Como fazer um fichamento

30/09/2019

Já indicamos no blog aqui e aqui como usar o Mendeley para organizar seus fichamentos, mas há uma pergunta que ficou pairando, por ser anterior: como fazer um fichamento?

Como há pessoas que entendem realmente do riscado, vamos indicar algumas fontes.

No Canal USP há uma série de aulas sobre metodologia de pesquisa e três dessas aulas versam sobre fichamento de uma forma bem detalhada, vale muito a pena:

https://www.youtube.com/watch?v=R4Sag80pQ5Y&list=PLAudUnJeNg4vWJhEJ_da26C-QW5qiS7uZ&index=22

Nas nossas estantes, na classificação 001.43 há diversos livros sobre metodologia de pesquisa e frequentemente eles trazem capítulos sobre fichamento, leitura, métodos de estudo. Às vezes mesmo obras antigas trazem ótimas considerações sobre o assunto, ou como disse Umberto Eco em Como se faz uma tese “quando queremos fazer uma pesquisa, não podemos desprezar nenhuma fonte, e isso por princípio.”

Em A arte de pesquisar, Mirian Goldenberg sugere um roteiro de leitura em forma de perguntas:

  1. Qual o objetivo da autora?

  2. Com que outros autores está dialogando ou discutindo (explícita ou implicitamente)?

  3. Quais as categorias utilizadas? (como são definidas?)

  4. Quais as suas hipóteses de trabalho?

  5. Qual a metodologia utilizada em sua pesquisa?

  6. Qual a importância de seu estudo no campo em que está inserido? (o que a autora diz? o que eu acho?)

  7. A autora sugere novos estudos?

  8. Resumo do livro

  9. Minha avaliação crítica do texto

 

Umberto Eco. Como se faz uma tese

Antônio Joaquim Severino. Metodologia do trabalho científico

Délcio Vieira Salomon. A maravilhosa incerteza

 

Abaixo um resumo de algumas fontes consultadas.

A qualidade do fichamento está diretamente ligada à qualidade da leitura feita e às referências que você traz previamente, ou seja, ao seu repertório.

Já o tipo do fichamento vai ser influenciado por outras coisas, como: objetivo da leitura, tipo de texto que se está lendo, posse ou não do livro etc. Por exemplo, se você está lendo um manual, uma peça de teatro ou um ensaio, textos que são estruturalmente diferentes, demandam leituras diferentes. Ou, o livro é seu? Se sim, talvez valha a pena anotar na margem do texto apenas. Ou, ao contrário, é um livro de difícil acesso? Nesse caso talvez seja melhor ser menos econômico nas anotações.

Diferencie seus comentários e opiniões de citações e transcrições, estas devem sempre vir entre aspas e com indicação de página. Não corra o risco de esquecer se um texto é seu ou não e ser acusado de não citar suas fontes. A transcrição tem de ser textual preservando inclusive erros de grafia que porventura existam no original, nesse caso, siga o que diz a norma de citação adotada na sua faculdade, isso vai facilitar depois o trabalho de redação.

O que deve constar dos fichamentos?

Referências, citações, opiniões, resumos, ideias surgidas durante a leitura, novas leituras indicadas. Use cores para destacar.

Por que fazer fichamentos?

  • porque anotar ajuda a lembrar, a tornar claro
  • porque escrever sobre o que está lendo, assim como recontar, contribui para a reapropriação do texto
  • porque o material consultado nem sempre é seu e quando você precisar dele novamente pode estar indisponível
  • para identificar e documentar corretamente suas fontes, sua pesquisa pode depender diretamente dessa documentação
  • para que no momento da redação do trabalho suas citações e referências não se transformem em dor de cabeça e agonia
  • porque se a sua prática de leitura tem um peso na qualidade de suas anotações, também a prática de anotar, questionar, resumir etc. melhora a sua prática de leitura

 


Organizando seus fichamentos com o Mendeley: parte 2

09/09/2019

A preocupação com a documentação de suas fontes deve vir desde o começo de sua graduação e acompanhá-lo de forma contínua, no entanto é preciso pensar também na recuperação desse material, afinal, não adianta juntar um monte de referências e anotações de leitura se você depois não consegue encontrar isso quando precisa. É preciso criar a sua biblioteca de referências e saber encontrar, recuperar isso.

Dois posts atrás nós sugerimos um esquema de organização de seus fichamentos usando o Mendeley para quem está desenvolvendo uma monografia, por isso sugerimos usar o seu sumário-hipótese ou plano de trabalho e criar uma organização de pastas usando a mesma lógica.

Mas, e se você apenas começou sua graduação e o TCC ainda não está no horizonte de suas preocupações? Temos uma sugestão também, inspirada no livro Metodologia do trabalho científico, de Antonio Joaquim Severino, veja o que ele diz:

Cada estudante pode formar seu fichário de documentação temática relacionado ao curso que está seguindo, a partir da estrutura curricular deste. Nesse caso, cada disciplina corresponderia a um setor do fichário e suas partes essenciais determinariam os títulos das fichas, enquanto os conceitos e elementos fundamentais dessas partes corresponderiam aos subtítulos das fichas.
p.72 24.ed.

Adaptando essa sugestão ao Mendeley, criamos uma pasta para o curso de Turismo, e dentro dessa pasta, uma subpasta para cada disciplina do curso. Abaixo, no exemplo, um destaque para a pasta da disciplina Meios de hospedagem

Você pode adicionar todas as referências indicadas e os PDF, quando estiverem disponíveis

Pode adicionar os links para os fichamentos feitos no Google Drive ou Dropbox

Pode marcar os já lidos

Se há algum item que você acha importante ler por conta dessa disciplina, mas não consta da bibliografia oficial, adicione na mesma lista e, se achar necessário, coloque uma tag para diferenciar dos outros itens, por exemplo: adicional, complementar…

Quer saber mais? Precisa de ajuda? Apareça aqui na Biblioteca ou agende por aqui.


Organizando seus fichamentos com o Mendeley: uma proposta

26/08/2019

A palavra fichamento vem de uma época anterior à disseminação do uso de computadores, quando as anotações de leitura eram feitas em fichas, que depois eram organizadas num fichário. Mundo girou e provavelmente quase ninguém mais mantém um fichário com fichas para esse fim, mas a palavra permaneceu e continuou sendo usada para falar da prática de fazer anotações, apontamentos, comentários, resumos etc. de leituras, ou mesmos de palestras e aulas assistidas.

E em áreas de estudo como as nossas, em que as fontes de pesquisa são livros, artigos, filmes, partituras etc., fazer anotações no momento de leitura ou estudo dessas fontes continua sendo necessário. Anotar ajuda a lembrar, a tornar inteligível, a perceber se a ideia está ou não clara, inequívoca.

Hoje as pessoas fazem seus fichamentos num editor de textos qualquer, online ou offline. E quando se trata de um arquivo pdf fazem anotações no próprio documento, usando um programa como o Mendeley, por exemplo.

 

Para manter tudo num único lugar, use o Mendeley também para anexar seus fichamentos feitos no Google Drive, Dropbox, Word etc. Nesses casos adicione um link para o fichamento externo e abra-o no seu navegador preferido.

Mas como organizar tudo isso? Não faz mais sentido manter um fichário com fichas de cartolina. Uma sugestão para quem está trabalhando numa monografia é usar seu sumário-hipótese como estrutura de organização no Mendeley. Vamos supor que seu tema é formação de professores e seu plano de trabalho, ou sumário-hipótese, esteja montado. Crie no Mendeley uma estrutura de pastas com a mesma hierarquia de seu sumário

Lembre-se, essa estrutura não é fixa, é seu plano de trabalho, serve de guia para orientar nos próximos passos de sua investigação. Obviamente poderá ser mudada várias vezes à medida que a pesquisa avança.

Uma vez disposto o índice como hipótese de trabalho, as fichas e outros tipos de documentação deverão sempre se referir aos vários pontos do índice.

Pastas criadas, insira suas referências, PDFs e fichamentos no escaninho conveniente. A mesma referência pode estar em mais de uma pasta sem que isso signifique duplicação.

A citação acima veio do livro do Umberto Eco, Como se faz uma tese; sumário-hipótese, ou índice-hipótese, conforme Umberto Eco, é uma espécie de plano de trabalho a que você se propõe para a pesquisa, apresentada em forma de sumário. A divisão de pasta sugerida vem de exemplo usado no livro Métodos e técnicas de pesquisa bibliográfica, de Ângelo Domingos Salvador.

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