50 anos do Pasquim

24/06/2019

Faz 50 anos que um dos mais emblemáticos jornais da imprensa brasileira apareceu nas bancas, e enquanto não chega a digitalização de toda a coleção prometida para ainda este ano pela Biblioteca Nacional, nossa coleção impressa está disponível para consulta de segunda a sexta, das 8h às 21h30.

Selecionamos algumas capas de exemplares do nosso acervo e linkamos textos publicados por esses dias lembrando a data.

Livre como um táxi, por Sérgio Augusto

Lançado há 50 anos, Pasquim provocou ditadura e costumes, Alvaro Costa e Silva

‘Vem aí um jornal’, disse Francis, por Ruy Castro

Pasquim, 50 anos do jornalismo que peitou a ditadura

O Pasquim começava a provocar ditadura há 50 anos

O Pasquim: jornal combateu a ditadura com humor, por Ana Teresa Guida

 

 

 

 

 

 

 

 


Acesso aberto: novas regras para pesquisas financiadas pela FAPESP

17/06/2019

Recebo auxílio da FAPESP e pretendo publicar um artigo vinculado à minha pesquisa. Há algo que eu precise saber?

Em 2019, a FAPESP publicou a Portaria CTA nº 01/2019, instituindo uma “política para acesso aberto às publicações resultantes de auxílios e bolsas FAPESP”. O texto da portaria diz que qualquer artigo ou comunicação resultante de financiamento parcial ou total deve ser depositado em repositório institucional, respeitando as políticas de acesso da publicação original. Portanto, autores de artigos que resultem de projetos financiados pela FAPESP devem divulgá-los em periódicos que permitam o arquivamento de uma cópia do trabalho em um repositório público.

Oh céus!!! Então eu só posso publicar meu trabalho em revistas de acesso aberto?

Não é isso. Você precisa disponibilizar seu trabalho no repositório da USP e pode, sim, publicar em revistas que não sejam de acesso aberto. Vamos entender melhor: no caso de pesquisadores vinculados à USP, o trabalho deve ser disponibilizado em nosso repositório institucional. Portanto, além de disponível na revista, seu trabalho estará no repositório da USP, o que na prática confere maior visibilidade a sua pesquisa, além de garantir que pesquisas financiadas com recursos públicos possam ser acessadas gratuitamente.

Então eu publico onde eu quiser?

Não é bem assim. Será preciso verificar a política da revista para a qual você pretende enviar o seu trabalho, pois as publicações têm políticas diversas, algumas permitem disponibilização em repositório após certo período, outras permitem disponibilizar o artigo sem a editoração da revista, etc. Para entender melhor, veja algumas das possibilidades:

  • O autor detém os direitos autorais e tem permissão para colocar cópias do artigo (pré-print ou post-print, conceitos que explicaremos logo mais) em um repositório ou em seu próprio site. Certas editoras exigem um período de embargo antes que o artigo fique em acesso aberto.
  • O artigo é publicado em uma revista de acesso aberto que pode ser acessada gratuitamente e o autor paga uma taxa de publicação. É permitido que cópias do artigo sejam arquivadas em outro lugar.
  • O autor publica em uma revista de acesso aberto sem que lhe sejam cobradas taxas. São tipicamente aquelas revistas dirigidas por associações ou sociedades profissionais e organizações sem fins lucrativos, universidades ou agências governamentais. Seu modelo econômico depende de contribuições e doações de membros.
  • Há aquelas revistas parcialmente financiadas por assinaturas, que fornecem acesso aberto apenas a alguns artigos para os quais os autores (ou o patrocinador da pesquisa) pagaram uma taxa de publicação, para que o trabalho fique disponível em acesso aberto.

Agora pense numa parte do fluxo que seu artigo segue desde a submissão à revista:

  • Você envia sua versão (o que é chamado de pré-print no linguajar técnico),
  • Os revisores leem e fazem recomendações de ajustes as quais você realiza e, assim, envia a nova versão com as alterações (essa versão é chamada pós-print, correspondendo ao conteúdo final, pronto para ser publicado),
  • O corpo editorial da revista elabora um documento final que segue o layout da revista (é o pdf, a versão do editor).

Você deve observar o que a revista permite que você disponibilize no repositório: o pós-print ou a versão do editor. Conforme a portaria da FAPESP, qualquer um dos dois é possível,  já o pré-print não é permitido, pois não corresponde, necessariamente, à versão final da obra.

Oh vida!!! E onde eu descubro tudo isso?

Tais informações podem ser obtidas na própria página da revista em que pretende publicar. Além disso, há ferramentas nas quais é possível pesquisar pelo título da publicação e verificar as condições que estabelece:

SHERPA/RoMEO – sinaliza com cores as políticas das diferentes revistas:

  • Azul: pode arquivar o pós-print ou a versão do editor
  • Amarelo: pode arquivar o pré-print
  • Branco: arquivamento não é permitido formalmente

Diadorim: elaborado pelo IBICT, é um diretório de políticas editoriais de revistas científicas brasileiras.

São os editores que cadastram as revistas nessas plataformas, portanto, se você procurar algo nelas e não localizar é porque não está cadastrada. Nesse caso, acesse a página da revista para buscar as informações.

Ufa, achei!! Já sei qual a política da revista, enviei meu trabalho e foi aceito. O que preciso fazer agora?

Parabéns pelo aceite para seu trabalho. Agora você irá enviar o seu trabalho para a Biblioteca da ECA, conforme solicitado no seguinte link: http://www3.eca.usp.br/biblioteca/producao-intelectual-formulario

Oh azar!!! Li tudo isso, até acredito que compreendi, mas, não me sinto segurx…

Fique tranquilx, esses processos novos causam estranhamento para  todos nós. Venha até a biblioteca e peça auxílio a um d@s bibliotecári@s . Estamos aqui para colaborar nessa tarefa.

 

Mais informações:

Como cumprir a política de acesso aberto da Fapesp

 

Palestra “Política para Acesso Aberto às Publicações Resultantes de Auxílios e Bolsas FAPESP” –  Prof. Dr. Carlos Henrique Brito Jr., Diretor Científico da FAPESP

 


Novidades no mundo da catalogação

10/06/2019

RDA, sigla de Recursos, Descrição e Acesso (Resources Description Acess) é um conjunto de princípios e diretrizes para organização de informações e descrição de documentos de bibliotecas. Tem sido chamado popularmente, pelos profissionais da área, a “nova regra” de catalogação, que deverá, eventualmente, substituir as regras , do Anglo American Cataloging Rules (AACR2), atualmente o padrão mais utilizado nas bibliotecas brasileiras. Lançado em 2010, o RDA surgiu da necessidade de adequar a catalogação ao universo digital e aos diversos tipos de recursos de informação que surgem a cada dia.

Alessandra Vieira Canholi Maldonado, bibliotecária da nossa equipe, participou do I Encontro de RDA no Brasil, realizado de 16 a 18 de abril de 2019, em Florianópolis, durante o qual profissionais e docentes da área apresentaram palestras e relatos que delinearam o panorama geral dos estudos de RDA no Brasil.

Em seu relatório de participação no evento, Alessandra conclui que

o RDA ainda não foi consolidado como novo padrão mundial para catalogação. Os países da América Latina têm encontrado dificuldades com o modelo de negócios para fazer a tradução e comercializar o RDA, apresentado pela ALA (American Library Association, detentora dos direitos autorais), que envolve altos custos financeiros. No Brasil, existem muitos estudos sobre a aplicação, mas na prática, apenas 3 instituições o adotam oficialmente (Library of Congress Office, PUCRS e Universidade de Caxias do Sul). Porém, este cenário está mudando, já que foram apresentados neste evento trabalhos que indicam sua aplicação em outras instituições, como a Universidade Federal de Juiz de Fora, com a implementação do controle de autoridade em RDA, fundamental para a implantação do RDA para registro de dados bibliográficos. O Senac negociou com a ALA os direitos de tradução no Brasil, mas ainda teremos um longo percurso para conseguir consolidá-lo como padrão de catalogação. Uma das preocupações dos participantes do evento foi a ausência da Biblioteca Nacional, que não pode enviar participantes para o evento. Nos países em que o RDA já foi implantado a Biblioteca Nacional liderou os grupos de trabalho, como se é esperado no que concerne a atuação de uma Biblioteca Nacional no país.

Nosso professor Fernando Modesto apresentou no encontro a palestra RDA no Brasil: inovação ou mesmice para a catalogação brasileira?, destacando a necessidade de traduzir para o português o RDA, para que as bibliotecas brasileiras possam efetivamente começar a utilizar a ferramenta.

Alessandra ressaltou o prazer em conhecer pessoalmente a professora Antônia Memória, uma das referências mais importantes da catalogação no Brasil, que fez a palestra de abertura do evento e divulgou seu livro RDA versus AACR2. Alessandra e o prof. Fernando adquiriram para a Biblioteca da ECA  um exemplar do livro, já disponível para consulta e empréstimo.

Antônia Memória

Para participar do evento, Alessandra teve apoio do Programa Permanente de Qualidade e Produtividade da ECA – ProQual. Vejam no link abaixo a íntegra de seu relatório de participação.

Relatório de Participação Encontro de RDA

 


Bundas no acervo

03/06/2019

Parida e morrida durante o segundo mandato do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, a revista Bundas foi lançada em junho de 1999 por remanescentes do Pasquim, mantendo algumas características daquela publicação, como a linguagem coloquial, irreverência, muitos charges e caricaturas etc.

Chegou vendendo bem, mas o nome estampado na capa manteve anunciantes e publicitários distantes. Os anúncios que não vieram provocaram a morte prematura da revista em menos de 2 anos.

Bundas se recusou a ser porta-voz do governo do momento e não deixou FHC e seu governo em paz. Enquanto a grande imprensa se esforçava na missão de mostrar seu governo de forma positiva, Bundas ironizava, criticava.

O alvo

Se não pode ser acusada de ser porta-voz do governo, a voz que aparecia em suas páginas era masculina, branca, de meia-idade: Millôr Fernandes, Ziraldo, Jaguar, Luís Fernando Veríssimo, Claudio Paiva, Adão Iturrusgarai entre outros nomes expressivos da imprensa periódica brasileira.

O nome da revista nasceu numa referência direta a uma outra revista que circulava e fazia sucesso no momento, como mostram os trechos abaixo do editorial do primeiro número:

Nada contra ‘Caras’ portanto. Pelo contrário, nos vemos como um complemento de ‘Caras’ na tarefa de oferecer um retrato mais arredondado da multifacetada realidade brasileira. Vamos dar o outro lado. […] Como ‘Caras’, ‘Bundas’ mostrará o brasileiros em situações ridículas, dizendo coisas desconexas, em cores.

Por que ‘Bundas’? Porque como disse o poeta. Porque há momentos. Porque se todos os. Porque é preciso que. Porque numa escala de. E um dia ainda. É preciso dizer mais? É. Por isso ‘Bundas’.

O título

A coleção completa da revista está em nosso acervo, oferecendo muitas charges, caricaturas, uma visão menos chapa-branca do segundo mandato de FHC, editoriais do Veríssimo, humor. Um retrato crítico e bem humorado do período em que circulou.

Os assuntos


Leitura e escrita acadêmica

27/05/2019

Ingressar num curso de graduação é deparar-se com novas demandas face às relações com o saber. Ler e escrever não é apenas decodificar signos, mas, sim um ato de diálogo com as obras, com o pensamento de outros autores.

Ler, interpretar e fichar um texto, identificando claramente seus objetivos e hipóteses, assim como elaborar sínteses, são ações que adquirem novos contornos na universidade, demandando que os estudantes desenvolvam outras atitudes em relação ao conhecimento. Tais atitudes certamente não brotam do vazio, implicam formação e, também, o trabalho de cada sujeito.

Numa tentativa de contribuir, suprindo carências nessa direção, a USP lançou – no Canal USP – uma série de aulas sob o título Práticas de leitura e escrita acadêmicas que, conforme expõem:

“pretende desenvolver nos estudantes, principalmente nos de Ciências Humanas, as competências e habilidades relacionadas às necessidades da leitura e da escrita tal como devem ser praticadas na vida acadêmica. Os professores vêm das áreas de História, Ciência Política, Letras e Filosofia.”

Fazemos neste post um convite para que o conteúdo seja explorado e as técnicas sugeridas, experimentadas.


IIIF, o que é isso mesmo?

20/05/2019

Durante o Congresso Internacional em Tecnologia e Organização da Informação (TOI) de 2019 vai acontecer um evento paralelo muito interessante para quem trabalha com acervos de imagens: o seminário Introdução ao IIIF: Padrões e Ferramentas para a Interoperabilidade de Imagens.

IIIF,  sigla de International Image Interoperability Framework, é um conjunto de padrões e ferramentas criado para facilitar a publicação e a interoperabilidade de imagens na internet, desenvolvido por um consórcio internacional de instituições que inclui a British Library e as universidades de Stanford e Oxford, que deram início ao projeto.

Um “brinquedinho” muito útil para quem está construindo bases de dados de imagens, porque permite:

subir e visualizar online imagens em alta resolução de forma muito rápida

a partir de uma única imagem, o usuário poderá editar, fazer zoom e recortar da forma que quiser, na própria interface de visualização, sem precisar baixar a imagem

inserir uma camada de anotações nas imagens, que podem ser exibidas ou não de acordo com a necessidade do usuário

comparar imagens de bases de dados diferentes na mesma interface, sem fazer download, como se pode ver no demo do Projeto Mirador

A Biblioteca da ECA vem trabalhando com essa ferramenta em seu projeto da Biblioteca Digital da Produção Artística da ECA, ainda em fase experimental.

A ideia de um encontro sobre o assunto surgiu em agosto do ano passado, a partir de uma sugestão de Glen Robson, coordenador técnico do IIIF, numa troca de mensagens com os profissionais que já estudavam a ferramenta no Brasil na época: Leonardo Germani, da Universidade Federal de Goiás; Bruno Buccalon, do Instituto Moreira Salles e Sarah Lorenzon Ferreira, bibliotecária da nossa equipe e membro do comitê de ética da comunidade IIIF. A proposta tomou corpo na forma de seminário âmbito do TOI.

Serão apresentadas as seguintes experiências de uso do IIIF no Brasil:

Biblioteca Digital da Produção Artística da ECA/USP: aplicação do IIIF, por Sarah Lorenzon Ferreira

Anotando fotografias urbanas com IIIF e Wikidata, por Bruno Buccalon (Instituto Moreira Salles)

Uso do IIIF no acervo de pinturas do Museu Histórico Nacional, por Leonardo Germani (Universidade Federal de Goiás)

Josh Hadro, diretor administrativo do IIIF, fará uma apresentação por videoconferência. O debate terá a moderação da Profa. Dra. Vânia Lima, do Departamento de Informação e Cultura da ECA.

Inscrições: http://2019.toiomtid.com.br/iiif/

Para saber mais sobre o IIIF:

Léo Germani. Conhecendo o IIIF: padrões e ferramentas para publicação de imagens na Web.

Saran Lorenzon Ferreira, Marina Macambyra, Vânia Lima. Imagens interoperáveis: uso do VRA Core e da estrutura IIIF na construção de bibliotecas digitais.

IIIF no Youtube

 

 

 

 


No princípio era a balbúrdia

13/05/2019

A balbúrdia, essa famigerada, apareceu entre nós em 1713, segundo o Houaiss, e virou assunto nacional recentemente por conta do debate político envolvendo cortes de verbas das universidades e institutos federais.

Mas a balbúrdia pode ser também objeto de estudo, assunto para uma pesquisa acadêmica. E se você estiver interessado em pesquisar o assunto, ou mais precisamente essa balbúrdia usada como álibi para o corte de verbas, é preciso primeiro entender o que se quis dizer com essa palavra, e depois traduzi-la para o nosso vocabulário de indexação. Algumas possibilidades de tradução abaixo.

Se quando nossos dignitários falaram em balbúrdia estavam se referindo a um estado de desordem que pede uma intervenção divina, nesse caso há um conceito presente em nosso vocabulário de indexação que serve muito bem, caos. O conceito vem de áreas como filosofia e mitologia. Em nosso acervo aparece de forma episódica ou aplicado às nossas áreas de estudo.

 

Pode ser também que a balbúrdia nesse caso sejam os conflitos sociais surgidos em decorrência das contradições e desigualdades sociais, das lutas por mobilidade social e mudanças. Nesse caso, busque pelas expressões em negrito neste parágrafo. Algumas indicações:

Contestado

Canudos

Seca

 

 

 

 

 

 

Clique na imagem para ampliar.

Mas se a balbúrdia que incomoda for o pensamento crítico, ou simplesmente um jeito de ver as coisas que não é o do incomodado, nesse caso a palavra adequada para traduzir a balbúrdia em nosso sistema talvez seja ‘ideologia’.

A universidade é o espaço onde a balbúrdia pode ser estudada e problematizada. Mãos à obra!


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