Semana da Consciência Negra na Biblioteca da ECA

18/11/2019

Temas como cultura e arte africanas ou afro-brasileiras, teatro negro, cinema negro, imagem do negro em diferentes meios de comunicação e racismo têm sido bastante pesquisados na Biblioteca da ECA.

Esses temas estão bem representados no nosso acervo?

E os autores e autoras negras, onde estão?

Como fazer para melhorar a presença dessas temáticas e autores na nossa Biblioteca?

São questões difíceis de responder de imediato. Uma biblioteca universitária reflete muito os interesses e formação da comunidade a qual serve e apenas a entrada de mais professores e estudantes negros vai conseguir, de fato, impactar o perfil dos nossos acervos. Mas o questionamento é necessário e urgente.

Aproveitando a Semana da Consciência Negra, vamos divulgar e dar visibilidade ao material que já localizamos no acervo. Um levantamento inicial no Dédalus, nosso catálogo principal, localizou cerca de 400 itens, entre livros e teses, sobre temáticas relacionadas à cultura negra, africana e afro-brasileira.

Como a lista é um pouco extensa para divulgarmos aqui, sugerimos aos interessados que façam a busca no Dédalus usando os seguintes termos:

AFRODESCENDENTES
ARTE AFRO-BRASILEIRA
ARTE NEGRA
CULTURA AFRO-BRASILEIRA
CULTURA NEGRA
NEGRO
NEGROS
RACISMO
RELIGIÕES AFRO-BRASILEIRAS

Vale também buscar termos específicos, como CANDOMBLÉ, BANTU, MAKONDE etc, ou usar o recurso de truncar os termos de busca, dessa forma:

NEGR* (recupera NEGROS, NEGRO, NEGRAS, NEGRA, NEGRITUDE etc)

AFRICA* (recupera AFRICA, AFRICANO, AFRICANA etc)

E mais: na Biblioteca Digital da Produção Intelectual da USP (BDPI), repositório de trabalhos de professores, técnicos e alunos da Universidade, vejam o material que encontramos de autores vinculados à ECA:

procurando pelo termo AFRO

procurando pelo termo NEGR*

E se fizermos a busca em toda a USP, sem limitar à Escola de Comunicações e Artes, a quantidade de registros aumenta bastante.

Compositores e intérpretes negros estão presentes em nosso acervo de CDs. Estamos preparando um levantamento dessas gravações, aguardem.

E quanto ao cinema? Vejam nossa lista de filmes sobre cultura negra, ou filmes dirigidos ou protagonizados por pessoas negras.

Spike Lee. Faça a coisa certa

Mas e os autores e autoras negros? Estão bem representados na Biblioteca da ECA? Essa questão é bem mais difícil de responder, porque a informação não está prevista nos catálogos e bases de dados das bibliotecas. Não existe um campo para inserir informações sobre características pessoais dos autores, como raça ou gênero. Como fazer? Com a ajuda dos pesquisadores e dos próprios autores, que podem nos auxiliar a fazer uma lista.

Por falar em ajuda, um grupo de pós-graduandas negras preparou uma relação de livros sobre o tema mídia e racismo e nos enviou como sugestão para o acervo. Estamos verificando todos os itens, para identificar quais ainda não temos. Como, no momento, estamos sem verbas para comprar livros, assim que tivermos a lista definitiva, vamos divulgar em nossa página no Facebook e pedir doações. A feira de livros da USP com seus agradáveis descontos vem aí, aproveitem para exercitar sua generosidade!

Edição: divulgamos a lista:

 

 

 

 

 

 


O Coletivo Mário de Andrade pede passagem

11/11/2019

Hoje publicamos um texto de autoria do Alex Lourenço, estudante do curso de Biblioteconomia da ECA, divulgando um coletivo que os alunos estão organizando. Abrimos este espaço porque acreditamos que os grupos organizados de estudantes são importantes para a circulação de novas ideias, e o apoio a essas iniciativas contribui para fortalecer o vínculo entre nossa biblioteca e os alunos.

Olá, tudo bem com vocês bibliotecários e bibliotecárias em formação, além de pós-graduandos e graduandas em CI, e você, formado(a) em Biblio, como estão?

Bem, percebo que há um tempo vem se discutindo um coletivo para manter um blog, revista, dentre outros projetos de extensão aqui no nosso querido CBD, nessa ECA tão linda dessa USP. Eu, Alex, que entrei aqui apenas neste ano de 2019 como bixo de Biblio já senti várias vezes discussões e quereres de começar várias coisas do gênero, mas nada de uma ideia tomar corpo. E se esse corpo chegasse, e se fosse na forma de um coletivo?

Pois, o Mário de Andrade nos empresta seu nome para um coletivo suficientemente aberto para agregar não só os alunos da graduação, mas formados e pós-graduandos, também! Portanto, todos vocês fiquem tranquilos para virem até nós e participar!
O Coletivo Mário de Andrade é uma iniciativa minha, mas que só se manterá real com a agregação e envolvimento das pessoas. Focalizando nisso, estão abertos nosso Instagram (@coletivomariodeandrade) e nossa página do Facebook, recentemente compartilhada pela página da Biblioteca da ECA, para vocês poderem chamar no probleminha e conversar, e tirar dúvida, nossa equipe responsável pelas redes sociais está a todo vapor a espera por vocês!

Além da ideia do coletivo, pensando em atividades, eu cheguei a vislumbrar até uma revista nossa, para divulgação dos nossos trabalhos, dos profissionais, do nosso CBD querido e tudo o mais. Um blog me parece agora uma boa entrada para iniciar isso, fechando um corpo de colaboradores e tudo o mais. Além, como sugestão da nossa nova colaboradora, Sophia Amaral, um clube de estudos já pode ser formado para discutir coisas que passam como mais rapidez na graduação mas que com tempo seriam bem melhor desenvolvidas, como textos importantes da área, dúvidas sobre catalogação, como quiserem! Por fim, e daí quem sabe trazermos eventos e mais pra CBD-ECA, mesmo fora da Semana de Biblio?

A quem tiver interesse, que tal conversarmos? Eu trago a ideia, mas a união é quem faz o bagulho. Nossa profissão é tão separada, e precisamos TANTO de uma união como classe, por que não fazer disso na graduação?

Bem, a quem quiser, chega mais e chama no probleminha pelo nossa Insta @coletivomariodeandrade ou pelo nosso Facebook!

PS.: A escolha do nome Mário de Andrade vai ao encontro de sua importância para o nascimento da Biblioteconomia no Brasil, especificamente São Paulo, e vendo CAs da FESPSP e da PUC que já homenageiam, respectivamente, Borba de Moraes e Adelpha Figueiredo, achei necessário um negro nesse contexto bibliotecônomico todo. Espero que Mário seja tão importante pra vocês quanto é para mim rs (daí, pessoalmente, claro).

por Alex Lourenço


Capas bonitas, capas famosas

04/11/2019

Ok, não temos no acervo livros infantis para selecionar capas bonitas, mas quem disse que livros e revistas para adultos não têm também essa preocupação! Além de bonitas temos capas famosas, que mudaram estruturas enraizadas do design gráfico brasileiro.

Os anos 1960 foram bastante prolíficos em novidades na área. Surgem no período algumas capas que se tornariam famosas, feitas por designers oriundos de áreas como artes plásticas, arquitetura, cenografia. Nomes como Eugênio Hirsch, Carlos Scliar, Glauco Rodrigues, Bea Feitler e vários outros despontam nesse momento.

É a década também em que se intensifica a segmentação do jornalismo brasileiro, com o surgimento de títulos como Realidade, Quatro Rodas, Joia/Desfile, Claudia e outros.

Duas das revistas que surgem nesse momento, Senhor e Realidade, ocupam lugares de honra na história do design gráfico brasileiro.

Elas não são revistas voltadas a públicos especialistas […], tampouco a públicos menos exigentes […]. Antes, pretendem se equilibrar num conhecido fio da navalha da comunicação de massas: conciliar qualidade com sobrevivência comercial.

Enquanto Senhor se apoiava nas artes plásticas, com quase todas as capas trazendo ilustrações, Realidade tinha seu discurso visual apoiado na fotografia.

Nas páginas de Realidade assistimos pela primeira vez em um veículo de massa ao uso sistemático e continuado de imagens fotográficas menos comprometidas com uma representação realista.

Fizemos uma pequena seleção de capas.

Duas excelentes fontes sobre o assunto e nas quais nos baseamos para fazer este post são:
CARDOSO, R. (org.). O design brasileiro antes do design: aspectos da história gráfica, 1870-1960
MELO, Chico Homem de. (org.) O design gráfico brasileiro: anos 60
ambos da Cosac Naify e disponíveis em nosso acervo.


A leitura de textos acadêmicos: algumas dicas e considerações

21/10/2019

A FFLCH/USP disponibilizou no Youtube uma série de aulas, com conteúdos valiosos sobre a leitura e escrita acadêmica, voltadas especificamente para a área de Humanas. Neste post iremos trazer alguns elementos centrais presentes em uma das aulas que aborda a leitura acadêmica e que você pode assistir clicando aqui.

Para iniciar vamos, de antemão, estabelecer uma perspectiva: a leitura é um diálogo entre o leitor e a obra/o autor. Adotar essa perspectiva coloca o leitor na posição de quem busca compreender e argumentar, portanto, ler não é meramente assimilar conteúdos e isto implica uma postura crítica e reflexiva do leitor que, em seu percurso de diálogos com os textos, deve buscar a autonomia intelectual.

Vamos lá!

  • É importante estar atento para desenvolver um pensar crítico e reflexivo, sendo autônomo intelectualmente. Ou seja, não assumir uma posição pela autoridade ou posição de quem fala/escreve, mas, sim, pensar e construir justificativas racionais.
  • Não devemos aceitar passivamente tudo aquilo com o que nos defrontamos, mas, sim, explicitar a coerência interna, a lógica daquilo que nos é apresentado. Precisamos, portanto, compreender a coerência, a lógica do que chega até nós.
  • Num campo do conhecimento em particular: é essencial ser capaz de avaliar de modo racional as variáveis teóricas da área e escolher, diante de diferentes situações, qual esquema teórico aplicar, qual argumento montar, como construir uma objeção. Enfim, é preciso pensar crítica e rigorosamente.

Alguns problemas na prática de leitura e como avançar:

1) Leitura fragmentada: o leitor destaca apenas aquilo que compreende, que lhe é familiar. Ignora aquilo que desconhece (termos, frases, parágrafos, referências, etc.). Assim, há a sensação de que a leitura avançou rápido, mas, ela foi limitada e ficou comprometida. O leitor decodificou todos os signos, mas, não necessariamente adentrou em todas as significações. É preciso repensar essa atitude para conseguir dialogar com o texto.  Explorar o vocabulário é essencial para compreender o texto, avançar e, consequentemente, para o próprio processo pessoal de escrita.  Sanar dúvidas de vocabulário, referências, sintaxe, buscar compreender aquilo que não conhece é essencial para prosseguir. Os elementos que o leitor desconhece são parte do texto, portanto, essenciais à sua compreensão.  Ler impacta diretamente no escrever. E, nesse sentido, uma leitura criteriosa, rigorosa irá impactar em uma escrita também crítica e rigorosa.

2) Tomar posição valorativa:  o leitor não concorda com algo do texto –  ou com o todo – e acaba adotando uma atitude que pode gerar distorções. Seria algo como: “não concordo com você e, portanto, não quero escutar, não quero dialogar”.  A leitura será limitada, pois o leitor, provavelmente, não conseguirá compreender a lógica argumentativa do autor (não se trata de concordar, mas, sim de compreender e, inclusive, construir suas próprias argumentações a partir disso). É importante compreender a posição do autor.

3) Ler sem considerar o todo e desconsiderar a estrutura do texto: em muitas situações o estudante faz a leitura de trechos/capítulos solicitados em aula desconsiderando a estrutura da obra na qual o material está inserido. É importante ter consciência da obra como um todo. Se o estudante ler um capítulo, é essencial reconhecer em qual obra está inserido, qual o objetivo dessa obra, quem é esse autor, observar o sumário, a orelha do livro. Enfim, quando for ler um trecho isolado,  não apenas ler o texto, mas, também, ler a própria estrutura na qual ele está inserido.

Fora isso, é importante identificar a estrutura lógico-conceitual do texto: uma sugestão é realizar a numeração dos parágrafos quando estamos iniciando nossas leituras acadêmicas. E, após numerá-los, é interessante reunir os parágrafos em blocos que estabelecem relação mais direta e para os quais você poderia atribuir uma síntese. Seria algo como pensar assim: “se eu precisar definir em uma palavra, em uma linha do que trata esse bloco de parágrafos, como eu faria?” Com isso, o leitor consegue fazer um movimento de explicitar o pensamento do autor e sua estrutura lógica. Isso é um exercício importante para que o leitor consiga aprender a dialogar com o texto. O leitor que sintetiza/agrupa nessa perspectiva é um leitor que consegue compreender o raciocínio do autor, algo essencial ao diálogo e a produção do conhecimento.

 

 

 


II Forum de Bibliotecas de Arte no CBBD

14/10/2019

Marina Macambyra, bibliotecária da nossa equipe, apresentou um trabalho no II Forum de Bibliotecas de Arte, evento paralelo ao XXVIII Congresso Brasileiro de Biblioteconomia e Documentação (2019), realizado em Vitória – ES.

O trabalho, intitulado Objetos artísticos em bibliotecas de arte: a experiência da Biblioteca da ECA/USP, foi escrito em coautoria com as bibliotecárias Sarah Lorenzon Ferreira e Alessandra Vieira Canholi Maldonado.

Alessandra e Marina no CBBD 2019

 

Sua participação teve apoio da Comissão do Programa Permanente de Qualidade e Produtividade da ECA/USP (Proqual), que aprovou o pagamento da inscrição e diárias com os recursos do Programa.

Publicamos, a seguir, seu relatório de participação.

 

Organizado pela Rede de Bibliotecas e Centros de Informação em Arte no Estado do Rio de Janeiro, o II Forum foi aberto pela palestra de Ana Bugnone, da Universidad Nacional de La Platal Argentina, seguida pela apresentação dos trabalhos orais e pôsteres dos profissionais e estudantes participantes.

A excelente palestra de abertura,  Accesibilidad y democratización da la información em arte: los archivos de artistas, teve alguns pontos de contato interessantes com o trabalho que realizamos aqui na ECA, pautado pela vontade de divulgar, exibir e dar acesso aos trabalhos de artistas da forma mais ampla e democrática possível. Bugnone faz algumas recomendações sobre projetos de digitalização de arquivos de artistas, das quais destaco três que se enquadram perfeitamente nos princípios adotados pelo nosso projeto da Biblioteca Digital da Produção Artística:

A documentação disponível online de conter: uma descrição e uma “vizinhança” (conceito de Aby Warburg) entre documentos que formam parte da mesma série.

Aceitar que a maior acessibilidade e a digitalização implicam uma perda do poder de interpretação única dos documentos.

Considerar que uma maior acessibilidade de informação sobre a arte e dos arquivos em particular é uma forma de democratização a cultura.

Os trabalhos apresentados ao II Forum, bastante heterogêneos quanto à temática, apresentaram uma amostra interessante da situação dos acervos da área no país e do nível desigual de qualidade dos serviços. Mais uma vez, como já ocorreu em outros eventos dos quais participei, pude constatar, sem falsa modéstia, o quanto é original e relevante o trabalho que fazemos na Biblioteca da ECA, e o quanto devemos nos esforçar em divulgá-lo entre os colegas da área.

Nosso trabalho abordou três projetos em andamento, todos pautados pela ideia central de divulgar, valorizar, tratar e democratizar o acesso aos trabalhos de arte originais que mantemos em nosso acervo:

Organização da coleção de livros de artista

Revisão dos critérios de circulação e armazenamento dos trabalhos acadêmicos de arte

Criação da Biblioteca Digital da Produção Artística da ECA/USP

Ressalto, ainda, que além da divulgar o trabalho da nossa biblioteca, minha intenção era provocar, com esse trabalho, o início de uma discussão, entre as bibliotecas da área, sobre o tratamento de originais de arte, visto que recebemos informações sobre uma suposta recusa das bibliotecas em receber trabalhos com essas características gerados nos cursos de graduação e pós-graduação. Se isso for fato – e estou realizando uma pesquisa para verificar – é importante que nossa biblioteca leve às demais sua experiência e mostre que sim, é possível tratar essas coleções no âmbito das bibliotecas. Além de contribuir para democratizar o acesso a obras de arte geradas no ambiente acadêmico, aceitar esse desafio é uma forma de continuar fazendo sentido para a comunidade, quando atendemos um público do formado por artistas ou pessoas interessadas em arte de uma forma geral.

Merece destaque, pela relevância, o trabalho Desenvolvimento de vocabulários controlados para obras culturais: a Pinacoteca de São Paulo e o Getty Research Institute: relato de experiência, de Isabel Cristina Ayres da Silva Maringelli. A equipe da Biblioteca da ECA também participa de um trabalho nessa área, juntamente com a colega da Pinacoteca e outros integrantes da Rede de Bibliotecas e Centros de Informação em Arte de São Paulo – REDARTE-SP. Além disso, uma das atividades previstas no projeto da Biblioteca Digital da Produção Artística da ECA/USP é enviar ao Union List of Artist Names do Getty a biografia sucinta dos artistas formados pela ECA que ainda não está lá cadastrados. A biblioteca da Pinacoteca já enviou os dados de boa parte dos artistas brasileiros, nosso levantamento vai ajudar a completar o quadro.


Sobre fazer anotações em aulas

07/10/2019

É muito comum fazermos anotações durante as aulas para registrar as informações consideradas importantes. O processo de fazer anotações em aulas é individual, não há regras a serem seguidas, entretanto, muitos estudantes simplesmente não se dão conta de que para recuperar, posteriormente, os registros é importante utilizar algum padrão de organização. Quanto melhor organizadas estiverem as anotações, mais simples será recuperá-las para estudar.

Veja algumas dicas:

  • Fazer anotações em aulas não deve ser um ato de transcrição de tudo que o professor escreve, mas, sim de escrever ideias centrais abordadas na aula.
  • Anote o tema da aula, a data, o nome do professor
  • Use suas próprias palavras
  • Deixe espaços em branco, caso queira escrever coisas posteriormente
  • Use abreviações
  • Numere os pontos
  • Utilize cores para fazer destaques
  • Agrupe itens semelhantes (linhas, cores, números, caixas, círculos, destaques com cores, quadros)
  • Citações – dê destaque
  • Use palavras que auxiliem a lembrar de tópicos importantes
  • Revise suas anotações, destaque os pontos mais importantes

A imagem abaixo é do Método Cornell, um método bastante simples e eficaz que foi desenvolvido para a elaboração de anotações. Consiste em dividir a página em três seções. Uma delas (a área central) deve conter as principais ideias da aula, a outra (canto esquerdo) trazê-las de modo sintético em conceitos/palavras-chave, o canto inferior da página é destinado à anotação de perguntas e um resumo sobre o tópico.

Veja abaixo alguns exemplos para, quem sabe, começar a fazer suas anotações de uma forma diferente.

Método Cornell

 

Exemplo de uso do método Cornell

 


Como fazer um fichamento

30/09/2019

Já indicamos no blog aqui e aqui como usar o Mendeley para organizar seus fichamentos, mas há uma pergunta que ficou pairando, por ser anterior: como fazer um fichamento?

Como há pessoas que entendem realmente do riscado, vamos indicar algumas fontes.

No Canal USP há uma série de aulas sobre metodologia de pesquisa e três dessas aulas versam sobre fichamento de uma forma bem detalhada, vale muito a pena:

https://www.youtube.com/watch?v=R4Sag80pQ5Y&list=PLAudUnJeNg4vWJhEJ_da26C-QW5qiS7uZ&index=22

Nas nossas estantes, na classificação 001.43 há diversos livros sobre metodologia de pesquisa e frequentemente eles trazem capítulos sobre fichamento, leitura, métodos de estudo. Às vezes mesmo obras antigas trazem ótimas considerações sobre o assunto, ou como disse Umberto Eco em Como se faz uma tese “quando queremos fazer uma pesquisa, não podemos desprezar nenhuma fonte, e isso por princípio.”

Em A arte de pesquisar, Mirian Goldenberg sugere um roteiro de leitura em forma de perguntas:

  1. Qual o objetivo da autora?

  2. Com que outros autores está dialogando ou discutindo (explícita ou implicitamente)?

  3. Quais as categorias utilizadas? (como são definidas?)

  4. Quais as suas hipóteses de trabalho?

  5. Qual a metodologia utilizada em sua pesquisa?

  6. Qual a importância de seu estudo no campo em que está inserido? (o que a autora diz? o que eu acho?)

  7. A autora sugere novos estudos?

  8. Resumo do livro

  9. Minha avaliação crítica do texto

 

Umberto Eco. Como se faz uma tese

Antônio Joaquim Severino. Metodologia do trabalho científico

Délcio Vieira Salomon. A maravilhosa incerteza

 

Abaixo um resumo de algumas fontes consultadas.

A qualidade do fichamento está diretamente ligada à qualidade da leitura feita e às referências que você traz previamente, ou seja, ao seu repertório.

Já o tipo do fichamento vai ser influenciado por outras coisas, como: objetivo da leitura, tipo de texto que se está lendo, posse ou não do livro etc. Por exemplo, se você está lendo um manual, uma peça de teatro ou um ensaio, textos que são estruturalmente diferentes, demandam leituras diferentes. Ou, o livro é seu? Se sim, talvez valha a pena anotar na margem do texto apenas. Ou, ao contrário, é um livro de difícil acesso? Nesse caso talvez seja melhor ser menos econômico nas anotações.

Diferencie seus comentários e opiniões de citações e transcrições, estas devem sempre vir entre aspas e com indicação de página. Não corra o risco de esquecer se um texto é seu ou não e ser acusado de não citar suas fontes. A transcrição tem de ser textual preservando inclusive erros de grafia que porventura existam no original, nesse caso, siga o que diz a norma de citação adotada na sua faculdade, isso vai facilitar depois o trabalho de redação.

O que deve constar dos fichamentos?

Referências, citações, opiniões, resumos, ideias surgidas durante a leitura, novas leituras indicadas. Use cores para destacar.

Por que fazer fichamentos?

  • porque anotar ajuda a lembrar, a tornar claro
  • porque escrever sobre o que está lendo, assim como recontar, contribui para a reapropriação do texto
  • porque o material consultado nem sempre é seu e quando você precisar dele novamente pode estar indisponível
  • para identificar e documentar corretamente suas fontes, sua pesquisa pode depender diretamente dessa documentação
  • para que no momento da redação do trabalho suas citações e referências não se transformem em dor de cabeça e agonia
  • porque se a sua prática de leitura tem um peso na qualidade de suas anotações, também a prática de anotar, questionar, resumir etc. melhora a sua prática de leitura

 


%d blogueiros gostam disto: