Wikipédia, biblioteca e universidade

01/03/2021

A Biblioteca da ECA, em parceria com a biblioteca do IME, entrou no terreno da edição de verbetes na Wikipédia.

No segundo semestre de 2020 demos o primeiro passo para levar a Wikipédia para os cursos de graduação, por meio de uma parceria com a disciplina Infoeducação: teoria e prática, ministrada no CBD/ECA/USP. A partir de diálogos com a docente da disciplina, ficou decidido que os estudantes interessados iriam participar de oficina de edição na Wikipédia e que o trabalho final da disciplina seria um verbete a ser criado, editado ou traduzido. As bibliotecárias prestaram todo o suporte técnico aos estudantes, cabendo à docente o suporte para a criação dos conteúdos informacionais.

A partir dessa ação, a Infoeducação, conceito que inclusive nomeia a disciplina do curso de Biblioteconomia da ECA/USP, passou a ter um verbete na Wikipédia.
A Decolonialidade, tema que vem sendo bastante empregado por pesquisadores, ainda era inexistente na Wikipédia lusófona e foi a partir de nossa Oficina que um estudante criou seu verbete, utilizando o recurso de tradução.

A Wikipédia figura na 13 posição numa lista dos 20 sites mais acessados pelos brasileiros em 2020, num ranking que inclui até e-commerces! Para nós, essa grande quantidade de acessos numa ferramenta gratuita, aberta e colaborativa indica a importância de que a comunidade acadêmica faça uso dela, contribuindo para sua melhoria.

Pretendemos que esse seja o primeiro passo de um caminho em que possamos contribuir para que a universidade esteja presente também nesse circuito com a criação e disponibilização de informações de qualidade, confiáveis, referenciadas e de acesso aberto e gratuito.

Quer saber mais sobre o assunto? Participe do evento Ferramentas da Wikimedia nas Bibliotecas e Potenciais de Uso, cujo objetivo é explorar possibilidades das aplicações Wikimedia no contexto das bibliotecas.  

Programação:

 
14h – Apresentação do Projeto GLAM Bibliotecas USP, Stela Madruga (bibliotecária no IME-USP)
14h20 As mídias no ecossistema digital colaborativo, João Peschanski (coordenador WMB, professor na Faculdade Cásper Líbero, pesquisador associado do CEPID NeuroMat/FAPESP)
14h45 – Dados abertos estruturados e conectados, José Eduardo Santarém Segundo (professor vinculado à USP e à UNESP)
15h10 – Implementação de projetos GLAM/Wikimedia em Portugal: estado de arte, Miguel Mimoso Correia (bibliotecário na BN de Portugal)
 
Transmissão – Canal do Youtube BibliotecadaECA
10 de março, às 14 horas
Não é necessário inscrição prévia
Página do evento:  https://meta.wikimedia.org/…/WikimediaNasBibliotecas

 


As teses estão voltando

23/02/2021

[editado e, 26.02.21]

Devido aos problemas e restrições causados pela pandemia, a secretaria de pós-graduação da ECA não estava conseguindo nos enviar as dissertações e teses defendidas em 2020 e final de 2019. Mas agora, finalmente, voltamos a receber os arquivos. 

O primeiro lote já está disponível para download na Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP e no Dédalus. Em breve receberemos outras remessas.  Os trabalhos já disponíveis são esses:

Alexandre Gomes do Nascimento. Realismo cinematográfico: a poética de Walter Carvalho na minissérie ‘Justiça’ –  25/10/2019

Alexandre Nakahara.  Brasileiros no cinema japonês: Espaço, Realismo e Utopia –  25/10/2019

Ana Flávia Marques da Silva. A redação virtual e as rotinas produtivas nos novos arranjos econômicos alternativos às corporações de mídia  – 01/11/2019

André Caetano de Sá e Benevides Inoue. Fotojornalismo, redes sociais e plataformas digitais: a #grevegeral de 2017 no Twitter  – 11/12/2019

Caio Richard de Araújo Macêdo Alexandre. O corpo encantado na performance cerimonial Pankararu –  13/11/2019

Carina Seles dos Santos. Comunicação integrada de pequenas editoras da cidade de São Paulo –  13/12/2019

Ciro Paulo Viscondi Canellas.  Análise de oito dos estudos para violão de Villa-Lobos – 07/03/2020

Elena Guerra Altheman.  A construção do universo ficcional e a Serialidade Sutil em Hora de Aventura –  31/10/2019

Fernanda de Alcântara Pestana Bazan. As transformações de uma década pelos traços de André Dahmer: comunicação, relações sociais e tecnologias digitais nos quadrinhos dos anos  – 10 02/12/2019

Igor Alexandre Martins. Produção de imagens na perfomance do êxtase: zonas limiares entre o sagrado e o profano, à mestiçagem antropófaga do Teat(r)o Oficina –  08/11/2019

Ísis Biazioli de Oliveira. A modernidade da Sinfonia Fausto de Franz Liszt: uma abordagem estético-analítica  – 01/11/2019

Luciana Eastwood Romagnolli. Dramaturgias conviviais: formas para experiências do comum  – 09/12/2019

Mariana Ramos Crivelente.  Métodos e técnicas bibliométricas de análise de produção científica: um estudo crítico  – 17/12/2019

Mauricio Ianes de Moraes. SituAções  – 20/12/2019

Natalia Belasalma de Oliveira. O Brasil em pedaços: aspectos do cinema de Arthur Omar – 12/11/2019

Priscilla Carbone.  O corpo esgotado: um estudo crítico sobre práticas de ensino corporal na formação do ator –  09/12/2019

Raquel Zaccolo Magalhães.  Vendo imagens, olhando recortes  – 16/01/2020

Segundo lote (já cadastrado na BDTD, em fase de catalogação no Dédalus):


André Lopes Martins.  Do Máquinas híbridas de performance: novas formas de instrumenticidade em práticas musicais experimentais – 14/02/2020

Carla Severiano de Carvalho. A representação do Brasil na Espanha: usando a Grounded Theory para a compreensão dos processos de estereotipia de países pelo jornalismo internacional – 29/01/2020

Celio Franceschet. Mumblecore: sintaxe de um cinema de acidentes – 20/02/2020

Ceres Marisa Silva dos Santos.  A comunicação afrodiaspórico decolonial de mulheres negras brasileiras de quatro coletivos nas redes digitais – 10/03/2020

Daniel Torres Guinezi.  Mensurando interações: modelos de rede e aplicações à pesquisa em comunicação – 23/03/2020

Douglas Vinicius Galan.  Cyber roças: registros e realizações audiovisuais sobre agricultura urbana em contextos geográficos metropolitanos, mediáticos e tecnológicos – 27/03/2020

Edilane Carvalho Teles. Entre o dizer e o fazer com as mídias e tecnologias na formação inicial do pedagogo – 13/03/2020

Eli Borges Júnior. Teoria da forma Algoritmica: entre uma estética dos algorítmos: relações entre imagem, fruição e ação – 04/03/2020

Elis Rejane Santana da Silva. Os segredos de Orunmilá.com: os búzios como techné nas mediações culturais em terreiros e em sites – 12/03/2020

Francis Wilker de Carvalho.  Encenação-paisagem: Uma cena que reivindica o mundo a céu aberto – 06/04/2020

Isadora dos Santos Garrido Steimer. Curadoria e Crítica  – 31/01/2020

Ismar André Smith Rachmann.  A energia no trabalho do ator: dos Chakras à criação cênica  – 11/02/2020

Leonardo Nones Santos.  Arte na era da condição pós-meio: Estudo e tradução de Rosalind Krauss  – 14/11/2019

Luciana Aparecida de Lima Castilho. A contribuição da Ciência da Informação para a preservação de fotografias digitais: uma análise da produção científica recente –
06/01/2020

Luciana de Almeida Guimarães. Animalidade na mundana companhia: vestígios de uma experiência no espetáculo O idiota – uma novela teatral – 14/01/2020

Marcia Pinheiro Ohlson. Bloqueando as fake news: um estudo sobre o uso do blockchain no jornalismo a partir do pensamento de Charles S. Peirce – 11/02/2020

Márcio Santos Lima. Desenhar é preciso? O ensino de Desenho como grande área de conhecimento para a formação integral nos Institutos Federais – 12/03/2020

Marcos Tadeu do Amaral. Cartografia cenográfica: sessenta anos da cenografia teatral de Cyro Del Nero –  27/09/2019

Maria Ceccato. Material Fatzer: três experimentos com a peça impossível – 12/03/2020

Maria Fernanda Riscali de Lima Moraes. Do O cinema do diretor de fotografia: traços estilísticos em Wallter Carvalho – 31/03/2020

Mariá Guedes Pereira.  As personagens cômicas de gênero feminino na obra de Luís Alberto de Abreu  – 29/10/2019

Mario Alves dos Santos Junior.  O resgate da orallidade na cultura e nos meios de comunicação auditivos no contemporâneo – 05/03/2020

Lembramos aos autores que podemos fazer uma divulgação especial de seu trabalho aqui neste blog e em nossos perfis nas mídias sociais. Basta nos enviar as informações por este formulário, ou entrar em contato conosco pelo e-mail da Biblioteca. Vamos lá, pessoal?

 


O que fazer sem sua base de dados predileta?

08/02/2021

[atualizado em 12.02.21]

Recentemente fomos surpreendidos com a notícia de que o Portal CAPES não renovou a assinatura das bases da Proquest. Isso quer dizer que, sem aviso prévio, perdemos o acesso a duas bases de dados muito usadas pelos pesquisadores da ECA:  Library & Information Science Abstracts (LISA) e Education Resources Information Center – ERIC.

É importante que a comunidade acadêmica se organize para tentar reverter essa decisão, que pode prejudicar diversas pesquisas em andamento. Mas, o que fazer enquanto isso? É o que vamos explicar agora.

A base LISA é a fonte mais completa para a área de Biblioteconomia e Ciências da Informação, porque indexa a maior quantidade de revistas da área, com o maior tempo de cobertura. É a base de dados que os professores da área mais conhecem e indicam para os alunos, e perdê-la é um problema sério. Mas, felizmente, existem alternativas. As bases Information Science & Technology Abstracts (ISTA)Library, Information Science & Technology Abstracts with Full Text, ambas  da empresa EBSCO, também são boas fontes de informação especializada na área. Ambas podem ser acessadas pela página de bases de dados da AGUIA (Agencia USP de Gestão da Informação Acadêmica).

A Scopus e Web of Science, bases de dados multidisplinares, também devem ser consultadas. A primeira tem a reputação de ser a maior para a área de humanidades, mas é importante que o pesquisador consulte as duas e verifique qual dá os melhores resultados. Acessem pelo link da página da AGUIA.

O próprio Portal CAPES deve ser explorado em busca de outras fontes. Buscando – por exemplo – por “information science” como assunto no Portal, recuperamos mais de 170.000 resultados, mesmo excluindo a LISA do total. E usando o filtro Coleção, conseguimos descobrir quais bases trazem o melhor resultado para esse assunto. 

Para a área de educação, bastante pesquisada pelo pessoal do nosso curso de Educomunicação, não temos acesso a nenhuma outra base especializada. Vale a mesma orientação de buscar nas bases multidisplinares e no Portal CAPES. 

Dica importante para quem já havia feito o levantamento da LISA ou na ERIC, mas não baixou o PDF dos artigos: verifique se as revistas estão disponíveis em outras fontes. Para descobrir isso, basta acessar a lista de revistas eletrônicas da AGUIA e procurar pelo título da revista.  O sistema vai informar onde está disponível o título e em qual período. Algumas revistas estão em acesso livre, total ou parcial. Vejam o exemplo da revista Cataloging & Classification Quarterly:

Vejam também este vídeo, que explica esse procedimento para localizar revistas.

E não se esqueçam de entrar em contato conosco sempre que precisarem localizar fontes de informação, revistas, artigos etc. Mandem e-mail para ecabiblioteca@usp.br. Responderemos rapidamente.

Todos as bases citadas neste post são assinaturas pagas. Necessitam, portanto, de conexão à rede VPN da USP para acesso remoto.


Conselhos

01/02/2021

No Twitter, o @LucianoMazai, “Pesquisador na área de Criminologia e Relações Raciais” e recém-aprovado no mestrado em direito na Faculdade Getúlio Vargas (FGV-SP) quis saber:

E muita gente boa resolveu compartilhar suas experiências, professores de várias áreas e universidades Brasil adentro, mestrandos e doutorandos, ou recém-formados.

Apareceram dicas as mais diversas, desde metodologia, escolha de orientadores, como lidar com referências bibliográficas, recomendações de uso de gerenciadores de referência. Abaixo uma seleção de assuntos recorrentes que apareceram:

faça contatos

A Academia é feita de bons contatos. Conheça seus colegas, troque experiências

Mantenha relação cordial e solidária com seus colegas. Eles são o elo mais forte para o seu sucesso profissional.

Conversa com colega sobre sua projeto sempre que der. Eles podem te oferecer ideias que agregam muito ao seu trabalho.

Se aproxime dos alunos e professores, os + legais te ajudarão até depois do curso.

não disperse

Reduza o escopo do projeto, defina bem perguntas e hipóteses. Evite a megalomania.

Não se entope de disciplina. 2 anos é um tempo MUITO curto. Faz o essencial. Extra faz no doutorado

Ah e fazer as materias obrigatorias o quanto antes tambem, e não fazer mais materias do que o exigido pq no final o mais importante é ter tempo pra escrever. E dois anos passa voando.

Formule o quanto antes uma resposta bem definida pra sua dissertação porq a gente vai descobrindo muitas coisas interessantes no caminho e é fácil dispersar.

organize-se

tente ter um bom cronograma de trabalho, considerando créditos, leituras, pesquisa de campo, prazos de qualificação e defesa. O tempo é curto, passa rápido, e a quantidade de créditos e leituras costuma ser alta

é essencial ter um bom planejamento de curto, médio e longo prazos.

Fichamento de todos os textos que ler desde o início, aprender a usar o Mendeley ou Zotero, qualificar o projeto o quanto antes, programar visita técnica o quanto antes, usar as oportunidades que o programa tiver de auxílio para evento internacional e/ou nacional. não tenha preguiça de fazer backup dos arquivos, acidentes acontecem!

leia muito

Leia bastante (infelizmente no mestrado é difícil fazer uma revisão sistemática do assunto, o tempo é curto);

Leia mto. Tempo dedicado a ler é melhor investido. Melhor efeito a provocar na banca é: ele leu pra cacete!

vá para a biblioteca

Há mta disciplina inútil nos programas. Cheque antes e meça qto investir em cada. Não perca tempo com professor ruim, relapso. Assine a lista e vá pra biblioteca

Explore a biblioteca antes de procurar pelos pdfs

O pedido de ajuda acabou gerando um longo fio, para ver tudo clique aqui.


Filmes brasileiros para assistir online

26/01/2021

Um aluno com saudades do cinema brasileiro pede, num grupo do Facebook, indicações de locais para assistir filmes nacionais online. Como a pergunta é boa, e as respostas mais ainda, resolvemos reunir as dicas do pessoal aqui neste post.

A Globoplay está com um ótimo catálogo de brasileiros, que inclui clássicos absolutos como Terra em transe e Deus e diabo na Terra do Sol, de Gláuber Rocha,  São Paulo Sociedade Anônima, de Luiz Sérgio Person, ao lado de produções recentes como Quando eu era vivo, de Marco Dutra e Gabriela Amaral Almeida.  Serviço pago, para assinantes.

O Mubi não possui um catálogo tão grande, mas oferece algumas excelentes sugestões, como Brava gente brasileira, de Lúcia Murat.  Serviço pago, para assinantes.

No SPCineplay, plataforma pública de streaming mantida pela Prefeitura de São Paulo, há uma excelente oferta de cinema brasileiro. O bandido da Luz Vermelha, de Rogério Sganzerla, Bang-bang, de Andrea Tonacci, Carandiru, de Hector Babenco e Leite e ferro, de Cláudia Priscilla, são alguns dos títulos disponíveis. Há também uma seleção do Festival Mix Brasil 2020, a Coletânea do Audiovisual Negro e uma seleção de filmes dirigidos por mulheres. Melhor de tudo: é gratuito!

O Afroflix é uma plataforma de conteúdos audiovisuais que tenham pelo menos uma pessoa negra em sua equipe técnica ou artística. Conteúdo interessante, acesso gratuito.

O Banco de Conteúdos Culturais da Cinemateca  Brasileira seria uma excelente opção, mas, infelizmente, está fora do ar. Esperemos que a situação da Cinemateca seja resolvida e que essa importante fonte de informação para o cinema brasileiro volte a estar acessível.

O LGBTflix, plataforma também gratuite, reúne 250 filmes brasileiro de curta-metragem na temática LGBT ou dirigidos por cineastas LGBT.

O Originou oferece longas, curtas, documentários e webséries, incluindo produções premiadas em diversos festivais de todo o país. Serviço pago, para assinantes.

A plataforma Videocamp é voltada para quem pretende fazer exibições de “filmes de impacto”, ou seja, “que apontam causas urgentes, que retratam situações que precisam ser destacadas, que ampliam o nosso olhar para temas sensíveis e que, sobretudo, promovem um mundo mais justo, solidário, sustentável e plural”.  Tem um guia para debates e é gratuita, mas existem regras para a exibição.

A base de dados Portacurtas tem mais de 12.000 filmes catalogados, dos quais 1332 estão disponíveis para assistir online, gratuitamente.

Belas Artes à la Carte  e Filme Filme são serviços que também têm filmes brasileiros em seus catálogos. Ambos são pagos, mas o Filme Filme oferece alguns títulos para assistir de forma gratuita. 

E  não podemos esquecer que, logo que estivermos em situação mais favorável em relação à pandemia e pudermos reabrir a Biblioteca da ECA em condições normais de funcionamento,  teremos um grande acervo de filmes brasileiros em DVD à disposição do usuário USP, para empréstimo, e de toda a população, para consulta local. 

Se alguém tiver mais uma dica, coloque nos comentários. Só não podemos divulgar serviços que não estejam de acordo com a legislação de direitos autorais. Sabe aquele drive onde alguém postou um montão de cópias de filmes? Então, não pode. 

 

 

 

 


Os números de 2020

19/01/2021

O ano de 2020 não foi, definitivamente, um bom ano. Um ano de pandemia, sofrimento, mortes, incertezas e bibliotecas fechadas. Mas, apesar de tudo, nosso trabalho não parou. Trabalhamos remotamente, de nossas casas, e não deixamos de prestar ao nosso público o atendimento foi possível, nas circunstâncias.

Respondemos, por e-mail e outras formas de comunicação, a 399 consultas, em sua maioria sobre acesso e uso de recursos online, normalização de trabalhos, elaboração de referências e citações, fontes de informação e gerenciadores de referências. Enviamos artigos, teses e TCCs para quem não estava conseguindo acessar o conteúdo por algum motivo. Só não foi possível fazer empréstimos durante a pandemia nem digitalizar material do acervo físico, para não colocar em risco a saúde dos funcionários.

Oferecemos treinamentos e atendimentos individuais, além de palestras a convite de professores em suas aulas, tudo à distancia, para 378 estudantes de graduação e pós-graduação. 

Preparamos muitos materiais para divulgação dos recursos disponíveis online e orientação para o uso desses serviços, em forma de tutoriais, textos neste blog e infográficos para mídias sociais. Criamos nosso perfil no Instagram e agitamos um pouco nosso canal no YouTube – que andava meio devagar- com a divulgação de vídeos de instrução e treinamento. Chegamos a 111 inscritos no canal, o que não é muito, mas foi um aumento significativo.

Criamos a página Recursos Online no nosso site, para reunir e divulgar todos os serviços, bases de dados, revistas e livros disponíveis online. E estamos trabalhando na reformulação do site como um todo, sob orientação da Assessoria de Comunicação e do Serviço Técnico de Tecnologia da Informação da ECA. 

Os trabalhos internos  também não foram interrompidos. Continuamos cadastrando a produção intelectual dos docentes e técnicos, digitalizando material que conseguimos retirar da Biblioteca, solicitando ISBN e preparando a catalogação na fonte para publicações da Escola. Os dados numéricos serão divulgados em breve, em nosso site.

Trabalhamos intensamente em dois projetos importantes:

Biblioteca Digital da Produção Artística da ECA, desenvolvida para catalogar e exibir de imagens da produção de artes visuais de docentes, alunos e ex-alunos a ECA. Usa ferramentas específicas e experimentais para catalogação, indexação e visualização de imagens. O projeto conta com a participação dos professores Vânia Mara Alves Lima e Francisco Paletta (Departamento de Informação e Cultura), que obtiveram bolsas PUB para estudantes trabalharem na construção da biblioteca digital, pesquisa no acervo e catalogação das imagens e da professora Lúcia Koch, do Departamento de Artes Plásticas, na curadoria. Iniciado em 2018.

GLAM  das Bibliotecas da USP, lançado em julho deste ano e destinado a melhorar a cobertura dos projetos Wikimedia nos temas relacionados à arte e cultura. Neste momento, com o apoio do Wiki Movimento Brasil (WMB), estamos trabalhando na tarefa de enviar ao Wikidata a produção intelectual da ECA já cadastrada no Dédalus.

 

E agora, em 2021? Ainda não sabemos o que vai acontecer. Por enquanto, todos à espera das vacinas!


Lycia de Biase Bidart, uma compositora brasileira

11/01/2021

por Nicole Manzoni Garcia

Lycia Vivacqua de Biase nasceu dia 18 de fevereiro de 1910 em Muniz Freire (ES) e logo sua família se mudou para a capital do estado, Vitória.

Lycia no jardim de sua casa (Revista Vida Doméstica, 1955)

Iniciou os estudos de piano aos sete anos como uma forma de desenvolver sua concentração. A partir da adolescência, devido ao seu possível déficit de atenção, Lycia parou de frequentar a escola e passou a ter aulas domiciliares com professores contratados para matérias obrigatórias e para a música.

Em 1927, Lycia teve a sua primeira estreia musical registrada em documentos. A composição Ave Maria (1927), para soprano e piano/órgão, foi estreada na Igreja Nossa Senhora da Lapa, no Rio de Janeiro. A peça é a primeira da compositora registrada em catálogos, sendo possivelmente, além de sua primeira estreia, uma de suas primeiras composições. Ao longo de toda a sua vida, ela seguiu o catolicismo rigorosamente e isso se reflete em parte de sua produção, como nesse título.

Lycia se mudou, perto dos 18 anos, para a casa de uma tia no Rio de Janeiro para aprofundar seus estudos na música. Na cidade iniciou suas aulas de composição e regência com o maestro Giovanni Giannetti e, em paralelo, aulas de piano e violino com outros professores. Giannetti participou ativamente do início da vida musical de Lycia, orientando-a em suas composições e regendo várias de suas estreias.

Entre 1930 e 1934, Lycia teve cinco concertos no Theatro Municipal do Rio de Janeiro que foram anunciados em jornais. Seu pai, em alguns desses concertos, alugou o Theatro e a orquestra para que ela pudesse realizar as suas estreias.
Em 1932 foi a estreia da sua composição mais aclamada e elogiada por jornais na época, Chanaan (1932), regida por Giovanni Giannetti. O poema sinfônico foi inspirado no romance de Graça Aranha, Canaã, que tem como cenário o Vale de Canaã, situado no Espírito Santo. Lycia, em sua composição, conta a história da conquista do vale. No ano seguinte, o poema sinfônico foi executado novamente no Theatro Municipal do Rio de Janeiro, dessa vez regido pela própria compositora.

Lycia em frente à orquestra na noite de estreia das composições Anchieta e Angelus (Revista Fon Fon, 1934)


Lycia casou-se com o engenheiro João Baptista Bidart em 1933 e tiveram sua primeira filha em 1935, Cecilia, que recebeu esse nome em homenagem à padroeira da música. Lucia, sua segunda filha, nasceu em 1937. Nos primeiros anos de suas filhas, Lycia parou de aparecer nos jornais, não realizando grandes concertos nem estreias. Nessa época, sua produção composicional também diminuiu comparada aos outros períodos. A compositora era extremamente dedicada à família e isso se reflete em suas composições.

João Bidart, Lucia, Cecilia e Lycia (arquivo familiar)


Entre 1945 e 1949 teve aulas com Neusa França e Magdalena Tagliaferro para aperfeiçoar a técnica pianística.
Em 1953, no Ministério da Educação e Cultura, no Rio de Janeiro, aconteceu um concerto para piano e voz apenas com as composições de Lycia. Dentre outras foram executadas as peças: Desejo (1947), para soprano e piano; O beijo (1953), para mezzosoprano e piano; e Noite em Salamanca (1950), para dois pianos.


Lycia costumava fazer suas composições em uma mesa ao lado do piano. Seu processo composicional era muito mais mental do que prático no instrumento. Ela costumava escrever fazendo boccachiusa e, às vezes, experimentava no piano. A maior parte de suas composições utilizava elementos da natureza, poemas e pessoas como inspiração.


A compositora manteve amizades com músicos como o saxofonista Juarez Araújo e o maestro John Neschling, que estreou uma de suas composições, Adagio Improviso, tocado pela Orquestra de Câmara do Rio de Janeiro, em 1971, na Sala Cecília Meireles. Entre 1972 e 1986, Lycia também trocou cartas com o escritor Carlos Drummond de Andrade, em sua maioria pedindo autorizações para musicar os seus poemas.


Em 1975, Lycia ganhou uma menção honrosa no XX Concorso Internazionale di Musica Giovan Battista Viotti, na Itália, com a Sonata Fantasia nº1: Sonata ao Mar (1961).


Após os 60 anos, Lycia começou a perder a audição progressivamente. No início da década de 1980, ela teve uma séria meningite que intensificou essa perda da audição. Porém, mesmo com a perda parcial da audição, Lycia compôs até o final da sua vida. Faleceu aos 81 anos, dia 10 de julho de 1991, no Rio de Janeiro.


Em junho de 1989, Lycia doou a maior parte das suas composições para a Biblioteca da Escola de Comunicação e Artes (ECA), junto com uma carta formalizando a doação. O acervo contém mais de 400 composições, entre manuscritos originais e cópias, das mais variadas formações instrumentais e está aberto ao público para consulta no local.


Nos últimos anos mais pesquisadores têm se interessado pela obra da compositora e procurado a biblioteca para acessar o acervo. Esse recente interesse motivou a Biblioteca a iniciar um projeto de digitalização da obra completa, que será executado em breve e facilitará o acesso de partituras por compositores e instrumentistas que tenham o interesse em estudar o acervo.


Nicole Manzoni Garcia é Mestranda em Musicologia: Documentação e História da Música (UNIRIO).  Este texto é uma redução, preparada especialmente para este blog pela autora, do artigo publicado no 6º Congresso Nas Nuvens. Disponível em:  https://musica.ufmg.br/nasnuvens/wp-content/uploads/2020/12/2020-GARCIA-Nicole-Manzoni.pdf

Vejam, também, este vídeo sobre a vida e a obra da compositora, no qual Nicole apresenta ao piano uma de suas composições. 


Despedida

21/12/2020

Este é nosso último post deste triste ano de 2020.  A partir do dia 24 de dezembro, a USP entra em recesso de fim de ano e nossas atividades serão suspensas.  Voltaremos no dia 4 de janeiro, ainda de forma exclusivamente remota.

Agradecemos a quem acompanhou este blog e nossos perfis nas mídias sociais, e a quem nos enviou mensagens por e-mail, solicitou atendimento remoto e assistiu aos nossos vídeos no Youtube. Manter esse contato com vocês foi muito importante. E pedimos desculpas a quem não conseguimos atender, devido à impossibilidade de manter serviços presenciais durante a pandemia.

Em algum momento do próximo ano esperamos estar novamente com nossas portas abertas e com a segurança dos funcionários e usuários garantida. 

Lamentamos profundamente as mortes de 184.827 brasileiros e de 1.665.008 seres humanos do mundo todo (nos dados de 18 de dezembro, 15 horas) e nos solidarizamos com o sofrimento das vítimas da COVID-19, seus familiares e amigos.

Esperamos que a ciência nos livre da pandemia e do obscurantismo em 2021, e que a arte nos ajude a continuar vivendo.

Até a volta!

 

 


Doações de reservas técnicas

14/12/2020

Bolsistas da FAPESP e CNPq, quando recebem verba para adquirir livros e outros materiais necessários à realização de suas pesquisas, devem entregá-los às suas bibliotecas após a conclusão do trabalho. Dessa forma, o investimento público feito para aquele pesquisador poderá ser usufruído por outros.

As reservas técnicas dos pesquisadores são uma forma importante de manter atualizado o acervo das bibliotecas universitárias, sobretudo nessa época de verbas magras.

No decorrer deste angustiante ano de 2020, recebemos:

  1. Bolsista Ísis Biazioli de Oliveira (orientador: Prof. Dr. Mário Videira)

SAFFLE, M; DALMONTE, R. (orgs). Liszt and the birth of Modern Europe: music as a mirror of religious, political, cultural and aesthetic transformations (Franz Liszt Studies Series)
LISZT, F; RAMANN, L. Gesammelte Schriften, v.1.
KREGOR, J. Program music.
WEGNER, S. Symphonien aus dem Geiste der Vokalmusik: Zur Finalgestaltung in der Symphonik im 18. und frühen 19

capa de livro

2. Projeto “Representações da mulher caipira no cinema brasileiro: Amélia (2000), de Ana Carolina, e Uma Vida em Segredo (2001), de Suzana Amaral”. Bolsista: Erika Amaral Pereira (orientador Prof. Dr. Eduardo Morettin)

Teoria feminista: da margem ao centro, de Bell Hooks
Os parceiros do Rio Bonito, de Antonio Candido
Irmã outsider, de Audre Lorde
Nova história do cinema brasileiro, v. 1 e 2, de Fernão Pessoa Ramos
Interseccionalidade, de Carla Akotirene
Imagens da mulher no Ocidente moderno, de Isabelle Anchieta
Mulheres de cinema, organização de Karla Holanda
Feminino e plural, organização de Karla Holanda
Mulheres atrás das câmeras, organização de Luisa Lusvargi e Camila Vieira da Silva
Pensamento feminista hoje: perspectivas decoloniais, organização de Heloísa Buarque de Hollanda
Corpos que importam, de Judith Butler
Políticas do sexo, de Gayle Rubin
E eu não sou uma mulher? Mulheres negras e feminismo, de Bell Hooks
Olhares Negros: raça e representação, de Bell Hooks
Racismo, sexismo e desigualdade no Brasil, de Sueli Carneiro

3. Projeto “Estética, ética e semiótica do homoerotismo pós-HIV/AIDS: Contribuições comunicacionais e semiopsicanalíticas para a saúde publica a partir do consumo digital da pornografia amadora”. Bolsista: Renato Gonçalves Ferreira Filho (orientadora: Profa. Dra. Maria Clotilde Perez). Recebemos 98 títulos, entre os quais:

A elite do atraso: da escravidão à Lava-jato, de Jessé Souza
A inteligência coletiva: por uma antropologia do ciberespaço, de Pierre Lévy
A potência feminista, ou o desejo de transformar tudo, de Verónica Gago
A razão africana: breve história do pensamento africano contemporâneo, de Muryatan S. Barbosa
A sexualidade nas ciências humanas, de Maria Andrea Loyola
A sublimação: uma erótica para a psicanálise, de Érik Porge
A transformação da intimidade: sexualidade, amor e erotismo nas sociedades modernas, de Anthony Giddens
A vítima tem sempre razão? Lutas identitárias e o novo espaço público brasileiro, de Francisco Bosco
AIDS anunciada: a publicidade e o sexo seguro, de Josi Paz
Anseios: raça, gênero e políticas culturais, de Bell Hooks
Arqueofeminismo: mulheres filósofas e filósofos feministas séculos XVII -XVIII, de Maxime Rovere
As tecnologias da inteligência: o futuro do pensamento na era da informática, de Pierre Lévy
Bovarismo brasileiro, de Maria Rita Kehl
Cacofonia das redes, de Lucia Santaella
Calibã e a bruxa: mulheres, corpo e acumulação primitiva, de Silvia Federici
Caro Dr Freud. Respostas do século XXI a uma carta sobre homossexualidade. Gilson Iannini
Cibercultura, de Pierre Lévy
Cidadania: um projeto em construção: minorias, justiça e direitos, de André Botelho e Lilia Moritz Schwarcz
Crítica da razão negra, de Achille Mbembe
Devassos no paraíso: a homossexualidade no Brasil da colônia à atualidade, de João Silverio Trevisan

Como a Biblioteca ainda está fechada, devido à pandemia, e os funcionários estão trabalhando apenas de forma remota, vai demorar um pouco mais do que o habitual para esse material ser catalogado, registrado no Dédalus. Mas, assim que reabrirmos, o empréstimo será possível.

É importante lembrar que a entrega dos livros da reserva técnica é obrigatória. São compras feitas com verbas públicas, e os órgãos financiadores exigem que esses acervos fiquem nas bibliotecas das instituições. Além de ser justo, é um excelente serviço que os bolsistas, seus orientadores, FAPESP e CNPq prestam para a Universidade.


Biblioteca Virtual Pearson

07/12/2020

A Biblioteca Virtual Pearson é o mais novo serviço para acesso remoto à disposição da comunidade USP para esses tempos de trabalho remoto e distanciamento social, mais do que necessário ter um universo de pesquisa ampliado. 

Segundo o texto de divulgação da Agência USP de Gestão da Informação Acadêmica (Aguia), são mais de 8 mil títulos que atendem todas as áreas de conhecimento. No entanto, não são apenas títulos acadêmicos presentes no catálogo, grandes editoras comerciais não-acadêmicas como Companhia das Letras, Vozes, Summus estão lá com alguns poucos títulos; editoras mais segmentadas como Edições GLS ou Casa do Psicólogo, e até livros de autoajuda fazem parte do catálogo, ou seja, como as férias já estão aí logo em frente, dá para aproveitar essa característica e criar uma lista de leitura para as férias. 

Os recursos oferecidos de pesquisa e criação de listas são meio precários. Por exemplo, quando se clica em Minhas Listas, onde deveriam estar as listas que você criou ou resolveu seguir, aparecem listas que você simplesmente não sabe de onde vieram. O mesmo acontece com Continuar Lendo: de repente 500 e tantos títulos que você nunca sequer folheou estão lá para você continuar lendo. Talvez isso ocorra porque é um único login e senha para toda a USP, o que praticamente invalida a utilidade desses recursos.  Deixando de lado esses problemas que esperamos sejam resolvidos logo, há o que se aproveitar.

Clicando em Acervo, no menu principal, é possível navegar por categorias, quatro delas nos interessam mais diretamente: Viagens e Turismo, Arte, Comunicação e Propaganda e Marketing.

Essas categorias podem ser exploradas em subcategorias, por exemplo, penduradas em Comunicação estão Biblioteconomia, Jornalismo, Cinema, Rádio e TV…

Mas não é bom confiar apenas nisso. A categoria Viagens e Turismo por exemplo mostra apenas 18 títulos, mas é possível encontrar bem mais que isso, portanto, vale buscar pelo título/autor da obra ou navegar por outras categorias como Administração e Negócios.  

Em Comunicação o destaque é a presença no catálogo de livros de nossos professores: Eugênio Bucci, Margarida Kunsch, Paulo Nassar, Mitsuru Yanaze; procure nossa lista Destaques ECA, na qual colocamos os livros desses professores e outros títulos procurados por nossos alunos.

Ainda em comunicação, vale destacar os vários manuais disponíveis (é preciso logar para ver o títulos):

Além de títulos dedicados aos vários segmentos do jornalismo, como:

 

Como opções de leitura, pode-se copiar citações, fazer anotações, procurar definições de palavras no dicionário apenas selecionando a palavra, mudar o tamanho da fonte, cor de fundo e espaço entre as linhas

O acesso remoto é pela VPN da USP, pelo link: https://plataforma.bvirtual.com.br/. É preciso um código de acesso: BV_USP@pearson.com, e senha: @Pearson123. A Biblioteca Virtual está disponível para aparelhos com iOS e Android pelo app Biblioteca Virtual by Pearson.

Não deixem de aproveitar mais esse recurso à disposição, e claro, sugerir melhorias.


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