Novidades no mundo da catalogação

10/06/2019

RDA, sigla de Recursos, Descrição e Acesso (Resources Description Acess) é um conjunto de princípios e diretrizes para organização de informações e descrição de documentos de bibliotecas. Tem sido chamado popularmente, pelos profissionais da área, a “nova regra” de catalogação, que deverá, eventualmente, substituir as regras , do Anglo American Cataloging Rules (AACR2), atualmente o padrão mais utilizado nas bibliotecas brasileiras. Lançado em 2010, o RDA surgiu da necessidade de adequar a catalogação ao universo digital e aos diversos tipos de recursos de informação que surgem a cada dia.

Alessandra Vieira Canholi Maldonado, bibliotecária da nossa equipe, participou do I Encontro de RDA no Brasil, realizado de 16 a 18 de abril de 2019, em Florianópolis, durante o qual profissionais e docentes da área apresentaram palestras e relatos que delinearam o panorama geral dos estudos de RDA no Brasil.

Em seu relatório de participação no evento, Alessandra conclui que

o RDA ainda não foi consolidado como novo padrão mundial para catalogação. Os países da América Latina têm encontrado dificuldades com o modelo de negócios para fazer a tradução e comercializar o RDA, apresentado pela ALA (American Library Association, detentora dos direitos autorais), que envolve altos custos financeiros. No Brasil, existem muitos estudos sobre a aplicação, mas na prática, apenas 3 instituições o adotam oficialmente (Library of Congress Office, PUCRS e Universidade de Caxias do Sul). Porém, este cenário está mudando, já que foram apresentados neste evento trabalhos que indicam sua aplicação em outras instituições, como a Universidade Federal de Juiz de Fora, com a implementação do controle de autoridade em RDA, fundamental para a implantação do RDA para registro de dados bibliográficos. O Senac negociou com a ALA os direitos de tradução no Brasil, mas ainda teremos um longo percurso para conseguir consolidá-lo como padrão de catalogação. Uma das preocupações dos participantes do evento foi a ausência da Biblioteca Nacional, que não pode enviar participantes para o evento. Nos países em que o RDA já foi implantado a Biblioteca Nacional liderou os grupos de trabalho, como se é esperado no que concerne a atuação de uma Biblioteca Nacional no país.

Nosso professor Fernando Modesto apresentou no encontro a palestra RDA no Brasil: inovação ou mesmice para a catalogação brasileira?, destacando a necessidade de traduzir para o português o RDA, para que as bibliotecas brasileiras possam efetivamente começar a utilizar a ferramenta.

Alessandra ressaltou o prazer em conhecer pessoalmente a professora Antônia Memória, uma das referências mais importantes da catalogação no Brasil, que fez a palestra de abertura do evento e divulgou seu livro RDA versus AACR2. Alessandra e o prof. Fernando adquiriram para a Biblioteca da ECA  um exemplar do livro, já disponível para consulta e empréstimo.

Antônia Memória

Para participar do evento, Alessandra teve apoio do Programa Permanente de Qualidade e Produtividade da ECA – ProQual. Vejam no link abaixo a íntegra de seu relatório de participação.

Relatório de Participação Encontro de RDA

 


Bundas no acervo

03/06/2019

Parida e morrida durante o segundo mandato do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, a revista Bundas foi lançada em junho de 1999 por remanescentes do Pasquim, mantendo algumas características daquela publicação, como a linguagem coloquial, irreverência, muitos charges e caricaturas etc.

Chegou vendendo bem, mas o nome estampado na capa manteve anunciantes e publicitários distantes. Os anúncios que não vieram provocaram a morte prematura da revista em menos de 2 anos.

Bundas se recusou a ser porta-voz do governo do momento e não deixou FHC e seu governo em paz. Enquanto a grande imprensa se esforçava na missão de mostrar seu governo de forma positiva, Bundas ironizava, criticava.

O alvo

Se não pode ser acusada de ser porta-voz do governo, a voz que aparecia em suas páginas era masculina, branca, de meia-idade: Millôr Fernandes, Ziraldo, Jaguar, Luís Fernando Veríssimo, Claudio Paiva, Adão Iturrusgarai entre outros nomes expressivos da imprensa periódica brasileira.

O nome da revista nasceu numa referência direta a uma outra revista que circulava e fazia sucesso no momento, como mostram os trechos abaixo do editorial do primeiro número:

Nada contra ‘Caras’ portanto. Pelo contrário, nos vemos como um complemento de ‘Caras’ na tarefa de oferecer um retrato mais arredondado da multifacetada realidade brasileira. Vamos dar o outro lado. […] Como ‘Caras’, ‘Bundas’ mostrará o brasileiros em situações ridículas, dizendo coisas desconexas, em cores.

Por que ‘Bundas’? Porque como disse o poeta. Porque há momentos. Porque se todos os. Porque é preciso que. Porque numa escala de. E um dia ainda. É preciso dizer mais? É. Por isso ‘Bundas’.

O título

A coleção completa da revista está em nosso acervo, oferecendo muitas charges, caricaturas, uma visão menos chapa-branca do segundo mandato de FHC, editoriais do Veríssimo, humor. Um retrato crítico e bem humorado do período em que circulou.

Os assuntos


Leitura e escrita acadêmica

27/05/2019

Ingressar num curso de graduação é deparar-se com novas demandas face às relações com o saber. Ler e escrever não é apenas decodificar signos, mas, sim um ato de diálogo com as obras, com o pensamento de outros autores.

Ler, interpretar e fichar um texto, identificando claramente seus objetivos e hipóteses, assim como elaborar sínteses, são ações que adquirem novos contornos na universidade, demandando que os estudantes desenvolvam outras atitudes em relação ao conhecimento. Tais atitudes certamente não brotam do vazio, implicam formação e, também, o trabalho de cada sujeito.

Numa tentativa de contribuir, suprindo carências nessa direção, a USP lançou – no Canal USP – uma série de aulas sob o título Práticas de leitura e escrita acadêmicas que, conforme expõem:

“pretende desenvolver nos estudantes, principalmente nos de Ciências Humanas, as competências e habilidades relacionadas às necessidades da leitura e da escrita tal como devem ser praticadas na vida acadêmica. Os professores vêm das áreas de História, Ciência Política, Letras e Filosofia.”

Fazemos neste post um convite para que o conteúdo seja explorado e as técnicas sugeridas, experimentadas.


IIIF, o que é isso mesmo?

20/05/2019

Durante o Congresso Internacional em Tecnologia e Organização da Informação (TOI) de 2019 vai acontecer um evento paralelo muito interessante para quem trabalha com acervos de imagens: o seminário Introdução ao IIIF: Padrões e Ferramentas para a Interoperabilidade de Imagens.

IIIF,  sigla de International Image Interoperability Framework, é um conjunto de padrões e ferramentas criado para facilitar a publicação e a interoperabilidade de imagens na internet, desenvolvido por um consórcio internacional de instituições que inclui a British Library e as universidades de Stanford e Oxford, que deram início ao projeto.

Um “brinquedinho” muito útil para quem está construindo bases de dados de imagens, porque permite:

subir e visualizar online imagens em alta resolução de forma muito rápida

a partir de uma única imagem, o usuário poderá editar, fazer zoom e recortar da forma que quiser, na própria interface de visualização, sem precisar baixar a imagem

inserir uma camada de anotações nas imagens, que podem ser exibidas ou não de acordo com a necessidade do usuário

comparar imagens de bases de dados diferentes na mesma interface, sem fazer download, como se pode ver no demo do Projeto Mirador

A Biblioteca da ECA vem trabalhando com essa ferramenta em seu projeto da Biblioteca Digital da Produção Artística da ECA, ainda em fase experimental.

A ideia de um encontro sobre o assunto surgiu em agosto do ano passado, a partir de uma sugestão de Glen Robson, coordenador técnico do IIIF, numa troca de mensagens com os profissionais que já estudavam a ferramenta no Brasil na época: Leonardo Germani, da Universidade Federal de Goiás; Bruno Buccalon, do Instituto Moreira Salles e Sarah Lorenzon Ferreira, bibliotecária da nossa equipe e membro do comitê de ética da comunidade IIIF. A proposta tomou corpo na forma de seminário âmbito do TOI.

Serão apresentadas as seguintes experiências de uso do IIIF no Brasil:

Biblioteca Digital da Produção Artística da ECA/USP: aplicação do IIIF, por Sarah Lorenzon Ferreira

Anotando fotografias urbanas com IIIF e Wikidata, por Bruno Buccalon (Instituto Moreira Salles)

Uso do IIIF no acervo de pinturas do Museu Histórico Nacional, por Leonardo Germani (Universidade Federal de Goiás)

Josh Hadro, diretor administrativo do IIIF, fará uma apresentação por videoconferência. O debate terá a moderação da Profa. Dra. Vânia Lima, do Departamento de Informação e Cultura da ECA.

Inscrições: http://2019.toiomtid.com.br/iiif/

Para saber mais sobre o IIIF:

Léo Germani. Conhecendo o IIIF: padrões e ferramentas para publicação de imagens na Web.

Saran Lorenzon Ferreira, Marina Macambyra, Vânia Lima. Imagens interoperáveis: uso do VRA Core e da estrutura IIIF na construção de bibliotecas digitais.

IIIF no Youtube

 

 

 

 


No princípio era a balbúrdia

13/05/2019

A balbúrdia, essa famigerada, apareceu entre nós em 1713, segundo o Houaiss, e virou assunto nacional recentemente por conta do debate político envolvendo cortes de verbas das universidades e institutos federais.

Mas a balbúrdia pode ser também objeto de estudo, assunto para uma pesquisa acadêmica. E se você estiver interessado em pesquisar o assunto, ou mais precisamente essa balbúrdia usada como álibi para o corte de verbas, é preciso primeiro entender o que se quis dizer com essa palavra, e depois traduzi-la para o nosso vocabulário de indexação. Algumas possibilidades de tradução abaixo.

Se quando nossos dignitários falaram em balbúrdia estavam se referindo a um estado de desordem que pede uma intervenção divina, nesse caso há um conceito presente em nosso vocabulário de indexação que serve muito bem, caos. O conceito vem de áreas como filosofia e mitologia. Em nosso acervo aparece de forma episódica ou aplicado às nossas áreas de estudo.

 

Pode ser também que a balbúrdia nesse caso sejam os conflitos sociais surgidos em decorrência das contradições e desigualdades sociais, das lutas por mobilidade social e mudanças. Nesse caso, busque pelas expressões em negrito neste parágrafo. Algumas indicações:

Contestado

Canudos

Seca

 

 

 

 

 

 

Clique na imagem para ampliar.

Mas se a balbúrdia que incomoda for o pensamento crítico, ou simplesmente um jeito de ver as coisas que não é o do incomodado, nesse caso a palavra adequada para traduzir a balbúrdia em nosso sistema talvez seja ‘ideologia’.

A universidade é o espaço onde a balbúrdia pode ser estudada e problematizada. Mãos à obra!


Mães: uma seleção de filmes

06/05/2019

Neste mês nossa seleção de filmes traz como destaque o tema Mães. Os filmes apresentam ao telespectador diferentes enredos que nos revelam fases e faces dessa função desempenhada sempre numa relação com o outro e, também, consigo mesma.

De amores, a rancores e amarguras, a presente seleção coloca-nos diante de diferentes nuances que podem marcar o papel de mãe, delineado tanto na biologia como nas conformações sociais.

 

Cena do filme Je vous salue Marie (1984) de Jean Luc-Godard

Confira a lista de filmes aqui


Por que as coisas são assim?

29/04/2019

Bibliotecas são construídas ao longo do tempo, coletivamente, por várias gerações de funcionários e usuários. Sim, usuários também, porque uma biblioteca precisa sempre considerar as necessidades do público para o qual existe.

Quando olhamos para as estantes de uma biblioteca vemos livros doados ou  comprados, selecionados, catalogados e encadernados por pessoas que talvez já tenham morrido. E lidos por pessoas que nascerem muito tempo depois da chegada desses livros.

Isso tudo tem sua beleza, mas também coloca as bibliotecas diante de algumas questões complexas. Por exemplo, uma decisão tomada hoje, em função das condições práticas e demandas atuais, dentro de poucos anos poderá parecer errada ou inadequada. Sempre é possível mudar de ideia ou corrigir rumos,  mas nem sempre a equipe dispõe de tempo ou recursos para fazer mudanças de forma rápida.

Recentemente dois alunos do curso de Audiovisual pediram, em nossa caixa de sugestões, que os roteiros de filmes fiquem todos juntos na estante, como as peças de teatro. Fomos investigar a causa dessa aparente injustiça com o cinema e descobrimos que existe, de fato, na edição mais recente da tabela de classificação que usamos – a Classificação Decimal de Dewey – um número específico para roteiros.

Por que, então, não classificamos nesse número os nossos roteiros, para que fiquem todos juntos nas estantes? É difícil ter certeza. Essa divisão específica não existia na tabela quando começamos a organizar nosso acervo, na década de 1970. Os roteiros publicados em livros sempre ficaram junto com os demais livros sobre filmes de uma nacionalidade específica, ou seja, roteiros de filmes brasileiros na classificação 791.430981 – cinema brasileiro.

Por muitos anos essa situação não se apresentou como um problema. Hoje, porém, o acervo cresceu e temos quase dois corredores de estantes cheios de livros de cinema, o que faz os alunos percorrerem um bocado de prateleiras para encontrar todos os roteiros que gostariam de ler. Além disso, colocamos placas no início das estantes da classificação de teatro, indicando que temos “peças de teatro”, mas não colocamos placas de “roteiros” nas estantes de cinema,  evidenciando algo que é, de fato, uma diferença de tratamento.

E agora, o que fazer? Já dispomos de um número para roteiros e temos alunos pedindo essa separação. É possível mudar a organização do acervo? Sim, mas vai demorar. Será preciso levantar todos os roteiros publicados em livro do acervo, retirá-los de seus lugares, trocar etiquetas e números anotados nos carimbos, corrigir as informações nos registros do Dédalus e reorganizar as estantes para deixar algumas prateleiras livres para esse material. No momento, é uma uma pendência registrada na nossa lista de tarefas a realizar quando for possível.

Por enquanto, podemos localizar os roteiros do acervo buscando no Dédalus pelo termo”roteiro”, campo assunto. Sem esquecer que temos vários roteiros não publicados e cheios de anotações, que tratamos como manuscritos e mantemos na nossa Coleção Especial, longe das estantes comuns. Tratamos do assunto neste post.

 

E as peças de teatro, estão mesmo todas juntas nas estantes? Na verdade, não. As peças publicadas em livro estão nas estantes do acervo circulante misturadas aos livros de crítica teatral de cada país ou no acervo de folhetos, quando são fininhas; as peças não editadas nos armários de pastas suspensas, lá na sala das teses.

Armário dos folhetos e peças não editadas

 

Acontece que, como temos quantidades bem maiores de peças do que de roteiros, o teatro acabou sendo privilegiado na identificação das estantes, onde colocamos apenas os segmentos mais numerosos e visíveis de cada corredor.  Temos também peças publicadas em revistas de teatro, que não estão reunidas nem pelo Dédalus, porque ainda não terminamos de fazer o levantamento desse material.  O que temos, por enquanto, é uma lista parcial publicada aqui no blog que iremos, um dia, completar.

Observem que, em geral, o agrupamento nas estantes não resolve tudo. Será sempre necessária a busca no catálogo, onde conseguimos reunir categorias que não estão próximas fisicamente no acervo, usando termos que identificam o Tipo de material ou Gênero / forma.

Como esses, temos muitos outros casos que vamos resolvendo, aos poucos e com cuidado. A colaboração dos usuários é fundamental para que a gente identifique os problemas mais rapidamente. Portanto, avisem-nos sempre que encontrarem algo que possa ser melhorado na organização da Biblioteca da ECA. Suas sugestões vão sempre receber atenção da equipe e, se forem pertinentes e viáveis, o problema será solucionado assim que for possível.


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