Respeito, empatia e tolerância

02/05/2017

Uma Biblioteca como a da ECA atende a um público bastante heterogêneo. Temos aqueles que apenas passam rapidinho para pegar aquele livro que o professor mandou ler ou o filminho para o fim de semana e temos quem fique o dia todo estudando nas cabines individuais; o jovem que entra numa biblioteca pela primeira vez na vida e o veterano de muitas bibliotecas, que conhece acervo do mundo todo; alunos de graduação, pós-graduação, do Programa Universidade Aberta à Terceira Idade, bolsistas estrangeiros, professores, usuários externos a USP… Todos têm suas prioridades e razões para frequentar uma biblioteca. Cada um têm sua expectativa, que nem sempre poderá ser atendida.

A convivência de tantas diferenças no espaço da Biblioteca pode ser agradável ou, pelo menos, tranquila e civilizada. Se todos entenderem os limites do espaço público e enxergarem as necessidades do outro, regras chatas, proibições e restrições não serão tão necessárias.

Foto: Chris McCorkle (Flickr)

O aluno que pede silêncio para estudar, não é necessariamente um chato; pode ser apenas uma pessoa que precisa de um lugar silencioso para se concentrar. O aluno que começa a conversar animadamente no meio da Biblioteca não é, necessariamente, alguém sem educação;  pode ser apenas alguém que se distraiu e esqueceu do mundo ao redor.

Então, vamos fazer um esforço e prestar atenção em algumas dicas:

Silêncio x barulho

A reforma da Biblioteca ainda não terminou. Quando terminar, nosso espaço estará mais organizado e os limites entre “locais de silêncio” e “locais de conversa” estarão mais claros. Por enquanto, tanto funcionários quanto usuários ainda estão se adaptando a um espaço que mudou, mas que ainda não é definitivo.

As cabines de estudo individual são um local particularmente sensível a ruídos. As pessoas que estudam lá vem até a Biblioteca em busca de tranquilidade e calma. Elas nos perguntam: “se eu não puder estudar numa biblioteca, onde vou estudar?”. Portanto, não conversem em voz alta nem façam barulho perto das cabines, e lembrem-se de não passar pelo corredor rindo e falando alto. Não, não é necessário um silêncio tumular, só um pouco de respeito e compreensão pelas necessidades do outro.

Uso dos computadores

Em alguns horários é difícil encontrar um computador disponível na Biblioteca. Por esse motivo, é importante respeitar a prioridade para atividades de pesquisa e buscas no Dédalus, Busca Integrada e bases do SIBi. Entre 14 e 19 horas, horários de demanda intensa por computadores, o respeito a essa prioridade é imprescindível.  Não tem problema checar o e-mail, entrar no Facebook ou assistir um curta no Youtube, mas ficar horas ocupando um computador de uso público para atividades de lazer enquanto os colegas esperam para procurar um livro no Dédalus não é legal. Deixar objetos pessoais ao lado ou sobre o computador enquanto vai dar uma volta também não é legal. Não monopolize o equipamento público!

Os computadores da Biblioteca da ECA há muito tempo são de uso livre, com acesso irrestrito à internet. Recentemente, devido à grande procura e a reclamações sobre abusos de alguns usuários, tivemos que implantar algumas restrições de acesso a determinados sites, sobretudo de jogos e esportes online. Não gostaríamos de aumentar as restrições e contamos com a colaboração de todos para evitar isso!

O guarda-volumes

É necessário guardar bolsas, sacolas, mochilas e coisas parecidas nos armários da Biblioteca, por razões de segurança tanto do acervo quanto dos próprios objetos pessoais dos usuários.

O guarda-volumes só pode ser usado durante a permanência na Biblioteca. Se permitirmos que as pessoas saiam da Biblioteca e deixem seus pertences, não haverá armários suficientes para todos. “Mas é só por um minutinho para tomar um café…” É desagradável dizer não,  mas sabemos, por experiência, que o minutinho pode virar uma hora facilmente. Além disso, a perda de uma chave no lado de fora pode trazer problemas de segurança bastante sérios.

Respeito aos funcionários

Os funcionários da Biblioteca estão à disposição dos usuários para ajudar nas pesquisas, na localização de material, na normalização de trabalhos etc. Também precisam ouvir reclamações e sugestões, fazer cumprir as regras de funcionamento e uso dos serviços, além de tentar resolver eventuais conflitos. O funcionário que pede para guardar a bolsa no armário, não sair com a chave, falar mais baixo ou liberar o computador para alguém que precisa fazer um pesquisa não está sendo chato, está fazendo o seu trabalho e precisa ser tratado com respeito.

foto: Pimkie (Flickr)

 

 

 

 

 

 

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O silêncio

19/08/2013

antes de existir computador existia tevê
antes de existir tevê existia luz elétrica
antes de existir luz elétrica existia bicicleta
antes de existir bicicleta existia enciclopédia
antes de existir enciclopédia existia alfabeto
antes de existir alfabeto existia a voz
antes de existir a voz existia o silêncio
(Arnaldo Antunes. O silêncio)

Às 18h15, na Biblioteca da ECA, o celular do João Pedro tocou. Sempre muito ocupado, João tinha esquecido de colocar o aparelho no modo vibratório. Era o chefe, ele precisava atender. João Pedro atravessou a Biblioteca toda com seu vozeirão soando alta e claro, ainda que em frases curtas –  Sei, sei. Tá bom. É, tô aqui na USP –  até chegar na porta e falar à vontade.

Dez minutos depois, o filho da Luciana ligou. Filho, agora mamãe não pode. Agora não dá, Gustavo! Não dá, já disse, liga para o seu pai! Tenta a vovó, então, mesmo que eu saia daqui AGORA não vou chegar em tempo, filho. Tá bom. Beijo, te amo. Luciana começou sussurrando, mas acabou erguendo a voz em alguns momentos.

Por volta das 18h35, em meio às estantes,  a Tati encontrou duas amigas que não via há séculos. Os gritinhos de alegria foram inevitáveis. Que saudades, Ju! Há quanto tempo, Má. Alguns usuários olharam feio, a bibliotecária deu uma espiada por cima dos óculos e as meninas saíram aos saltinhos para conversar lá fora.

Um grupinho que estava estudando numa das mesas da sala de leitura – a salinha de estudos em grupo estava lotada – repentinamente se animou com uma descoberta engraçada. Começou uma série de gargalhadas mal abafadas às 18h45.

Logo em seguida, outro telefone tocou estrepitosamente o tema da Missão impossível, mas foi prontamente desligado por seu constrangido proprietário.

Ninguém fez por mal, ninguém queria deliberadamente incomodar os outros. Mas a Marcela, que passou a noite em claro terminando um texto, trabalhou o dia todo, só tinha uma hora para revisar o trabalho antes da aula e foi à Biblioteca em busca de sossego, teve sua concentração interrompida 5 vezes. O mesmo aconteceu com o André, que não conseguiu terminar a leitura de um artigo complexo, escrito num idioma que ele não domina.

Quase todas as reclamações que a Biblioteca da ECA recebe de seus usuários estão relacionadas ao barulho. As pessoas pedem que a Biblioteca tome providências.

Sim, nosso espaço não favorece a convivência entre os usuários que precisam de silêncio e os que, eventualmente, precisam conversar. Mas, no momento, é o espaço disponível. Mudanças poderão acontecer, mas não imediatamente.

Por esse motivo, vamos começar uma campanha pela tranquilidade dos nossos usuários. Vamos pedir a todos que se coloquem um pouco no lugar do outro e evitem:

  • conversar em voz alta
  • falar ao celular
  • deixar o celular tocar

Não é nada muito difícil, certo? Esses pequenos gestos podem favorecer muito a concentração de quem precisa de silêncio para estudar e espera encontrar isso na biblioteca.
Se todo mundo for solidário com seus colegas, os bibliotecários não vão precisar fazer psiu.

Um artigo interessante sobre o assunto:

Tragam de volta o shiiii das bibliotecárias:  http://morenobarros.com/2013/02/tragam-de-volta-o-shiiiiii-das-bibliotecarias-silencio/


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