Filmes acessíveis

14/08/2017

Capacitismo é um termo usado para falar das discriminações a que as pessoas com deficiência estão expostas, por causa de sua condição. É também a crença de que as pessoas com deficiência não podem ser plenamente independentes, subestimando suas capacidades.

A audiodescrição e as legendas ocultas (closed caption) buscam a inclusão das pessoas com deficiência visual e auditiva no universo das obras audiovisuais de maneira independente, tornando possível a essas pessoas aproveitar de maneira mais completa filmes e séries.

Nos caso dos filmes, a audiodescrição funciona como uma banda a mais de áudio acrescentada nos espaços de silêncio do som original; são informações relevantes para o entendimento da obra, mas que estão sendo ‘ditas’ pela imagem, ambientação, expressões faciais dos personagens, leitura de créditos etc.

Veja um exemplo:

O uso da audiodescrição, é claro, não se restringe a filmes ou obras audiovisuais, também pode ser aplicado a eventos, exposições, espetáculos teatrais… No caso dos DVDs os recursos são acionados em configurações, no menu inicial.

Outro recurso disponível e mais difundido, é o closed caption, trata-se de uma legenda oculta, para pessoas com deficiência auditiva.

Ainda são experiências tímidas, principalmente a audiodescrição, que precisam ser ampliadas por meio de leis, mas aqui na Biblioteca da ECA temos alguns títulos que possuem os recursos.

Deem uma olhada na lista.

Para mais informações:

http://audiodescricao.com.br/ad/

Capacitismo: o que é, onde vive, como se reproduz?


Realidade : “uma revista para homens e mulheres inteligentes”

07/08/2017

Lançada pela editora Abril em 1966, a revista Realidade – publicação mensal –  foi apresentada como “a revista dos homens e das mulheres inteligentes que desejam saber mais a respeito de tudo”.

Com a intenção de informar, divertir, estimular e servir seus leitores, surge com proposta editorial diferenciada: fazendo uso do chamado jornalismo literário, trazia textos mais longos esmiuçando os assuntos abordados e envolvendo o leitor em suas narrativas. Aliado a isto, tratava de temas polêmicos e de grande repercussão, elementos que conferem à Realidade caráter inovador em termos de linguagem e abordagem temática.

Sexualidade, ciência, religião, política, questões sociais em geral foram tratadas pela publicação que surgiu em meio a ditadura militar.

 

 

Nesta edição de janeiro de 1967, o foco é a mulher. Pesquisas, entrevistas e a  colaboração de mulheres marcam esta edição que em suas páginas dá destaque a frases como “sexo não tem nada com indecência”, “tenho como regra não deixar o mundo mandar em mim” e que gerou polêmica entre outros fatores, por ter registrado as cenas de um parto.

 

A instauração do AI-5 acarretou mudanças para  a publicação que, tendo surgido e se firmado amparada em um jornalismo contestador da ordem conservadora vigente, teve que se adequar aos ditames da censura.  Com isso, sua proposta inicial que lhe conferiu sucesso foi sendo descaracterizada ao longo dos anos até que,  em 1976, foi substituída pela revista Veja, nova aposta da Abril na área de revistas de informações gerais.

A Realidade faz parte da coleção especial de revistas do acervo da Biblioteca da ECA. Para consultar  os  fascículos disponíveis em nosso acervo veja aqui mais orientações.

http://www3.eca.usp.br/biblioteca/servicos/colecaoespecial


Salvador Dali no acervo

17/07/2017

Salvador Dalí (1904-1989) marcou com sua forte presença diferentes espaços no universo das Artes. Além de pintor, foi criador de objetos, escritor, cineasta. Transpôs para sua obra o contato com ideias freudianas, dialogando com a psicanálise; também mostrou talento para a publicidade de si próprio e sua obra.

No acervo da Biblioteca possuímos diferentes obras de Dalí, com sua participação e, também, sobre o artista. Destaque para as seguintes:

Tarot universal. Salvador Dalí.

O simbolismo do tarô ilustrado por Dali com riqueza e irreverência nestas 78 cartas. Acompanha um encarte com informações sobre as cartas.

 

Quando fala o coração (1945). Direção Alfred Hitchcock.

Título original: Spellbound.

Hitchcock traz a psicanálise no enredo de Quando fala o coração e, para realizar a sequência do sonho de um dos personagens, convidou Salvador Dalí. Os mais de 20 minutos de cenas produzidas pelo artista foram reduzidos a uns poucos minutos que entram para a história do cinema e fazem o espectador entrar no universo do inconsciente com imagens surrealistas.

                                             

 Les dîners de Gala. Salvador Dalí.

O artista que desejava ser cozinheiro quando criança e organizava, junto com sua esposa Gala, encontros que celebravam o paladar, publicou este livro de receitas ricamente ilustrado por ele próprio. Logo no início, Dalí avisa: a obra “é dedicada tão somente aos deleites do palaar. Ninguém busque neste livro fórmulas dietéticas” (tradução nossa). Reflexões do artista permeiam toda a obra.

Um cão andaluz (1928). Direção Luis Buñuel.

Título original: Um chien andalou

Com roteiro de Dalí e Buñuel é considerado o filme que gerou o movimento surrealista puro, tornando-se marca na história do cinema. Este conto de desejos reprimidos, que se inicia com o conhecido “Era uma vez”, tem como base uma mescla de sonhos entre Dalí e Buñuel levando o espectador a um universo nada convencional.

 

Confira aqui outras obras do/sobre o artista disponíveis no acervo da Biblioteca da ECA.

 


Leitura nas férias: Contos brasileiros

10/07/2017

Julho é mês de férias escolares e, para alguns, momento de pausa nas leituras acadêmicas.  Para aqueles que quiserem aproveitar o tempo livre com novas leituras, indicamos a seguir alguns contos da literatura brasileira que constam no acervo da Biblioteca da ECA.

A orelha de Van Gogh. Moacyr Scliar

Contos de  simplicidade formal, com um humor sutil e algo de melancólico, do tipo que faz rir à mente a partir da construção de paradoxos muitas vezes cruéis. Tal é o caso, por exemplo, do conto que dá nome ao livro.

Sinais de vida no planeta Minas. Fernando Gabeira

O autor conta as lutas feministas contra o ultra-conservadorismo de Minas Gerais através do exemplo de cinco mulheres mineiras ao longo do tempo.

Lições de um ignorante. Millor Fernandes

Nesta reunião de contos, o autor revela pequenos detalhes do nosso cotidiano que muitas vezes passam despercebidos, mas que na verdade são o mais puro reflexo do povo.

Três mulheres de três pppes. Paulo Emilio Salles Gomes

Histórias que se nutrem de elementos retirados do cotidiano próximo. ‘Três mulheres de três PPPês’ procura passar a impressão de divertimento, mas, por trás dos jogos, das inversões, das reviravoltas do entrecho, oculta-se um profundo mal-estar com a convivência inevitável da burguesia paulista. Suas três mulheres são anti-heroínas superiormente dotadas, que submetem os parvos PPPês aos seus caprichos e os subjugam, por força de sua progressiva – e assumida – traição.

Brás, Bexiga e Barra Funda. Alcântara Machado

Apresenta-nos uma série de heróis que são, ao mesmo tempo, trágicos e cômicos. O dia a dia paulistano na década de 20 confronta a vida de dificuldades do imigrante com a decadência das famílias tradicionais. Reflete, assim, as alterações nos costumes e na língua desencadeadas pela chegada dos ´italianinhos´.

Várias histórias. Machado de Assis.

Nesta obra o leitor encontra as formulações precisas, as combinações surpreendentes de palavras, as enormidades enunciadas com ligeireza e graça, ­ a dicção machadiana em sua plenitude.


Trabalho e trabalhadores: uma seleção de filmes

12/06/2017

Trabalhador rural, educador, médico, operário, arquiteto, ator, eletricista, biólogo, farmacêutico, publicitário e mais uma infinidade de profissões que acabam configurando-se, em certa medida, como a própria identidade dos sujeitos no mundo em que vivemos. Neste mês o destaque é para filmes do acervo que tratam, de algum modo, do universo do trabalho e dos trabalhadores, abordando diferentes aspectos ai implicados.

Cena do filme Abril despedaçado, de Walter Salles Jr.

Clique aqui para consultar a lista completa dos filmes.


Curta!

06/06/2017

Uma parte importante de nosso acervo audiovisual é formada por curtas-metragens. São mais de dois mil filmes e vídeos disponíveis para consulta e empréstimo.

Os custos de produção menores, o interesse das escolas de cinema, além, é claro, do interesse comercial reduzido pelo formato, que restringe os espaços de exibição aos poucos canais de tevê públicos ou aos festivais de cinema e vídeo, são características que permitem ao formato oferecer espaço para experimentação e avanço na área do audiovisual.

Alguns exemplos disso são os curtas feitos no Nordeste considerados marcos iniciais do Cinema Novo; os curtas de Humberto Mauro, que influenciaram gerações de realizadores etc.

 

Possibilita também a entrada no mercado audiovisual de novos diretores. Segundo o Guia do curta metragem latino-americano, publicação de 1998 da Associação Cultural Kinoforum, “42% dos títulos são assinados por diretores estreantes.”

Vários diretores bastante conhecidos começaram no cinema trabalhando com curtas-metragens, como Roman Polanski, Jean-Luc Godard, François Truffaut, Alain Resnais.

 

Ilha das flores, de Jorge Furtado, Urso de Prata do Festival de Berlim

Um dos mais famosos curtas, Um cão andaluz, colaboração de Luis Buñuel e Salvador Dalí.

 


Rolos de filmes

29/05/2017

Um dos acervos mais interessantes e menos conhecidos da nossa Biblioteca é a coleção de filmes em película cinematográfica. Ao contrário de filmes em vídeo e DVD que são bastante populares entre os usuários, poucos conhecem os filmes em 16mm, 35 mm e super-8 que não têm cópias em outros suportes, devido a dificuldades inerentes ao processo de projeção.

São 295 títulos, em sua maioria produções curriculares dos alunos do curso de Audiovisual da ECA dos últimos 49 anos. Alguns desses filmes foram realizados por estudantes que se tornaram nomes conhecidos no cinema brasileiro.

O filme mais antigo produzido pela ECA que consta desse acervo é Um clássico, dois em casa, nenhum jogo fora, de 1968. Dirigido por Djalma Limongi Batista e fotografado por Aloysio Raulino, tem a homossexualidade como tema. A cópia em DVD pode ser emprestada.

Foto do Banco de Conteúdos Culturais da Cinemateca Brasileira

As três mortes de Solano, de Roberto Santos, único longa-metragem produzido pela USP, é um dos destaques desse acervo. Também pode ser visto em DVD.

Foto do acervo do Banco de Conteúdos Culturais da Cinemateca Brasileira

A hora do diabo, de 1971, direção de Carlos Augusto Calil, tem no elenco a hoje famosa Sônia Braga. Disponível também em DVD.

Foto do Banco de Conteúdos Culturais da Cinemateca Brasileira

Os professores Paulo Emílio Salles Gomes e Lupe Cotrim tem papéis nos filmes O sistema do Dr. Alcatrão e do Prof. Pena e A morte da strip-teaser, respectivamente. Ambos estão disponíveis em DVD no acervo.

Lupe Cotrim (foto disponível no site do Projeto Memórias da ECA/USP: 50 anos)

Sérgio Bianchi, Suzana Amaral, Chico Botelho, Wilson de Barros, Ana Muylaert, Paulo Sacramento, Jeferson Dê, Marco Dutra e Juliana Rojas são alguns dos nomes que passaram pelo curso de Audiovisual (ou Cinema) da ECA e por aqui deixaram seus curtas de estudantes.

O cinema da ECA circula bastante por festivais nacionais e internacionais, e vive recebendo prêmios.

Além da produção da casa, temos no acervo filmes recebidos em doação, alguns deles realizados por professores ou alunos da ECA, como Viver a vida (1991), de Tata Amaral, São Paulo sinfonia e cacofonia (1994), de Jean-Claude Bernardet, e Além das estrelas (1986), de Roberto Moreira.

Não temos, infelizmente, cópias em DVD de todos os filmes, mas muitos deles já estão no IPTV, Youtube, Vimeo e Portacurtas. Os filmes  em película não podem ser vistos na Biblioteca, porque não temos sala de projeção.

Rolos de filme no depósito climatizado

O acervo está armazenado numa sala com temperatura e umidade do controladas, mas, para assegurar melhores condições de preservação, as cópias mais antigas foram depositadas na Cinemateca Brasileira.

 


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