Alertas

25/09/2017

Hoje você fez uma busca no Portal CAPES, na Scopus ou mesmo na Busca Integrada da USP, por exemplo, e encontrou vários livros e artigos relacionados ao tema da sua pesquisa. Ótimo, mas saiba que amanhã ou depois, se você refizer a busca, talvez encontre mais resultados. Ou talvez não se lembre mais da estratégia de busca que usou da primeira vez, e o resultado não seja mais tão satisfatório.

A boa notícia é que a maioria das bases de dados oferecem serviços de alerta. É bastante simples: depois de fazer sua busca e refinar os resultados, salve um alerta. Sempre que entrar na base de dados um documento qualquer (artigo, livro etc) que corresponda exatamente à busca que foi feita, você recebe um e-mail avisando.

foto de Partha Chowdhury (Flickr)

Configurando um alerta no Portal CAPES

Estou fazendo um trabalho sobre censura nas artes visuais. Depois de algumas tentativas, descubro que a busca que me traz resultados mais pertinentes é esta:

Busquei pelos termos em inglês, coloquei “visual arts” entre aspas para recuperar a expressão inteira, usei o operador AND entre os conceitos, restringi a artigos publicados nos últimos 5 anos. O resultado dessa estratégia de busca (ou seja, dessa escolha de termos, operadores booleanos e filtros)  correspondeu à minhas expectativas.

Rolando um pouco a tela, encontrei este menu:

Cliquei em Salvar busca e cheguei nesta tela, onde cliquei em “salvar e alertar”, inseri  o nome escolhido para o alerta e meu e-mail.

Pronto, agora o Portal CAPES vai me enviar alertas semanais, sempre que entrar um artigo que esteja de acordo com a estratégia de busca que salvei.

Outras bases

O processo é semelhante em quase todas as bases de dados que têm esse serviço. Fazer a busca com uma estratégia adequada, salvar e definir o alerta.

Na base Scopus, o menu para salvar alertas está bem no alto da página, à esquerda.

Depois de clicar em Set alert, a base já traz uma tela preenchida, com o nome do alerta, e-mail do usuário previamente cadastrado e periodicidade. As informações pode ser editadas antes de salvar o alerta.

Importante: para salvar alertas em qualquer base de dados, é preciso estar logado.

 

 

 

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SciVal: números e mapas da ciência

18/09/2017

SciVal oferece um conjunto de ferramentas de análise da pesquisa científica, úteis para definições da política institucional. Por meio de indicadores bibliométricos, mapas e gráficos, pode-se comparar instituições, grupos, áreas de pesquisa, publicações etc.

A fonte de dados em que se baseia o SciVal é a base de dados Scopus, da qual falamos semana passada aqui no blog.

O SciVal possui quatro módulos principais: Overview, Benchmarking, Collaboration e Trends.

Em Overview é possível ter uma visão panorâmica da sua instituição, área de pesquisa sob aspectos como número de publicações, citações, colaboração internacional etc.

É possível, por exemplo, saber quanto da produção da USP apareceu nas mais citadas publicações.

Nesse mesmo módulo, há lista de artigos mais citados, colaboradores mais frequentes, autores mais prolíficos ou mais citados de determinada área etc.

O módulo Benchmarking permite avaliar a performance de uma área, instituição etc. comparada com outras equivalentes.

Por exemplo, abaixo, um gráfico mostrando o número de publicações ano a ano para a área de biblioteconomia e ciência da informação, no mundo, no Brasil e na USP.

Esse outro gráfico mostra o fator de impacto das três universidades estaduais paulistas em comparação com a média nacional.

O módulo Trends serve para avaliar vários aspectos das áreas acadêmicas. No gráfico abaixo há uma análise da área de turismo em palavras-chaves, é possível ter uma ideia de que assuntos estão em alta ou atraindo menos interesse.

Muitas outras análises são possíveis, e mesmo que você não faça parte do grupo que decide as políticas e rumos de um departamento, programa, escola, pode tirar proveito.


Scopus

11/09/2017

Uma das maiores bases de dados multidisciplinares, com resumos, referências e boa parte dos documentos com link para o texto completo, a Scopus possui conteúdo que interessa a turismo, comunicação, ciência da informação, relações públicas, artes etc.

É preciso destacar que a cobertura das nossas áreas, comparadas com áreas como genética, neurociência, tende normalmente a ser baixa não só neste, mas em outros serviços comerciais do tipo. Isso se deve, não só ao interesse comercial maior por estas áreas, mas também aos padrões de citação e publicação de nossas áreas, para as quais a publicação de livros e capítulos de livros é importante, as listas de referências são geralmente menos extensas, os artigos de autoria colaborativa são também menos frequentes.

A base oferece pesquisa simples e avançada, com interfaces amigáveis, envio de listas de documentos para seu gerenciador de referências. Cadastrando-se, é possível salvar buscas e listas de documentos para acesso futuro, criar alertas.

Também é interessante analisar o resultado de uma busca com os recursos oferecidos e procurar tendências de uma área ou assunto; por exemplo, numa busca por “tourism AND sustainability” nas palavras-chaves foram recuperados 1451 resultados. A análise dos resultados nos mostra em que ano foram publicados mais artigos, quais autores, revistas, instituições e países mais se interessaram pelo assunto.

Revista que mais publicaram tourism AND sustainability. Clique na imagem para ampliar.

Fazendo uma busca pelo nome da ECA no campo “affiliation name”, assim:

(escola de comunicações e artes) or (ECA USP)

descobrimos que a Scopus indexou 105 artigos de autores ligados à nossa Escola, e que a quantidade tem aumentado nos últimos anos, como mostra o gráfico.


Teste Bechdel-Wallace: representatividade feminina no cinema

28/08/2017

Que tal assistir a um filme que tenha no mínimo 2 personagens mulheres, devidamente nomeadas, conversando entre si sobre um assunto que não seja “homens”.

Aparentemente simples? Ou complexo?

Bem, para a cartunista americana  Alice Bechdel não parecia algo que se encontra facilmente nos filmes. Em 1985, ela fez uma tirinha para sua série Dykes to watch out for na qual aqueles que viriam a tornar-se os critérios do Bechdel-Wallace teste apareceram pela primeira vez.

Alice explica que a tirinha foi feita inspirada em conversa com sua amiga Liz Wallace, que lhe deu a ideia.

Nos anos 2000, os 3 critérios apresentados pela personagem tornaram-se constitutivos daquele que ficou conhecido como Teste Bechdel-Wallace, que confere aos filmes um selo de aprovação. A ideia é de Ellen Tejle, sueca diretora de uma sala de cinema que, em 2013, passou a usar um selo para marcar os filmes em cartaz que passaram no teste. Além de colar adesivos nos pôsteres, Ellen inseriu uma vinheta nos traillers e divulgou material na internet para disseminar a ideia.

Atualmente o selo do “A-list movement” – referência aos filmes aprovados –  está presente em 10 países: Brasil, China, Itália, França, Reino Unido, Canadá, Austrália, Alemanha, Romênia, Albania, Turquia, Islândia e em 30 cinemas na Suécia.

No site Bechdel test movie list é possível que os usuários adicionem títulos de filmes, informando se o mesmo passa ou não no teste. Outros usuários, podem contra argumentar.

O teste Bechdel-Wallace  levanta discussões. Há aqueles que o critiquem por ser demais simplista acenando para a importância de que outros parâmetros sejam adotados. Entretanto, a iniciativa choca ao fazer com que constatemos que em muitos filmes realmente não há uma única cena com duas personagens mulheres, com nome, conversando entre si sobre algo além de homens.

O teste sem dúvidas traz à tona a importância de se pensar a representatividade feminina no cinema. Se os filmes comunicam é importante refletirmos sobre quais mensagens estão sendo transmitidas à nossa sociedade. Quais são as questões inerentes a vida das mulheres e quais lugares estas ocupam na sociedade que é  representada na tela dos cinemas que espelham, em certo grau, a vida real.

E os filmes que compõem o acervo da Biblioteca da ECA? Será que passam no teste? Quem quiser se aventurar adicione um comentário na seção Comentários deste post. 😉

Para saber mais: http://www.a-listfilm.com/


Quadrinhos na Biblioteca

21/08/2017

Muita gente não sabe, mas a Biblioteca da ECA tem um bonito e raro acervo de revistas de quadrinhos.

A coleção fazia parte do Museu de Imprensa “Julio de Mesquita”, do Departamento de Jornalismo e Editoração da ECA/USP e foi transferida para a Biblioteca no início da década de 1983, três anos após o Museu ser desativado. Criamos na Biblioteca um setor específico dedicado à catalogação do material e atendimento ao público. A coleção foi aberta à consulta em 1988 mas, infelizmente, a saída de vários profissionais e mudanças na administração da Biblioteca levaram ao fechamento do serviço e a um período de “exílio” do acervo.

Agora a coleção de 1134 títulos de revistas já catalogadas, e mais outros tantos à espera de tratamento, está definitivamente sob nossa guarda. Como se trata de um acervo com muitas obras raras e antigas, seu uso requer cuidados. As revistas não podem ser emprestadas e estão armazenadas fora do contato direto com o público, mas podem ser consultadas por qualquer interessado, em nosso espaço para consulta de coleções especiais. Para evitar danos ao material não é permitido xerocar, mas fotografar está liberado, desde que o manuseio seja cuidadoso.

 

As revistas de HQ ainda não estão cadastradas no Dédalus (Banco de Dados Bibliográficos da USP). Por enquanto, a forma de busca é por uma base de dados disponível apenas em rede local. Para facilitar, fizemos uma lista dos títulos já catalogados.

Acervo de HQ

O plano, para quando tivermos os recursos necessários,  é registrar no Dédalus todas as revistas, higienizar a coleção, restaurar os itens que estiverem danificados e investir na divulgação do acervo.

Durante as 4as Jornadas Internacionais de Histórias em Quadrinhos preparamos uma pequena exposição do acervo na Biblioteca. Venham ver!

 

 


Filmes acessíveis

14/08/2017

Capacitismo é um termo usado para falar das discriminações a que as pessoas com deficiência estão expostas, por causa de sua condição. É também a crença de que as pessoas com deficiência não podem ser plenamente independentes, subestimando suas capacidades.

A audiodescrição e as legendas ocultas (closed caption) buscam a inclusão das pessoas com deficiência visual e auditiva no universo das obras audiovisuais de maneira independente, tornando possível a essas pessoas aproveitar de maneira mais completa filmes e séries.

Nos caso dos filmes, a audiodescrição funciona como uma banda a mais de áudio acrescentada nos espaços de silêncio do som original; são informações relevantes para o entendimento da obra, mas que estão sendo ‘ditas’ pela imagem, ambientação, expressões faciais dos personagens, leitura de créditos etc.

Veja um exemplo:

O uso da audiodescrição, é claro, não se restringe a filmes ou obras audiovisuais, também pode ser aplicado a eventos, exposições, espetáculos teatrais… No caso dos DVDs os recursos são acionados em configurações, no menu inicial.

Outro recurso disponível e mais difundido, é o closed caption, trata-se de uma legenda oculta, para pessoas com deficiência auditiva.

Ainda são experiências tímidas, principalmente a audiodescrição, que precisam ser ampliadas por meio de leis, mas aqui na Biblioteca da ECA temos alguns títulos que possuem os recursos.

Deem uma olhada na lista.

Para mais informações:

http://audiodescricao.com.br/ad/

Capacitismo: o que é, onde vive, como se reproduz?


Realidade : “uma revista para homens e mulheres inteligentes”

07/08/2017

Lançada pela editora Abril em 1966, a revista Realidade – publicação mensal –  foi apresentada como “a revista dos homens e das mulheres inteligentes que desejam saber mais a respeito de tudo”.

Com a intenção de informar, divertir, estimular e servir seus leitores, surge com proposta editorial diferenciada: fazendo uso do chamado jornalismo literário, trazia textos mais longos esmiuçando os assuntos abordados e envolvendo o leitor em suas narrativas. Aliado a isto, tratava de temas polêmicos e de grande repercussão, elementos que conferem à Realidade caráter inovador em termos de linguagem e abordagem temática.

Sexualidade, ciência, religião, política, questões sociais em geral foram tratadas pela publicação que surgiu em meio a ditadura militar.

 

 

Nesta edição de janeiro de 1967, o foco é a mulher. Pesquisas, entrevistas e a  colaboração de mulheres marcam esta edição que em suas páginas dá destaque a frases como “sexo não tem nada com indecência”, “tenho como regra não deixar o mundo mandar em mim” e que gerou polêmica entre outros fatores, por ter registrado as cenas de um parto.

 

A instauração do AI-5 acarretou mudanças para  a publicação que, tendo surgido e se firmado amparada em um jornalismo contestador da ordem conservadora vigente, teve que se adequar aos ditames da censura.  Com isso, sua proposta inicial que lhe conferiu sucesso foi sendo descaracterizada ao longo dos anos até que,  em 1976, foi substituída pela revista Veja, nova aposta da Abril na área de revistas de informações gerais.

A Realidade faz parte da coleção especial de revistas do acervo da Biblioteca da ECA. Para consultar  os  fascículos disponíveis em nosso acervo veja aqui mais orientações.

http://www3.eca.usp.br/biblioteca/servicos/colecaoespecial


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