Revista Visão: uma semanal lado b

12/03/2018

Quando se fala em revista semanal de notícias no Brasil vem à cabeça títulos que estão hoje nas bancas, e se você for razoavelmente informado ou avançado nos anos, deve ter ouvido falar também de Manchete, O Cruzeiro, Realidade…

Mas existiu também a revista Visão, título hoje meio esquecido e do qual temos uma boa coleção no nosso acervo de revistas antigas. A revista foi publicada de 1952 a 1993 e é um caso peculiar no mercado editorial brasileiro pelas várias mudanças por que passou. Nasce no Rio e se muda para São Paulo; de quinzenal vira semanal. Muda de proprietário umas quatro vezes, o que às vezes significou mudanças bem marcadas em sua linha editorial, inicialmente identificada com a esquerda e vista pelos leitores como uma publicação com esse viés. A partir de 1974, quando passa para as mãos do empresário Henry Maksoud, assume um tom francamente neoliberal, com capas dedicadas a Friedrich August von Hayek, considerado o criador da teoria neoliberal.

 

 

 

 

 

 

 

 

Se é hoje um título que desperta menos interesse que suas congêneres, o que se constata pela escassa bibliografia a respeito, teve em seu quadro de jornalistas, nomes como Vladimir Herzog, coordenando a editoria de cultura, Zuenir Ventura e Alberto Dines; e já teve entre seus articulistas Anatol Rosenfelfd e Sábato Magaldi (ambos ex-professores da ECA), Moniz Bandeira, entre outros.

 

Número especial traz um balanço dos dez primeiros anos do golpe de 1964. Na capa consta revolução, pois assim queria o Regime

É comum aqui na Biblioteca da ECA estudantes com o objetivo de comparar a abordagem dada pelas revistas semanais para determinado assunto. Por exemplo, como Veja, Istoé, Carta Capital e Época trataram o golpe que apeou Dilma Rousseff da presidência? Ou como a questão das cotas raciais é abordada pelas revistas Veja e Istoé?

Que tal da próxima vez que for abordar algum problema sob esse olhar incluir a revista Visão? Por exemplo, como as revistas Veja e Visão cobriram a abertura política iniciada no Governo Geisel? E a deposição de Jango em 1964, foi golpe ou revolução para Visão?

Para saber mais:

A REVISTA no Brasil. São Paulo: Abril, 2000. Localização: G 070.5720981 R454c

João Elias Nery pesquisou na coleção da Biblioteca da ECA as resenhas de livros publicadas na Visão. Veja aqui:  http://seer.ufrgs.br/index.php/EmQuestao/article/view/2081

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Corporalidades

19/02/2018

Erotismo, sexualidade, sexo, corpo foram alguns dos termos que buscamos para fazer essa seleção de filmes que adentra o universo do corpo humano, tendo como inspiração a mostra Corpo desperto, do Cinusp. Instância dos sentidos, por vezes liberto e outras interdito, descobri-lo como território do prazer pode levar tanto ao gozo como à culpa.

É por esses caminhos, do corpo como palco de experiências sensoriais, que a seleção a seguir envereda. Clique aqui para conferir.

Cena de O sabor da melancia (2005)


Todos os discos de 2017

22/01/2018

No ano passado entraram para nosso acervo de gravações e já estão catalogados 149 novos CDs. Como fazemos a catalogação música por música, foram 593 novos títulos colocados ao alcance dos ouvidos do público interessado em música que frequenta a Biblioteca da ECA.

Música popular

São 22 CDs de música popular, entre os quais:

Paisagens, de Ivan Vilela – acompanha o livro Cantando a própria história: música caipira em enraizamento. CD3172

Yrupa purahéi: canções das margens do rio. Purahéi Trio. CD3199

Norton recorded anthology of western music, volume 2: classic to Twentieth Century, disco 11 – CD3310

Violas da minha terra, violas de canto a canto. Moacir Laurentino e Sebastião da Silva – CD3305

Concertando o choro. (Série Grandes clássicos em ritmos de choro) CD3303

Três canções de Tom Jobim. Ná Ozzetti e André Mehnari – CD3208

Música erudita

As gravações de música erudita, segmento mais forte do nosso acervo, foram maioria em 2017. Entre os novos CDs, destacamos:

Ultimate Berlioz (caixa com 5 CDs) – CD3228/32

Integral dos quartetos de cordas de Camargo Guarnieri. Quarteto Camargo Guarnieri. Academia Brasileira de Música – CD3177

Simon Rattle: Russian music (caixa com 8 CDs) – CD3254 a CD3261

Adventures in early music : the history of period performance practice – CD3188

Fraterno: Ernani Aguiar, H. David Korenchendler (obras para: piano solista; coro; voz solista e violoncelo) – CD3194

Choros de Guerra-Peixe. Grupo Picadinho da Velha. CD3204.

Um requiem para Waldemar. Obras de Waldemar Henrique, por vários intérpretes – CD3207

Música latino-americana para piano:  Villa-Lobos,  Alberto Ginastera, Camargo Guarnieri, Aurélio de La Vega e outros – CD3221

Antonio Vivaldi: L’estro armonico: 12 concerti –  CD3236/7

Bach: les six suites pour violoncelle : BWV 1007-1012 – CD3238/9

Ninna Nanna.  Montserrat Figueras, soprano (coletânea de canções de ninar)  – CD3241

Vamos parar por aqui, porque listar todos seria muito demorado e nada prático. Quem tiver curiosidade de acessar a relação completa do material, basta entrar na base de dados Gravações (disponível em nosso site) e digitar 2017$, assim mesmo, com o cifrão após o número.

Link para a base de dados:

http://www.eca.usp.br/biblioteca-bases/sonora/search.htm

Lembretes:

Os CDs e discos em vinil ainda não estão no Dédalus! Procure sempre na base de dados do link acima.

Além do acervo físico, assinamos a base de dados Classical Music Library, com gravações para ouvir online, disponível pela interface do SIBi.

 

 

 

 

 

 


Catálogos de exposição

18/12/2017

Na biblioteca, quando falamos de catálogo frequentemente estamos nos referindo ao instrumento de pesquisa da coleção da biblioteca, onde estão registrados e descritos os documentos que integram a coleção.

Mas há publicações que cumprem também funções de mediação, registro, listagem, consulta e que, por isso, são também chamadas de catálogos. Por exemplo, catálogos do acervo de um museu, ou o Catálogo raisonné, que traz a relação completa de obras de um artista, e do qual já falamos aqui neste blog.

Um tipo de catálogo que tem crescido em importância e quantidade em nosso acervo são os catálogos de exposição. Publicações que trazem listadas as obras expostas para visitação pública numa exposição, servem de acompanhamento aos visitantes, direcionando sua atenção e olhar para determinadas questões, além de ser um registro documental do evento.

Tem uma apresentação mais ou menos estável, trazendo textos de caráter valorativo justificando a exposição e a importância das obras e artistas escolhidos; fotos ou reproduções das obras exibidas com títulos, datas, dimensões, entre outras informações nas legendas.

No Dedalus, para limitar a busca a esse material, use o filtro por tipo de material, como ilustrado abaixo. No entanto, esse filtro não é totalmente seguro, portanto, se não encontrou o que procura dessa forma, procure também pelo título da exposição, instituição onde aconteceu, curador etc.

Um dos destaques dessa coleção são os catálogos das bienais de arte de São Paulo, temos a coleção quase completa.

Além dos vários catálogos de exposições dos principais espaços de exibição da cidade, como MASP, Pinacoteca, MAM etc.

 

 

 

 

 

 

 

Para saber mais:

Esse texto aqui analisa O catálogo de exposição como gênero textual.

Cristina Freire fala de Catálogos e livros de artista, em seu livro Poéticas do processo, disponível aqui na Biblioteca.


Biografias no acervo

09/10/2017

Escrever sobre uma vida humana, apoiado em documentos, depoimentos, cartas, entrevistas; estabelecer relações entre o passado dessa vida e o passado em geral. A biografia se ocupa de contar a história de vida de pessoas às vezes comuns, mas quase sempre famosas.

Gênero literário e cinematográfico, narrativas escritas e audiovisuais, as biografias estão dispersas pelas estantes e corredores da Biblioteca da ECA. Há livros e filmes dramatizando relatos de vidas de músicos, cineastas, atrizes, dramaturgos, políticos etc.; perfis de professores, guias do tipo quem é quem etc. Revistas de nossa coleção especial, como Realidade e O Cruzeiro, e também Manchete e Senhor, que durante muito tempo trouxeram em suas páginas perfis biográficos.

A biografia é um gênero interdisciplinar, que se apoia em ferramentas da história, da literatura e jornalismo. Não à toa, algumas das teses que surgiram aqui na ECA sobre o assunto partem de pesquisadores ligados ao jornalismo.

Para quem está interessado em explorar essa parte de nosso acervo, o mais fácil é começar pelo acervo audiovisual, pois ‘biografia’ é um termo usado na nossa catalogação para agrupar os filmes por ‘Gênero/Forma’. Buscando assim, recupera-se quase duas centenas de filmes e vídeos.

Em relação ao acervo textual a busca é um pouco mais árdua. É possível buscar ‘biografias’ no campo Assunto; isso recupera os textos biográficos e trabalhos sobre biografias. Mas algumas biografias podem ficar de fora dos resultados, por isso, para ter certeza se tem ou não, vale a pena buscar também pelo nome da pessoa.

Para a busca por perfis biográficos, além das revistas citadas acima, e enciclopédias e dicionários especializados, não esqueça de pesquisar nas bases de dados e enciclopédias online, Enciclopédia Itaú Cultural, para perfis de artistas; o Grove, para perfis de músicos etc.

Alguns exemplos do que você vai encontrar no acervo:

Chatô, de Fernando Morais. Biografia do magnata das comunicações no Brasil, Assis Chateaubriand. Um dos maiores sucessos do gênero no mercado editorial brasileiro.

Sobre a atriz Cacilda Becker temos duas biografias escritas, uma delas pela professora Renata Pallottini; uma gravação em vídeo de uma peça sobre sua vida, e mais outras coisas.

Ainda de gente do teatro, temos biografias de Oduvaldo Vianna Filho, Nelson Rodrigues, Procópio Ferreira e muito mais.

Sobre o gênero:

Arfuch, Leonor. O espaço biográfico: dilemas da subjetividade contemporânea.

BOURDIEU, Pierre. A ilusão biográfica. Em: Usos e abusos da história oral.

Denzin, Norman K. Interpretative biography. A biografia enquanto forma literária.

Foucault, Michel. A escrita de si. Em: O que é um autor.

Ribeiro, Teresa. Biografia: o jornalismo literário de Fernando Morais.

Vilas Boas, Sergio. Páginas da vida: a arte biográfica e perfis. A dissertação foca três grandes sucessos editoriais brasileiros, Chatô: o rei do Brasil, de Fernando Morais; Estrela solitária: um brasileiro chamado Garrincha, de Ruy Castro; e Mauá: empresário do Império, de Jorge Caldeira.

 


Filmes acessíveis

14/08/2017

Capacitismo é um termo usado para falar das discriminações a que as pessoas com deficiência estão expostas, por causa de sua condição. É também a crença de que as pessoas com deficiência não podem ser plenamente independentes, subestimando suas capacidades.

A audiodescrição e as legendas ocultas (closed caption) buscam a inclusão das pessoas com deficiência visual e auditiva no universo das obras audiovisuais de maneira independente, tornando possível a essas pessoas aproveitar de maneira mais completa filmes e séries.

Nos caso dos filmes, a audiodescrição funciona como uma banda a mais de áudio acrescentada nos espaços de silêncio do som original; são informações relevantes para o entendimento da obra, mas que estão sendo ‘ditas’ pela imagem, ambientação, expressões faciais dos personagens, leitura de créditos etc.

Veja um exemplo:

O uso da audiodescrição, é claro, não se restringe a filmes ou obras audiovisuais, também pode ser aplicado a eventos, exposições, espetáculos teatrais… No caso dos DVDs os recursos são acionados em configurações, no menu inicial.

Outro recurso disponível e mais difundido, é o closed caption, trata-se de uma legenda oculta, para pessoas com deficiência auditiva.

Ainda são experiências tímidas, principalmente a audiodescrição, que precisam ser ampliadas por meio de leis, mas aqui na Biblioteca da ECA temos alguns títulos que possuem os recursos.

Deem uma olhada na lista.

Para mais informações:

http://audiodescricao.com.br/ad/

Capacitismo: o que é, onde vive, como se reproduz?


Realidade : “uma revista para homens e mulheres inteligentes”

07/08/2017

Lançada pela editora Abril em 1966, a revista Realidade – publicação mensal –  foi apresentada como “a revista dos homens e das mulheres inteligentes que desejam saber mais a respeito de tudo”.

Com a intenção de informar, divertir, estimular e servir seus leitores, surge com proposta editorial diferenciada: fazendo uso do chamado jornalismo literário, trazia textos mais longos esmiuçando os assuntos abordados e envolvendo o leitor em suas narrativas. Aliado a isto, tratava de temas polêmicos e de grande repercussão, elementos que conferem à Realidade caráter inovador em termos de linguagem e abordagem temática.

Sexualidade, ciência, religião, política, questões sociais em geral foram tratadas pela publicação que surgiu em meio a ditadura militar.

 

 

Nesta edição de janeiro de 1967, o foco é a mulher. Pesquisas, entrevistas e a  colaboração de mulheres marcam esta edição que em suas páginas dá destaque a frases como “sexo não tem nada com indecência”, “tenho como regra não deixar o mundo mandar em mim” e que gerou polêmica entre outros fatores, por ter registrado as cenas de um parto.

 

A instauração do AI-5 acarretou mudanças para  a publicação que, tendo surgido e se firmado amparada em um jornalismo contestador da ordem conservadora vigente, teve que se adequar aos ditames da censura.  Com isso, sua proposta inicial que lhe conferiu sucesso foi sendo descaracterizada ao longo dos anos até que,  em 1976, foi substituída pela revista Veja, nova aposta da Abril na área de revistas de informações gerais.

A Realidade faz parte da coleção especial de revistas do acervo da Biblioteca da ECA. Para consultar  os  fascículos disponíveis em nosso acervo veja aqui mais orientações.

http://www3.eca.usp.br/biblioteca/servicos/colecaoespecial


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