Livros escritos por mulheres indicados por bibliotecárias

17/12/2018

Uma estudante do curso de Biblioteconomia da ECA/USP postou numa página do Facebook o seguinte pedido:

Preciso de indicações de livros que vocês tenham amado, escritos por mulheres

O resultado foi inesperado. Em poucas horas surgiram dezenas de sugestões, e a postagem continuou recebendo comentários por vários dias. Como a lista ficou muito boa resolvemos, com a concordância da autora do pedido, publicá-la aqui, como indicação de leitura para as férias.

A lista é bastante heterogênea, contendo desde literatura leve, que marcou a adolescência de várias leitoras, até modernos ícones feministas, como a autora nigeriana Chimamanda Ngozi Adichie, sem esquecer das histórias em quadrinhos. O critério de elaboração foi o gosto de quem colaborou, em sua maioria mulheres estudantes de biblioteconomia ou bibliotecárias, mas os homens também contribuíram alegremente. Complementamos com uma ou outra indicação no momento da redação deste post, e temos certeza de que as sugestões continuam surgindo.

Simone de Beauvoir e Jane Austen estão entre as ausências notáveis, mas não importa. Não se trata de uma lista de melhores, mas de uma lista de livros amados.

Muitos desses títulos talvez estejam disponíveis nas bibliotecas da USP ou em alguma biblioteca pública perto de vocês. Aproveitem!

Adeus, Haiti. Edwidge Dantica
Amada. Tony Morrison
O amante. Marguerite Duras
Americanah. Chimamanda Ngozi Adichie
A amiga genial. Elena Ferrante
Anarquistas Graças a Deus. Zelia Gattai
Antes do baile verde. Lygia Fagundes Telles
A arte de ler. Michele Petit
Autobiografia de todo mundo. Gertrude Stein

Lygia Fagundes Telles

Baratas. Scholastique Mukasonga
The bell jar. Sylvia Plath
A biblioteca invisível. Geneviève Cogman
As boas mulheres da China. Xinran
As brumas de Avalon. Marion Zimmer Bradley

A cabeça do santo. Socorro Acioli
Calibã e a bruxa. Silvia Federici.
Caniços ao vento. Grazia Deledda
Os casamentos entre as zonas 3, 4 e 5. Doris Lessing
O caso do dez negrinhos. Agatha Christie
O castelo animado. Diana Wynne Jones
A chave de casa. Tatiana Salem Levy
Ciranda de pedra. Lygia Fagundes Telles
Como esquecer. Myriam Campello
O conto da aia. Margareth Atwood
A cor púrpura. Alice Walker
Corte de espinhos e rosas (série). Sarah J Mass
Crepúsculo (saga). Stephanie Meyer

Um defeito de cor. Ana M Gonçalves
Desmundo. Ana Miranda
Delta de Vênus. Anaïs Nin
O diário de Anne Frank. Anne Frank
Dias de abandono. Elena Ferrante
A diferença invisível. Mademoiselle Caroline e Julie Dachez (Quadrinhos)
O direito de ler e de escrever. Silvia Castrillon
A dor. Marguerite Duras

E no final a morte. Agatha Christie
E o vento levou… Margaret Mitchell
Entrevista com Vampiro. Anne Rice
Éramos seis. Maria José Dupré
Estação Onze. Emily St. John Mandel

Falsas Aparências. Sarah Waters
O feiticeiro de Terramar. Ursula K. Le Guin
Frankenstein. Mary Shelley

A garota no trem, A. Paula Hawklin
The grass is singing. Doris Lessing
A guerra não tem rosto de mulher. Svetlana Aleksiévitch

Hibisco roxo. Chimamanda Ngozi Adichie
História de quem foge e de quem fica. Elena Ferrante
História do novo sobrenome. Elena Ferrante
Hoje é o último dia do resto da sua vida. Ulli Lust (Quadrinhos)

As lendas de Dandara. Jarid Arraes

Memórias eróticas de Paris na Belle Époque. Anne Maria Villefranche
As meninas. Lygia Fagundes Telles
Minha prima Raquel . Daphne DuMaurier
Mornas eram as noites. Dina Salústio
O morro dos ventos uivantes. Emily Brontë
Mulheres que correm com os lobos. Clarissa Pinkola Estés

Niketche: uma história de poligamia. Paulina Chiziane
Ninguém vira adulto de verdade. Sarah Andersen (Quadrinhos)
No seu pescoço. Chimamanda Ngozi Adichie
A nova mulher e a moral sexual. Alexandra Kolontai

Olhos d’água. Conceição Evaristo
O osso: poder e permissão. Erika Balbino.
Outros jeitos de usar a boca. Rupi Kaur
A paixão segundo GH. Clarice Lispector
O papel de parede amarelo. Charlotte Perkins Gilman
Para educar crianças feministas. Chimamanda Ngozi Adichie
Perto do coração selvagem. Clarice Lispector
O peso do pássaro morto. Aline Bei
Placas tectônicas. Margaux Motin (Quadrinhos)
Persépolis. Marjane Satrapi (Quadrinhos)
Pollyanna . Eleanor H. Porter

Quarto de despejo. Carolina de Jesus
O que o sol faz com as flores. Rupi Kaur
O Quinze. Rachel de Queiroz

Rebecca. Daphne DuMaurier

O sol é para todos. Harper Lee

Os teclados. Teolinda Gersão
Um teto todo seu. Virginia Woolf
O torreão. Jennifer Egan
Trono de vidro (série). Sarah J Mass

Virginia Woolf

Um útero é do tamanho de um punho. Angélica Freitas

A vida invísivel de Euridice Gusmão. Marta Batalha
A vida que ninguém vê. Eliane Brum

Zonas úmidas. Charlotte Roche

 

Outras fontes indicadas no post

Mulheres negras na biblioteca

https://www.facebook.com/mulheresnegrasnabiblio/

30 escritoras brasileiras contemporâneas para conhecer em 2018

homoliteratus.com/escritoras-brasileiras-contemporaneas/

créditos: o post que provocou a chuva de sugestões é da Debyh Dias. Como muita gente colaborou, não dá para citar todos os nomes. Agradecemos a todas (e todos).


XIX ENANCIB

10/12/2018

De 22 a 26 de outubro ocorreu, na Universidade Estadual de Londrina (UEL), o XIX Encontro Nacional de Pesquisa em Ciência da Informação (XIX ENANCIB). Tendo como tema norteador o “Sujeito informacional e as perspectivas atuais na Ciência da Informação”, o evento reuniu pesquisadores brasileiros para discutirem pesquisas em andamento e já concluídas no âmbito da Ciência da Informação.

As apresentações, na modalidade comunicação oral e pôster, foram organizadas nos seguintes grupos de trabalho:

GT1 Estudos Históricos e Epistemológicos da Ciência da Informação
GT2 Organização e Representação do Conhecimento
GT3 Mediação, Circulação e Apropriação da Informação
GT4 Gestão da Informação e do Conhecimento
GT5 Política e Economia da Informação
GT6 Informação, Educação e Trabalho
GT7 Produção e Comunicação da Informação em Ciência, Tecnologia & Inovação
GT8 Informação e Tecnologia
GT9 Museu, Patrimônio e Informação
GT10 Informação e Memória
GT11 Informação & Saúde

Tanto alunos como docentes vinculados ao Programa de Pós-graduação em Ciência da Informação da ECA marcaram presença no evento apresentando suas pesquisas e contribuindo para a ampliação e aprofundamento das discussões em torno de questões inerentes à Ciência da informação.

A bibliotecária do Serviço de Referência da ECA, Lilian Viana, apresentou um trabalho na modalidade comunicação oral, trazendo discussões de sua pesquisa de doutorado – em curso – orientada pela Profa. Dra. Ivete Pieruccini. Sob o título Informação e educação no ensino superior: a biblioteca universitária como espaço formativo, a pesquisa objetiva o alargamento dos limites conceituais que caracterizam a prática da biblioteca universitária em nosso país para se ocupe, também, com a mediação da cultura informacional acadêmica.

Os artigos dos trabalhos apresentados encontram-se disponíveis para download aqui. 


O III Seminário da Redarte-SP

03/12/2018

A Rede de Bibliotecas e Centros de Informação em Arte de São Paulo (Redarte – SP), surgiu no final da década de 1990, com o objetivo de reunir as instituições e profissionais que mantém acervos da área em torno de projetos e ações colaborativas. A ideia era constituir, no futuro, uma associação como a Redarte do Rio de Janeiro, criada em 1995 e já bastante consolidada.

Depois de dois anos de atuação regular, durante os quais foi elaborado um guia de instituições de artes, a Redarte-SP teve suas atividades interrompidas. Faltou aos seus integrantes, eternamente sobrecarregados com as atividades de suas instituições,  condições mínimas para prosseguir. Somente em 2016 um grupo de profissionais decidiu retomar a ideia, e tem se reunido periodicamente, desde então.

Nessa segunda fase, foi criado um novo website e uma página no Facebook, na qual são divulgadas não apenas notícias sobre as atividades da Redarte-SP, mas informações as mais diversas sobre o mundo da informação na área de artes. A Redarte-SP agora tem uma logomarca, criada pelo Design Lab ESPM, da Escola Superior de Propaganda e Marketing. Outra realização importante desse período foi a realização dos três Seminários de Informação em Arte, de  2016 a 2018.

Cartaz do Seminário – arte de Andréia Tiemi

A edição mais recente do Seminário, realizada no dia 23 de novembro, na ECA, teve como tema Livros de Artistas: da Criação ao Acesso. As palestras abordaram diferentes aspectos do tema, garantindo o interesse da plateia formada por bibliotecários, artistas, pesquisadores, curadores de acervos e estudantes de várias áreas.

A definição do livro de artista como dilema – por Paulo Antonio de Menezes Pereira da Silveira, professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRG)

Abordou a definição de “livro de artista”, expressão associada primeiramente a edições específicas da arte contemporânea, surgida espontaneamente e com objetividade nos anos 1970. Nas décadas seguintes passou a ser discutida, reivindicada ou mesmo inadequadamente interpretada, sobretudo por artistas, fenômeno que prossegue nos anos 2000.

Apresentação de Paulo Silveira

Uma reflexão sobre as potencialidades e os conceitos que traduzem o “Livro de artista” – por Silvana Novaes Ferreira,  professora da Escola Superior de Propaganda e Marketing

Partindo de uma reflexão sobre os conceitos que traduzem o Livro de artista, a apresentação abordou as potencialidades de exploração acadêmica junto aos alunos de Graduação em Design da ESPM. No Projeto de graduação em Design PGD os alunos podem optar pela modalidade “Experimental” e muitos escolhem o formato de livro de Artista. A palestra mostrou e explicou a metodologia desenvolvida, as etapas de desenvolvimento dos projetos e os resultados finais.

Apresentação de Silvana Novaes Ferreira

O livro pensado através – por Lucia Mindlin Loeb, artista e pesquisadora em Artes Visuais, doutoranda da ECA/USP

A artista mostrou seu trabalho e contou um pouco do processo de criação e produção dos livros obra/objeto/escultura que vem produzindo desde 2006. Lucia trabalha com fotografia desde 1991 e, buscando um novo suporte para as imagens, começou a investigar e experimentar a construção de uma série de livros objetos, que utilizam procedimentos tais como repetição de imagens, deslocamentos, sobreposições, cortes e furos, entre outros.

Apresentação de Lúcia Mindlin Loeb

Dissertação de mestrado (e livro de artista) de Lúcia Mindlin Loeb

A formação e o desenvolvimento da Coleção Livro de Artista na UFMG – por Diná Marques Pereira Araújo, bibliotecária coordenadora da Divisão de Coleções Especiais e Obras Raras (UFMG)

A Coleção Livro de Artista da Universidade Federal de Minas Gerais, com mais de 700 itens catalogados, é o maior acervo brasileiro no gênero e a primeira em biblioteca de universidade pública no Brasil. Começou em 2009, com a doação de um conjunto de livros de Alex Flemming, Guto Lacaz, Marilá Dardot e Paulo Bruscky. Em sua apresentação, Diná tratou da prática da organização de um acervo de livros de artistas, com seus diversos desafios.

Apresentação de Diná Araújo

O III Seminário, que foi aberto pelo Prof. Dr. Martin Grossmann, chefe do Depto de Informação e Cultura da ECA e teve a mediação da Profa. Dra. Cibele Araujo Camargo Marques dos Santos, do mesmo Departamento, foi gravado. Assim que estiver devidamente editado, o vídeo será divulgado no site da Redarte-SP. As apresentações já estão disponíveis, faltando apenas a do prof. Paulo Silveira, realizada por videoconferência.

Professores Martin e Cibele, na abertura do evento

A Redarte-SP existe e acontece pelo empenho de seus integrantes, que voluntariamente cedem um pouco de seu tempo para um trabalho colaborativo. Se você atua num acervo das áreas de Arquitetura, Artes do espetáculo ou Artes Visuais e deseja participar, entre em contato com A Redarte-SP pelo e-mail redarte.saopaulo@gmail.com.

 

O vídeo do evento está disponível no IPTV

Primeira parte:
http://iptv.usp.br/portal/video.action?idItem=40034

 

 

 


Professores da ECA: Jean-Claude Bernardet

26/11/2018

porque você às vezes faz o filme pros amigos, faz pra você, você não sabe o que é público, então eu fiz o Cabra um pouco do jeito que eu fiz em resposta às questões que o Jean-Claude colocava

o trecho acima veio de uma fala do Eduardo Coutinho no 11º Festival Internacional de Documentários, dito numa mesa em homenagem a Jean-Claude Bernardet e está presente na nota introdutória da edição de Brasil em tempo de cinema de 2007, da Companhia das Letras.

Ensaísta, diretor, roteirista, ator, crítico de cinema e professor aposentado do curso de audiovisual da ECA, Jean-Claude Bernardet é autor de títulos obrigatórios sobre o cinema nacional. Além do já citado Brasil em tempo de cinema, seus títulos Cinema brasileiro: propostas para uma história, Cineastas e imagens do povo, Historiografia clássica do cinema brasileiro são também indispensáveis na estante de pesquisadores da área. Sobre Historiografia clássica do cinema brasileiro, Arthur Autran, professor da UFSCar, diz que “é o livro mais influente no Brasil no campo da historiografia do cinema”.

Mas se você ainda não tem esses títulos aí na sua estante, aqui na Biblioteca da ECA todos eles estão juntinhos na estante de cinema… E você encontra muito mais. Parte da produção crítica do professor pode ser encontrada nos jornais Movimento e Opinião, na nossa coleção de jornais e revistas antigos. O livro Trajetória crítica, tem antologia de críticas selecionadas pelo próprio autor, com textos publicados originalmente no Suplemento Literário do Estadão, Última Hora, A Gazeta entre outros.

Por ocasião de seus 70 a professora da ECA, Maria Dora Mourão, juntamente com Maria do Rosário Carneiro e Laure Bacqué organizaram o catálogo Jean-Claude Bernardet: uma homenagem, que traz seleção de suas críticas, fotos e listas bibliográficas de sua produção como ensaísta, roteirista, ator, diretor.

Outro volume, este feito quando de seu octogésimo aniversário, Bernardet 80: impacto e influência no cinema brasileiro, traz textos dos professores Mateus Araújo, Ismail Xavier, Rubens Rewald e Roberto Moreira.

Além de todas as áreas de atuação citadas acima, Bernardet também escreveu ficção. Duas delas de caráter autobiográfico, ou autoficção, como ele diz, Aquele rapaz e A doença: uma experiência; e dois livros em coautoria com o também professor da ECA Teixeira Coelho, Os histéricos e Céus derretidos.

E claro, a obra de Bernardet deu pano pra mangas para artigos e monografias, alguns exemplos:

Na alquimia das imagens. A crítica como produção: a crítica de Jean-Claude Bernardet nos anos de 1960″, tese de Maria Ignês Carlos Magno

Found footage em tempo de remix: cinema de apropriação e montagem como metacrítica e sua ocorrência no Brasil”, dissertação de Marcos Leandro Kurtinaitis Fernandes.

Aproveite que as férias estão chegando e conheça mais sobre o cinema nacional pela obra de um dos nossos professores.

 


Divulgação de teses e dissertações defendidas na ECA

12/11/2018

As pesquisas desenvolvidas nos cursos de pós-graduação da ECA constituem avanços científicos nas áreas de Comunicação, Informação e Artes e, consequentemente, para a sociedade brasileira na medida em que podem contribuir ao desenvolvimento econômico, social e cultural do país.

Para contribuir ao processo de comunicação dos resultados das pesquisas realizadas na pós-graduação da ECA, a Biblioteca lança um novo serviço: a divulgação de teses e dissertações em nosso blog. Nossa proposta é realizar uma divulgação em linguagem simples para atingir um público que não é, necessariamente, da área. Será todas as quartas-feiras, conforme o fluxo de recebimento dos trabalhos.


Portanto, caso você tenha defendido sua tese ou dissertação na ECA e tenha interesse em ampliar o alcance de divulgação do seu trabalho, acesse nosso site e preencha o formulário com as informações solicitadas.

* Essa ação foi inspirada no Nexo acadêmico.


O desafio da diversidade

05/11/2018

Comentários misóginos, piadas ofensivas aos homossexuais, uso de termos de origem racista e muitas outras atitudes que há alguns anos eram tidas como “brincadeira” não são mais aceitos no ambiente universitário. A presença de alunos militantes de diversos coletivos, ou simplesmente mais conscientes e politizados, trouxe para as salas de aula, de forma bastante explícita, conflitos que no passado eram silenciados.

Comissões de direitos humanos foram criadas na USP para ajudar a combater o assédio sexual, moral e o racismo na USP e recebem inúmeras denúncias.

E mais: negros e mulheres começaram a questionar a própria bibliografia dos cursos, ainda dominada por referências europeias escritas por autores homens e brancos.

A demanda já começa a chegar às bibliotecas, ainda que de forma relativamente tímida. Na Biblioteca da ECA já recebemos, mais de uma vez, questões como:

  • Como faço para localizar artigos acadêmicos sobre o tema aborto escritos por mulheres nos últimos 5 anos?
  • Dá para localizar obras de autores negros no acervo?

Nenhuma dessas questões pode ser respondida pelas ferramentas que utilizamos nas bibliotecas, porque as informações de raça ou gênero do autor não constam das bases de dados de artigos e nem dos catálogos das bibliotecas. Não é um problema local, restrito à USP, as bibliotecas trabalham com padrões internacionais de metadados e catalogação. É possível mudar? Sim, mas é algo que vai exigir tempo, organização e pressão das bibliotecas, editores, autores, comunidade acadêmica etc. Há outras formas de chegarmos a essa informação? Sim, mas para isso é fundamental que a demanda seja compreendida pelo profissional e as limitações do sistema entendidas pelo pesquisador. Sobretudo, as demandas precisam ser mais frequentes e até mais organizadas. Formuladas por grupos, por exemplo.

Há outras questões desse tipo no nosso universo. O perfil do acervo, por exemplo, que, nas bibliotecas universitárias é definido sobretudo pelos professores. E aqueles que mais indicam material mais influência têm.

Motivados por essas questões, apresentamos ao professor Ricardo Alexino Ferreira a proposta de chamar um debate sobre o tema, como atividade da XXI Semana do Livro e da Biblioteca. O professor abraçou imediatamente a ideia e ajudou a organizá-lo, convidando pesquisadores e especialistas em questões relacionadas à diversidade  étnico-social para falar do assunto.

A mesa-redonda O desafio da diversidade nas bibliotecas: questões metodológicas e culturais aconteceu no dia 24 de outubro, à noite, no auditório Lupe Cotrim da ECA. Resumindo as falas:

O professor Ricardo Alexino, Livre-docente pela Universidade de São Paulo, líder do Grupo de Pesquisa Midialogia Científica e Especializada, idealizador e apresentador do programa “Diversidade em Ciência” da Rádio USP apresentou sua visão de usuário assíduo de bibliotecas, pontuando as questões que mais o incomodam no sistema de classificação e perfil do acervo. O conhecimento como algo ligado ao prestígio em nossa sociedade e a predominância dos autores da Europa e Estados Unidos nos planos de ensino da USP foram alguns dos temas presentes na fala do professor.

Ivan Siqueira, Doutor e Mestre em Letras pela FFLCH/USP, especialista em Música e História da Arte pela Berklee College of Music e membro do Conselho Nacional de Educação (2015-2018), falou sobre o elitismo na origem das bibliotecas públicas e as estratégias para afastar delas a população negra e pobre – a forma de organização complicada foi uma delas. O prof. Ivan também abordou o projeto de reorganização das bibliotecas públicas da Holanda que, diante da queda vertiginosa na frequência, decidiram se reinventar, fizeram extensa pesquisa para identificar as demandas da população e hoje são referência no mundo todo – além de atração turística muito popular.

Biblioteca Pública de Amsterdam – foto de José Estorniolo Filho

Biblioteca Pública de Amsterdam – foto de José Estorniolo Filho

Gean Gonçalves, doutorando (ECA-PPGCom), mestre em Ciências da Comunicação também pela USP, membro do grupo de pesquisa Epistemologia do Diálogo Social  da ECA-USP e pesquisador das Narrativas Jornalísticas e do Ensino de Jornalismo, das Práticas de Respeito e Alteridade com a População LGBT, aos Estudos de Gênero e Sexualidade e a Teoria Queer na Comunicação Social, explicou em detalhes as questões da terminologia, sempre bastante importantes no universo das bibliotecas.

O debate, que teve a mediação da bibliotecária Marina Macambyra, foi importante para marcar o início de uma discussão que merece ser aprofundada e mobilizar o ambiente das bibliotecas da USP.

Nossas bibliotecas são, provavelmente, o maior espaço institucional de encontro das três categorias, depois da sala de aula. Nesse espaço podem ocorrer conflitos e tensões as mais diversas, mas também podem surgir mudanças e coisas boas. Bibliotecas não são estruturas descoladas da sociedade. São parte de um todo, estão sujeitas às mesmas forças que regem o país ou a cidade e não são neutras.

A Holanda tem bibliotecas públicas de excelência porque os profissionais que lá atuam se mobilizaram para torná-las melhores e porque poder público e a população em geral valorizam as bibliotecas.

Nossas bibliotecas, aqui na USP, podem e devem ser um espaço de convivência e diversidade, onde todos sintam-se acolhidos e representados. Num momento em que o ódio e o preconceito ameaçam diversos segmentos da população brasileira, é urgente que essa trincheira seja construída.

Assistam o vídeo neste link: https://youtu.be/AOBKpzhGW9Y

Vejam alguns documentos com informações importantes sobre o tema:

Bibliotec@rios negr@as: ação, pesquisa e atuação política
http://www.crb8.org.br/wp-content/uploads/2017/02/Livro-Bibliotecarios-negros.pdf

Repertório bibliográfico sobre a condição do negro no Brasil
http://bd.camara.gov.br/bd/handle/bdcamara/34741#

Manifesto das Bibliotecas Multiculturais
https://www.ifla.org/node/8976

Uma breve história da homofobia na Classificação Decimal de Dewey
https://medium.com/@mo.re.no/uma-breve-hist%C3%B3ria-da-homofobia-na-classifica%C3%A7%C3%A3o-decimal-de-dewey-e763fb5f77bc

Is your librarian racist?
https://www.citylab.com/equity/2018/01/is-your-librarian-racist/550085/

 

 


Publicações de artista na Biblioteca da ECA

29/10/2018

A coleção Publicações de artista da Biblioteca da ECA é composta por produções artísticas dos docentes, teses e dissertações do Programa de Pós-graduação em Artes visuais, TCCs do Departamento de Artes Plásticas e livros de artistas adquiridos pela Biblioteca, de autores sem vínculo acadêmico com a Escola.

Dentre as publicações de artista encontram-se obras que são explicitamente manifestações artísticas. Já o livro de artista é obra em que se dá o encontro entre a forma “livro” e a expressão “arte”.  Assim, a forma “livro” constitui a própria obra, não é mero suporte para divulgação de um trabalho artístico.

Caracterizar uma obra como livro de artista é tarefa complexa que implica diferentes elementos. Por esse motivo,  podem existir livros de artista em nosso acervo que ainda não foram identificados como tal. Para ter uma dimensão mínima do que está implicado nessa tarefa, leia esse post.

Cidade imaginária, de Anico Herskovits .
Foto: Carla Bonomi

Júlio Plaza e Augusto de Campos. Poemóbiles. Foto: Carla Bonomi

Dora Longo Bahia. Marcelo do Campo (dissertação)

No Dédalus e no Portal da Busca integrada é possível realizar a pesquisa pelas publicações de artista (termo mais geral que engloba inclusive os livros de artista) e, também, somente pelos livros de artistas (lembre-se que estão em causa aqueles que já foram identificados e caracterizados como tal pela nossa equipe).

Para pesquisar por publicações de artista no Dédalus em “campo para busca” selecione a opção “coleção especial” e digite o termo “publicação de artista” (o uso de acentos e sinais especiais é indiferente).

Publicação de artista é termo que delimita essas coleções em todas as bibliotecas da USP. Assim, outras bibliotecas podem ter coleção desse tipo de publicação e você irá localizá-las ao realizar a pesquisa considerando o acervo das demais bibliotecas da USP.

Para pesquisar apenas por livros de artistas digite o termo “livro de artista” no campo “assunto”:

Vejam também o trabalho realizado por Carla Bonomi como parte de seu trabalho de conclusão de curso de Biblioteconomia.

Bibliografia de livros de artista da coleção da Biblioteca da ECA


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