro.

Abaixo algumas de suas obras com comentários extraídos de prefácios, orelhas. Clique aqui para uma relação completa de seus livros no acervo. E aqui para a lista de teses e dissertações feitas sob sua orientação.

Ismail Xavier: encontros. Organização Adilson Mendes.
Série de entrevistas em que Ismail Xavier avalia sua trajetória crítica, fala de seus livros, de filmes brasileiros recentes.

“deixando de lado sua discrição metodológica habitual, enfatiza um tipo de interpretação formal que privilegia as conexões entre história, cinema e ideologia. E este trânsito pelas fronteiras intelectuais fica mais claramente delineado, como se vislumbrássemos o crítico, após seu trabalho, polindo suas ferramentas.” Prefácio de Adilson Mendes.

O discurso cinematográfico: a opacidade e a transparência.

“Há quase trinta anos, o livro O discurso cinematográfico resiste bravamente como a mais importante obra sobre teoria cinematográfica produzida no Brasil, mesmo considerando a excelência de outras contribuições que vieram depois, inclusive do mesmo Ismail Xavier.” Prefácio de Arlindo Machado para a 3ª edição.

Sertão mar: Glauber Rocha e a estética da fome.

“Interpretação original de Glauber, este livro de Ismail Xavier caracteriza o esforço do cineasta em alcançar a síntese, mas aponta as contradições de um processo criativo, na encruzilhada entre a pedagogia militante e o ‘cinema de autor’, entre a crítica à religião do oprimido e o elogio de suas representações. E ainda investiga como, em cada filme, esse cinema de olho na História incorpora elementos da cultura popular e do mito.”

Alegorias do subdesenvolvimento: cinema novo, tropicalismo, cinema marginal.

“Alegorias do subdesenvolvimento é o desdobramento consequente dos problemas de Sertão Mar e o desenvolvimento de questões mais abrangentes em torno do cinema brasileiro moderno.” Prefácio de Adilson Mendes para as entrevistas.

 

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Os porquês

13/11/2017

Bibliotecas são espaços democráticos que todos deveriam usufruir da forma que mais lhes conviesse: para estudar, ler, pesquisar, ver filmes, ouvir música, obter orientação para suas atividades de pesquisa, fazer reuniões de trabalho, relaxar um pouco etc.

Todo cidadão deveria estar habituado a usar bibliotecas desde a infância e ter com elas tanta intimidade quanto temos com os cinemas, parques e praças de alimentação dos shoppings, por exemplo, espaços que todo mundo entende como funcionam. Infelizmente, sabemos que não é exatamente assim. Os códigos e regras envolvidos na organização das bibliotecas nem sempre são fáceis de entender, e não apenas por responsabilidade das bibliotecas ou de seus usuários. Há muitas questões estruturais e educacionais envolvidas nessa questão.

É por esse motivo que os usuários trazem para os funcionários, quase diariamente, muitas dúvidas e perplexidades. Vamos tentar explicar algumas delas.

Você está ocupada(o)?

Muitos alunos, educadamente,  fazem essa pergunta para os bibliotecários, quando precisam fazer uma pergunta. A resposta é: Sim, sempre, mas a prioridade é atender você. A gente tem sempre muitos afazeres, mas nenhum deles é mais importante do que a atenção direta ao usuário.

Por que não posso entrar com a minha bolsa, se a biblioteca tem câmeras e controle de saída com alarme?

Infelizmente, nenhum mecanismo de segurança de acervo é infalível, como bem sabem os saqueadores de bibliotecas. Permitir a entrada de bolsas ajudaria muitos que vem à Biblioteca com más intenções. A gente não desconfia dos nossos alunos, dos usuários que vêm para pesquisar e estudar, mas a única forma de gerenciar essa questão é não deixar ninguém entrar de bolsa. Nem sempre é possível distinguir o pesquisador do predador de bibliotecas!

E por que não posso deixar minha bolsa nos armários da Biblioteca quando saio para tomar um cafezinho?

Há momentos em que quase todos os nossos armários estão ocupados. Se o pessoal sair da Biblioteca para almoçar, tomar café ou fumar, com certeza faltarão armários para quem precisa entrar, nos horários de pico. Além disso, o risco de perda de chave do lado de fora é muito grande, gerando despesas para a instituição e insegurança para os usuários. Mas é rapidinho, eu volto logo…  Bem, todos dizem isso, mas muitos acabam demorando bem mais do que esperavam…

Vocês nunca pensaram em …

A frase é completada com diversas sugestões e ideias em geral muito pertinentes ou, pelo menos, importantes para quem faz a pergunta. Serviços (ou equipamentos) que parecem um absurdo que uma biblioteca universitária não tenha. Na maioria das vezes, sim, nós já pensamos nisso. Mas não conseguimos fazer por limitações orçamentárias, falta de pessoal, problemas de legislação etc. Ou, na melhor das hipóteses, pensamos e estamos providenciando, mas a demora é sempre muito maior do que gostaríamos. Instituições públicas têm suas complicações. Mas, em alguns casos, é verdade, não pensamos mesmo nisso! Portanto, nunca deixe de fazer essa pergunta, sua sugestão pode ser viável.

Por que alguns livros não podem ser emprestados?

Obras de referência, como dicionários e enciclopédias, são de consulta rápida. Logo, em princípio o usuário pode ler ou copiar rapidamente a informação de seu interesse, sem precisar levar o material para casa. Dessa forma, mais pessoas podem consultá-lo. Livros raros ou qualquer documento de reposição difícil (ou até impossível) em caso de perda, também não podem sair da Biblioteca. O estado de conservação do documento também é um fator que pesa na decisão de não emprestar, para evitar danos irreversíveis a materiais frágeis. Livros que os professores pediram para entrar na Reserva Didática também não podem sair da Biblioteca, para garantir que todos os alunos de uma disciplina possam ter, de alguma forma, acesso ao seu conteúdo. Mas, se você acha que o livro (ou outro material qualquer) não se enquadra em nenhum desses casos, fale conosco. Os critérios estabelecidos para não emprestar uma obra são atualizados constantemente, mas nem sempre é possível atualizar o status de cada uma. Se observarmos que não há nenhum motivo sério para impedir o empréstimo, mudaremos na hora o status do material.

Não consegui fazer a renovação pela internet, por isso não devolvi no prazo…

Fazer a renovação pela internet é um serviço destinado a facilitar a vida do usuário, não é uma obrigação. Quem não conseguir fazê-lo, deve entrar em contato conosco pelo telefone, e-mail, chat ou Facebook. Se o item não tiver reserva para outro usuário e não estiver atrasado, faremos a renovação.

Eu estava viajando e não consegui fazer a renovação…

Bem,  viajar com material emprestado da Biblioteca envolve alguns riscos. Se o prazo vencer durante a viagem e outra pessoa fizer uma reserva, a renovação não será possível. O ideal é renovar antes da viagem, se possível, para evitar contratempos. É possível renovar antes do vencimento, sem problemas.

foto: Chris Goldberg (Flickr)

O que vocês querem dizer quando expõem esse livro ou essa revista?

Em geral, os materiais são expostos com os seguintes objetivos: divulgar as novidades que chegaram e mostrar segmentos do acervo que as pessoas talvez não conheçam. Estamos dizendo: vejam isso, conheçam isso, pesquisem isso, estudem isso. A ideia é divulgar e mostrar, as conclusões e elaborações ficam por conta do público.

Tudo é tão complicado! Não poderia ser mais simples?

É a pergunta mais difícil de ser respondida. Alguns processos são intrinsecamente complexos, e mudá-los não é nada fácil. Muitos usuários têm problemas com o sistema de organização dos livros nas estantes, por exemplo. De fato, não é algo muito simples, mas, depois que se aprende a lógica da coisa, fica bem mais fácil. Já fizemos dois posts sobre esse assunto, vejam:

https://bibliotecadaeca.wordpress.com/2017/10/16/cada-coisa-em-seu-lugar-a-organizacao-dos-livros-nas-estantes/

https://bibliotecadaeca.wordpress.com/2010/03/08/como-localizar-o-livro-na-estante/

E nem tudo depende apenas do pessoal da Biblioteca, é preciso lembrar.

Mas há coisas que sim, poderiam ser mais simples. Trabalhamos constantemente para simplificar e melhorar o que estiver ao nosso alcance. Suas sugestões são importantes.

 

 


Para entender o ORCid

06/11/2017
  • É um identificador único e persistente de autor atribuído pelo sistema ORCid. Possui 16 dígitos, algo como “0000-0002-0123-208X”
  • É gratuito e não possui vínculo com nenhuma editora.
  • Permite identificar e individualizar pesquisadores e seus trabalhos: o pesquisador insere seu nome e as possíveis variações para o mesmo.
  • É internacional, nesses termos há maior visibilidade. Sob o ORCid de um pesquisador estão elencados seus trabalhos, bem como existe a possibilidade de preenchimento de palavras-chave relacionadas a sua área de atuação.  É possível realizar pesquisas por palavras-chave e descobrir outros pesquisadores que atuam em áreas de seu interesse.
  • Agências de fomento (FAPESP, CNPq etc.) já estão integradas ao ORCid. Nesses termos, é possível realizar importação automática dos dados.
  • A CAPES já solicita dos candidatos a bolsas e financiamentos de seus programas internacionais, um código de cadastro na ORCID. Leia mais aqui.
  • O currículo Lattes possui um campo para inserção do ORCid. No momento não há integração dos sistemas, que permitiria, por exemplo, migração de dados. A intenção é que isso ocorra em breve. Por ora é possível inserir no Lattes o seu ORCid. Vá em Dados gerais – Identificação – Outras bases bibliográficas – Inserir nova – Selecione ORCid e insira o seu número.
  • O ORCid permite importação de dados do Google acadêmico bem como de bases como Scopus, ResearchID, Redalyc e outras. Isso significa que sua produção deve estar cadastrada nesses recursos: se você possui perfil no google acadêmico poderá importar os dados, o mesmo ocorre com o ResearchID. Caso sua produção esteja indexada na Scopus, também será possível. Ter a produção cadastrada nessas bases bem como perfis de autor não é algo que se dá naturalmente: ou você já criou perfil, no caso dos identificadores, ou sua produção está em revistas indexadas em determinadas bases de dados.
  • A criação do ORCid autenticado USP é recomendada pois  a USP é reconhecida  como organização confiável, permitindo a coleta e conexão de dados. Na USP a fase de conexão (troca de dados por API) ainda não foi implementada, quando estiver em funcionamento sempre que houver alguma atualização de seus dados ou trabalhos, esta atualização será automática em seu registro.
  • Caso você já tenha criado um ORCid sem tê-lo associado à USP basta proceder à associação: Em http://www.usp.br/orcid/ selecione a opção “criar ou associar o seu ORcid”,  quando o sistema pedir, entre com Orcid e senha e autorize.
  • Importante lembrar que o ORCid é um identificador do pesquisador, mesmo que você mude de instituição o identificador permanecerá o mesmo

Neste tutorial de 6 slides você verá como criar seu registro ORCid

Este é um tutorial bastante completo, elaborado pelo SIBi-USP, que  apresenta o ORCid. A partir do slide 19 há instruções para preenchimento de informações, após ter criado o registro.

Veja aqui algumas informações gerais sobre o ORCid  elaboradas pelo SIBi-USP.

RESUMINDO, POR QUÊ? PARA QUÊ?  Em resumo, ter um registro no ORCid é interessante na medida em que permite a identificação do autor e sua produção em uma rede que é internacional. Diferente, portanto, do currículo Lattes de abrangência nacional. Estar na ORCid permite que seu perfil de pesquisador seja conhecido ao redor do mundo. Ninguém irá acessar suas publicações por ali, mas, sim, ver a sua trajetória de pesquisa. Evita ambiguidade de nomes e permite a correta atribuição de autoria. No momento acaba sim sendo mais um local para o preenchimento de informações, sobretudo se você possui cadastro em sistemas que permitem importação com o ORCid. A promessa de integração do ORCid com o Lattes é bastante interessante, pois com isso o pesquisador simplesmente retiraria seu pacote de dados do Lattes e inseriria no ORCid. A intenção da USP é que em um futuro breve a produção registrada em nossas bases seja automaticamente atualizada junto ao ORCid. Isso ainda não está implementado. Por enquanto, fica a certeza de que a adoção do ORCid é uma tendência mundial e instituições de fomento à pesquisa já estão exigindo que os pesquisadores estejam cadastros no sistema. Então caso você queira aguardar para atualizar dados, não possui tempo para tanto etc., fica a dica de que, ao menos, crie um perfil, obtendo o seu registro. Os dados você pode ir preenchendo conforme tiver tempo.

 

A equipe de bibliotecári@s está disponível para orientar na criação do registro. Se preferir marque um horário (30914481/4074 ecabiblioteca@usp.br) ou venha quando tiver  pelo menos uns 20 minutos disponíveis.


Sem sistema

30/10/2017

Instabilidades e indisponibilidade temporária de sistemas eletrônicos são situações com as quais lidamos frequentemente. No entanto, nas semanas passada e retrasada tivemos que enfrentar, nas bibliotecas do Sistema de Bibliotecas da USP (SIBiUSP), seis dias de sistema totalmente indisponível e relatos de instabilidade nos dias anteriores.

De 19 a 24 de outubro, o Aleph, software que está por trás do Dedalus, banco de dados bibliográficos da USP, ficou inacessível. Com isso, os serviços de catalogação, empréstimo e operações relacionadas (renovação, devolução, reserva, empréstimo entre bibliotecas), e as buscas nos catálogos não puderam ser realizados.

As devoluções, que se acumularam às centenas, eram recebidas, mas só puderam ser registradas quando o sistema voltou ao normal. Para que esses dias sem sistema não fossem contados para efeito de suspensão, consideramos que todas as devoluções foram feitas no dia 19, início da pane.

Já os empréstimos com data de vencimento/renovação de 16 a 26 de outubro, tiveram todos a data alterada para 1º de novembro. Assim, aquelas pessoas que têm aula apenas uma vez por semana ganharam mais um tempo para renovar ou devolver sem atraso.

O sistema voltou a funcionar normalmente na noite de terça-feira, 24, mas no dia seguinte ainda era possível sentir as consequências do problema, pois o trabalho acumulado e a demanda reprimida geraram excesso de conexões simultâneas ao sistema.

Segundo mensagem enviada pelo departamento técnico do SIBiUSP, o problema ocorreu devido a uma falha em um de seus equipamentos, não tendo sido identificada qualquer perda de dados.

Apesar das decisões tomadas para diminuir as chances de problemas decorrentes do mau funcionamento, não hesitem em nos explicar a situação, caso se sintam prejudicados.


Semana do Livro e da Biblioteca

23/10/2017

Na semana de 23 a 27 de outubro, as bibliotecas da USP estão comemorando a XX Semana do Livro e da Biblioteca. Nesse evento, já tradicional em nosso SIBiUSP, as bibliotecas programam uma série de atividades para a comunidade, com o propósito de chamar a atenção para seus serviços e ressaltar sua importância no ambiente acadêmico.

A programação deste ano dá uma boa ideia da diversidade dos serviços oferecidos pelas bibliotecas da USP, e da criatividade e dinamismo das equipes de bibliotecários e técnicos. Mesmo com a dramática redução de pessoal ocorrida nos últimos anos, as bibliotecas da USP continuam vivas e atuantes. O tema deste ano é Conhecimentos e Práticas no Contexto da Informação Científica.

Programação geral da XX Semana do Livro e da Biblioteca

Aqui na ECA o contexto da informação científica tem seus contornos específicos, diferentes das demais unidades da USP. Nossa semana não é apenas do livro, é da música, das artes e dos livros de artista. Vejam nossa programação:

O livro pensado através – palestra de Lúcia L. Mindlin

dia 24.10 – terça-feira – 15 horas – Sala Egon Schaden (prédio central)

A fotógrafa e artista Lucia. L. Mindlin vai apresentar suas experiências enquanto pesquisadora do livro de artista.

Lucia L. Mindlin trabalha com fotografia desde 1991. Buscando um novo suporte para as imagens, começou a investigar e experimentar a construção de uma série de livros objetos, que utilizam procedimentos tais como repetição de imagens, deslocamentos, sobreposições, cortes e furos, entre outros.

Participou do V Nucleo de Formação em Linguagem Fotográfica, do Centro Cultural Oswald de Andrade, em São Paulo,1991. Formou-se em Design Gráfico no Centro Universitário Belas Artes, São Paulo (2010). Mestra em poéticas visuais pela Escola de Comunicações e Artes (ECA) da Universidade de são Paulo, USP, sob orientação do professor Marco Buti (2014). Atualmente faz o doutorado sob a orientação do professor Claudio Mubarac, também na ECA/USP. Tem em seu currículo diversas exposições, individuais e coletivas, no Brasil e no exterior.

Inscrições gratuitas:

https://www.eventbrite.com.br/e/palestra-o-livro-pensado-atraves-tickets-38944964437

 

 

Visita guiada ao acervo de livros de artista da Biblioteca da ECA –  Alessandra Maldonado

23 de outubro – 15:00
25 de outubro –  10:30

Biblioteca da ECA – térreo do prédio central

Visita guiada com a bibliotecária Alessandra V. C. Maldonado para divulgar o Acervo de Publicações de Artista da Biblioteca da ECA composto por Livros de Artista, teses e dissertações do Programa de Pós-Graduação em Artes Visuais e TCCs do Departamento de Artes Plásticas.

Inscrições gratuitas:

https://www.eventbrite.com.br/e/visita-guiada-publicacoes-de-artista-da-biblioteca-da-eca-tickets-39017985846

 

A pesquisa em música e sua produção multifacetada – Carolina Andrade Oliveira

Palestra e apresentação musical (com Giulia Faria)
26 de outubro – 11 horas

Local: Sala Egon Schaden, prédio central da ECA

Carolina nos mostrará diferentes tipos de produção decorrentes da pesquisa em música e nos contará um pouco sobre seu trabalho de mestrado, que se propõe a investigar, identificar e analisar as práticas do regente-arranjador desde a concepção do arranjo até sua performance, passando pela escolha do repertório, procedimentos e técnicas de escrita, ensaios.  Junto com as também musicistas Anne Karoline Moreira e Juliana Vasques, Carolina mantém um canal no Youtube chamado “musicalidades”, que busca levar conteúdos relacionados à música para diversos tipos de interessados. Por fim, haverá uma apresentação musical do projeto “Volver a Latinoamérica”, em duo com a cantora Giulia Faria, realizando um repertório de canções latino-americanas, principalmente as das décadas de 60 e 70 que foram importante meio de expressão político-social na época das ditaduras.

Inscrições:

https://www.eventbrite.com.br/e/palestra-a-pesquisa-em-musica-e-sua-producao-multifacetada-depoimento-ao-final-de-um-mestrado-tickets-39050377731


Cada coisa em seu lugar? A organização dos livros nas estantes

16/10/2017

Precisa localizar algum livro nas estantes de uma biblioteca? Anotou o número de classificação (também conhecido como número de chamada ou de localização) antes de dirigir-se até as estantes e começar o processo de busca do livro em si?

Tarefa difícil para alguns, simples para outros – certamente aqueles que têm a prática de frequentar bibliotecas –, localizar um livro nas bibliotecas remete a um trabalho prévio de organização do acervo e compreender minimamente esta lógica de organização é adentrar em suas tramas com mais propriedade.

A Classificação Decimal de Dewey (CDD) é uma das classificações mais utilizadas ao redor do mundo e nós a utilizamos na Biblioteca da ECA. Sabe aquela sequência numérica que você vê na etiqueta colocada na lateral dos livros do nosso acervo? Ela é elaborada a partir da CDD,  uma classificação decimal em que cada número corresponde a um assunto. O que isso representa? A possibilidade de agrupar nas estantes os livros conforme as temáticas. Assim, livros de literatura brasileira, por exemplo, estarão reunidos fisicamente, aqueles de fotografia também, os sobre cinema brasileiro da mesma forma e etc.

Há 10 grandes classes de assuntos representados por números:

000       Ciência da computação, informação e obras gerais

100         Filosofia e psicologia

200         Religião

300         Ciências sociais

400         Linguagem e línguas

500         Ciências naturais

600         Tecnologia (ciências aplicadas)

700         Artes

800         Literatura e retórica

900         Geografia e história

Esses números gerais vão sendo desdobrados e, com isso, os assuntos vão sendo cada vez mais especificados. Se 700 é Artes, 791.43 é Cinema e 780.981 representa música brasileira, por exemplo. Quanto maior o número de classificação, maior a especificidade no momento de representar o assunto do livro na classificação.

Após essa sequência numérica é inserido um código formado pela primeira letra do sobrenome do autor (às vezes pode ser do título), número e primeira letra do título da obra.

foto: Leo Hidalgo (Flickr)

A Biblioteca da ECA classificou o livro Da relação com o saber, de Bernard Charlot assim:

370.1 C479d  : 370.1 corresponde ao assunto “Filosofia da educação; Teoria da educação e psicologia educacional” , C749 representa o sobrenome e o “d” é a primeira letra do título.

Os números de localização são como RGs das obras da biblioteca, cada obra tem um número de classificação único.

Com essas informações prévias deu para perceber que ir até as estantes à procura de um livro pode ser muito positivo e materiais interessantes podem ser localizados. Lembremos que a classificação é feita com base na CDD, este sistema que busca capturar e classificar  mundo, coisas, comportamentos. Essa categorização pode sofrer alterações ao longo dos anos, seja com a inclusão de novos assuntos, seja com a alteração de sua representação. Números podem deixar de existir e assuntos podem ser deslocados para outras classes. Se em dada época um comportamento é tido como doença, provável que esteja sob classificação que o represente dessa forma, mas, se isso é alterado conforme as transformações histórico-sociais, provável que a CDD irá acompanhar.

Classificações são sistemas feitos por nós seres humanos e é um ser humano que irá pegar dada obra em mãos e atribuir para ela um número de classificação. Logo, a interpretação, a relação do sujeito com aquela obra é determinante à atribuição da classificação. Um mesmo livro pode ser classificado em números diferentes no acervo de bibliotecas distintas. Isso não significa que alguma esteja errada. É uma questão de interpretação e também de enfoque.

No acervo da ECA o livro “Educomunicação o conceito, o profissional, a aplicação : contribuições para a reforma do ensino médio” é classificado em 301.16 Comunicação, conforme a 18 ed. da CDD,  isso significa que ali poderão ser encontrados outros livros sobre o assunto, mas não fiquemos confinados ao número. Pode haver outros livros sobre Educomunicação bem como relacionados a suas temáticas classificados em outras numerações. Por esse motivo, é importante fazer buscas por assunto nos catálogos, no nosso caso o Dédalus ou o Portal de Busca Integrada, para localizar todos os livros que tratam de um determinado assunto. A procura feita diretamente nas estantes não substitui a consulta aos catálogos.

Portanto, quando a ideia é explorar o acervo a partir dos números é importante lembrar que eles servem para abrir caminhos e possibilidades mas não podem ser encarados por nós como uma prisão que confine nossa prática de pesquisa!

 

 

 

 


Biografias no acervo

09/10/2017

Escrever sobre uma vida humana, apoiado em documentos, depoimentos, cartas, entrevistas; estabelecer relações entre o passado dessa vida e o passado em geral. A biografia se ocupa de contar a história de vida de pessoas às vezes comuns, mas quase sempre famosas.

Gênero literário e cinematográfico, narrativas escritas e audiovisuais, as biografias estão dispersas pelas estantes e corredores da Biblioteca da ECA. Há livros e filmes dramatizando relatos de vidas de músicos, cineastas, atrizes, dramaturgos, políticos etc.; perfis de professores, guias do tipo quem é quem etc. Revistas de nossa coleção especial, como Realidade e O Cruzeiro, e também Manchete e Senhor, que durante muito tempo trouxeram em suas páginas perfis biográficos.

A biografia é um gênero interdisciplinar, que se apoia em ferramentas da história, da literatura e jornalismo. Não à toa, algumas das teses que surgiram aqui na ECA sobre o assunto partem de pesquisadores ligados ao jornalismo.

Para quem está interessado em explorar essa parte de nosso acervo, o mais fácil é começar pelo acervo audiovisual, pois ‘biografia’ é um termo usado na nossa catalogação para agrupar os filmes por ‘Gênero/Forma’. Buscando assim, recupera-se quase duas centenas de filmes e vídeos.

Em relação ao acervo textual a busca é um pouco mais árdua. É possível buscar ‘biografias’ no campo Assunto; isso recupera os textos biográficos e trabalhos sobre biografias. Mas algumas biografias podem ficar de fora dos resultados, por isso, para ter certeza se tem ou não, vale a pena buscar também pelo nome da pessoa.

Para a busca por perfis biográficos, além das revistas citadas acima, e enciclopédias e dicionários especializados, não esqueça de pesquisar nas bases de dados e enciclopédias online, Enciclopédia Itaú Cultural, para perfis de artistas; o Grove, para perfis de músicos etc.

Alguns exemplos do que você vai encontrar no acervo:

Chatô, de Fernando Morais. Biografia do magnata das comunicações no Brasil, Assis Chateaubriand. Um dos maiores sucessos do gênero no mercado editorial brasileiro.

Sobre a atriz Cacilda Becker temos duas biografias escritas, uma delas pela professora Renata Pallottini; uma gravação em vídeo de uma peça sobre sua vida, e mais outras coisas.

Ainda de gente do teatro, temos biografias de Oduvaldo Vianna Filho, Nelson Rodrigues, Procópio Ferreira e muito mais.

Sobre o gênero:

Arfuch, Leonor. O espaço biográfico: dilemas da subjetividade contemporânea.

BOURDIEU, Pierre. A ilusão biográfica. Em: Usos e abusos da história oral.

Denzin, Norman K. Interpretative biography. A biografia enquanto forma literária.

Foucault, Michel. A escrita de si. Em: O que é um autor.

Ribeiro, Teresa. Biografia: o jornalismo literário de Fernando Morais.

Vilas Boas, Sergio. Páginas da vida: a arte biográfica e perfis. A dissertação foca três grandes sucessos editoriais brasileiros, Chatô: o rei do Brasil, de Fernando Morais; Estrela solitária: um brasileiro chamado Garrincha, de Ruy Castro; e Mauá: empresário do Império, de Jorge Caldeira.

 


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