Guia para comunicação científica

13/07/2021

Está disponível para a comunidade uspiana o serviço ACS Guide to Scholarly Communication “é um guia eletrônico de comunicação e escrita acadêmica e científica”. ACS é a American Chemical Society, ou seja, o serviço direciona seus exemplos e recomendações principalmente para a área de interesse desta sociedade científica.

Apesar disso, traz assuntos que interessam a pesquisadores de outras áreas: como divulgar seus textos para seus pares ou para o público em geral, como organizar um artigo acadêmico, informações sobre acesso aberto e tipos de licenças, quando usar tabelas etc., vale a pena dar uma olhada.

E se você se interessa pelo assunto, aqui nesta página a Biblioteca da ECA indica sites e outros serviços que auxiliam não apenas na escrita, como publicação, gestão de referências e de dados.

Veja aqui o texto de divulgação da AGUIA: https://www.aguia.usp.br/noticias/guide-to-scholarly-communication/


E se a banca pedir mudanças em sua monografia?

05/07/2021

Antes de tudo, isso não é com a biblioteca. Mas como recebemos esse tipo de questão volta e meia, aqui algumas dicas. A  primeira coisa a fazer é sem dúvida buscar a informação oficial, que nesse caso é a que vem do Serviço de Pós-graduação de sua unidade. 

A possibilidade de fazer correções em teses e dissertações depois de aprovadas foi regulamentada pela Resolução CoPGr nº 6018. Nela fica decidido que a critério de orientador e orientado, pode-se alterar a monografia aprovada, “de modo a valorizar a participação dos membros das comissões julgadoras.”

Muita gente nos pergunta quando deve enviar o material para a biblioteca. Você não deve enviar nada para a Biblioteca da ECA. A versão corrigida, assim como a versão original, devem ser enviadas para o serviço de pós-graduação da ECA, são eles que depois nos encaminham as duas versões. Segundo a portaria supracitada, você tem 60 dias a contar da data da defesa para fazer as alterações.

A biblioteca recebe do Serviço de Pós-graduação as duas versões da monografia, mas apenas a versão corrigida fica em acervo de acesso livre e disponível para download na Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP, a original só pode ser consultada mediante solicitação a um funcionário da biblioteca.

Além do texto alterado, a folha de rosto deverá conter explicitamente a informação de que se trata de versão corrigida.

Folha de rosto, versão corrigida. Fonte: Diretrizes…, p.29

Ah, outra coisa importante, caso não consiga fazer as alterações dentro do prazo dado, a monografia original será a que ficará disponível ao público.

E como está funcionando o envio de exemplares impressos nestes tempos pandêmicos? Esta página da pós-graduação diz que “O exemplar físico será solicitado posteriormente, quando houver o retorno das atividades presenciais na USP.”

Serviço de Pós-graduação da ECA

RESOLUÇÃO CoPGr Nº 6018, DE 13 DE OUTUBRO DE 2011

Diretrizes para apresentação de teses e dissertações da USP (ABNT)


Por que não está tudo online?

28/06/2021

É a pergunta que todos os estudantes fazem, principalmente quando as bibliotecas estão fechadas. Vamos tentar explicar.

Na USP, temos muito material disponível online, de três origens diferentes:

1. Produções da própria Universidade ou de professores, alunos ou funcionários, cuja divulgação foi autorizada pelos próprios autores: trabalhos acadêmicos (teses, dissertações e trabalhos de conclusão de cursos de graduação), e-books e revistas publicados pela USP. No caso dos trabalhos acadêmicos, a política da USP é a divulgação em acesso aberto, já que o conhecimento gerado pela universidade pública deve ser acessível à toda a população. Já os artigos publicados pelo pessoal da USP em revistas de outras editoras, podem ou não estar disponíveis online de forma gratuita, dependendo das características do periódico.

2. Conteúdos assinados pela USP: revistas acadêmicas, portais de e-books, bases de dados para busca de artigos e outras informações acadêmicas. Como são serviços comprados de empresas, o acesso não é aberto. Mas todos os alunos, professores e funcionários da USP podem consultar esses materiais pela rede VPN da USP. Basta instalar um programa em seu dispositivo pessoal, usando número USP e senha dos sistemas USP.

3. Acervos digitalizados pelas próprias bibliotecas, geralmente antigos e raros, como o acervo digital Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin.

A página Recursos Online do site da Biblioteca da ECA reúne explicações mais detalhadas e links para os diversos catálogos e serviços disponíveis. Consultem, também, a página Acervos, da Agência USP de Gestão da Informação Acadêmica.

E os livros que ainda são tão necessários para pesquisas, preparação de aulas e trabalhos acadêmicos? Por que não estão digitalizados e disponíveis online? E as revisas antigas, partituras, catálogos de exposições, músicas, filmes etc? Isso ocorre, na maioria dos casos, porque esses materiais têm direitos autorais vigentes, e as bibliotecas não podem digitalizá-los e distribuí-los por nenhum meio, ainda que se destinem apenas ao uso acadêmico. Muitos estudantes, habituados a baixar livros, filmes e música em websites bastante conhecidos – porém ilegais – acham essa restrição muito estranha. Mas trata-se de um fato da vida: existe uma legislação que protege os direitos dos autores, e uma biblioteca não pode desrespeitá-la sem sofrer consequências.

Além dos direitos autorais, existem problemas de infraestrutura. Digitalizar acervos de forma adequada e torná-los acessíveis é uma tarefa que exige recursos técnicos e humanos consideráveis, nem sempre disponíveis em nossas bibliotecas. Na Biblioteca da ECA temos, por exemplo, um acervo de partituras musicais manuscritas que já poderiam ser digitalizadas e publicadas em nosso site e catálogos, algumas por já estarem em domínio público, outras por termos autorização dos detentores dos direitos autorais para isso. Esse trabalho, entretanto, está sendo feito aos poucos, de acordo com nossa disponibilidade de recursos. Algo semelhante acontece com as teses e dissertações anteriores à criação da nossa biblioteca digital que, por enquanto, estão disponíveis apenas em formato impresso. Não temos condições de digitalizar rapidamente todos os trabalhos defendidos em cerca de três décadas de pós-graduação, e solicitar autorização dos autores para publicação. Isso também está sendo feitos aos poucos e sob demanda, quando um pesquisador solicita ou quando o próprio autor, interessado em divulgar seu trabalho de forma mais ampla, nos procura.


Comunicação científica imediata

22/06/2021

No início dos anos 1990 surge a primeira tentativa bem sucedida de criar um repositório de preprints, o ArXiv, que permitia a pesquisadores das ciências exatas disponibilizarem seus trabalhos antes de passar pelo exame da revisão pares. O ArXiv deu tão certo que está até hoje disponível e servindo de referência para outros modelos que vieram depois. Hoje há vários repositórios de preprints, inclusive alguns que atendem nossas áreas.

Resumidamente, preprints são trabalhos acadêmicos publicados em servidores ou repositórios antes da avaliação pelos pares, o que garante divulgação imediata e portanto, precedência sobre sobre suas descobertas, além claro, de um acesso mais amplo, pois os interessados em ler o trabalho não terão de se deparar com a restrição do acesso pago.

O debate sobre preprints vem paulatinamente crescendo já há algum tempo, mas iniciativas importantes tomadas nos últimos anos deram força ao debate. O Plano S, iniciativa europeia que conta com apoio de 14 países e de instituições de financiamento importantes, defende que pesquisas que tenham sido financiadas com dinheiro público, tenham seus resultados divulgados de forma pública.

No Brasil duas iniciativas importantes foram a decisão da Fapesp de determinar que pesquisas resultantes de financiamento da Fundação tenham conteúdo divulgado em acesso aberto e o lançamento pelo Scielo de um servidor de preprints.

Mas a pandemia da covid-19 parece ter jogado ainda mais luz sobre o assunto. 

“Com a pandemia, os preprints se tornaram ainda mais importantes, já que por meio deles é possível que pesquisadores no mundo inteiro acompanhem quase em tempo real todas as novas descobertas a respeito da covid-19. Porém, existe um lado negativo desse processo. Preprints são artigos preliminares, e devem ser sempre lidos desta forma. Caso contrário, as consequências podem ser grandes.”

A ciência funciona do mesmo jeito durante uma pandemia? Entenda passo a passo

Argumentos a favor dos preprints vão desde estudos indicando que divulgar seus trabalhos dessa maneira pode aumentar as citações e uma comunicação científica sem as barreiras impostas pelos elevados valores das assinaturas cobradas pelos grupos editoriais que fizeram da mediação do acesso ao conhecimento científico seu negócio. Além disso os preprints permitiram mais facilmente o surgimento de ideias controversas e novas, ou mesmo o registro de resultados nulos ou negativos

E se você ainda pensa que os preprints continuam sendo assunto de interesse apenas para pesquisadores de exatas, biológicas e adjacências, engana-se. Dê uma olhada nessa lista aqui de servidores de preprints, e veja que a diversidade de áreas cobertas tem ganhado espaço.

Então, da próxima vez que for divulgar o resultado de sua pesquisa pense na possibilidade de conseguir divulgação imediata, poder compartilhar o trabalho em suas redes, receber comentários de pares e pesquisadores de outras áreas que podem contribuir para melhorar o trabalho.


Vânia Debs

14/06/2021

Vânia Fernandes Debs, professora de edição e montagem do Departamento de Cinema, Rádio e Televisão (CTR), era uma das mais conceituadas montadoras do cinema e audiovisual brasileiros. Faleceu no dia 13 de junho, aos 69 anos. Entre seus trabalhos mais conhecidos, destacamos:

Baile perfumado (1996), dirigido por Paulo Calda e Lírio Ferreira

Carrego comigo (2000), dirigido por Chico Teixeira

O povo brasileiro (2000), série de TV

Durval Discos (2002), dirigido por Anna Muylaert

Como fazer um filme de amor (2004), dirigido por José Roberto Torero

Árido movie (2005), dirigido por Lírio Ferreira

A casa de Alice (2005), dirigido por Chico Teixeira

FilmeFobia (2008), dirigido por Kiko Goifman

Acqua movie (2019), dirigido por Lírio Ferreira

Alvorada (2021), dirigido por Anna Muylaert e Lô Politi

Entrevistas

Uma homenagem à montadora Vânia Debs

Sala de cinema

Cinema por quem o faz

Filmes no MUBI

https://mubi.com/cast/vania-debs/films/editing

Prêmios

2011 Homenagem pela contribuição ao desenvolvimento do cinema pernambucano, Cine PE – Festival do Audiovisual de Pernambuco.

2010 Melhor Montagem do filme de longa metragem “Boca”, Festival Internacional de Cinema do Rio de Janeiro.

2009 Melhor montagem do filme de longa metragem “FilmeFobia”, Festival de Brasilia do Cinema Brasileiro (41o).

2009 Premio de Melhor Filme de longa metragem -“Nome Próprio”, Festival de Cinema de Gramado

2008 Melhor Montagem do filme de longa metragem – “Deserto Feliz”, Festival de Cinema de Triunfo (PE)

2008 Premio de Melhor Filme de longa metragem – “Deserto Feliz”, Festival de Gramado.

2007 Melhor montagem de filme de longa metragem “Árido Movie”, Cine PE – Festival do Audiovisual de Pernambuco.

2006 Melhor Montagem do filme de longa metragem “Árido Movie”, APCA – Associação Paulistado dos Críticos de Artes.

1998 Melhor montagem do filme de curta metragem “Clandestina Felicidade”, Cine Pe – Festival do Audiovisual de Pernambuco.

1988 Melhor montagem do filme de curta metragem “A Garota das Telas”, Festival de Brasília do Cinema Brasileiro.


Estamos de site novo

08/06/2021

Nossa página no site novo da ECA/USP está mais bonita, funcional e colorida.

O conteúdo é praticamente o mesmo, mas o novo site permite uma apresentação mais clara e de visualização mais fácil. Os itens dos menus mais procurados, por exemplo, agora estão visíveis.

Ainda temos alguns ajustes a fazer, tais como:

  • melhorar a página inicial, dando mais destaque aos conteúdos de maior interesse
  • colocar ‘”botões” para o Dédalus e catálogos específicos da Biblioteca da ECA
  • refazer formulários

Nossos colegas  da Assistência de Comunicação e do Serviço Técnico de Tecnologia da Informação da ECA estão trabalhando nisso. Logo teremos novidades.

Vocês gostaram? Têm alguma sugestão? Preferem o antigo (ah, não)?


Citações perdidas

02/06/2021

Você já se deparou com a situação de que há citações ao seu trabalho que não aparecem nos seus perfis em redes sociais acadêmicas, no Google Acadêmico ou em bases de dados pagas?

Google Acadêmico e ResearchGate por exemplo apontam como causas, entre outras:

  • Nem sempre a citação pode ser confirmada, pois o texto que cita não está acessível ou não pôde ser encontrado pelos mecanismo de varredura
  • Metadados incompletos ou errados (por exemplo, data de publicação, periódico, resumo)
  • Citações a partir de PDF criado de cópia impressa digitalizada
  • Trabalho que cita o seu foi adicionado manualmente há pouco tempo, e leva um tempo para essas citações serem contadas
  • Problemas de formatação de maneira que os algoritmos não consigam identificar o documento etc.

Mas existe também a possibilidade de terem citado seu trabalho de forma incorreta. Repare no exemplo abaixo para o mesmo artigo:

Fonte: https://harzing.com/popbook/ch14_2_3.htm

Há diferenças no nome do autor, título do periódico, ano, volume, número. Talvez seja um exemplo extremo, mas isso é mais comum do que se pensa. Então, se uma citação feita a um trabalho seu não aparece no seu perfil, uma opção é checar se não há erros ortográficos/de digitação na citação.

Para esses casos, dependendo da base de dados ou serviço, é possível tentar mesclar as várias versões. Mas o recado que precisa ficar claro é: não basta citar, é preciso ter o cuidado de citar corretamente.


Nós na Wikipédia

24/05/2021

No ano passado, algumas bibliotecas da USP – entre as quais a nossa – começaram a trabalhar nas plataformas Wikimedia. Estamos cadastrando nossos professores no Wikidata e editando verbetes da Wikipédia, atividade que nos permitiu realizar parceria com disciplinas dos cursos da ECA.

Um dos nossos projetos é criar ou aperfeiçoar verbetes sobre nossos docentes, ativos ou não, na Wikipédia. Já foi feito um levantamento dos que possuem verbetes que, aos poucos, podem ser aumentados e melhorados.

Uma das principais exigências da Wikipédia é só colocar informações com fontes confiáveis, pois não se destina à publicação de conteúdo inédito ou de cunho opinativo, trabalhando apenas com citações de informações anteriormente publicadas. Verbetes sem fontes correm o risco de serem excluídos. Por esse motivo, nesse momento em que não podemos acessar o acervo físico da Biblioteca da ECA, temos que recorrer apenas a fontes disponíveis na internet para editar os verbetes, o que dificulta um pouco as tarefas.

Por enquanto, concluímos os seguintes verbetes:

Neusa Dias de Macedo (criado do zero)

Walter Zanini

Dora Longo Bahia

Ismail Xavier

Ingrid Koudela

A Wikipédia é uma construção coletiva, e permite atualização constante. Sempre que possível, vamos inserir novas informações nos verbetes existentes. A Wikipédia é obra aberta, portanto todos podem contribuir editando a qualquer momento, desde que respeitando os princípios que regem os usos dessa ferramenta.

Estamos pedindo aos docentes que nos enviem fotos suas sob licença Creative Commons Attribution ShareAlike 4.0 (CC-BY-SA 4.0). Dessa forma, teremos imagens para ilustrar os verbetes.


Citar e referenciar

17/05/2021

Citar significa fazer referência a alguém, a algum texto, documento seu ou de outras pessoas, ou seja, fontes externas que ajudam a reforçar um argumento. Portanto, as citações ao longo do texto e a lista de referência no final, são duas coisas ligadas por uma dependência recíproca, isso significa que tudo que foi citado ao longo do texto deve ir para sua lista de referências, e o contrário também é verdadeiro, se está na lista de referência é porque foi citado no texto.

Foto: liveandrock (Flickr)

Algumas questões que nos chegam sobre citação e referência são dúvidas que existem porque pode não estar muito claro para as pessoas o que são ou para que servem as citações e as referências.

Fiz muitas pesquisas e citei algumas referencias que constavam nesses periódicos, o problema é que não anotei todos. Devo excluir as citações que fiz?

Sim. Ou correr atrás dos documentos novamente. Como dissemos, tudo que foi citado precisa estar nas referências, caso contrário corre-se o risco de praticar plágio, ainda que involuntariamente.

Afirmações empíricas precisam ser referenciadas? Por exemplo: quem está doente não goza de forma ampla do direito à saúde.

Quando você diz “quem está doente não goza de forma ampla do direito à saúde”, é uma afirmação baseada na sua experiência empírica? Então apresente os dados. Ou você se baseia numa informação retirada de outra fonte para dizer isso? Então apresente a fonte. Citação é qualquer informação extraída de outra fonte, seja apresentada por meio de transcrição textual ou uma paráfrase. Por isso, qualquer informação que veio de outra fonte precisa ser citada.

o acesso é com login e senha (acesso restrito) não há necessidade de completar a referência usando as informações —— Disponível em: <>. Acesso em:

A dúvida aqui é sobre colocar ou não a URL de um livro eletrônico de acesso restrito, pois o leitor não terá acesso de qualquer forma. A função da referência não é dar acesso ao documento, é identificá-lo, para com isso facilitar o acesso, assim sendo, apontar o endereço eletrônico poupa o trabalho de seu leitor caso ele queira acessar esse documento. Seguindo a mesma lógica da pergunta, alguém poderia dizer: para que colocar a referência completa de um livro raro consultado numa biblioteca estrangeira, pois meus leitores não terão acesso a ele? Não faz sentido, não é?  

Pôr o endereço eletrônico é ainda mais importante nesse momento em que mais e mais bases de dados de e-books surgem. Além disso a norma NBR 6023 diz textualmente “Para documentos online, além dos elementos essenciais e complementares, deve-se registrar o endereço eletrônico, precedido da expressão Disponível em:, e a data de acesso, precedida da expressão Acesso em:.”

A lista de referências vai identificar cada uma de suas citações e facilitar aos seus leitores os caminhos para chegar até elas seja numa biblioteca, num catálogo de livraria, numa base de dados.


Critérios de seleção

11/05/2021

O acervo da Biblioteca da ECA destina-se a atender às necessidades dos cursos e linhas de pesquisa da Escola, mantendo um perfil consistente de biblioteca universitária especializada nas áreas de artes e comunicações. Os livros e outros materiais são comprados, principalmente, por indicações e pedidos da comunidade de usuários da ECA: professores, alunos e funcionários.

Livros / Books
foto: Claudio Arriens (Flickr)

Naturalmente, como em qualquer biblioteca, existem critérios para filtrar esses pedidos, já que o dinheiro não nasce em árvores e o espaço disponível para guardar o acervo não é feito de material elástico. Se alguém faz um pedido baseado apenas em seu desejo pessoal (“quero ler romances de ficção científica”) ou exagera na quantidade (“vou precisar de 250 livros do mesmo assunto para minha dissertação”), provavelmente não será atendido. As doações também são selecionadas de acordo com critérios semelhantes, estabelecidos pelos bibliotecários e aprovados pela comunidade – representada pela Comissão de Biblioteca. Nem tudo o que é pedido é comprado, nem todas as doações são aceitas. É assim que se faz para utilizar de forma racional os recursos disponíveis e construir um bom acervo.

Esses critérios precisam ser dinâmicos, porque as demandas dos cursos vão mudando, os conteúdos se atualizam, o mundo é redondo e dá voltas – ao contrário do que algumas pessoas que não frequentam bibliotecas imaginam. Periodicamente revisamos nossas políticas e analisamos o próprio acervo, para verificar se há materiais que podem ser descartados. Sim, bibliotecas descartam livros que perderam sua utilidade ou ficaram irremediavelmente desatualizados. Desbaste, é o bonito termo técnico que usamos para essa atividade importante – mas bem difícil de fazer.

Em nossa biblioteca, a primeira grande “revisão geral” que fizemos no acervo, com o objetivo de identificar itens que poderiam ser excluídos, aconteceu em 2002, como atividade do Grupo de Avaliação e Seleção de Acervo – GASA da Biblioteca da ECA. Esse grupo, criado no final do ano anterior com a finalidade geral de avaliar e estabelecer critérios para o desenvolvimento do acervo, tinha os seguintes objetivos específicos:

  • Avaliar e desbastar as coleções, visando o equilíbrio e consistência do acervo;
  • Avaliar e adequar os critérios já existentes para seleção e aquisição;
  • Definir novos parâmetros para a formação das coleções;
  • Avaliar e adequar o fluxo de encaminhamento dos materiais às Seções;
  • Promover melhor aproveitamento dos espaços destinados às coleções.

Formado por bibliotecários dos serviços de aquisição, tratamento da informação e atendimento ao público da Biblioteca, o GASA estabeleceu alguns parâmetros mínimos para nortear o trabalho, tais como: avaliar e descartar somente o material recebido em doação; indicar a compra de itens importantes que estivessem em estado de conservação ruim, para substituição; não descartar livros que fizeram parte de reserva didática de docentes da ECA, indicados por docentes ou adquiridos com recursos de reservas técnica dos bolsistas da FAPESP. Feito isso, todo o acervo foi percorrido e examinado cuidadosamente pelos bibliotecários, em pequenos grupos, uma vez por semana. Ao final de vários meses de trabalho, foram retirados do acervo livros que se enquadravam nos seguintes casos:

  • Assuntos não pertinentes ao acervo;
  • Obsolescência: assuntos desatualizados e sem importância para estudo histórico;
  • Nível muito básico;
  • Assuntos relevantes, mas com foco maior em outra área sem interesse;
  • Edições antigas, quando havia edições recentes e atualizadas no acervo;
  • Cópias xerox de obras no todo ou partes;
  • Obras danificadas e irrecuperáveis (que entraram para listas de compra, quando relevantes);
  • Relatórios de atividades, edições comemorativas e materiais promocionais de empresas diversas ou de outras Unidades da USP;
  • Obras em idiomas pouco acessíveis ao leitor brasileiro;
  • Apostilas de cursos de outras instituições;
  • Excesso de duplicatas de livros nunca retirados em dez anos;
  • Documentação pessoal;
  • Trabalhos não publicados;
  • Livros de literatura, poesia e ficção, que não sejam produção acadêmica;
  • Guias com informações de utilidade imediata, mas de caráter temporário.

Essa primeira atividade do GASA foi importante não apenas para liberar espaço nas estantes e melhorar o perfil geral do acervo, mas para estabelecer critérios para decisões futuras.

O GASA ainda se debruçou em outras tarefas, como a avaliação de materiais ainda não catalogados e as teses de outras instituições e o estudo de critérios para seleção das coleções de periódicos, catálogos de exposições de arte e outros. O Grupo encerrou suas atividades em novembro de 2011, devido à redução do quadro de funcionários da Biblioteca, mas deixou bases sólidas para a continuidade do trabalho de seleção de acervo.

Você tem alguma dúvida ou sugestão sobre esse assunto? Se quiser conversar, comente aqui ou mande um e-mail para nós (ecabiblioteca@usp.br).


Este post é um resumo do relatório completo sobre as atividades do GASA, elaborado pela bibliotecária Silvana Rodrigues Leite e outras colegas.


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