Gastando o latim

16/11/2020

As normas de referência, e principalmente a de citações, da Associação Brasileira de Normas Técnicas recomendam o uso de algumas expressões e palavras em latim, para evitar que a leitura das citações se torne repetitiva, ou quando não se consegue precisar alguma informação, no caso das referências.

O latim dá voz ao que chegou até nós da cultura clássica, cultura da qual o ocidente é devedor. Expressões como status quo, causa mortis, habeas corpus e tantas outras fazem parte do vocabulário de muita gente; em áreas como direito e na nomenclatura científica, a presença do latim é ainda mais evidente.

É certo que às vezes é usado com algum pedantismo ou como marca de distinção social, o que não é de hoje:

Para as elites, o mundo clássico, antes símbolo máximo do status e da pertença de classe, foi relegado nem tanto ao esquecimento, como à denegação: cheirava a mofo e a uma visão de mundo a ser superada.

O resultado é que o latim deixou de ser obrigatório em nossas escolas de ensino fundamental e médio ainda na década de 1950. Mas como está na base de algumas das línguas mais faladas hoje no mundo e dá voz à Antiguidade Clássica, permanece.

Nas citações em documentos (ABNT NBR 10520) as expressões e palavras são recomendadas para evitar repetição nas notas de referência no rodapé, ou seja, a primeira citação em nota de rodapé deve ter sua referência completa, só então você vai ter que gastar o latim. Para tornar as coisas um pouco mais difíceis, é comum que se usem tais expressões abreviadas.

Idem – mesmo autor – Id.
SOUZA, 1990, p. 51.
Id., 2018, p. 17.
Ibidem – na mesma obra – Ibid.
DURKHEIM, 1925, p. 176
Ibid., p. 190.
Opus citatum, opere citato – obra citada – op. cit.
ADORNO, 1996, p. 38.
GARLAND, 1990, p. 42-43.
ADORNO, op. cit., p. 40
Passim – aqui e ali, em diversas passagens – passim
RIBEIRO, 1997, passim
Loco citato – no lugar citado – loc. cit.
TOMASELLI; PORTER, 1992, p.33-46
TOMASELLI; PORTER, loc. cit.
Confira, confronte – Cf.
Cf. CALDEIRA, 1992
Bom, essa daqui não é latim no sentido que estamos usando aqui, mas de onde você acha que vieram as duas palavras aí?
Sequentia – seguinte ou que segue – et. seq.
FOUCAULT, 1994, p. 17 et seq.

Idem, ibidem, opus citatum “só podem ser usadas na mesma página ou folha da citação a que se referem.”

Apud – citado por, conforme, segundo
EVANS, 1987 apud SAGE, 1992, p. 2-3

Agora um pouco de controvérsia. Diferentemente das outras expressões, essa também pode ser usada no texto, não apenas no rodapé. Usa-se essa expressão para indicar que se está citando uma citação direta ou indireta, ou seja, você não teve acesso ao documento original, e aqui entra a parte da controvérsia. No exemplo acima você estaria assumindo que a leitura ou interpretação que Sage fez de Evans, é correta, sem vieses ou ruídos. Lembram daquela brincadeira infantil do telefone sem fio?

A ABNT não diz para evitar o uso dessa expressão, no entanto a pesquisa científica é um trabalho de investigação, e se é possível encontrar o original numa biblioteca ou numa das várias bases de dados, não tem desculpa para não ir atrás do original. Veja o que diz esse editorial da Revista Latinoamericana de Psicopatologia Fundamental.

No caso das referências (ABNT NBR 6023), normalmente as expressões latinas aparecem quando não se pode oferecer a informação completa, seja para resumir uma lista de autores extensa, seja porque os dados não foram fornecidos

et alii – e outros – et. al.
URANI, A. et al.
Para mais de três autores. Recomenda-se indicar todos, mas não sendo possível usa-se como no exemplo acima.
sine nomine – sem nome (da editora) – [S. n.]
FRANCO, I. Discursos: de outubro de 1992 a agosto de 1993. Brasília, DF: [s. n.], 1993. 107 p.
sine loco – sem local (de publicação) – [s. l.]
KRIEGER, Gustavo; NOVAES, Luís Antonio; FARIA, Tales. Todos os sócios do presidente. 3. ed. [S. l.]: Scritta, 1992. 195 p.
circa – por volta de – ca.
ca. 1950
ano de publicação aproximado

Seja em áreas como direito, ou na nomenclatura científica, o latim se faz presente bem mais do que como nota de rodapé

As citações acima e os exemplos usados vieram das normas da ABNT NBR 6023 e NBR 10520 e do livro O latim hoje, organizado por Patrícia Prata e Fábio Fortes


Voltando, aos poucos

09/11/2020

A partir de hoje, 9 de novembro, os funcionários da USP estão voltando ao trabalho presencial, ainda de forma parcial, mas compulsória. Apenas 20% do pessoal estará presente, em esquema de revezamento.

Nesta fase, o Plano USP para retorno gradual das atividades presenciais não prevê a reabertura das bibliotecas, autorizando apenas o atendimento mediante agendamento.

Nossa biblioteca, entretanto, que passou por uma reforma de suas instalações durante a pandemia, ainda não tem condições de implantar um esquema de empréstimos e devoluções. Para tanto, será necessário concluir as instalações elétricas e realizar ajustes no leiaute do espaço, de forma a garantir a biossegurança de funcionários e usuários. Avisaremos pelo nosso site e perfis nas mídias sociais quando tudo estiver pronto.

Por enquanto, continuaremos atendendo remotamente. Nossos treinamentos para acesso a fontes de informação, normalização, uso de gerenciadores de referências, dicas de preenchimento do Lattes e do ORCID, e outros assuntos nos quais a gente pode ajudar, continuam sendo oferecidos pelo Google Meet. Basta marcar por este link: http://www3.eca.usp.br/biblioteca/servicos/treinamentos

Todos os empréstimos realizados antes da Biblioteca fechar foram renovados para dia 11 de janeiro, com exceção daqueles que já estavam em atraso no dia 16 de março. Os usuários que preferirem entregar o material podem utilizar nossa caixa de devoluções 24 horas, localizada no saguão de entrada do prédio central da ECA.

Não se esqueçam de consultar nossa página Recursos Online, na qual explicamos como localizar artigos acadêmicos e outros materiais, além de indicarmos links para tutoriais e textos informativos sobre o assunto.

Dúvidas? Basta nos enviar e-mail para ecabiblioteca@usp.br. Responderemos rapidamente.


Tabulando dados

27/10/2020

Tabelas são uma forma de apresentar informações em linhas e colunas com intuito de resumir, facilitar consulta, dispensar leitura do todo, se se tem pressa. Explicar o que é uma tabela do ponto de vista gráfico, é meio tautológico. É uma forma bastante comum de exibir dados em artigos científicos.

Nos trabalhos acadêmicos as tabelas devem ser apresentadas segundo as Normas de apresentação tabular, documento de trabalho do IBGE disponibilizado publicamente. Sua última atualização é 1993, quando boa parte dos recursos de edição a que estamos acostumados eram talvez incipientes, ou seja, as tabelas não mudaram muito de lá pra cá.

Segundo esse documento, uma tabela é  uma “Forma não discursiva de apresentar informações, das quais o dado numérico se destaca como informação central.”

a informação central de uma tabela é o dado numérico e que todos os outros elementos que a compõem têm a função de complementá-lo e explicá-lo.

Algumas recomendações sobre apresentação e diagramação de tabelas:

  • devem ser apresentadas numa única página
  • devem apresentar uniformidade gráfica
  • devem ter um título precedido da palavra TABELA e cabeçalho indicando conteúdo das colunas
  • devem ser citadas no texto e estar próximas ao trecho a que se referem
  • devem ser identificadas com algarismos arábicos sempre que houver mais de uma
  • podem ter no rodapé indicação de fonte e notas específicas e gerais
  • se a tabela precisar ser apresentada em mais de uma página deve-se repetir título e cabeçalho. Nesse caso:

 

cada página deve conter uma das seguintes indicações: continua para a primeira, conclusão para a última e continuação para as demais

 

Quando se optar por numerar as tabelas numa sequência para cada capítulo, o número da tabela deve começar pelo número do capítulo, por exemplo: TABELA 4.2, significando que se trata da segunda tabela no quarto capítulo.

A Lista de tabelas, que faz parte dos elementos opcionais pré-textuais de dissertações e teses, é recomendada quando há a partir de cinco tabelas, deve ser feita seguindo o mesmo critério de numeração das tabelas no texto, ou nos capítulos. O título LISTA DE TABELAS não é numerado, e como outros elementos que não são numerados, deve ser centralizado, mas o destaque tipográfico é o mesmo dado às outras seções primárias do documento.

A norma da ABNT NBR 14724 recomenda fonte menor para as tabelas, mas não diz o tamanho, já as Diretrizes… recomendam fonte tamanho 10 ou 11. Também o espaço entrelinhas deve ser simples, diferente do restante do texto, que se recomenda espaço 1,5.

as tabelas acima são das Normas de apresentação tabular, do IBGE

Ferramentas para seleção de revistas

19/10/2020

A escolha de um periódico para publicar exige a participação ativa e consciente do autor em todo o processo da pesquisa. Para publicar, o pesquisador deve ser também um leitor, conhecer e acompanhar as melhores revistas de sua área, conectar-se a outros pesquisadores de sua área, situar-se, enfim, nesse mundo. Não existe um método simples e mágico para fazer essa escolha, mas algumas ferramentas podem ajudar um pouco.

Uma delas é a Master Journal List, da empresa Clarivate. Funciona assim: o autor insere numa tela o título e o resumo de seu artigo e a ferramenta mostra uma lista das publicações indexadas na base Web of Science que, provavelmente, seriam adequadas. 

https://mjl.clarivate.com/home

É interessante mas, na verdade,  não é tão diferente do procedimento clássico de fazer a busca pelo assunto do artigo numa base de dados e observar quais revistas publicam sobre. E não exime o autor de fazer a análise dos periódicos sugeridos e avaliar suas chances de ter um artigo aceito. Observem, ainda, que essa ferramenta abrange um determinado universo de revistas, aquelas que são indexadas nessa base específica.

A Agência USP de Gestão da Informação Acadêmica – AGUIA, indica algumas ferramentas e dá diversas dicas sobre o assunto seleção de revistas. Vejam:

https://www.aguia.usp.br/apoio-pesquisador/escrita-publicacao-cientifica/selecao-revistas-publicacao/

Este texto da plataforma Sci Writing – Escrita e Comunicação Científica, também tem sugestões:

Ver no Medium.com

E aqui, as sugestões da distribuidora de revistas científicas Dot.LIb:

 

https://dotlib.com/blog/4-ferramentas-que-ajudam-a-encontrar-o-periodico-adequado-para-a-publicacao-de-artigos-cientificos

Testem as várias ferramentas e escolham a que melhor atender suas expectativas. Provavelmente vocês terão de usar mais de uma. Mas não se esqueçam: nada substitui seu conhecimento da sua área de pesquisa, algo que pode demorar um pouco para ser adquirido.

Outros posts sobre o assunto que já publicamos aqui no blog:

https://bibliotecadaeca.wordpress.com/2019/09/02/escolha-de-periodicos-para-publicar/

https://bibliotecadaeca.wordpress.com/2020/06/08/como-submeter-um-artigo-para-publicacao/

https://bibliotecadaeca.wordpress.com/2020/08/18/como-acompanhar-chamadas-de-artigos/

 


Nosso acervo na Cinemateca Brasileira

13/10/2020

A crise sem precedentes enfrentada pela Cinemateca Brasileira, uma das instituições de memória mais importantes do país, assusta qualquer cidadão preocupado com a cultura e o cinema brasileiro.  Na Escola de Comunicações e Artes da USP, que sempre teve relações estreitas com a Cinemateca, temos um motivo adicional para preocupações, como lembrou o professor Eduardo Morettin durante o ECA DEBATE: Cinemateca Brasileira: memória e produção audiovisual em risco: quase todo nosso acervo de filmes está depositado na Cinemateca Brasileira.

Os filmes produzidos pelos alunos do curso de Cinema (hoje Audiovisual) da ECA sempre foram guardados por nós, da Biblioteca, que cuidávamos da catalogação, conservação e divulgação desse acervo. Na Biblioteca, entretanto, nunca foi possível criar um estrutura que garantisse a preservação do material. Esse é um trabalho para uma instituição especializada, um arquivo como a Cinemateca Brasileira, que tem (ou tinha) condições de manter os filmes nas condições ideias de temperatura e umidade relativa do ar – além de outros cuidados. Sempre cuidamos de forma responsável desse acervo, que era mantido em sala com controle de temperatura e umidade, mas sabíamos que não conseguiríamos atingir os mesmos padrões da Cinemateca.

Por esse motivo, o Departamento de Cinema, Rádio e Televisão da ECA – CTR decidiu encaminhar para a Cinemateca todo o acervo, que inclui cópias de filmes produzidos desde 1968. Só foram mantidos na Biblioteca da ECA os filmes mais recentes, que ainda estavam circulando bastante em festivais brasileiros e internacionais. A ideia inicial era fazer remessas anuais, mantendo sempre na ECA apenas os filmes produzidos nos últimos 5 anos, mas o projeto foi interrompido por volta de 2013, quando a Cinemateca começou a enfrentar sérios problemas.

São aproximadamente 150 filmes, entre os quais se encontram:  As três mortes de Solano, dirigido por Roberto Santos, o único longa-metragem produzido pela ECA; Um clássico, dois em casa, nenhum jogo fora, o mais antigo do acervo, pioneiro por abordar temática LGBT;  curtas dirigidos por cineastas como Aloysio Raulino, Susana Amaral, Chico Botelho, Wilson de Barros, Sérgio Bianchi, Maurice Capovilla, Regina Rheda, Jeferson Dê, Paulo Sacramento, Ana Muylaert, Juliana Rojas, Marco Dutra, entre outros, quando estudantes.

Alguns desses filmes estão disponíveis em vídeo ou DVD em nosso acervo, outros podem ser encontrados na internet, mas a maioria tem apenas o negativo e uma única cópia em película, ambos guardados pela Cinemateca. Continuam sendo patrimônio da ECA, pois foram depositados, não doados. Mas, no momento, sua situação é a mesma de todo o precioso acervo mantido pela instituição, que está sem verbas e sem corpo técnico: em risco.

Vejam aqui a lista dos filmes da ECA enviados à Cinemateca. O catálogo completo está disponível no Dédalus e na base de Filmes e Vídeos disponível no site da Biblioteca.

Mais informações sobre a situação da Cinemateca Brasileira nos links abaixo.

Artigos:

https://brasil.elpais.com/cultura/2020-07-29/cinemateca-brasileira-agoniza-e-se-torna-simbolo-da-falta-de-politica-cultural-do-governo-bolsonaro.html

https://jornal.usp.br/cultura/cinemateca-precisa-ter-autonomia-politica-e-ser-gerida-por-tecnicos/

https://jornal.usp.br/artigos/o-sequestro-de-nossa-memoria-audiovisual/

Moções:

http://www3.eca.usp.br/noticias/congrega-o-da-eca-aprova-mo-o-de-apoio-cinemateca-brasileira

https://www.ccaaa.org/pages/news-and-activities/CCAAA-declaration-cinemateca-brasileira.html?fbclid=IwAR1wewXuHeO4X7oxTToYjSxxpbDvxNiKpu9VCxanW33kM0pGh6Wk4USm9Xc

https://www.fiafnet.org/pages/News/FIAF-Statement-Cinemateca-Brasileira-02-2020.html

Para saber mais sobre o papel e a importância da Cinemateca Brasileira:

Dissertação de Fernanda Curado Coelho

https://teses.usp.br/teses/disponiveis/27/27153/tde-19112010-083724/pt-br.php

Tese de Carlos Roberto de Souza

https://teses.usp.br/teses/disponiveis/27/27153/tde-26102010-104955/pt-br.php


Revisão por pares aberta e reconhecida

06/10/2020

A revisão por pares é fruto um esforço das publicações acadêmicas e pesquisadores de balizar o conteúdo de artigos, certificando e aumentando o valor de artigos e periódicos que usam dessa ferramenta. Não foi sempre assim, quer dizer, a revisão por pares não nasceu exatamente com esse propósito, em suas origens estava a preocupação em aumentar a visibilidade da ciência.

Críticas ao modelo sempre existiram, e algumas das mais recorrentes dizem respeito aos vieses que o processo possibilita, seja usando método simples cego ou duplo cego de revisão; outra crítica que tem ganhado importância diz respeito ao tempo demandado dos pesquisadores pareceristas para um trabalho cada vez mais comum e pelo qual não se recebe nada em troca. 

Para lidar com essas questões e no contexto da ciência aberta, têm surgido alternativas. Uma dessas alternativas é a revisão por pares aberta, que defende que autores e revisores tenham conhecimento um do outro, mas não só, defende também que pareceres possam se tornar públicos, atribuindo assim créditos aos pareceristas. E aqui entram em cena serviços como o Publons, plataforma que busca dar visibilidade à revisão por pares e crédito aos avaliadores. 

Publons é uma plataforma para o registro da atividade de revisão. Se você é editor, revisor ou membro do corpo editorial de um periódico pode cadastrar nesse serviço suas contribuições, que podem ficar públicas ou não, dependendo também da política editorial da revista. Na opinião dos criadores da plataforma, a revisão por pares é um serviço que confere credibilidade aos pareceristas. Ter sido convidado para revisar artigos significa que se é reconhecido como especialista na área, portanto é algo a ser registrado.

O Scielo já oferece aos editores de sua coleção os serviços da plataforma Publons “para ajudar a encontrar, filtrar e se conectar com os pareceristas mais pertinentes ao assunto dos manuscritos”, permitindo que recebam o devido crédito pela avaliações feitas.

 


E-books

28/09/2020

Com as bibliotecas fechadas por tanto tempo, uma das grandes questões é: e os e-books?

Quem precisa de livros pergunta se a Biblioteca da ECA  não tem uma versão digital do material desejado, se não temos acervo de e-books, se não vamos comprar e-books etc. Vamos tentar responder.

foto: Tina Franklin (Flickr)

A questão, na verdade, é mais complicada do que parece. A USP tem, sim, acervo de e-books, e vamos falar mais sobre isso  neste post. Mas a compra de e-books não se faz da mesma forma que a dos livros impressos, porque o uso deles é diferente. Logo, a forma de comercialização e divulgação também muda. Os e-books são vendidos para uso individual. Não podemos simplesmente comprar um e deixar disponível para todos os interessados, como sempre fizemos com os livros impressos. Para saber mais sobre o assunto, leiam  este artigo de Liliana Giusti Serra e José Eduardo Santarém Segundo. 

A compra de e-books na USP tem sido feita por assinatura de pacotes, cujo conteúdo é oferecido em plataformas desenvolvidas pelos fornecedores. Já temos coleções de editoras como Cambridge University Press, MacGraw Hill, Wiley e outras, que podem ser localizados pelo Portal de Busca Integrada. Pelo link específico “Livros Eletrônicos – E-books“, é possível localizar livros de uma determinada editora ou fornecedor, buscando por autor ou palavras do título. Essa ferramenta também localiza materiais de acesso livre, disponíveis em diversas fontes. A parte chata é que, embora haja material para diversas áreas do conhecimento, o acervo de humanidades não é muito expressivo. 

Recentemente, a USP assinou a plataforma Minha Biblioteca.  O serviço está sendo divulgado como se fosse exclusivo para as áreas de Medicina e Saúde, mas encontramos vários títulos interessantes para humanidades: cultura, comunicação, educação, antropologia, administração, metodologia da pesquisa, escrita científica etc. Vale a pena vasculhar um pouco. Apenas para leitura online, não dá para baixar. Para mais informações, vejam este vídeo.

A Agência USP para Gestão da Informação Acadêmica (Aguia) está providenciando assinatura de outros serviços de conteúdo mais adequado para a área de humanidades. Um dos serviços cuja assinatura está em processo é a Biblioteca Virtual da Pearson, mas ainda estamos aguardando confirmação. Enviamos uma lista de títulos que seriam importantes para nossa Biblioteca, que inclui: itens solicitados recentemente pelos professores; os 100 livros mais emprestados no último ano; livros que já foram solicitados em outras ocasiões mas não foram adquiridos. Esperamos que seja possível localizar no mercado de e-books pelo menos parte dessa lista. Cruzemos os dedos!

Além disso, não podemos esquecer do Portal de Livros Abertos da USP, que reúne livros digitais acadêmicos e científicos publicados em acesso aberto por docentes e funcionários técnico-administrativos da USP. Um belíssimo serviço prestado pela Universidade à população. 

Por último, mas não menos importante, esta lista de e-books gratuitos de editoras universitárias brasileiras, elaborada pela Biblioteca da Universidade Federal de Santa Catarina,  em colaboração com o pessoal do sistema de bibliotecas da Universidade Federal do Rio de Janeiro. A lista está sendo constantemente atualizada. Acompanhem!

Não se esqueçam que, para acessar os serviços pagos, é necessário estar conectado à rede VPN da USP


Vinil

21/09/2020

A coleção de discos da Biblioteca da ECA já tem mais de 11000 mil volumes, entre CDs, discos em vinil e até uma pequena quantidade de fitas cassetes. Os discos em vinil, que começamos a adquirir assim que a Biblioteca foi criada, correspondem à metade da coleção, aproximadamente. 

Temos cópias em CD de boa parte deles, mas muitos ainda repousam exclusivamente em seus suportes originais e não foram registrados na base de dados. Um espécie de tesouro escondido, na verdade. Vamos mostrar algumas capas desses discos. Se vocês gostarem, anotem para pegar emprestado (CD) ou ouvir lá na Biblioteca (vinil), quando a pandemia estiver controlada e pudermos, finalmente, retomar o que ficou interrompido.

Talvez alguns desses discos estejam disponíveis em algum lugar da internet. Talvez não!

Somente em vinil

Somente em vinil

Em vinil e CD

Somente em vinil

Em vinil e CD

Somente em vinil

Em vinil e CD

Somente em vinil

Somente em vinil

Somente em vinil

Somente em vinil

Somente em vinil

Somente em vinil

Somente em vinil

Em vinil e CD

Leia também:

Ouvindo vinil na Biblioteca da ECA

https://bibliotecadaeca.wordpress.com/2013/11/04/ouvindo-vinil-na-biblioteca-da-eca/

Antigamente era assim

https://bibliotecadaeca.wordpress.com/2020/06/15/catalogacao-manual-discos/

Curtindo capas

https://bibliotecadaeca.wordpress.com/2012/04/25/curtindo-capas/

 


Qual o impacto de sua pesquisa?

15/09/2020

Num momento em que a ciência tem de se deparar de um lado com uma recrudescente movimentação anticiência: atitudes como recusar o uso de máscaras no meio de uma pandemia que se transmite por vias respiratórias ou grupos antivacinas ou terraplanistas, que põem a cara no sol sem nenhum vexame. De outro lado com corte de verbas: agora mesmo, aqui em São Paulo discute-se projeto de lei que retira verba das três universidades estaduais e da Fapesp, ou a Capes, que corta bolsas das regiões mais pobres.

Nesse momento em que a importância da ciência precisa ser reafirmada, a altmetria pode ajudar a mostrar qual o impacto da ciência fora da academia. A altmetria (métricas alternativas) entende que pesquisadores estão migrando parte de seu trabalho para a web, seja pelo uso de gerenciadores de referência, como Mendeley, seja usando as redes sociais acadêmicas como ResearchGate, Academia.edu, ou mesmo redes sociais, como Twitter. Portanto, para saber o real impacto dos produtos científicos, acompanhar a repercussão das pesquisas nessas mídias sociais é importante.

são feitas cerca de 44 mil menções a artigos científicos na rede todos os dias (uma menção a cada dois segundos) e, pelo menos 50 mil artigos são compartilhados por semana *

As métricas convencionais (Índice H, Fator de impacto etc.) levam em conta principalmente o número de citações que periódicos e artigos recebem em outros artigos, considerando assim o impacto apenas no meio científico e as citações normalmente levam meses, anos para aparecer e se acumular.

Além disso, as métricas convencionais têm sido objeto de bastante controvérsia desde sempre. A Declaration on Research Assessment (DORA), por exemplo, pede que se leve em conta nas avaliações o conteúdo dos produtos científicos, não o periódico em que foi publicado. A crítica aqui é principalmente ao Fator de Impacto, métrica que foca no periódico, aliás criada originalmente para ajudar bibliotecários a identificar que periódicos valem a pena assinar.

Algumas das críticas feitas às métricas convencionais continuam válidas em relação à altmetria, como por exemplo, a possibilidade de manipulação dos dados:

Um dos riscos mencionados na literatura diz respeito à possibilidade de manipulação dos dados de maneira mais fácil quando comparado aos indicadores bibliométricos e cientométricos. **

À altmetria interessa como se dá a circulação da informação científica em ambientes não acadêmicos, leva em consideração não só a repercussão entre pesquisadores, mas profissionais que atuam nas áreas, estudantes e a parcela da sociedade conectada, faz isso através das citações, compartilhamentos e curtidas em redes sociais, leitura e tagueamento em gerenciadores de referências, redes sociais acadêmicas, sites jornalísticos, olhando assim, não apenas o impacto acadêmico, mas também social. Talvez não seja mera coincidência que o termo altmetrics tenha aparecido pela primeira vez justamente num tweet.

É uma área bastante nova, o tweet acima e o manifesto altmétrico têm apenas 10 anos, ou seja, ainda há muitas perguntas para as quais buscar respostas. Umas das respostas que têm sido buscadas é a relação entre índice altmétrico e número de citações em métricas convencionais. Este artigo encontrou correlação entre repercussão no Twitter e citações em periódicos, mas diz também que “correlação não é causa”. Este outro também sugere uma relação.

O debate em torno da altmetria está sendo feito, mas já faz um tempo que ela vem sendo adotada ao lado das métricas convencionais por bibliotecas digitais, editoras e portais acadêmicos, como Scielo, Nature, Elsevier, para citar alguns.

É preciso estimular o contato da sociedade com a ciência, e a altmetria pode ajudar a entender como isso está acontecendo.

“É questão de realmente entender que, se você é financiado pelo público para fazer sua ciência, também é seu dever, de alguma forma, encontrar uma maneira de divulgá-la ao público, para que desfrute dela.”

Desastres começam com cientistas sendo ignorados
Jornal da USP

* http://www.brapci.inf.br/index.php/res/v/104939.

** https://periodicos.ufpb.br/ojs/index.php/ies/article/view/30921

Doações para bibliotecas

08/09/2020

Agora, durante a pandemia, não estamos recebendo doações, por motivo de segurança. O recebimento de material exige a presença de funcionários no local de trabalho, e não podemos expor nossa equipe e usuários ao contágio.  Mas a Biblioteca da ECA sempre recebeu doações regularmente, com muita satisfação, e tão logo seja possível retomaremos essa prática.

Boas doações são uma forma muito importante de melhorar qualquer acervo. Entretanto, todas as bibliotecas têm seus critérios para receber ou não material e fazem seleção das doações recebidas, de acordo com o perfil de sua coleção. A Biblioteca da ECA recebe apenas materiais adequados ao perfil de acervo de biblioteca universitária especializada nas áreas de Comunicações e Artes, em bom estado de conservação, e se reserva o direito de analisar cada item individualmente e decidir pela sua incorporação ou não. Ou seja, se aceitarmos uma caixa com 50 livros, é possível que, feita a seleção final, nem todos entrem para o acervo e sejam encaminhados para outra biblioteca ou devolvidos para o doador (dependendo do que for combinado).

foto: AJ Ashton (Flickr)

Se você está pensando em doar livros, revistas, DVDs, partituras ou qualquer outro material, observe essas dicas, que, em geral, servem para qualquer biblioteca.

Entre em contato previamente com a biblioteca

Chegar de surpresa, com o porta-malas cheio de livros, pode criar problemas. Nem sempre haverá um funcionário disponível para dar uma olhada no material, conversar com você, transportar e arrumar um local para guardar tudo e fazer os procedimentos necessários. Geralmente as bibliotecas nem aceitam doações mais ou menos volumosas sem um contato prévio. E o conceito de “volumoso” varia de biblioteca para biblioteca!


Saiba o que está doando

Muitas bibliotecas pedem uma lista do material para analisar, antes de receber qualquer doação. Dependendo do caso, a lista pode ser dispensada, mas é importante que o doador consiga descrever o material em termos de assuntos, estado de conservação, quantidade, tipo de documentos etc. Se a resposta for algo como “é uma caixa mais ou menos do tamanho de uma máquina de lavar, estava no porão da casa da minha avó e só sei que está cheia de livros”, a resposta provavelmente será “ agradecemos, mas não estamos interessados”.

Tente procurar a biblioteca certa

Não é nada muito complicado. É só lembrar que uma biblioteca da área de artes não vai se interessar por livros de contabilidade, ou que uma biblioteca universitária não precisa de material destinado ao ensino fundamental, por exemplo. Assim você não perde tempo contatando quem não vai aproveitar sua doação.


Cuide da sua biblioteca pessoal

Muitas pessoas passam anos comprando livros e outras coisinhas, mas não se preocupam em conservá-los. Aí, quando acaba o espaço em casa ou quando precisam se mudar, decidem doar livros deteriorados, rasgados ou atacados por fungos. A maioria das bibliotecas têm restrições quanto a isso, e só recebem material deteriorado se for muito raro e valioso. Temos que lembrar que, mesmo quando é possível recuperar ou restaurar o acervo, esses procedimentos são caros e não estão ao alcance de qualquer biblioteca. Se você cuidar de seus livros, provavelmente muita gente vai aproveitá-los quando decidir abrir mão deles.

Examine o material antes de doar

É muito comum recebermos, junto com os materiais doados, itens desagradáveis como insetos mortos e traças, além de muita poeira. Lembre-se de que outros seres humanos, às vezes portadores de alergias e problemas respiratórios comuns em quem trabalha em bibliotecas, vão manusear sua doação. Seja gentil e procure providenciar ao menos uma limpeza superficial de tudo.  Além disso, sempre encontramos, entre as páginas, objetos que o doador ou sua família nem se lembravam mais onde estavam, como cartas, fotografias, mechas de cabelo, documentos e até dinheiro.  As bibliotecas devolvem objetos de valor sentimental ou monetário, sempre que possível, mas folhear livros e revistas antes de se desfazer deles é uma boa ideia.

foto: Rachel Adams (Flickr)

Não espere espaços especiais

Por mais importante que seja o acervo ou seu proprietário original, bibliotecas não costumam manter o material doado em ambiente separado. Livros, em geral, são organizados por assunto, ou seja, os seus livros sobre cultura brasileira vão ficar na estante junto aos outros do mesmo assunto. Se forem raros, talvez tenham uma organização diferente, mas irão todos para a sala de obras junto com as demais raridades do acervo. É assim que funciona. Mas, não se preocupe, o vínculo com o doador não se perde. As bibliotecas costumam colocar numa etiqueta ou carimbo o nome de quem doou e a data da doação. Enquanto o livro durar, o nome do antigo proprietário será sempre lembrado.


Não se ofenda com recusas

Por mais que aqueles livros tenham sido importantes para você ou para sua família, nem todas as bibliotecas vão aceitá-los. Isso vai depender dos critérios de seleção da instituição, da disponibilidade de espaço e outros fatores. Como assim? Bibliotecas rejeitam o que lhes é oferecido de graça? É que, na verdade, não é de graça. Existe um custo mesmo para os livros doados. Espaço, mobiliário e trabalho humano no processo de seleção, tudo isso tem um custo que precisa ser muito bem avaliado.

E então, achou tudo muito complicado? Você quer ser generoso e se depara com tantas condições? De fato, bibliotecas são instituições de funcionamento bastante complexo. Sem todos esses cuidados, seus serviços não andam e perdem sua utilidade. Por esse motivo, as pessoas que desejam fazer um bem para a comunidade, ajudando a melhorar as bibliotecas, precisam saber que vão ter algum trabalho. A recompensa é ter a certeza de que muitas pessoas, por várias gerações, vão ter acesso gratuito ao conhecimento com sua colaboração. Garantimos que vale a pena.




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