Luiz Gama

21/06/2018

Herói  brasileiro menos conhecido do que deveria ser, Luiz Gama foi um advogado abolicionista, jornalista e poeta, considerado pela profa. Lígia Ferreira a primeira voz negra da literatura brasileira. Sua história é impressionante: filho de uma africana livre com um homem branco, Gama nasceu livre, mas foi vendido pelo próprio pai aos 10 anos de idade. Aos 17 anos aprendeu a ler e reconquistou a liberdade ao conseguir provas de que havia nascido livre.

Autodidata, estudou direito sozinho, provavelmente na biblioteca da Faculdade de Direito da USP, onde não conseguiu se matricular por ser negro. Com o conhecimento adquirido trabalhou como “rábula”-  advogado sem diploma – e teria conseguido libertar mais de 500 escravos.

Em 2015 foi reconhecido simbolicamente como advogado pela Ordem dos Advogados do Brasil, em cerimônia organizada pela Universidade Mackenzie e pelo Instituto Luiz Gama.  A Faculdade de Direito homenageou-o em 2015, batizando com seu nome uma das salas de aula da instituição, honraria normalmente reservada apenas a professores eméritos e titulares da universidade. Além disso, circula entre os ativistas dos direitos humanos na USP a proposta de solicitar para Luiz Gama o título de doutor honoris causa.

Luiz Gama atuou também como jornalista e participou da criação dos jornais O Diabo Coxo e Cabrião (ambos disponíveis em edição facsimilar na Biblioteca da ECA) e publicou, em 1859, a coletânea de poemas Primeiras trovas burlescas.

Em maio deste ano, o Sindicato dos Jornalistas, por meio da Comissão de Jornalistas pela Igualdade Racial, realizou o Seminário Luiz Gama Jornalista“, destacando o papel pioneiro e a atuação na imprensa do desse abolicionista negro. Na ocasião, foi inaugurada uma placa em homenagem a ele no Auditório Vladimir Herzog.

Por que é importante, no Brasil de hoje, falarmos sobre Luiz Gama? Fizemos essa pergunta à jornalista Cinthia Gomes,  e mestranda do Programa de Ciência da Comunicação da ECA e integrante da Comissão de Jornalistas pela Igualdade Racial. Para Cinthia:

Luiz Gama foi um dos principais intelectuais negros do século XIX. Nessa época, já atuava da forma que hoje conhecemos como “multimídia”: tendo se alfabetizado aos 17 anos e se tornado um erudito em áreas como Direito, Política, História, Religião e Filosofia, entre outros temas citados em seus escritos, Gama usou e produziu em todos os campos possíveis das Letras: proferiu discursos, redigiu petições jurídicas, publicou na imprensa, escreveu poesia e registrou diversos fatos históricos em cartas. Pensando especialmente na atuação de Luiz Gama no campo ainda iniciante do jornalismo, ela nos remete a duas questões centrais ainda nos dias de hoje: ética e representação. No entanto, a luta contra os desmandos dos poderosos, a denuncia dos mecanismos pelos quais se perpetuava a escravização ilegal de seres humanos e a defesa dos ideais abolicionistas e republicanos tiveram tiveram um custo. Gama foi perseguido, ameaçado, demitido e morreu pobre. Mas nunca recuou ou mudou de posição, a despeito de toda a pressão exercida pelos opositores. Luiz Gama é, portanto, um referencial de ética no jornalismo, é o exemplo daquele que usa e não é usado pela imprensa. E ele o faz de forma pioneira em sua época: trazendo uma representação inovadora do sujeito negro – que, até então, só aparecia em anúncios de compra, venda, aluguel e fuga de escravos – nos textos que publicava em diversos veículos da imprensa paulista e de outros estados. Em seus escritos, Gama re-humanizava essa figura, entendida pelos valores e pela cultura da época como mercadoria, peça ou coisa, contribuindo para a mudança do imaginário social e desnaturalizando a escravidão. Luiz Gama conquista, assim, o direito à fala e se coloca como uma voz negra que se insurge contra os discursos dominantes, com uma aspiração principal: “uma terra sem rei e sem escravos”.

Gama não conseguiu estudar na USP por ser negro. E hoje, como estamos? Pedimos para Cinthia falar um pouco sobre como é ser um estudante negro nas universidades brasileiras.

Bom, ser uma estudante negra na universidade é, antes de tudo, solitário. Não só na universidade, mas em qualquer espaço de poder e que o acesso seja restrito de alguma forma – financeira ou por um processo seletivo que parece democrático mas que, dadas as desigualdades sociais e raciais, se torna excludente. E mesmo quando a gente consegue furar os bloqueios e se inserir nesses espaços, não dominamos os códigos, os acordos velados, as sutilezas, as expectativas, a etiqueta. E quem já está acostumado a estar nesses lugares, quando a gente chega, não quer abrir mão dos seus privilégios, não quer ouvir novos argumentos, não quer saber de outro ponto de vista e tem dificuldade de conviver com as diferenças. O estudante negro, quando chega à universidade, já chega mais velho que o branco porque antes precisou garantir a sobrevivência. E provavelmente não vai conseguir ter dedicação exclusiva e se manter apenas com o dinheiro da bolsa de pesquisa, pois em geral não é sustentado pela família, para exemplificar um aspecto prático. Especialmente no ambiente acadêmico, sinto falta – e vários colegas relatam o mesmo – não só de uma bibliografia, mas de uma episteme e de uma metodologia afrocentrada. A academia tem dificuldade em reconhecer que o modelo escolhido e reproduzido até agora representa apenas UMA visão de mundo, e não A visão de mundo e tampouco TODAS as visões de mundo. E eu, particularmente, me sinto muito pouco contemplada por determinados autores e teorias.

Publicamos este texto em homenagem a esse personagem incrível hoje, 21 de junho, seu aniversário de nascimento. Vejam aí algumas fontes de informação para conhecer melhor sua história.

Cabrião : semanário humorístico editado por Ângelo Agostini, Américo de Campos e Antônio Manoel dos Reis 1866-1867 – acervo de periódicos da Biblioteca da ECA – Localização: 000

 

Diabo Coxo (1864-1865)
acervo de periódicos da Biblioteca da ECA – Localização: 000

 

COMPARATO, Fábio Konder. Luiz Gama, contemptor de nossas falsas elites
http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0103-40142012000200024&lng=pt&tlng=pt

 

FERREIRA, Lígia. Luiz Gama: um abolicionista leitor de Renan
http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0103-40142007000200021

 

FERREIRA, Lígia. Luiz Gama (1830-1882): etude sur la vie et l’oeuvre d’un noir citoyen, poète et militant de la cause antiesclavagiste au Brésil. Paris, 2001. 4v. Tese (Doutorado) – Universidade de Paris 3 / Sorbonne Nouvelle.
acervo da Biblioteca da FFLCH – Localização: T FERREIRA L.F. V.1/2 2001

 

FERREIRA, Lígia. Com a palavra, Luiz Gama: poemas, artigos, cartas, máximas. São Paulo: Imprensa Oficial, 2011.
disponível na biblioteca da FFLCH – Localização: 869.9103 G176c

 

GAMA, Luiz. Primeiras trovas burlescas de Getulino

 

GELEDÉS

 

HOMENAGEM a Luiz Gama na entrega de título de advogado
https://youtu.be/xUwEAlcvyc4

 

INSTITUTO LUIZ GAMA

 

LITERATURA fundamental 62 – Luiz Gama – Lígia Fonseca Ferreira
https://youtu.be/WqSuNcU2jdA

 

LUIZ Gama: uma voz pela liberdade
https://youtu.be/vbPLOWpDZsA

 

MOLINA, Diego. Luiz Gama: a vida como prova inconcussa da história
http://www.scielo.br/pdf/ea/v32n92/0103-4014-ea-32-92-0147.pdf

 

NAÇÃO | TVE – Luiz Gama – 03/07/2015
https://youtu.be/clNZ-VZ6SXs

 

STUMPF, Lúcia Klück; VELLOZO, Júlio César de Oliveira. “Um retumbante Orfeu de carapinha” no centro de São Paulo: a luta pela construção do monumento a Luiz Gama
http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0103-40142018000100167&lng=en&tlng=en

 

TEMPO e História – Luís Gama (17/01/16)
https://youtu.be/oWMIsr2Tckk
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O que fazer em caso de greve

08/06/2018

Uma biblioteca não se resume ao seu acervo, computadores e espaços para estudo. Tudo isso depende do trabalho humano. Sem seus funcionários, uma biblioteca não funciona.

Quando eclode uma greve de funcionários na Universidade, algumas bibliotecas fecham, outras permanecem abertas e outras, ainda, sofrem redução em seu horário de atendimento e cortam serviços. Tudo depende do nível de adesão dos funcionários ao movimento grevista. Se todos paralisarem suas atividades, ou se a parcela dos que comparecerem ao trabalho não for suficiente para atender em condições mínimas de segurança, a biblioteca não abre. A situação pode se alterar de um dia para o outro, dependendo das flutuações do movimento.

Não é possível prever quanto uma greve vai durar, nem saber de antemão se a biblioteca vai fechar ou quando vai reabrir. Trata-se de situação excepcional, durante a qual vivemos no terreno da imprevisibilidade.

Se você encontrar a Biblioteca da ECA, veja se encontra aqui a resposta para suas dúvidas:

Meu prazo de empréstimo venceu, como faço para devolver o material?

Se venceu durante o período de greve (a partir do dia 7/6), não se preocupe. Faremos a renovação pelo sistema de todos os empréstimos que vencerem nesses dias. Ninguém será penalizado se não conseguir devolver material por esse motivo.

E os empréstimos que fiz em outras bibliotecas?

Entre em contato com essa biblioteca e veja se está aberta ou não. Se estiver aberta, o material deverá ser devolvido no prazo, ou renovado por você mesmo. Se estiver fechada, mande um e-mail para lá e pergunte o que fazer. Nem todas as bibliotecas procedem da mesma forma. Para encontrar endereço de e-mail ou telefones, consulte alista de bibliotecas da USP.

Mas eu já estava atrasado antes da biblioteca fechar. Como fica a minha situação?

Entre em contato conosco por e-mail. Faremos a renovação do material mesmo estando em atraso. Você receberá suspensão referente apenas aos dias de atraso anteriores ao dia 7.

Eu não gostaria de ficar com os livros. Não posso mesmo devolver?

Se você realmente precisar devolver, daremos um jeito. Mande um e-mail e marcaremos dia e hora para você fazer a devolução em segurança, para um funcionário da Biblioteca. Estamos todos os dias por aqui, não estamos de férias.

E a greve vai até quando?

Não dá para saber. A Biblioteca poderá voltar a funcionar mesmo antes do fim da greve ou não. É tudo muito imprevisível. Acompanhe as notícias pela nossa página no Facebook ou pelo Twitter. Após o fim da greve daremos um prazo para devolução sem contar como atraso, mas, atenção: não será um prazo longo. A página do Sindicato dos Trabalhadores da USP traz informações sobre o andamento do movimento.

Estou concluindo minha tese e preciso fazer a ficha catalográfica. Como consigo isso?

Não entre em pânico. Em nosso site há um formulário bacana que você preenche e a ficha é gerada automaticamente, na hora. Veja aqui, é fácil:

http://www3.eca.usp.br/biblioteca/formularios/solicitacao.ficha.catalografica

Posso usar outras bibliotecas da USP?

Sim. Os espaços de estudo das bibliotecas da USP são abertos a toda a comunidade e podem ser frequentados também por pessoas sem vínculo com a Universidade. Os usuários USP pode retirar material por empréstimo de qualquer uma das nossas bibliotecas. Consulte a lista de bibliotecas da USP. A biblioteca que você precisa pode estar aberta!

Tenho como acessar conteúdos online?

Sim. Pelo Portal de Busca Integrada da USP é possível acessar documentos disponíveis online, principalmente teses e artigos de periódicos. Se o documento for de acesso aberto, como as teses e artigos de revistas publicadas pela USP, você pode abri-lo e baixa-lo normalmente, de qualquer local. Os conteúdos que são pagos pela USP podem ser abertos em qualquer computador da Universidade ou pelos usuários da rede VPN. Também temos acesso a diversas bases de dados de artigos acadêmicos assinadas pela USP e pela CAPES.

Bases de dados

http://www.sibi.usp.br/bases-dados/

Como se conectar à rede VPN

http://www3.eca.usp.br/biblioteca/servicos/uspsemfio

Veja como fazer para localizar e acessar artigos acadêmicos:

https://bibliotecadaeca.wordpress.com/2016/03/21/como-encontrar-artigos-academicos-para-sua-pesquisa/

 


“Os jovens pediam Bizz”

28/05/2018

Década de 1980. Diretas Já, Redemocratização e Rock’n’Roll. O rock nacional ditava a posição do ponteiro de sintonia das rádios do país, o Rock in Rio trazia grandes estrelas da música e colocava o país na rota dos shows internacionais, bandas pipocavam aqui e lá fora, e havia uma juventude ansiosa para acompanhar tudo isso.

Foi assim, no apagar das luzes da trevosa ditadura e com o rock chegando às pessoas da sala de jantar, que a Bizz apareceu, em agosto de 1985. E chegou chegando! Vendeu logo de cara 100 mil exemplares. Trouxe na capa do primeiro número Bruce Springsteen e pelas suas páginas passaria boa parte da música que era sucesso naqueles anos: R.E.M., Guns N’ Roses, Legião Urbana, Rolling Stones, Paralamas do Sucesso, INXS, Madonna, Pearl Jam, Gilberto Gil.

Era rockeira, mas falava também de pop, MPB, cinema, vídeo, quadrinhos, para um leitor jovem, urbano e de classe média.

O sucesso fez surgir edições especiais e encartes que acompanhavam a revista, como Bizz Letras Traduzidas, Ídolos do Rock, Guia do Rock de A-Z, e inspirou o surgimento de outros títulos nessa seara do jornalismo segmentado, como a revista Set, voltada para cinema e vídeo, e também presente em nosso acervo.

Depois de idas e vindas, mudanças de editora, nome, leiaute e público, deixa de circular definitivamente em 2007.

Bizz oferece uma visão privilegiada, de dentro, no calor do momento do boom do rock brasileiro, mas oferece muito mais pano pra manga: jornalismo cultural para jovens, jornalismo segmentado, pop-rock europeu e estadunidense, quadrinhos, cinema, vídeo, MPB… e agora está aqui, nas nossas estantes.

Para saber mais:

No acervo, Bizz, do nº 6, de 1986 ao 108, de 1994, com lacunas.

O título do post foi emprestado do TCC de Patrícia Kisse, Os jovens pediam BIZZ: reportagem-ensaio sobre a revista Bizz, especializada em música popular e sua importância entre as produções culturais para jovens. Trabalho de conclusão de curso de jornalismo. Localização: TC1192

Na batida do som: Bizz e o jornalismo de revista. Trabalho apresentado no VIII Encontro Nacional de História da Mídia, por Renan Guerra, Tamara Finardo e Mara Ribeiro. Aqui: http://porteiras.s.unipampa.edu.br/gphm/files/2011/06/Na-Batida-do-Som.pdf

A revista Bizz, por Guilherme Werneck. Aqui: http://www.digestivocultural.com/ensaios/ensaio.asp?codigo=131&titulo=A_revista_Bizz.

No site da editora Abril: http://www.bizz.abril.com.br/


Vingança: uma seleção

21/05/2018

Esta seleção tem como destaque a vingança, um prato que se come frio. Nos filmes selecionados, vemos a vingança sendo motivada por diversas razões e o vingativo como aquele que, de algum modo, sentiu-se lesado e, a partir daí, orienta suas ações. A vingança surge, então, como fruto de um desejo que pode mover, dar sentido e também consumir.

Em alguns dos filmes selecionados ela é ponto de partida, a história desenrola-se em torno desse prato principal, em outros, coloca-se como parte do desfecho, mas, em todos os casos está presente e o público pode sentir um pouco do seu sabor: para alguns doce, para outros amargo.

Cena de Dogville (2003) de Lars von Trier

Confira aqui a seleção.


Os livros que ainda não chegaram

14/05/2018

Em março de 2017 noticiamos, aqui neste blog, o envio de uma lista de 398 livros a serem comprados por pregão. Explicamos como foi o processo de seleção da indicações feitas pelos professores e quais seriam as etapas posteriores.

Infelizmente, após mais de um ano de espera, os livros ainda não chegaram. Os pregões de livros nacionais e internacionais foram realizados, respectivamente,  em outubro e novembro de 2017, mas o processo ainda está em análise na Procuradoria Geral da USP, sem previsão de conclusão.

Isso quer dizer que os poucos livros que conseguimos pedir para comprar com a verba de 41.589,00 que recebemos em 2017, não chegaram às mãos de quem precisa deles.

O acervo da Biblioteca cresce apenas graças às doações que recebemos, felizmente muitas e de boa qualidade. Destacam-se as doações de reservas técnicas de projetos apoiados pela FAPESP, muitos importantes para o enriquecimento do acervo. Mas doações não resolvem todo o problema, porque há muitas demandas de títulos específicos que ninguém doou. Todos os dias os alunos reclamam de livros importantes que a Biblioteca não tem, ou de livros muito procurados que só temos um exemplar no acervo.

Nossos usuários fizeram a parte deles, enviando para a Biblioteca suas demandas e sugestões.

Nós fizemos a nossa, recolhendo, organizando e selecionando as sugestões, tentando “fazer caber” a maior quantidade possível de livros na verba curtinha. Enviamos listas com informações completas sobre cada item, incluindo seu preço no mercado.

O Departamento Técnico do Sistema Integrado de Bibliotecas da USP também fez sua parte, organizando o pregão.

Agora, só nos resta esperar.

E a verba deste ano? Essa ainda não veio.

A boa notícia é que a assinatura das bases de dados da empresa EBSCO, que haviam vencido, estão sendo renovadas. Em breve teremos acesso novamente à Art Full Text e à Business Source Complete.

fotos: Sadness, de Still Burning; Happy, de Britt Selvitelle

 

 


Mendeley: indo além de citações e referências

07/05/2018

Você já se cadastrou para usar o gerenciador de referências Mendeley? Se sim, pule essas linhas iniciais. Se não, acesse Mendeley.com, clique em create account e vá em frente, o processo é simples.

Depois de concluído o registro você já terá acesso ao Mendeley Web. Você pode em seguida baixar os aplicativos para computador e celular. Com os apps nos seus dispositivos é possível acessar os arquivos mesmo offline.

Para começar a adicionar itens a sua biblioteca, há algumas opções. Pode começar, por exemplo, clicando em Suggest e arrastar um PDF em que esteja trabalhando no momento, que o Mendeley sugerirá textos similares. Esse recurso de arrastar e soltar (drag and drop) é bastante comum no Mendeley.

Se tem muitos artigos (PDF) salvos em seu computador pode começar clicando em Library e fazer o upload de artigos ou trazer todo o conteúdo de uma pasta arrastando e soltando.

Em Add (web e desktop) você consegue adicionar referências ou criá-las manualmente, adicionar PDF e pastas, ou selecionar uma pasta para o Mendeley acompanhar (Watch Folder).

Para trazer suas referências de outros gerenciadores, vá até o gerenciador de onde quer exportar as referências, crie um arquivo de exportação (.ris etc.), depois é só arrastar o arquivo gerado para sua biblioteca do Mendeley. Essa orientação serve também para a maioria das bases de dados, basta salvar um arquivo em sua área de trabalho e arrastá-lo para o Mendeley.

Existe ainda a opção de instalar no seu navegador o Web Importer e salvar URLs e referências durante sua navegação pela web.

No exemplo abaixo, depois de clicar no plugin instalado no navegador, os principais metadados do documento são importados. Repare nas sublinhas vermelhas que o PDF também está sendo salvo.

Depois de inserir os primeiros documentos, comece a pensar em como organizá-los e agrupá-los, para isso o Mendeley oferece o opção de usar pastas e tags.

Uma característica bem interessante desse gerenciador é a possibilidade de trabalhar com documentos PDF dentro do programa. Você pode ler, anotar, destacar e copiar trechos, tanto nos seus dispositivos, quando na nuvem. Quando estiver acessando o seu Mendeley Web de um computador público, como aqui na Biblioteca da ECA, você não tem que baixar um documento já anexado, ao selecioná-lo ele abrirá como uma nova aba em seu navegador e você pode continuar fazendo suas anotações normalmente.

Esses destaques e anotações feitos nos PDF podem ser compartilhados, assim como os próprios documentos, para isso você tem de criar um grupo privado. Fique atenta, pois na versão gratuita há limite de membros e artigos que podem ser compartilhados.

Na versão desktop é sempre bom forçar uma sincronização ao encerrar, isso garantirá que o conteúdo fique igual em todos os dispositivos, e ao abrir o PDF em que está trabalhando, ele estará selecionado no ponto onde havia parado.

E para não dizer que não falamos dos espinhos, sim, o Mendeley permite a criação de referências e citações de forma automática. Para começar, vá em Tools no Mendeley Desktop, clique em Install MS Word Plugin. Na aba Referências do Word será adicionado o plugin para trabalhar com a adição de citação e referência via Mendeley.A partir daí, quando estiver redigindo um trabalho no Word e quiser inserir a citação clique em Insert Citation, digite uma palavra do nome do autor ou título para encontrar o documento em sua biblioteca do Mendeley, sua citação será inserida. As citações são sempre inseridas como se fossem indiretas, ou seja, quando você escreve algo baseado no que outra pessoa disse, mas não reproduz literalmente suas palavras. No caso de citação direta, o número da página deve ser inserido manualmente. Quando tiver terminado todas as citações, posicione o cursor onde quer que as referências fiquem, e clique em Insert Bibliography.

Para saber mais:

Mendeley: manual do usuário

 


Notícias falsas

23/04/2018

Era dia 30 de outubro de 1938 quando um programa de rádio americano iniciou a transmissão de uma notícia extraordinária: o então jovem ator Orson Welles narrava a invasão de território americano por criaturas extraterrestres. Enquanto Welles comunicava que alienígenas aterrissavam suas naves e desembarcavam nos Estados Unidos, a população escutava o programa de rádio e o pânico se instaurava: muitos entraram em seus carros e congestionaram vias fugindo do ataque alienígena, houve diversos acidentes e até mesmo tentativas de suicídio de cidadãos que não queriam render-se à invasão. Um momento histórico dos veículos de comunicação de massa está brevemente resumido neste evento, que na verdade consistiu em um programa de rádio que trazia a adaptação de obras literárias. Neste dia estava em causa A Guerra dos mundos, de H. G. Wells, mas muitos ouvintes sintonizaram o rádio somente após o anúncio de que se tratava de narrativa ficcional e, assim, a ficção foi recebida como transmissão do real.

 

O evento pode soar absurdo para alguns: sair correndo às ruas por conta de uma invasão alienígena? Tentar matar-se? Não, jamais… Será que em tempos de avalanches informacionais nas tramas da internet, conseguimos divisar o que é uma notícia falsa e ter consciência de quantos são os mecanismos que simplesmente ofuscam questões essenciais relacionadas à veracidade daquilo que se apresenta diante de nós?

Esse post é para apresentar alguns pontos importantes a serem considerados por qualquer pessoa que busca informações e não quer sair por ai correndo de falsas invasões extraterrestres.

Considere a fonte e Verifique o autor

Lembre-se de verificar de onde vem a notícia. Ao ler informações disponibilizadas em qualquer website é importante verificar quem/o quê dá sustentação aquele discurso. Não se deixe enganar por sites de instituições cujos nomes conferem certa capa de importância e credibilidade, entenda quem é o produtor do discurso. Viu algo numa rede social? Uma frase atribuída a alguém, uma imagem atrelada a dado contexto? Verifique a fonte do discurso antes de consumir a informação com a mesma facilidade e naturalidade com que consumimos um cafezinho pela manhã.  Clique fora da história para investigar, verifique quem é aquela fonte. No caso de um autor individual, do mesmo modo, pesquise sobre o mesmo, verifique se ele existe.

Para sites lembre-se de ver “quem somos nós”, “sobre nós”. Pesquise sobre a instituição ou pessoa. As famosas curtidas e compartilhamentos não representam, por si, só credibilidade. Vídeos disponibilizados em canais oficiais de instituições reconhecidas conferem credibilidade. O que você acharia mais confiável: um vídeo disponibilizado no canal oficial da revista Pesquisa FAPESP no Youtube ou um vídeo postado por um autor não identificável?

 

Verifique a data e Fontes de apoio

Algumas notícias não são completamente falsas, mas há casos em que ocorrem certas distorções. Uma prática que não é incomum é a veiculação de notícias antigas atrelando-as a uma situação do presente.

Nos EUA ocorreu uma situação bastante significativa quando Donald Trump tornou-se presidente: começou a circular uma notícia de que a empresa Ford iria retirar uma parte de sua produção do México e passá-la para Ohio. O problema é que a matéria sobre a empresa era de 2015 e apropriaram-se da mesma vinculando-a à eleição do então presidente. Como se não bastasse, o então presidente americano divulgou a notícia em seu twitter. Portanto, sempre verifique a data das publicações e também daquelas que ela referencia. Além de datas, confira a credibilidade dessas fontes que dão apoio à matéria bem como a veracidade daquilo que é afirmado. As corriqueiras notícias de “estudos revelam”, atreladas a uma dada universidade ou centro de pesquisa de aparente renome, podem revelar para o leitor uma falácia quando você pesquisar pela organização em causa e descobrir que ela nem mesmo existe.

 

Isso é uma piada? É preconceito?

Não limite sua prática no âmbito das informações ao consumo passivo e acrítico. Simplesmente passar coisas adiante sem nem ao menos checá-las é atitude problemática, além de prejudicar sua própria relação com o mundo das informações você contribui à divulgação de qualquer tipo de absurdo incoerente. Existem páginas e canais de notícias satíricas que têm como foco justamente o humor. Reconheça quem é o emissor do discurso antes de simplesmente achar que aquilo é verídico ou espelha uma opinião real sobre algo.

Da mesma forma, tome cuidado para não se mover dentro dos limites de seu preconceito. Por mais difícil que seja, caso leia uma notícia que lhe agrada sobre um político, por exemplo, lembre-se de confirmá-la. Não é o fato de a notícia em causa coadunar com seu pensamento que a torna verídica.

 

 Consulte especialistas e Leia mais:

Sabemos que todos estamos sempre ocupados, mas querer inteirar-se de todos os assuntos que nos rodeiam a partir dessa perspectiva superficial não é lá atitude muito construtiva;  estamos sendo inundados por argumentos infundados e simplesmente nem conseguimos deter-nos nos detalhes. Muitas vezes, menos é mais: mais coerência, mais reflexão, mais criticidade, mais aprendizado. Lembre-se de consultar especialistas sobre os assuntos em causa e de ler mais, o que não significa necessariamente  quantidade. Aqui o mais significa: viu um meme no facebook dizendo que um político X teve a atitude Y? Antes de consumir aquela informação e deixar que ela lhe cause as mais variadas sensações, pesquise considerando os elementos que mencionamos acima.

 

Para escrever este post consultamos o texto: How to spot fake news, de  Eugene Kiely e Lori Robertson, publicado em novembro de 2016 no site Factcheck.org. <https://www.factcheck.org/2016/11/how-to-spot-fake-news/&gt;

 

As categorias apresentadas foram baseadas em proposta da International Federation of Library Associations and Institutions. <https://www.ifla.org/files/assets/hq/topics/info-society/images/portuguese_-_how_to_spot_fake_news.pdf&gt;


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