Normas para o turismo

04/04/2022

Quando falamos em normas pensamos logo nas normas da Associação Brasileira de Normas Técnicas para citação e referência e nas outras todas de informação e documentação que tratam de trabalhos acadêmicos, pois são as que nos interessam mais frequentemente.

Mas as normas não se resumem a isso, aliás, bem ao contrário! Normas servem tanto para criar protocolos de interoperabilidade entre sistemas de computadores, quanto podem trazer recomendações sobre o sumário de um livro, os parafusos para uma cadeira ou brinquedo.

Normas não são leis, podem ou não ser adotadas, no entanto no turismo de aventura, atividade que envolve riscos e perigos potenciais, há várias normas buscando normalizar as competências dos condutores de atividades (canionismo, cachoeirismo, rafting etc), os equipamentos (cordas, capacetes etc) e serviços oferecidos.

Foto: capa do livro Turismo de aventura, John Swarbrooke e outros. No acervo 910.057 T938s

A norma ABNT NBR ISO 21101, por exemplo, traz “os requisitos de um sistema de gestão da segurança para prestadores de serviços de atividades de turismo de aventura.” Já a norma ABNT NBR 15500 define termos relativos ao turismo de aventura.

Há também normas que tratam de competências mínimas para pessoal que trabalha no turismo em outras atividades que não o turismo de aventura, como agentes de viagem, confeiteiro, churrasqueiro, camareira e muitas outras atividades.

E se você precisar acessar alguma dessas normas pode vir até a biblioteca ou baixar a VPN da USP e acessar de casa mesmo no Portal GedWeb. Ah, uma vez no portal, busque também por sustentabilidade, hospitalidade, e claro, por turismo.


Preciso dominar as normas da ABNT? Spoiler: não!

01/09/2020

Normalizar, normatizar, padronizar, uniformizar… chato, não é? Mas necessário. 

A normalização bibliográfica é importante porque entre outras coisas facilita a troca e busca de informações, e se relaciona com questões caras ao universo da pesquisa acadêmica como plágio, comunicação científica, direitos autorais. O objetivo é também poupar o tempo do leitor, já que facilita a identificação e localização mais facilmente de suas referências.

No Brasil a Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) é o “Foro Nacional de Normalização”, entidade privada que elabora as Normas Brasileiras (NBR), que podem ser sobre como fazer um machado ou apontando quais indicadores uma cidade precisa ter para ser uma cidade inteligente.

Aqui na nossa seara interessam as normas bibliográficas, aquelas sob a etiqueta “informação e documentação”, que são várias. Há normas sobre elaboração de referências, citações, sumário, índice, como fazer relatório técnico, resumo, lombada, como numerar as seções de seu trabalho…

Você pode estar pensando que precisa dominar essas normas ou eventualmente ser cobrado nesse sentido, mas não precisa. 

Primeiro porque você sempre pode perguntar na sua biblioteca quando a dúvida surgir, por e-mail ou redes sociais. Muitas bibliotecas universitárias estão preparadas para dar suporte e orientação sobre normalização. Aqui na Biblioteca da ECA preparamos alguns materiais a respeito.

Além de perguntar na biblioteca, você precisa sim saber onde encontrar essas normas e como consultá-las. A USP assina o Portal GEDWeb que dá acesso a normas da ABNT e de outros órgãos reguladores. Busque por “informação documentação”, como na imagem.

Vai recuperar todas as que são de interesse para a estrutura de seu trabalho. São algumas, como já falamos.

Para não ter que consultar tantos documentos a Agência USP de Gestão da Informação Acadêmica (AGUIA) oferece as Diretrizes para Apresentação de Dissertações e Teses da USP, que reúne as normas da ABNT para informação e documentação e há versões também nas normas APA, ISO e Vancouver. As Diretrizes juntam todas as normas num único documento eletrônico, permitindo assim a busca dentro do próprio documento. 

Outro motivo do porquê não precisa dominar as normas da ABNT, é que elas só são usadas no Brasil. É muito comum que revistas A1 não usem essa norma, a nossa Matrizes, revista do Programa de Pós-Graduação em Ciências da Comunicação, recomenda o uso da APA.

É isso, pergunte na sua biblioteca e consulte a norma.


Normas para quem?

07/12/2015

norma

Norma Desmond (Gloria Swanson), personagem de O crepúsculo dos deuses

por Marina Macambyra

A Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) submeteu à consulta nacional o projeto de revisão da norma sobre referências bibliográficas (NBR 6023). Os profissionais que apresentaram sugestões foram convidados para uma reunião de análise do resultado da consulta, que aconteceu nos dias 26 e 27 de novembro.

Fiz diversas sugestões nos itens que tratam dos documentos audiovisuais e participei dos dois dias de reunião, esperando poder discutir minhas observações com a equipe responsável pela elaboração da norma. Infelizmente minhas expectativas foram um tanto frustradas, por dois motivos: não conseguimos chegar até lá, paramos 6 capítulos antes dos audiovisuais; não houve espaço para discussão do conteúdo, porque várias questões levantadas pelos presentes já haviam sido definidas pela equipe que elaborou a norma e não puderam ser mudadas.

As únicas sugestões de fato acatadas foram as referentes a aspectos formais do texto e inconsistências na norma, o que levou muitos dos presentes a se perguntarem por que, então, fazer uma consulta pública e convidar os participantes para uma reunião de dois dias.

Um dos pontos que suscitou muita polêmica foi uma nova regra que obriga grafar em itálico as expressões e abreviaturas latinas inet al., s.l. e s.n, por força da regra gramatical que exige destaque para palavras estrangeiras. Diante dos protestos generalizados de que essa determinação só vai complicar desnecessariamente a elaboração de referências pelo público em geral, o argumento apresentado foi uma solicitação da Academia Brasileira de Letras (?!) e um decreto que obrigaria a ABNT a adotar essa regra gramatical. A ponderação de uma colega de que esse tipo de regra se aplicaria a textos, não a referências bibliográficas, não surtiu qualquer efeito, porque a decisão já foi tomada. Um indício claro de que essa regra deverá acarretar muita confusão é o próprio projeto de norma em discussão, que traz exemplos com itálico e sem itálico. Sendo assim, em nome da coerência, não deveríamos também grafar em itálico as siglas CD e DVD? A questão petulante está, até o momento,  sem resposta.

Algumas sugestões que buscavam simplificar e tornar mais clara a norma para o usuário não puderam ser incorporadas por razões de ordem formal.  Muitas pessoas acreditam, por exemplo, ser desnecessária a indicação da URL de um documento online que tenha número DOI – o que rendeu longa e  acalorada discussão. Entretanto, como o DOI é considerado elemento complementar e a URL essencial, nada feito. Se o usuário quiser informar o DOI, tudo bem, mas vai precisar colocar a URL também.

Os colegas da área jurídica presentes na reunião estavam bastante descontentes com o projeto que conteria, segundo eles, erros sérios de terminologia. Mas dois dias de reunião não foram suficientes para chegar no capítulo dos documentos jurídicos, portanto não conheço os detalhes picantes.

O pessoal da Universidade Federal de São Carlos reuniu 40 profissionais de várias áreas para elaborar comentários e sugestões, como trabalho ligado à disciplina Normas Técnicas de Informação e Documentação. Vejam o resultado desse trabalho coletivo no link abaixo:

https://drive.google.com/file/d/0B87s6vpE6VLJeWpzaGxlWHZYbms/view

Também pretendo, num outro post, publicar meus próprios comentários sobre o capítulo dos audiovisuais, mas ainda estou aguardando inspiração para essa tarefa.

A NBR 6023  em vigor tem 24 páginas, e observo que muitos usuários têm dificuldades em consultá-la, inclusive pessoas com boa formação acadêmica. O projeto, que está sendo elaborado há 9 anos, já está com 50 páginas. Provavelmente ainda irá crescer bastante e nada indica, a julgar pelo clima dessa primeira reunião, que a norma vai ficar mais simples ou mais fácil de usar. E provavelmente ainda vai demorar um bom tempo para ser publicada, porque haverá mais uma consulta pública.

Na minha opinião, muito esforço e tempo estão sendo investidos num trabalho que talvez não seja aceito pela comunidade de usuários. Os dias que estamos vivendo pedem normas simples e de fácil compreensão, que pesquisadores e autores de textos consigam usar sem ficarem dependentes do auxílio dos bibliotecários. Normas que só bibliotecários conseguem entender correm o risco de virarem normas_desmonds esquecidas em seus castelos.

Aguardemos a nova consulta pública.

As opiniões contidas neste post são de responsabilidade da autora e não refletem, necessariamente, a posição da instituição.


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