Circula… não circula

22/10/2018

Circular tem entre seus sentidos deslocar-se em diversas direções; transitar; viajar; movimentar-se entre pessoas; passar de mão em mão; estar em circulação entre o público leitor. Todas essas acepções para o verbo circular estão no dicionário Houaiss.

No nosso catálogo, o Dedalus, foi essa a palavra escolhida para indicar que um item pode ser emprestado. No entanto, esse sentido nem sempre é apreendido de forma imediata por alguns dos nossos frequentadores.

Muita gente frequenta bibliotecas à procura de livros para emprestar, e, no caso da Biblioteca da ECA, a imensa maioria do material que está nas estantes pode ser emprestada. Livros, revistas, DVD, partituras, CD, enfim, quase tudo pode passar de mão em mão, ir para sua casa.

Mas há uma parte do acervo que não circula, disponível apenas para consulta no espaço da biblioteca. Isso pode acontecer por vários motivos.

Veja alguns casos:

Peças de teatro não editadas: são materiais únicos, não comercializados, sem possibilidade de reposição.

Teses e dissertações antigas: um exemplar não circula, pois a USP exige que esses trabalhos estejam permanentemente à disposição para consulta. Como os anteriores, são documentos impressos não editados nem comercializados.

Coleções especiais de revistas antigas, jornais, livros, quadrinhos e partituras manuscritas. Nesses casos são considerados fatores como raridade, dificuldade de reposição e outros critérios adotados pela Biblioteca.

Trabalhos de artistas e livros de artistas, principalmente pelas características físicas do material.

Obras de referências: documentos para consulta rápida e pontual, como dicionários e enciclopédias.

Reserva didática: professores solicitam que títulos da bibliografia de sua disciplina fiquem reservados para uso apenas no espaço da biblioteca, dessa forma sempre haverá um exemplar para consulta e leitura disponível.

Memorial: uma espécie de curriculum vitae que o professor apresenta ao participar de um concurso, detalhando sua produção acadêmica. Não circulam porque fazem parte da memória da Escola e são documentos únicos.

Discos em vinil: suporte frágil

Então é isso. Circula quer dizer que você pode tomar emprestado, levar para casa, levar com você para a praia, mas significa também que deve voltar para a biblioteca no prazo combinado e nas mesmas condições em que saiu.

Não circula é usado materiais de consulta e leitura locais, mas que, eventualmente, podem ter partes xerocadas.

Mas há um detalhe: antigamente os critérios eram diferentes e bem mais rígidos. Livros de arte ou de fotografia com muitas ilustrações, importados e muito caros, geralmente não circulavam. Essa regra foi mudada, mas ainda temos livros no acervo marcados com o carimbo de “não podem ser emprestados” que, na verdade, podem. Encontrando um desses, fale conosco. Se realmente não existir um motivo relevante para a restrição ao empréstimo, mudaremos a situação do livro para que você possa emprestá-lo.


TEC.BIB – Bibliotecários e tecnologia

15/10/2018

Hoje, os bibliotecários saem da faculdade com muitas dúvidas relacionadas a tecnologia. Será que os cursos de biblioteconomia preparam suficientemente os alunos para atuar numa área em que conhecimentos tecnológicos são tão importantes?

Segundo Tiago Murakami, bibliotecário formado pela ECA e atual chefe da Divisão de Gestão de Tratamento da Informação do Departamento Técnico do Sistema Integrado de Bibliotecas da USP, as salas de aula das faculdades não são, necessariamente, o local mais indicado para obter esse tipo de formação. Tecnologia é algo que muda muito rapidamente e os cursos de graduação costumam passar apenas alguns conceitos básicos.

Convidamos o Tiago, que tem muita experiência profissional nessa área, para conversar com alunos, ex-alunos  e bibliotecários aflitos em geral sobre o assunto. Em sua palestra, realizada no dia 25 de setembro aqui na ECA, ele fez um apanhado geral das ferramentas que bibliotecárias e bibliotecários precisam, nos dias de hoje, pelo menos saber que existem para começar a trabalhar numa bibliotecas sem se estressar (muito).

Os principais pontos abordados foram:

conhecimento do mercado de softwares

estratégias e métodos para seleção de softwares

como fazer um diagnóstico e se comunicar com fornecedores

o que a biblioteca precisa dos sistemas?

gestão de contratos

modelos de softwares existentes e que tipo de necessidades atendem (serviços web, softwares livres, sistemas proprietários etc)

infraestrutura necessária para cada modelo

o software livre e suas 4 liberdades essenciais

Folio, o primeiro software para bibliotecas que está sendo desenvolvido a partir da experiência do usuário e de forma aberta

metadados (MARC, Dublin Core, Schema etc)

formatos de intercâmbio de registros (CSV, XML, RDF)

ferramentas gratuitas para conversão de dados entre sistemas diferentes (MARCEdit, Catmandu, Open Refine para limpeza de metadados)

protocolos de internet

visualização da informação

Identificadores (DOI, ORCid etc)

O conteúdo da apresentação do Tiago foi extenso e complexo, dada a natureza das informações e o grau de conhecimento do palestrante. Destacamos, entre as diversas coisas interessantes mostradas:

Tabela de funcionalidades elaborada para o software Folio.

https://docs.google.com/spreadsheets/d/1GbQQ5ABuYE_NpBIR3KrNj-KEwEkirUZ_K1th4PnHxA8/edit#gid=1239670158

Site sobre mercado de softwares, elaborado pelo bibliotecário e consultor Marshall Breeding, com informações atualizadas sobre fornecedores, quem está usando ou abandonando o quê.

https://librarytechnology.org/industryreports/

Catálogo da Comboni College Of Science And Technology Library, do Sudão, construído pelo Tiago com o software livre PMB.

http://www.combonikhartoum.com/pmb/opac_css/

O palestrante enfatizou o importância dos bibliotecários não delegarem aos analistas as funções que lhes são próprias. Bibliotecários e analistas precisam ser parceiros e os primeiros precisam ter conhecimentos de tecnologia para, no mínimo, conseguir dialogar e apresentar suas necessidades aos segundos. Um dos exemplos dessa cooperação foi a migração dos dados do catálogo de partituras da Biblioteca da ECA para o Dédalus, trabalho no qual as bibliotecárias tiveram participação ativa na etapa de preparação e limpeza dos dados, usando ferramentas indicadas pelo Tiago: MARCEdit e Openrefine .  Vejam esses alertas finais:

A palestra completa está no canal do IPTV – USP no Youtube:


E a apresentação completa está aqui:

http://143.107.154.43/apresentacaoeca/

Esperamos que vocês gostem e aproveitem bastante. A Biblioteca da ECA planeja continuar organizando palestras de profissionais e pesquisadores das diversas áreas da ECA que tenham um trabalho interessante para mostrar.


Planeje sua pesquisa

08/10/2018

Compreender a pesquisa acadêmica como um todo integrado por diferentes fases é essencial ao desenvolvimento do trabalho dentro do período estabelecido. Neste post apresentamos diferentes fases que compõem o trabalho de pesquisa, destacando a importância de seu planejamento.

Caso queira salvar o pdf com essas informações, clique aqui.

Até o dia 24 de dezembro de 2018 a USP está com acesso, por meio de trial, a Sage Research Method , uma biblioteca de métodos que abrange mais de 1.000 livros, obras de referência e trabalhos, incluindo casos práticos de projetos de pesquisa reais; mais 120 guias de conjuntos de dados criados para ajudar os alunos a dominarem a análise de dados através de treinamento prático; e uma coleção de mais de 484 vídeos que dão vida aos métodos de pesquisa, estatística e avaliação.

Esse post foi escrito a partir de orientações disponibilizadas na base Sage Research Method.


As revistas e as eleições de 1989

01/10/2018

Os anos marcados por eleições são períodos muito profícuos para o debate e troca de ideias sobre política, visão de mundo e projeto de sociedade. No Brasil, a disputa eleitoral de 1989 foi uma referência importante para a vida política do país. Após praticamente duas décadas sob uma ditadura militar, a sociedade brasileira experimentava novamente a possibilidade de exercer o direito ao voto, prática essencial e indispensável num regime democrático.

Selecionamos em nosso acervo de coleções especiais os periódicos que, de alguma forma, abordaram no ano de 1989 o tema das eleições. As revistas Isto é senhor e Veja, por tratarem de assuntos relacionados, principalmente, à política e economia, publicaram diversas reportagens sobre as eleições presidenciais. Já uma edição da revista Visão (edição de janeiro), semanário sobre generalidades, trata das eleições municipais na cidade de São Paulo. Há também uma edição da revista Playboy, de agosto de 1989, que traz uma reportagem com um “raio x” dos candidatos, onde podemos descobrir, entre outras coisas, com qual idade deram o primeiro beijo, qual seu gênero musical preferido e qual a maior gafe de sua vida.Ao folhear as páginas dessas revistas podemos ter uma ideia do contexto social, econômico e político da época que, similarmente à eleição atual, foi caracterizado por polarização, violência e fake news. Vale a leitura! Essas revistas, e outras da coleção especial, estão disponíveis para consulta local na biblioteca.

A Coleção Especial de revistas da Biblioteca da ECA é formada por títulos não acadêmicos, de caráter popular ou jornalístico. Muitos são raros ou de difícil acesso. Por esse motivo, o acervo fica armazenado em área restrita e a consulta é mediada. Mas não é nada complicado, basta solicitar o títulos para os funcionários do atendimento. Acesse a relação de títulos por este link.


Cada coisa em seu lugar, n. 2

24/09/2018

Numa publicação aqui neste blog no ano passado explicamos a organização dos livros nas estantes e falamos da Classificação Decimal de Dewey (CDD), que usamos para classificar os livros, e que determina a ordem e localização dos livros nas estantes.

No entanto, se você vem com frequência à biblioteca já deve ter notado outros arranjos um pouco diferentes desse usado para os livros. Não só o uso de letras antes da classificação, como localizações bem mais diferentes: F2475, TC1677, E10711, etc.

As letras ‘r’, ‘t’, e  ‘g‘ são usadas antes das classificações atribuídas a obras de referência, teses e dissertações e livros de dimensões físicas muito grandes. Servem para ajudar a identificar esse material, separando-os da coleção geral de livros, na qual usamos o mesmo sistema de classificação.

Já a organização usada para partituras, DVD, folhetos, discos de vinil e outros materiais é um sistema de ordenação fixa, ou seja, a localização na estante não é determinada pela classificação na tabela de assuntos da CDD e sim pela ordem de tombamento ou de registro em nosso catálogo. Esse sistema é indicado preferencialmente para acervos de acesso restrito, mediado por um funcionário, já que os materiais ficam dispostos nas estantes frequentemente sem nenhuma relação temática ou de autoria com os itens adjacentes.

Tem como vantagens principais poder usar todo o espaço disponível e não ter que fazer remanejamentos periódicos. Enfim, ganha-se espaço. Nesse sistema pode-se indicar por meio de números o andar, sala, estante, prateleira e a posição sequencial do item. Por exemplo: II-016,5,015, poderia significar segundo andar, estante 16, prateleira 5, e é o 15º nessa prateleira.

Toda a prateleira é usada

No nosso caso, apenas indicamos o tipo de material pelas letras iniciais, DVD, CD, F (folheto), TC (trabalho de conclusão de curso), E (partituras encadernadas), M (memoriais), D (disco de vinil) LA (livro de artista) e acrescentamos uma ordem numérica sequencial. Para as partituras que não são encadernadas, usamos apenas uma numeração sequencial e para cópias de DVD e CD, adicionamos um ‘X’ (XDVD, XCD).

Exemplos:

Pt566
F2475
TC1677

Ordem sequencial na prateleira


Política: uma seleção de filmes

17/09/2018

A política não está na essência do homem como substância inerente a cada indivíduo; ela surge justamente da relação entre os homens e da necessidade de que o futuro seja projetado como experiência a ser compartilhada coletivamente. Em ano de eleições trazemos uma seleção de filmes do acervo que abordam justamente a política e, portanto, as relações entre os diferentes sujeitos.

A seleção é composta por obras ficcionais e documentais ilustrando a afirmação de De Certeau, que argumentou que a política não garante a felicidade nem confere sentido às coisas, sendo ela um caminho tanto para transformações como para interditar possibilidades.

Cena de A mulher faz o homem (1939). Direção: Frank Capra

Confira aqui a lista completa.

 

Citamos: DE CERTEAU, Michel. A cultura no plural. Campinas: Papirus, 1995.


O dinheiro para os livros

10/09/2018

As bibliotecas têm verba para comprar livros?
De onde vem esse dinheiro?
Como é feita a distribuição?
Por que o livro que eu preciso está na FEA ou na FFLCH e não aqui na ECA?

 

São perguntas que muitos alunos e professores nos fazem. Outros não chegam a perguntar e ficam com essas dúvidas em mente.

Já abordamos, neste post, como é o processo de compra de livros. Agora vamos tentar explicar os critérios de distribuição de verbas aplicados pela USP.

As verbas destinadas pela Reitoria da USP, em geral anualmente, são distribuídas de acordo com o número de docentes, alunos, cursos de graduação e pós-graduação da unidade. Também se atribui um peso baseado no custo médio dos livros de cada área.

A tabela acima foi extraída do documento Critérios para distribuição de verbas: Programa de Aquisição de Livros e Outros Materiais não Periódicos, elaborado pelo Departamento Técnico do Sistema Integrado de Bibliotecas da USP (DT -SIBi) que traz todo o histórico da criação e aperfeiçoamento desses critérios, desde o ano de 1985.

Não encontramos, no documento, explicações sobre a metodologia de cálculo do valor médio dos livros. Esse cálculo foi realizado em 1996 (p. 4), e de lá para cá podem ter ocorrido mudanças no mercado editorial, com reflexos no preço médio dos livros. A percepção de que os livros da área de humanas são mais baratos do que os das demais áreas ainda é correta? Esse cálculo leva em consideração o preço dos livros de arte e catálogos de exposição importados, catalogues raisonnées, partituras com partes de execução, caixas de CDs e DVDs com obras completas de determinados compositores e  cineastas, livros técnicos da área de audiovisual e outros materiais bastante usados nos cursos da ECA?

O DT-SIBi trabalha constantemente na atualização de critérios e procedimentos de trabalho e, certamente, essas questões ainda serão levadas em consideração.

As verbas para aquisição de acervo para as bibliotecas só podem ser usadas para essa finalidade. O controle sobre esses gastos é bastante rigoroso e a compra é realizada por meio de pregões, como explicamos no post citado acima.

Também recebemos livros adquiridos por bolsistas da FAPESP, que recebem verbas para compra de materiais necessários à sua pesquisa, devendo encaminhá-los para a biblioteca de sua unidade. São uma fonte importante de atualização para nosso acervo, sobretudo nessa época em que as verbas da USP têm sido bastante reduzidas.

A verba do Programa de Aquisição de Livros para 2018 não foi, até o momento, liberada. É uma pena, mas ainda não perdemos as esperanças…

Quanto à questão de não encontrarmos o livro que a gente quer aqui na ECA, mas em outras unidades, não é tão fácil responder. Nem sempre é só um problema de ter mais ou menos verba. Talvez ninguém da ECA tenha solicitado o item e a biblioteca não tenha identificado a necessidade de comprá-lo, ou já tivesse esgotado no mercado quando recebemos a solicitação. Ou pode ser que alguém dessa outra unidade tenha optado por doar o livro à sua biblioteca, não à da ECA. E não podemos esquecer de que a ECA e sua biblioteca foram criadas na década de 1960, por isso ainda não conseguimos acumular coleções tão grandes quanto as escolas centenárias da USP. De qualquer forma, os acervos de todas as bibliotecas podem ser emprestados por qualquer usuário USP, logo, mesmo que o livro dos seus sonhos não esteja aqui, você poderá ter acesso a ele sem grandes problemas.

Dicas:

Para solicitar  a compra de um livro, preencha este formulário:

http://www3.eca.usp.br/biblioteca/aquisicao/sugestao

Para acompanhar as novidades no acervo, siga-nos no Libib, no Facebook, ou assine nosso boletim Acontece na Biblioteca.

Se tiver dúvidas sobre o processo de aquisição, entre em contato conosco pelo e-mail ecabiblioteca.aquisicao@usp.br.

Para dúvidas sobre os critérios de distribuição de verbas, escreva para o DT-SIBi no e-mail atendimento@dt.sibi.usp.br.

 

foto: Andrew Czap (Flickr)


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