Entre livros : sugestões de leitura

09/12/2013

O fim do semestre letivo anuncia uma pausa nos estudos, breve intervalo na rotina diária das leituras diretamente relacionadas à formação acadêmica. Para aqueles que desejam aproveitar um pouco deste tempo se enveredando por novas e prazerosas leituras, a Biblioteca irá, em alguns posts, publicar listas com sugestões de obras do nosso acervo.

Para começar, apresentamos textos que têm como elemento central ela: a Biblioteca

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A biblioteca à noite.   Alberto Manguel

Nos quinze ensaios de ‘A biblioteca à noite’, os valores e sentidos representados no ato de colecionar livros são esmiuçados, pois é certo que ao longo da história as bibliotecas simbolizaram as aspirações e os pesadelos mais díspares da humanidade.

cristinacapaMemórias de uma guardadora de livros. Cristina Antunes

Cristina Antunes  nos fala de sua experiência de mais de duas décadas de trabalho na biblioteca de José Mindlin. Ela reflete sobre seu ofício e conta ao leitor os aprendizados daí desencadeados.

deweyDewey um gato entre livros.  Vicki Myron

A rotina da pacata cidade de Spencer, nos Estados Unidos, se transforma após um gato ser encontrado na biblioteca pública. A diretora da biblioteca, que achou o gatinho na caixa de devolução,  resolveu nos contar essa história real de um gato que fez da biblioteca e da cidade  sua casa bem como dos moradores os seus melhores amigos.

22858282O amor às bibliotecas.   Jean Marie Goulemot

O professor  Goulemot é um ávido leitor e  grande frequentador de bibliotecas. Nesta obra praticamente autobiográfica, que remonta às suas principais lembranças, ele relata suas andanças por bibliotecas da França, Espanha e Estados Unidos.

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A biblioteca esquecida de Hitler: os livros que moldaram a vida do Fürher.  Timothy W. Ryback

Sabe-se que as três bibliotecas particulares de Adolf Hitler, localizadas em Berlim, Munique e no refúgio de Obersalzberg,  nos Alpes bávaros, chegaram a abrigar mais de 16 mil volumes. O mais enigmático dos genocidas do século XX possuía coleções completas de Shakespeare, Goethe, Schiller, Kant e Fichte, encadernadas com ostensivo luxo e assinaladas com o característico ex-libris nacional-socialista. Livros sobre ocultismo e misticismo racial também despertavam a atenção do leitor assíduo, porém caótico, que se vangloriava de ler ao menos um livro por dia.

64137A biblioteca desaparecida: histórias da biblioteca de Alexandria. Luciano Canfora

Ptolomeu Filadelfo quer reunir todos os livros do mundo; o califa Omar pretende queimá-los todos, salvo o Corão. Entre esses dois sonhos, nasceu e foi destruída a monumental biblioteca de Alexandria, cidade que por mais de mil anos serviu de capital cultural do Ocidente.
Para narrar a história dessa imensa coleção de livros, o autor retoma uma antiga técnica dos bibliotecários de Ptolomeu: a montagem e a reescritura das fontes, fundidas numa prosa aparentemente romanceada, mas na realidade baseada, quase frase por frase, em textos antigos. A história da maior biblioteca do mundo se confunde assim com a história dos livros que acumulou e dos livros que a descreveram, como uma última crônica de um erudito bibliotecário de Alexandria.

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O nome da rosa. Umberto Eco

Durante a última semana de novembro de 1327, em um mosteiro franciscano italiano paira a suspeita de que os monges estejam cometendo heresias. O frei Guilherme de Baskerville é, então, enviado para investigar o caso, mas tem sua missão interrompida por excêntricos assassinatos. A narrativa se dá em meio aos mistérios que cercam o livro e a leitura no mosteiro.

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O bibliófilo aprendiz.   Rubens Borba de Moraes

Nas palavras do autor, aqui se tem a “prosa de um velho colecionador para ser lida por quem gosta de livros, mas pode também servir de pequeno guia aos que desejam formar uma coleção de obras raras, antigas ou modernas”.

525082O poder das bibliotecas: a memória dos livros no Ocidente. Direção de Marc Baratin e Christian Jacob

Mais que uma história das bibliotecas e do livro, ‘O Poder das Bibliotecas’ trata da leitura erudita, de sua história, de seu imaginário, mas também de seu quadro institucional e arquitetônico, de suas determinações materiais – o trabalho na biblioteca e o recurso aos livros, como depósito e instrumento de conhecimentos, como etapa na geração de novos livros e saberes; os efeitos cognitivos inerentes à acumulação dos livros, à sua materialidade, aos laços que tecem entre si e com o mundo.

665819A longa viagem da biblioteca dos reis.   Lilia Moritz Schwarcz

A narrativa de ‘A longa viagem da biblioteca dos reis’ começa a partir do terremoto que em 1755 destruiu Lisboa e com ela a célebre Real Biblioteca. A partir daí, percorre eventos fundamentais da história brasileira, sempre através dos livros, chegando ao processo de independência brasileiro – quando se pagou, e muito, pela Real Biblioteca.

Ficou interessado em algum livro? Consulte a localização e disponibilidade no Dedalus

Também vale a pena conferir o post em que apresentamos alguns filmes que trazem em seu enredo bibliotecas e bibliotecários

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O silêncio

19/08/2013

antes de existir computador existia tevê
antes de existir tevê existia luz elétrica
antes de existir luz elétrica existia bicicleta
antes de existir bicicleta existia enciclopédia
antes de existir enciclopédia existia alfabeto
antes de existir alfabeto existia a voz
antes de existir a voz existia o silêncio
(Arnaldo Antunes. O silêncio)

Às 18h15, na Biblioteca da ECA, o celular do João Pedro tocou. Sempre muito ocupado, João tinha esquecido de colocar o aparelho no modo vibratório. Era o chefe, ele precisava atender. João Pedro atravessou a Biblioteca toda com seu vozeirão soando alta e claro, ainda que em frases curtas –  Sei, sei. Tá bom. É, tô aqui na USP –  até chegar na porta e falar à vontade.

Dez minutos depois, o filho da Luciana ligou. Filho, agora mamãe não pode. Agora não dá, Gustavo! Não dá, já disse, liga para o seu pai! Tenta a vovó, então, mesmo que eu saia daqui AGORA não vou chegar em tempo, filho. Tá bom. Beijo, te amo. Luciana começou sussurrando, mas acabou erguendo a voz em alguns momentos.

Por volta das 18h35, em meio às estantes,  a Tati encontrou duas amigas que não via há séculos. Os gritinhos de alegria foram inevitáveis. Que saudades, Ju! Há quanto tempo, Má. Alguns usuários olharam feio, a bibliotecária deu uma espiada por cima dos óculos e as meninas saíram aos saltinhos para conversar lá fora.

Um grupinho que estava estudando numa das mesas da sala de leitura – a salinha de estudos em grupo estava lotada – repentinamente se animou com uma descoberta engraçada. Começou uma série de gargalhadas mal abafadas às 18h45.

Logo em seguida, outro telefone tocou estrepitosamente o tema da Missão impossível, mas foi prontamente desligado por seu constrangido proprietário.

Ninguém fez por mal, ninguém queria deliberadamente incomodar os outros. Mas a Marcela, que passou a noite em claro terminando um texto, trabalhou o dia todo, só tinha uma hora para revisar o trabalho antes da aula e foi à Biblioteca em busca de sossego, teve sua concentração interrompida 5 vezes. O mesmo aconteceu com o André, que não conseguiu terminar a leitura de um artigo complexo, escrito num idioma que ele não domina.

Quase todas as reclamações que a Biblioteca da ECA recebe de seus usuários estão relacionadas ao barulho. As pessoas pedem que a Biblioteca tome providências.

Sim, nosso espaço não favorece a convivência entre os usuários que precisam de silêncio e os que, eventualmente, precisam conversar. Mas, no momento, é o espaço disponível. Mudanças poderão acontecer, mas não imediatamente.

Por esse motivo, vamos começar uma campanha pela tranquilidade dos nossos usuários. Vamos pedir a todos que se coloquem um pouco no lugar do outro e evitem:

  • conversar em voz alta
  • falar ao celular
  • deixar o celular tocar

Não é nada muito difícil, certo? Esses pequenos gestos podem favorecer muito a concentração de quem precisa de silêncio para estudar e espera encontrar isso na biblioteca.
Se todo mundo for solidário com seus colegas, os bibliotecários não vão precisar fazer psiu.

Um artigo interessante sobre o assunto:

Tragam de volta o shiiii das bibliotecárias:  http://morenobarros.com/2013/02/tragam-de-volta-o-shiiiiii-das-bibliotecarias-silencio/


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