Critérios de seleção

11/05/2021

O acervo da Biblioteca da ECA destina-se a atender às necessidades dos cursos e linhas de pesquisa da Escola, mantendo um perfil consistente de biblioteca universitária especializada nas áreas de artes e comunicações. Os livros e outros materiais são comprados, principalmente, por indicações e pedidos da comunidade de usuários da ECA: professores, alunos e funcionários.

Livros / Books
foto: Claudio Arriens (Flickr)

Naturalmente, como em qualquer biblioteca, existem critérios para filtrar esses pedidos, já que o dinheiro não nasce em árvores e o espaço disponível para guardar o acervo não é feito de material elástico. Se alguém faz um pedido baseado apenas em seu desejo pessoal (“quero ler romances de ficção científica”) ou exagera na quantidade (“vou precisar de 250 livros do mesmo assunto para minha dissertação”), provavelmente não será atendido. As doações também são selecionadas de acordo com critérios semelhantes, estabelecidos pelos bibliotecários e aprovados pela comunidade – representada pela Comissão de Biblioteca. Nem tudo o que é pedido é comprado, nem todas as doações são aceitas. É assim que se faz para utilizar de forma racional os recursos disponíveis e construir um bom acervo.

Esses critérios precisam ser dinâmicos, porque as demandas dos cursos vão mudando, os conteúdos se atualizam, o mundo é redondo e dá voltas – ao contrário do que algumas pessoas que não frequentam bibliotecas imaginam. Periodicamente revisamos nossas políticas e analisamos o próprio acervo, para verificar se há materiais que podem ser descartados. Sim, bibliotecas descartam livros que perderam sua utilidade ou ficaram irremediavelmente desatualizados. Desbaste, é o bonito termo técnico que usamos para essa atividade importante – mas bem difícil de fazer.

Em nossa biblioteca, a primeira grande “revisão geral” que fizemos no acervo, com o objetivo de identificar itens que poderiam ser excluídos, aconteceu em 2002, como atividade do Grupo de Avaliação e Seleção de Acervo – GASA da Biblioteca da ECA. Esse grupo, criado no final do ano anterior com a finalidade geral de avaliar e estabelecer critérios para o desenvolvimento do acervo, tinha os seguintes objetivos específicos:

  • Avaliar e desbastar as coleções, visando o equilíbrio e consistência do acervo;
  • Avaliar e adequar os critérios já existentes para seleção e aquisição;
  • Definir novos parâmetros para a formação das coleções;
  • Avaliar e adequar o fluxo de encaminhamento dos materiais às Seções;
  • Promover melhor aproveitamento dos espaços destinados às coleções.

Formado por bibliotecários dos serviços de aquisição, tratamento da informação e atendimento ao público da Biblioteca, o GASA estabeleceu alguns parâmetros mínimos para nortear o trabalho, tais como: avaliar e descartar somente o material recebido em doação; indicar a compra de itens importantes que estivessem em estado de conservação ruim, para substituição; não descartar livros que fizeram parte de reserva didática de docentes da ECA, indicados por docentes ou adquiridos com recursos de reservas técnica dos bolsistas da FAPESP. Feito isso, todo o acervo foi percorrido e examinado cuidadosamente pelos bibliotecários, em pequenos grupos, uma vez por semana. Ao final de vários meses de trabalho, foram retirados do acervo livros que se enquadravam nos seguintes casos:

  • Assuntos não pertinentes ao acervo;
  • Obsolescência: assuntos desatualizados e sem importância para estudo histórico;
  • Nível muito básico;
  • Assuntos relevantes, mas com foco maior em outra área sem interesse;
  • Edições antigas, quando havia edições recentes e atualizadas no acervo;
  • Cópias xerox de obras no todo ou partes;
  • Obras danificadas e irrecuperáveis (que entraram para listas de compra, quando relevantes);
  • Relatórios de atividades, edições comemorativas e materiais promocionais de empresas diversas ou de outras Unidades da USP;
  • Obras em idiomas pouco acessíveis ao leitor brasileiro;
  • Apostilas de cursos de outras instituições;
  • Excesso de duplicatas de livros nunca retirados em dez anos;
  • Documentação pessoal;
  • Trabalhos não publicados;
  • Livros de literatura, poesia e ficção, que não sejam produção acadêmica;
  • Guias com informações de utilidade imediata, mas de caráter temporário.

Essa primeira atividade do GASA foi importante não apenas para liberar espaço nas estantes e melhorar o perfil geral do acervo, mas para estabelecer critérios para decisões futuras.

O GASA ainda se debruçou em outras tarefas, como a avaliação de materiais ainda não catalogados e as teses de outras instituições e o estudo de critérios para seleção das coleções de periódicos, catálogos de exposições de arte e outros. O Grupo encerrou suas atividades em novembro de 2011, devido à redução do quadro de funcionários da Biblioteca, mas deixou bases sólidas para a continuidade do trabalho de seleção de acervo.

Você tem alguma dúvida ou sugestão sobre esse assunto? Se quiser conversar, comente aqui ou mande um e-mail para nós (ecabiblioteca@usp.br).


Este post é um resumo do relatório completo sobre as atividades do GASA, elaborado pela bibliotecária Silvana Rodrigues Leite e outras colegas.


Cada coisa em seu lugar, n. 2

24/09/2018

Numa publicação aqui neste blog no ano passado explicamos a organização dos livros nas estantes e falamos da Classificação Decimal de Dewey (CDD), que usamos para classificar os livros, e que determina a ordem e localização dos livros nas estantes.

No entanto, se você vem com frequência à biblioteca já deve ter notado outros arranjos um pouco diferentes desse usado para os livros. Não só o uso de letras antes da classificação, como localizações bem mais diferentes: F2475, TC1677, E10711, etc.

As letras ‘r’, ‘t’, e  ‘g‘ são usadas antes das classificações atribuídas a obras de referência, teses e dissertações e livros de dimensões físicas muito grandes. Servem para ajudar a identificar esse material, separando-os da coleção geral de livros, na qual usamos o mesmo sistema de classificação.

Já a organização usada para partituras, DVD, folhetos, discos de vinil e outros materiais é um sistema de ordenação fixa, ou seja, a localização na estante não é determinada pela classificação na tabela de assuntos da CDD e sim pela ordem de tombamento ou de registro em nosso catálogo. Esse sistema é indicado preferencialmente para acervos de acesso restrito, mediado por um funcionário, já que os materiais ficam dispostos nas estantes frequentemente sem nenhuma relação temática ou de autoria com os itens adjacentes.

Tem como vantagens principais poder usar todo o espaço disponível e não ter que fazer remanejamentos periódicos. Enfim, ganha-se espaço. Nesse sistema pode-se indicar por meio de números o andar, sala, estante, prateleira e a posição sequencial do item. Por exemplo: II-016,5,015, poderia significar segundo andar, estante 16, prateleira 5, e é o 15º nessa prateleira.

Toda a prateleira é usada

No nosso caso, apenas indicamos o tipo de material pelas letras iniciais, DVD, CD, F (folheto), TC (trabalho de conclusão de curso), E (partituras encadernadas), M (memoriais), D (disco de vinil) LA (livro de artista) e acrescentamos uma ordem numérica sequencial. Para as partituras que não são encadernadas, usamos apenas uma numeração sequencial e para cópias de DVD e CD, adicionamos um ‘X’ (XDVD, XCD).

Exemplos:

Pt566
F2475
TC1677

Ordem sequencial na prateleira


Cada coisa em seu lugar? A organização dos livros nas estantes

16/10/2017

Precisa localizar algum livro nas estantes de uma biblioteca? Anotou o número de classificação (também conhecido como número de chamada ou de localização) antes de dirigir-se até as estantes e começar o processo de busca do livro em si?

Tarefa difícil para alguns, simples para outros – certamente aqueles que têm a prática de frequentar bibliotecas –, localizar um livro nas bibliotecas remete a um trabalho prévio de organização do acervo e compreender minimamente esta lógica de organização é adentrar em suas tramas com mais propriedade.

A Classificação Decimal de Dewey (CDD) é uma das classificações mais utilizadas ao redor do mundo e nós a utilizamos na Biblioteca da ECA. Sabe aquela sequência numérica que você vê na etiqueta colocada na lateral dos livros do nosso acervo? Ela é elaborada a partir da CDD,  uma classificação decimal em que cada número corresponde a um assunto. O que isso representa? A possibilidade de agrupar nas estantes os livros conforme as temáticas. Assim, livros de literatura brasileira, por exemplo, estarão reunidos fisicamente, aqueles de fotografia também, os sobre cinema brasileiro da mesma forma e etc.

Há 10 grandes classes de assuntos representados por números:

000       Ciência da computação, informação e obras gerais

100         Filosofia e psicologia

200         Religião

300         Ciências sociais

400         Linguagem e línguas

500         Ciências naturais

600         Tecnologia (ciências aplicadas)

700         Artes

800         Literatura e retórica

900         Geografia e história

Esses números gerais vão sendo desdobrados e, com isso, os assuntos vão sendo cada vez mais especificados. Se 700 é Artes, 791.43 é Cinema e 780.981 representa música brasileira, por exemplo. Quanto maior o número de classificação, maior a especificidade no momento de representar o assunto do livro na classificação.

Após essa sequência numérica é inserido um código formado pela primeira letra do sobrenome do autor (às vezes pode ser do título), número e primeira letra do título da obra.

foto: Leo Hidalgo (Flickr)

A Biblioteca da ECA classificou o livro Da relação com o saber, de Bernard Charlot assim:

370.1 C479d  : 370.1 corresponde ao assunto “Filosofia da educação; Teoria da educação e psicologia educacional” , C749 representa o sobrenome e o “d” é a primeira letra do título.

Os números de localização são como RGs das obras da biblioteca, cada obra tem um número de classificação único.

Com essas informações prévias deu para perceber que ir até as estantes à procura de um livro pode ser muito positivo e materiais interessantes podem ser localizados. Lembremos que a classificação é feita com base na CDD, este sistema que busca capturar e classificar  mundo, coisas, comportamentos. Essa categorização pode sofrer alterações ao longo dos anos, seja com a inclusão de novos assuntos, seja com a alteração de sua representação. Números podem deixar de existir e assuntos podem ser deslocados para outras classes. Se em dada época um comportamento é tido como doença, provável que esteja sob classificação que o represente dessa forma, mas, se isso é alterado conforme as transformações histórico-sociais, provável que a CDD irá acompanhar.

Classificações são sistemas feitos por nós seres humanos e é um ser humano que irá pegar dada obra em mãos e atribuir para ela um número de classificação. Logo, a interpretação, a relação do sujeito com aquela obra é determinante à atribuição da classificação. Um mesmo livro pode ser classificado em números diferentes no acervo de bibliotecas distintas. Isso não significa que alguma esteja errada. É uma questão de interpretação e também de enfoque.

No acervo da ECA o livro “Educomunicação o conceito, o profissional, a aplicação : contribuições para a reforma do ensino médio” é classificado em 301.16 Comunicação, conforme a 18 ed. da CDD,  isso significa que ali poderão ser encontrados outros livros sobre o assunto, mas não fiquemos confinados ao número. Pode haver outros livros sobre Educomunicação bem como relacionados a suas temáticas classificados em outras numerações. Por esse motivo, é importante fazer buscas por assunto nos catálogos, no nosso caso o Dédalus ou o Portal de Busca Integrada, para localizar todos os livros que tratam de um determinado assunto. A procura feita diretamente nas estantes não substitui a consulta aos catálogos.

Portanto, quando a ideia é explorar o acervo a partir dos números é importante lembrar que eles servem para abrir caminhos e possibilidades mas não podem ser encarados por nós como uma prisão que confine nossa prática de pesquisa!

 

 

 

 


Doações para o acervo da Biblioteca

05/09/2016

A Biblioteca da ECA possui um acervo de mais de 26 mil itens, número que inclui obras em diferentes suportes, do impresso ao audiovisual.

Além da aquisição por meio de processo de compra, boa parcela do acervo é constituída por obras que recebemos como doações, as quais colaboram para a expressividade de nossa coleção.

No ano passado incorporamos ao acervo cerca de 1000 itens recebidos como doação. Felizmente é frequente que egressos da ECA assim como outros pesquisadores doem os livros que publicam apresentando resultados de suas pesquisas, atitude que colabora para enriquecer o acervo e tornar o conhecimento cada vez mais acessível.

Ao longo dos anos a Biblioteca já recebeu doações de relevo como:

Coleção de cerca de 250 itens entre livros e coleções de periódicos especializados em arte, com edições raras e esgotadas, recebida de Francisco Matarazzo Sobrinho.

A doação de Rafael França, recebida em 1991, abrangendo 286 livros sobre Artes Plásticas, Cinema e Teatro, deixados em testamento à Biblioteca.

Em 2002 recebemos de Gilberto Mendes uma coleção de 149 partituras originais de toda a sua obra.

Em 2004 chegou à Biblioteca doação do antigo professor da ECA, Carlos Marcos Avighi: uma coleção de 2982 itens incluindo livros e revistas.

O professor Eduardo Seincman, em 2008, doou cerca de 200 discos em vinil para enriquecer o acervo da biblioteca.

livros

Para doar livros e outros recursos informacionais para a biblioteca basta procurar a Seção Técnica de Aquisição e Seleção, de segunda a sexta-feira, das 8 às 12h e das  13 às 17h. Entretanto, caso haja interesse em doar mais de 20 itens é necessário o envio da lista para o email ecabiblioteca.aquisicao@usp.br

Caso não seja possível vir no horário mencionado, as doações podem ser entregues no balcão de atendimento da Biblioteca, das 17h01 até  21h50.

Compor o acervo de uma biblioteca é tarefa complexa, há a questão do espaço físico e é indispensável selecionar aqueles materiais que são realmente relevantes ao público, no nosso caso, estudantes e pesquisadores das áreas de Comunicação, Informação e Artes. Assim, nem tudo aquilo que recebemos em doação é incorporado ao acervo, mas o doador é informado desta condição no momento da doação e, em caso de recusa do material, pode solicitar que seja informado para vir retirá-lo. Os materiais não incorporados são encaminhados para outras instituições que tenham interesse.

Fora isso, lembramos da importância de que os materiais doados estejam em boas condições físicas. Itens em mau estado de conservação, com fungos, molhados, muito danificados, etc. não são aceitos.

Em caso de dúvidas entre em contato por aqui ou pelo telefone 3091-4017.


%d blogueiros gostam disto: