IIIF, o que é isso mesmo?

20/05/2019

Durante o Congresso Internacional em Tecnologia e Organização da Informação (TOI) de 2019 vai acontecer um evento paralelo muito interessante para quem trabalha com acervos de imagens: o seminário Introdução ao IIIF: Padrões e Ferramentas para a Interoperabilidade de Imagens.

IIIF,  sigla de International Image Interoperability Framework, é um conjunto de padrões e ferramentas criado para facilitar a publicação e a interoperabilidade de imagens na internet, desenvolvido por um consórcio internacional de instituições que inclui a British Library e as universidades de Stanford e Oxford, que deram início ao projeto.

Um “brinquedinho” muito útil para quem está construindo bases de dados de imagens, porque permite:

subir e visualizar online imagens em alta resolução de forma muito rápida

a partir de uma única imagem, o usuário poderá editar, fazer zoom e recortar da forma que quiser, na própria interface de visualização, sem precisar baixar a imagem

inserir uma camada de anotações nas imagens, que podem ser exibidas ou não de acordo com a necessidade do usuário

comparar imagens de bases de dados diferentes na mesma interface, sem fazer download, como se pode ver no demo do Projeto Mirador

A Biblioteca da ECA vem trabalhando com essa ferramenta em seu projeto da Biblioteca Digital da Produção Artística da ECA, ainda em fase experimental.

A ideia de um encontro sobre o assunto surgiu em agosto do ano passado, a partir de uma sugestão de Glen Robson, coordenador técnico do IIIF, numa troca de mensagens com os profissionais que já estudavam a ferramenta no Brasil na época: Leonardo Germani, da Universidade Federal de Goiás; Bruno Buccalon, do Instituto Moreira Salles e Sarah Lorenzon Ferreira, bibliotecária da nossa equipe e membro do comitê de ética da comunidade IIIF. A proposta tomou corpo na forma de seminário âmbito do TOI.

Serão apresentadas as seguintes experiências de uso do IIIF no Brasil:

Biblioteca Digital da Produção Artística da ECA/USP: aplicação do IIIF, por Sarah Lorenzon Ferreira

Anotando fotografias urbanas com IIIF e Wikidata, por Bruno Buccalon (Instituto Moreira Salles)

Uso do IIIF no acervo de pinturas do Museu Histórico Nacional, por Leonardo Germani (Universidade Federal de Goiás)

Josh Hadro, diretor administrativo do IIIF, fará uma apresentação por videoconferência. O debate terá a moderação da Profa. Dra. Vânia Lima, do Departamento de Informação e Cultura da ECA.

Inscrições: http://2019.toiomtid.com.br/iiif/

Para saber mais sobre o IIIF:

Léo Germani. Conhecendo o IIIF: padrões e ferramentas para publicação de imagens na Web.

Saran Lorenzon Ferreira, Marina Macambyra, Vânia Lima. Imagens interoperáveis: uso do VRA Core e da estrutura IIIF na construção de bibliotecas digitais.

IIIF no Youtube

 

 

 

 


No princípio era a balbúrdia

13/05/2019

A balbúrdia, essa famigerada, apareceu entre nós em 1713, segundo o Houaiss, e virou assunto nacional recentemente por conta do debate político envolvendo cortes de verbas das universidades e institutos federais.

Mas a balbúrdia pode ser também objeto de estudo, assunto para uma pesquisa acadêmica. E se você estiver interessado em pesquisar o assunto, ou mais precisamente essa balbúrdia usada como álibi para o corte de verbas, é preciso primeiro entender o que se quis dizer com essa palavra, e depois traduzi-la para o nosso vocabulário de indexação. Algumas possibilidades de tradução abaixo.

Se quando nossos dignitários falaram em balbúrdia estavam se referindo a um estado de desordem que pede uma intervenção divina, nesse caso há um conceito presente em nosso vocabulário de indexação que serve muito bem, caos. O conceito vem de áreas como filosofia e mitologia. Em nosso acervo aparece de forma episódica ou aplicado às nossas áreas de estudo.

 

Pode ser também que a balbúrdia nesse caso sejam os conflitos sociais surgidos em decorrência das contradições e desigualdades sociais, das lutas por mobilidade social e mudanças. Nesse caso, busque pelas expressões em negrito neste parágrafo. Algumas indicações:

Contestado

Canudos

Seca

 

 

 

 

 

 

Clique na imagem para ampliar.

Mas se a balbúrdia que incomoda for o pensamento crítico, ou simplesmente um jeito de ver as coisas que não é o do incomodado, nesse caso a palavra adequada para traduzir a balbúrdia em nosso sistema talvez seja ‘ideologia’.

A universidade é o espaço onde a balbúrdia pode ser estudada e problematizada. Mãos à obra!


Mães: uma seleção de filmes

06/05/2019

Neste mês nossa seleção de filmes traz como destaque o tema Mães. Os filmes apresentam ao telespectador diferentes enredos que nos revelam fases e faces dessa função desempenhada sempre numa relação com o outro e, também, consigo mesma.

De amores, a rancores e amarguras, a presente seleção coloca-nos diante de diferentes nuances que podem marcar o papel de mãe, delineado tanto na biologia como nas conformações sociais.

 

Cena do filme Je vous salue Marie (1984) de Jean Luc-Godard

Confira a lista de filmes aqui


Por que as coisas são assim?

29/04/2019

Bibliotecas são construídas ao longo do tempo, coletivamente, por várias gerações de funcionários e usuários. Sim, usuários também, porque uma biblioteca precisa sempre considerar as necessidades do público para o qual existe.

Quando olhamos para as estantes de uma biblioteca vemos livros doados ou  comprados, selecionados, catalogados e encadernados por pessoas que talvez já tenham morrido. E lidos por pessoas que nascerem muito tempo depois da chegada desses livros.

Isso tudo tem sua beleza, mas também coloca as bibliotecas diante de algumas questões complexas. Por exemplo, uma decisão tomada hoje, em função das condições práticas e demandas atuais, dentro de poucos anos poderá parecer errada ou inadequada. Sempre é possível mudar de ideia ou corrigir rumos,  mas nem sempre a equipe dispõe de tempo ou recursos para fazer mudanças de forma rápida.

Recentemente dois alunos do curso de Audiovisual pediram, em nossa caixa de sugestões, que os roteiros de filmes fiquem todos juntos na estante, como as peças de teatro. Fomos investigar a causa dessa aparente injustiça com o cinema e descobrimos que existe, de fato, na edição mais recente da tabela de classificação que usamos – a Classificação Decimal de Dewey – um número específico para roteiros.

Por que, então, não classificamos nesse número os nossos roteiros, para que fiquem todos juntos nas estantes? É difícil ter certeza. Essa divisão específica não existia na tabela quando começamos a organizar nosso acervo, na década de 1970. Os roteiros publicados em livros sempre ficaram junto com os demais livros sobre filmes de uma nacionalidade específica, ou seja, roteiros de filmes brasileiros na classificação 791.430981 – cinema brasileiro.

Por muitos anos essa situação não se apresentou como um problema. Hoje, porém, o acervo cresceu e temos quase dois corredores de estantes cheios de livros de cinema, o que faz os alunos percorrerem um bocado de prateleiras para encontrar todos os roteiros que gostariam de ler. Além disso, colocamos placas no início das estantes da classificação de teatro, indicando que temos “peças de teatro”, mas não colocamos placas de “roteiros” nas estantes de cinema,  evidenciando algo que é, de fato, uma diferença de tratamento.

E agora, o que fazer? Já dispomos de um número para roteiros e temos alunos pedindo essa separação. É possível mudar a organização do acervo? Sim, mas vai demorar. Será preciso levantar todos os roteiros publicados em livro do acervo, retirá-los de seus lugares, trocar etiquetas e números anotados nos carimbos, corrigir as informações nos registros do Dédalus e reorganizar as estantes para deixar algumas prateleiras livres para esse material. No momento, é uma uma pendência registrada na nossa lista de tarefas a realizar quando for possível.

Por enquanto, podemos localizar os roteiros do acervo buscando no Dédalus pelo termo”roteiro”, campo assunto. Sem esquecer que temos vários roteiros não publicados e cheios de anotações, que tratamos como manuscritos e mantemos na nossa Coleção Especial, longe das estantes comuns. Tratamos do assunto neste post.

 

E as peças de teatro, estão mesmo todas juntas nas estantes? Na verdade, não. As peças publicadas em livro estão nas estantes do acervo circulante misturadas aos livros de crítica teatral de cada país ou no acervo de folhetos, quando são fininhas; as peças não editadas nos armários de pastas suspensas, lá na sala das teses.

Armário dos folhetos e peças não editadas

 

Acontece que, como temos quantidades bem maiores de peças do que de roteiros, o teatro acabou sendo privilegiado na identificação das estantes, onde colocamos apenas os segmentos mais numerosos e visíveis de cada corredor.  Temos também peças publicadas em revistas de teatro, que não estão reunidas nem pelo Dédalus, porque ainda não terminamos de fazer o levantamento desse material.  O que temos, por enquanto, é uma lista parcial publicada aqui no blog que iremos, um dia, completar.

Observem que, em geral, o agrupamento nas estantes não resolve tudo. Será sempre necessária a busca no catálogo, onde conseguimos reunir categorias que não estão próximas fisicamente no acervo, usando termos que identificam o Tipo de material ou Gênero / forma.

Como esses, temos muitos outros casos que vamos resolvendo, aos poucos e com cuidado. A colaboração dos usuários é fundamental para que a gente identifique os problemas mais rapidamente. Portanto, avisem-nos sempre que encontrarem algo que possa ser melhorado na organização da Biblioteca da ECA. Suas sugestões vão sempre receber atenção da equipe e, se forem pertinentes e viáveis, o problema será solucionado assim que for possível.


Acesso aberto: nova política da Fapesp

22/04/2019

O movimento de acesso aberto acaba de ganhar um empurrão importante no Brasil. A Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) publicou a pouco a Portaria CTA nº 01/2019, instituindo uma “política para acesso aberto às publicações resultantes de auxílios e bolsas FAPESP”. Uma decisão com potencial de se espalhar pelo país, dado o papel propagador que São Paulo exerce.

O texto da portaria diz que qualquer artigo ou comunicação resultante de financiamento parcial ou total deve ser depositado em repositório institucional, respeitando as políticas de acesso da publicação original.

Na prática isso quer dizer que o depósito no repositório não significa, necessariamente, que o artigo ficará em acesso aberto. Outras formas de acesso estarão disponíveis, desde o acesso aberto irrestrito até o embargo temporário.

O pesquisador da ECA deve enviar à biblioteca o artigo, informando onde foi publicado e a política de acesso aberto dessa publicação. O envio pode ser por e-mail <ecabiblioteca@usp.br>, ou por esse formulário aqui: <http://www3.eca.usp.br/biblioteca/producao-intelectual-formulario>

A biblioteca, de posse do arquivo, insere o registro em nosso catálogo e faz o upload na Biblioteca da Produção Intelectual da USP. Às bibliotecas cabe também o trabalho de “orientação aos pesquisadores, indexação e disponibilização no repositório institucional”.

Mais informações:

Portaria CTA nº 01/2019 -Institui a “Política para Acesso Aberto às Publicações Resultantes de Auxílios e Bolsas FAPESP”

http://www.fapesp.br/12632

Anexo I – Política para Acesso Aberto às Publicações Resultantes de Auxílios e Bolsas FAPESP

http://www.fapesp.br/12592


O ato de estudar

15/04/2019

Bibliografias, leituras obrigatórias, bibliografia complementar, resenhas, sínteses, seminários são termos que fazem parte da vivência do estudante universitário, mas, muitas vezes, estão confinados a uma compreensão prévia do ato de estudar que é aquela do acúmulo de conteúdos intelectuais.

Quando chamados a dialogar com as ideias dos textos, ter voz ativa,  não raro, a sensação é de incapacidade e aflição. Algo esperado, de certo modo, ao considerarmos o transmissivismo que marca nossa educação, em que o aluno é encarado como um recipiente pronto para acumular conteúdos que lhes são transmitidos. E agora, na universidade, chamados a ter voz e construir conhecimentos, como fazê-lo, quais seriam as chaves?

Algo dessas inquietações é sentida pelos bibliotecários em seu contato com os estudantes. Diante disso, trazemos, a seguir, um breve texto do mestre Paulo Freire em que afirma que o ato de estudar “exige uma disciplina intelectual que não se ganha a não ser praticando-a.” Prática indispensável e com algumas chaves para que sejamos sujeitos desse ato.

Considerações em torno do ato de estudar, por Paulo Freire.

 

Nesse processo de construção de conhecimentos e de si mesmo como produtor de conhecimento, a Biblioteca da ECA está de portas abertas para auxiliar – dentro de suas possibilidades – os estudantes nesse diálogo com o patrimônio cultural e científico que abriga. Assim, sempre que precisarem, os bibliotecári@s estão disponíveis para auxiliá-los.


Tudo sobre o seu TCC

08/04/2019

Quase tudo, na verdade, porque não vamos nos intrometer na parte que cabe aos orientadores. Os cursos da ECA têm até disciplinas que preparam o aluno para a empreitada. Mas vamos dar umas dicas que podem ajudar bastante.

Fontes de informação

Trabalhos acadêmicos exigem referencial teórico. Mesmo quem conhece bem seu objeto de estudo, porque já trabalhou com isso ou porque faz parte de sua história pessoal precisa encontrar na literatura da área o embasamento para desenvolver suas ideias e justificar suas conclusões. Seu orientador vai ajudar, mas você vai precisar fazer buscas em bibliotecas e bases de dados online para encontrar material relacionado ao tema do seu TCC, e não apenas no Google.

foto: Richard Vignola (Flickr)

Consulte o Dédalus para localizar livros, teses e trabalhos de conclusão de curso de todas as bibliotecas da USP. As teses e TCCs mais recentes estão disponíveis em pdf. Veja neste post como se faz para encontrar TCCs no Dédalus. Alguns TCCs em pdf só podem ser abertos e baixados na Biblioteca da ECA. Isso acontece porque o autor não colocou no trabalho a autorização para divulgação ampla pela internet. Não de esqueça de fazer isso no seu TCC, se quiser facilitar a vida dos seus futuros leitores.

Acesse o Portal de Busca Integrada da USP e o Portal de Periódicos da CAPES para encontrar artigos de revistas acadêmicas, com o texto completo disponível para baixar. Alguns conteúdos de um serviço não estão disponíveis no outro, por isso é bom consultar os dois. As revistas e os e-books publicados pela USP, por exemplo, não estão no portal da CAPES.

Quem pretende fazer uma pesquisa mais consistente vai precisar recorrer às bases de dados de artigos de revistas. Pelo Portal de Periódicos da CAPES ou pela lista de Bases de Dados do SIBi, você terá acesso a diversas bases, tanto especializadas em uma área quanto multidisciplinares. Alguns exemplos:

Academic Search Premier – multidisciplinar

Art Full Text – artes visuais, arquitetura, fotografia, cinema

Businnes Source Complete – administração, negócios, marketing, economia, turismo

JStor: multidisciplinar

LISA – Library & Information Science Abstracts – biblioteconomia e ciência da informação

RIPMRetrospective Index of Music Periodicals: música

Scopus: multidisciplinar

Importante: para abrir artigos publicados em revistas pagas pela USP ou pela CAPES em qualquer computador que não seja da USP, você precisa estar conectado à rede VPN ou Eduroam. Veja aqui como fazer isso.

E, por fim, se tudo isso parecer complicado demais, não se esqueça de que você tem à sua disposição as bibliotecárias e o bibliotecário de referência da ECA (Lilian, Marina e Walber), que podem ajudar muito.

Normalização e formatação

Referências? Citações? Notas de rodapé? Tabelas e ilustrações? Sumário? Se essas palavras te provocam medo, náusea ou coceiras, saiba que não é para tanto. Com um pouco de paciência e, se precisar, ajuda da Biblioteca da ECA, vai dar tudo certo.

Em nosso site, na página Normalização, oferecemos alguns materiais de apoio importantes, como as Diretrizes da USP para elaboração de dissertações e teses, que também serve para os TCCs. É um manual preparado por bibliotecários da USP que reúne todas as instruções da diversas normas da ABNT necessárias para elaborar um trabalho acadêmico. Como fazer referência de um artigo online, como e quando usar o apud, está tudo lá.

Se você preferir consultar diretamente as normas da ABNT, fale conosco ou baixe o que precisar pelo site do SIBi, no serviço ABNT – Portal Gedweb.

Alguns pontos importantes sobre citações e referências:

Faça uma única lista de referências, incluindo na mesma ordem todos os documentos citados, sejam livros, artigos, sites ou filmes.

Só inclua na lista de referências os documentos efetivamente citados no texto.

Evite citações de citações (o famoso apud). Procure localizar a fonte original.

Informação oral ou não publicada (algo que você ouviu numa palestra, por exemplo) podem ser citadas, mas não entram na lista de referências. Coloque em nota de rodapé.

Não faça do seu texto uma colcha de retalhos. Procure encadear as citações no seu discurso de forma equilibrada, usando-as, por exemplo,  para fundamentar suas ideias ou justificar suas afirmações.

Ficha catalográfica

A norma da ABNT para trabalhos acadêmicos diz que é necessário ter os dados de “catalogação na publicação” ou seja, a ficha catalográfica. Parece difícil, mas basta preencher um formulário no site da Biblioteca e a ficha sai pronta, na hora, automaticamente. E já com a frase que autoriza a publicação do trabalho na internet.

Depois da defesa

Seu trabalho deve ser encaminhado à Biblioteca pelo seu Departamento, oficialmente, ou seja, acompanhado por um ofício ou documento semelhante. A maioria dos Departamentos adota o critério de nota mínima para enviar os TCCs à Biblioteca.

Se o trabalho for textual, só recebemos em pdf. Entram para o acervo em versão impressa apenas os trabalhos de arte (objetos, gravuras, desenhos, livros de artista etc) ou qualquer trabalho que só possa ser apreciado plenamente em sua expressão física.

 

 


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