Cada coisa em seu lugar? A organização dos livros nas estantes

16/10/2017

Precisa localizar algum livro nas estantes de uma biblioteca? Anotou o número de classificação (também conhecido como número de chamada ou de localização) antes de dirigir-se até as estantes e começar o processo de busca do livro em si?

Tarefa difícil para alguns, simples para outros – certamente aqueles que têm a prática de frequentar bibliotecas –, localizar um livro nas bibliotecas remete a um trabalho prévio de organização do acervo e compreender minimamente esta lógica de organização é adentrar em suas tramas com mais propriedade.

A Classificação Decimal de Dewey (CDD) é uma das classificações mais utilizadas ao redor do mundo e nós a utilizamos na Biblioteca da ECA. Sabe aquela sequência numérica que você vê na etiqueta colocada na lateral dos livros do nosso acervo? Ela é elaborada a partir da CDD,  uma classificação decimal em que cada número corresponde a um assunto. O que isso representa? A possibilidade de agrupar nas estantes os livros conforme as temáticas. Assim, livros de literatura brasileira, por exemplo, estarão reunidos fisicamente, aqueles de fotografia também, os sobre cinema brasileiro da mesma forma e etc.

Há 10 grandes classes de assuntos representados por números:

000       Ciência da computação, informação e obras gerais

100         Filosofia e psicologia

200         Religião

300         Ciências sociais

400         Linguagem e línguas

500         Ciências naturais

600         Tecnologia (ciências aplicadas)

700         Artes

800         Literatura e retórica

900         Geografia e história

Esses números gerais vão sendo desdobrados e, com isso, os assuntos vão sendo cada vez mais especificados. Se 700 é Artes, 791.43 é Cinema e 780.981 representa música brasileira, por exemplo. Quanto maior o número de classificação, maior a especificidade no momento de representar o assunto do livro na classificação.

Após essa sequência numérica é inserido um código formado pela primeira letra do sobrenome do autor (às vezes pode ser do título), número e primeira letra do título da obra.

foto: Leo Hidalgo (Flickr)

A Biblioteca da ECA classificou o livro Da relação com o saber, de Bernard Charlot assim:

370.1 C479d  : 370.1 corresponde ao assunto “Filosofia da educação; Teoria da educação e psicologia educacional” , C749 representa o sobrenome e o “d” é a primeira letra do título.

Os números de localização são como RGs das obras da biblioteca, cada obra tem um número de classificação único.

Com essas informações prévias deu para perceber que ir até as estantes à procura de um livro pode ser muito positivo e materiais interessantes podem ser localizados. Lembremos que a classificação é feita com base na CDD, este sistema que busca capturar e classificar  mundo, coisas, comportamentos. Essa categorização pode sofrer alterações ao longo dos anos, seja com a inclusão de novos assuntos, seja com a alteração de sua representação. Números podem deixar de existir e assuntos podem ser deslocados para outras classes. Se em dada época um comportamento é tido como doença, provável que esteja sob classificação que o represente dessa forma, mas, se isso é alterado conforme as transformações histórico-sociais, provável que a CDD irá acompanhar.

Classificações são sistemas feitos por nós seres humanos e é um ser humano que irá pegar dada obra em mãos e atribuir para ela um número de classificação. Logo, a interpretação, a relação do sujeito com aquela obra é determinante à atribuição da classificação. Um mesmo livro pode ser classificado em números diferentes no acervo de bibliotecas distintas. Isso não significa que alguma esteja errada. É uma questão de interpretação e também de enfoque.

No acervo da ECA o livro “Educomunicação o conceito, o profissional, a aplicação : contribuições para a reforma do ensino médio” é classificado em 301.16 Comunicação, conforme a 18 ed. da CDD,  isso significa que ali poderão ser encontrados outros livros sobre o assunto, mas não fiquemos confinados ao número. Pode haver outros livros sobre Educomunicação bem como relacionados a suas temáticas classificados em outras numerações. Por esse motivo, é importante fazer buscas por assunto nos catálogos, no nosso caso o Dédalus ou o Portal de Busca Integrada, para localizar todos os livros que tratam de um determinado assunto. A procura feita diretamente nas estantes não substitui a consulta aos catálogos.

Portanto, quando a ideia é explorar o acervo a partir dos números é importante lembrar que eles servem para abrir caminhos e possibilidades mas não podem ser encarados por nós como uma prisão que confine nossa prática de pesquisa!

 

 

 

 

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Educação: uma seleção de filmes

02/10/2017

“Nascer é ver-se submetido à obrigação de aprender”*. Aprender para viver, sobreviver, relacionar-se neste mundo e com ele. A Educação formal é decisiva ao indivíduo e ao tecido social carregando, ao mesmo tempo, o poder da transformação e o da conformação.

Neste post é dado realce a filmes do acervo que, de alguma forma, apresentam o universo da Educação, seja trazendo esta como destaque ou mesmo apresentando um professor como personagem ou o contexto escolar, dentre  tantas outras possibilidades.

Cena do filme Zéro de conduite de Jean Vigo

Confira aqui a lista de sugestões.

 

*Charlot, Bernard . Da relação com o saber: elementos para uma teoria. Porto Alegre : Artmed, 2007.

SciVal: números e mapas da ciência

18/09/2017

SciVal oferece um conjunto de ferramentas de análise da pesquisa científica, úteis para definições da política institucional. Por meio de indicadores bibliométricos, mapas e gráficos, pode-se comparar instituições, grupos, áreas de pesquisa, publicações etc.

A fonte de dados em que se baseia o SciVal é a base de dados Scopus, da qual falamos semana passada aqui no blog.

O SciVal possui quatro módulos principais: Overview, Benchmarking, Collaboration e Trends.

Em Overview é possível ter uma visão panorâmica da sua instituição, área de pesquisa sob aspectos como número de publicações, citações, colaboração internacional etc.

É possível, por exemplo, saber quanto da produção da USP apareceu nas mais citadas publicações.

Nesse mesmo módulo, há lista de artigos mais citados, colaboradores mais frequentes, autores mais prolíficos ou mais citados de determinada área etc.

O módulo Benchmarking permite avaliar a performance de uma área, instituição etc. comparada com outras equivalentes.

Por exemplo, abaixo, um gráfico mostrando o número de publicações ano a ano para a área de biblioteconomia e ciência da informação, no mundo, no Brasil e na USP.

Esse outro gráfico mostra o fator de impacto das três universidades estaduais paulistas em comparação com a média nacional.

O módulo Trends serve para avaliar vários aspectos das áreas acadêmicas. No gráfico abaixo há uma análise da área de turismo em palavras-chaves, é possível ter uma ideia de que assuntos estão em alta ou atraindo menos interesse.

Muitas outras análises são possíveis, e mesmo que você não faça parte do grupo que decide as políticas e rumos de um departamento, programa, escola, pode tirar proveito.


Teste Bechdel-Wallace: representatividade feminina no cinema

28/08/2017

Que tal assistir a um filme que tenha no mínimo 2 personagens mulheres, devidamente nomeadas, conversando entre si sobre um assunto que não seja “homens”.

Aparentemente simples? Ou complexo?

Bem, para a cartunista americana  Alice Bechdel não parecia algo que se encontra facilmente nos filmes. Em 1985, ela fez uma tirinha para sua série Dykes to watch out for na qual aqueles que viriam a tornar-se os critérios do Bechdel-Wallace teste apareceram pela primeira vez.

Alice explica que a tirinha foi feita inspirada em conversa com sua amiga Liz Wallace, que lhe deu a ideia.

Nos anos 2000, os 3 critérios apresentados pela personagem tornaram-se constitutivos daquele que ficou conhecido como Teste Bechdel-Wallace, que confere aos filmes um selo de aprovação. A ideia é de Ellen Tejle, sueca diretora de uma sala de cinema que, em 2013, passou a usar um selo para marcar os filmes em cartaz que passaram no teste. Além de colar adesivos nos pôsteres, Ellen inseriu uma vinheta nos traillers e divulgou material na internet para disseminar a ideia.

Atualmente o selo do “A-list movement” – referência aos filmes aprovados –  está presente em 10 países: Brasil, China, Itália, França, Reino Unido, Canadá, Austrália, Alemanha, Romênia, Albania, Turquia, Islândia e em 30 cinemas na Suécia.

No site Bechdel test movie list é possível que os usuários adicionem títulos de filmes, informando se o mesmo passa ou não no teste. Outros usuários, podem contra argumentar.

O teste Bechdel-Wallace  levanta discussões. Há aqueles que o critiquem por ser demais simplista acenando para a importância de que outros parâmetros sejam adotados. Entretanto, a iniciativa choca ao fazer com que constatemos que em muitos filmes realmente não há uma única cena com duas personagens mulheres, com nome, conversando entre si sobre algo além de homens.

O teste sem dúvidas traz à tona a importância de se pensar a representatividade feminina no cinema. Se os filmes comunicam é importante refletirmos sobre quais mensagens estão sendo transmitidas à nossa sociedade. Quais são as questões inerentes a vida das mulheres e quais lugares estas ocupam na sociedade que é  representada na tela dos cinemas que espelham, em certo grau, a vida real.

E os filmes que compõem o acervo da Biblioteca da ECA? Será que passam no teste? Quem quiser se aventurar adicione um comentário na seção Comentários deste post. 😉

Para saber mais: http://www.a-listfilm.com/


Quadrinhos na Biblioteca

21/08/2017

Muita gente não sabe, mas a Biblioteca da ECA tem um bonito e raro acervo de revistas de quadrinhos.

A coleção fazia parte do Museu de Imprensa “Julio de Mesquita”, do Departamento de Jornalismo e Editoração da ECA/USP e foi transferida para a Biblioteca no início da década de 1983, três anos após o Museu ser desativado. Criamos na Biblioteca um setor específico dedicado à catalogação do material e atendimento ao público. A coleção foi aberta à consulta em 1988 mas, infelizmente, a saída de vários profissionais e mudanças na administração da Biblioteca levaram ao fechamento do serviço e a um período de “exílio” do acervo.

Agora a coleção de 1134 títulos de revistas já catalogadas, e mais outros tantos à espera de tratamento, está definitivamente sob nossa guarda. Como se trata de um acervo com muitas obras raras e antigas, seu uso requer cuidados. As revistas não podem ser emprestadas e estão armazenadas fora do contato direto com o público, mas podem ser consultadas por qualquer interessado, em nosso espaço para consulta de coleções especiais. Para evitar danos ao material não é permitido xerocar, mas fotografar está liberado, desde que o manuseio seja cuidadoso.

 

As revistas de HQ ainda não estão cadastradas no Dédalus (Banco de Dados Bibliográficos da USP). Por enquanto, a forma de busca é por uma base de dados disponível apenas em rede local. Para facilitar, fizemos uma lista dos títulos já catalogados.

Acervo de HQ

O plano, para quando tivermos os recursos necessários,  é registrar no Dédalus todas as revistas, higienizar a coleção, restaurar os itens que estiverem danificados e investir na divulgação do acervo.

Durante as 4as Jornadas Internacionais de Histórias em Quadrinhos preparamos uma pequena exposição do acervo na Biblioteca. Venham ver!

 

 


Filmes acessíveis

14/08/2017

Capacitismo é um termo usado para falar das discriminações a que as pessoas com deficiência estão expostas, por causa de sua condição. É também a crença de que as pessoas com deficiência não podem ser plenamente independentes, subestimando suas capacidades.

A audiodescrição e as legendas ocultas (closed caption) buscam a inclusão das pessoas com deficiência visual e auditiva no universo das obras audiovisuais de maneira independente, tornando possível a essas pessoas aproveitar de maneira mais completa filmes e séries.

Nos caso dos filmes, a audiodescrição funciona como uma banda a mais de áudio acrescentada nos espaços de silêncio do som original; são informações relevantes para o entendimento da obra, mas que estão sendo ‘ditas’ pela imagem, ambientação, expressões faciais dos personagens, leitura de créditos etc.

Veja um exemplo:

O uso da audiodescrição, é claro, não se restringe a filmes ou obras audiovisuais, também pode ser aplicado a eventos, exposições, espetáculos teatrais… No caso dos DVDs os recursos são acionados em configurações, no menu inicial.

Outro recurso disponível e mais difundido, é o closed caption, trata-se de uma legenda oculta, para pessoas com deficiência auditiva.

Ainda são experiências tímidas, principalmente a audiodescrição, que precisam ser ampliadas por meio de leis, mas aqui na Biblioteca da ECA temos alguns títulos que possuem os recursos.

Deem uma olhada na lista.

Para mais informações:

http://audiodescricao.com.br/ad/

Capacitismo: o que é, onde vive, como se reproduz?


Realidade : “uma revista para homens e mulheres inteligentes”

07/08/2017

Lançada pela editora Abril em 1966, a revista Realidade – publicação mensal –  foi apresentada como “a revista dos homens e das mulheres inteligentes que desejam saber mais a respeito de tudo”.

Com a intenção de informar, divertir, estimular e servir seus leitores, surge com proposta editorial diferenciada: fazendo uso do chamado jornalismo literário, trazia textos mais longos esmiuçando os assuntos abordados e envolvendo o leitor em suas narrativas. Aliado a isto, tratava de temas polêmicos e de grande repercussão, elementos que conferem à Realidade caráter inovador em termos de linguagem e abordagem temática.

Sexualidade, ciência, religião, política, questões sociais em geral foram tratadas pela publicação que surgiu em meio a ditadura militar.

 

 

Nesta edição de janeiro de 1967, o foco é a mulher. Pesquisas, entrevistas e a  colaboração de mulheres marcam esta edição que em suas páginas dá destaque a frases como “sexo não tem nada com indecência”, “tenho como regra não deixar o mundo mandar em mim” e que gerou polêmica entre outros fatores, por ter registrado as cenas de um parto.

 

A instauração do AI-5 acarretou mudanças para  a publicação que, tendo surgido e se firmado amparada em um jornalismo contestador da ordem conservadora vigente, teve que se adequar aos ditames da censura.  Com isso, sua proposta inicial que lhe conferiu sucesso foi sendo descaracterizada ao longo dos anos até que,  em 1976, foi substituída pela revista Veja, nova aposta da Abril na área de revistas de informações gerais.

A Realidade faz parte da coleção especial de revistas do acervo da Biblioteca da ECA. Para consultar  os  fascículos disponíveis em nosso acervo veja aqui mais orientações.

http://www3.eca.usp.br/biblioteca/servicos/colecaoespecial


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