Gastando o latim

16/11/2020

As normas de referência, e principalmente a de citações, da Associação Brasileira de Normas Técnicas recomendam o uso de algumas expressões e palavras em latim, para evitar que a leitura das citações se torne repetitiva, ou quando não se consegue precisar alguma informação, no caso das referências.

O latim dá voz ao que chegou até nós da cultura clássica, cultura da qual o ocidente é devedor. Expressões como status quo, causa mortis, habeas corpus e tantas outras fazem parte do vocabulário de muita gente; em áreas como direito e na nomenclatura científica, a presença do latim é ainda mais evidente.

É certo que às vezes é usado com algum pedantismo ou como marca de distinção social, o que não é de hoje:

Para as elites, o mundo clássico, antes símbolo máximo do status e da pertença de classe, foi relegado nem tanto ao esquecimento, como à denegação: cheirava a mofo e a uma visão de mundo a ser superada.

O resultado é que o latim deixou de ser obrigatório em nossas escolas de ensino fundamental e médio ainda na década de 1950. Mas como está na base de algumas das línguas mais faladas hoje no mundo e dá voz à Antiguidade Clássica, permanece.

Nas citações em documentos (ABNT NBR 10520) as expressões e palavras são recomendadas para evitar repetição nas notas de referência no rodapé, ou seja, a primeira citação em nota de rodapé deve ter sua referência completa, só então você vai ter que gastar o latim. Para tornar as coisas um pouco mais difíceis, é comum que se usem tais expressões abreviadas.

Idem – mesmo autor – Id.
SOUZA, 1990, p. 51.
Id., 2018, p. 17.
Ibidem – na mesma obra – Ibid.
DURKHEIM, 1925, p. 176
Ibid., p. 190.
Opus citatum, opere citato – obra citada – op. cit.
ADORNO, 1996, p. 38.
GARLAND, 1990, p. 42-43.
ADORNO, op. cit., p. 40
Passim – aqui e ali, em diversas passagens – passim
RIBEIRO, 1997, passim
Loco citato – no lugar citado – loc. cit.
TOMASELLI; PORTER, 1992, p.33-46
TOMASELLI; PORTER, loc. cit.
Confira, confronte – Cf.
Cf. CALDEIRA, 1992
Bom, essa daqui não é latim no sentido que estamos usando aqui, mas de onde você acha que vieram as duas palavras aí?
Sequentia – seguinte ou que segue – et. seq.
FOUCAULT, 1994, p. 17 et seq.

Idem, ibidem, opus citatum “só podem ser usadas na mesma página ou folha da citação a que se referem.”

Apud – citado por, conforme, segundo
EVANS, 1987 apud SAGE, 1992, p. 2-3

Agora um pouco de controvérsia. Diferentemente das outras expressões, essa também pode ser usada no texto, não apenas no rodapé. Usa-se essa expressão para indicar que se está citando uma citação direta ou indireta, ou seja, você não teve acesso ao documento original, e aqui entra a parte da controvérsia. No exemplo acima você estaria assumindo que a leitura ou interpretação que Sage fez de Evans, é correta, sem vieses ou ruídos. Lembram daquela brincadeira infantil do telefone sem fio?

A ABNT não diz para evitar o uso dessa expressão, no entanto a pesquisa científica é um trabalho de investigação, e se é possível encontrar o original numa biblioteca ou numa das várias bases de dados, não tem desculpa para não ir atrás do original. Veja o que diz esse editorial da Revista Latinoamericana de Psicopatologia Fundamental.

No caso das referências (ABNT NBR 6023), normalmente as expressões latinas aparecem quando não se pode oferecer a informação completa, seja para resumir uma lista de autores extensa, seja porque os dados não foram fornecidos

et alii – e outros – et. al.
URANI, A. et al.
Para mais de três autores. Recomenda-se indicar todos, mas não sendo possível usa-se como no exemplo acima.
sine nomine – sem nome (da editora) – [S. n.]
FRANCO, I. Discursos: de outubro de 1992 a agosto de 1993. Brasília, DF: [s. n.], 1993. 107 p.
sine loco – sem local (de publicação) – [s. l.]
KRIEGER, Gustavo; NOVAES, Luís Antonio; FARIA, Tales. Todos os sócios do presidente. 3. ed. [S. l.]: Scritta, 1992. 195 p.
circa – por volta de – ca.
ca. 1950
ano de publicação aproximado

Seja em áreas como direito, ou na nomenclatura científica, o latim se faz presente bem mais do que como nota de rodapé

As citações acima e os exemplos usados vieram das normas da ABNT NBR 6023 e NBR 10520 e do livro O latim hoje, organizado por Patrícia Prata e Fábio Fortes


Tabulando dados

27/10/2020

Tabelas são uma forma de apresentar informações em linhas e colunas com intuito de resumir, facilitar consulta, dispensar leitura do todo, se se tem pressa. Explicar o que é uma tabela do ponto de vista gráfico, é meio tautológico. É uma forma bastante comum de exibir dados em artigos científicos.

Nos trabalhos acadêmicos as tabelas devem ser apresentadas segundo as Normas de apresentação tabular, documento de trabalho do IBGE disponibilizado publicamente. Sua última atualização é 1993, quando boa parte dos recursos de edição a que estamos acostumados eram talvez incipientes, ou seja, as tabelas não mudaram muito de lá pra cá.

Segundo esse documento, uma tabela é  uma “Forma não discursiva de apresentar informações, das quais o dado numérico se destaca como informação central.”

a informação central de uma tabela é o dado numérico e que todos os outros elementos que a compõem têm a função de complementá-lo e explicá-lo.

Algumas recomendações sobre apresentação e diagramação de tabelas:

  • devem ser apresentadas numa única página
  • devem apresentar uniformidade gráfica
  • devem ter um título precedido da palavra TABELA e cabeçalho indicando conteúdo das colunas
  • devem ser citadas no texto e estar próximas ao trecho a que se referem
  • devem ser identificadas com algarismos arábicos sempre que houver mais de uma
  • podem ter no rodapé indicação de fonte e notas específicas e gerais
  • se a tabela precisar ser apresentada em mais de uma página deve-se repetir título e cabeçalho. Nesse caso:

 

cada página deve conter uma das seguintes indicações: continua para a primeira, conclusão para a última e continuação para as demais

 

Quando se optar por numerar as tabelas numa sequência para cada capítulo, o número da tabela deve começar pelo número do capítulo, por exemplo: TABELA 4.2, significando que se trata da segunda tabela no quarto capítulo.

A Lista de tabelas, que faz parte dos elementos opcionais pré-textuais de dissertações e teses, é recomendada quando há a partir de cinco tabelas, deve ser feita seguindo o mesmo critério de numeração das tabelas no texto, ou nos capítulos. O título LISTA DE TABELAS não é numerado, e como outros elementos que não são numerados, deve ser centralizado, mas o destaque tipográfico é o mesmo dado às outras seções primárias do documento.

A norma da ABNT NBR 14724 recomenda fonte menor para as tabelas, mas não diz o tamanho, já as Diretrizes… recomendam fonte tamanho 10 ou 11. Também o espaço entrelinhas deve ser simples, diferente do restante do texto, que se recomenda espaço 1,5.

as tabelas acima são das Normas de apresentação tabular, do IBGE

Preciso dominar as normas da ABNT? Spoiler: não!

01/09/2020

Normalizar, normatizar, padronizar, uniformizar… chato, não é? Mas necessário. 

A normalização bibliográfica é importante porque entre outras coisas facilita a troca e busca de informações, e se relaciona com questões caras ao universo da pesquisa acadêmica como plágio, comunicação científica, direitos autorais. O objetivo é também poupar o tempo do leitor, já que facilita a identificação e localização mais facilmente de suas referências.

No Brasil a Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) é o “Foro Nacional de Normalização”, entidade privada que elabora as Normas Brasileiras (NBR), que podem ser sobre como fazer um machado ou apontando quais indicadores uma cidade precisa ter para ser uma cidade inteligente.

Aqui na nossa seara interessam as normas bibliográficas, aquelas sob a etiqueta “informação e documentação”, que são várias. Há normas sobre elaboração de referências, citações, sumário, índice, como fazer relatório técnico, resumo, lombada, como numerar as seções de seu trabalho…

Você pode estar pensando que precisa dominar essas normas ou eventualmente ser cobrado nesse sentido, mas não precisa. 

Primeiro porque você sempre pode perguntar na sua biblioteca quando a dúvida surgir, por e-mail ou redes sociais. Muitas bibliotecas universitárias estão preparadas para dar suporte e orientação sobre normalização. Aqui na Biblioteca da ECA preparamos alguns materiais a respeito.

Além de perguntar na biblioteca, você precisa sim saber onde encontrar essas normas e como consultá-las. A USP assina o Portal GEDWeb que dá acesso a normas da ABNT e de outros órgãos reguladores. Busque por “informação documentação”, como na imagem.

Vai recuperar todas as que são de interesse para a estrutura de seu trabalho. São algumas, como já falamos.

Para não ter que consultar tantos documentos a Agência USP de Gestão da Informação Acadêmica (AGUIA) oferece as Diretrizes para Apresentação de Dissertações e Teses da USP, que reúne as normas da ABNT para informação e documentação e há versões também nas normas APA, ISO e Vancouver. As Diretrizes juntam todas as normas num único documento eletrônico, permitindo assim a busca dentro do próprio documento. 

Outro motivo do porquê não precisa dominar as normas da ABNT, é que elas só são usadas no Brasil. É muito comum que revistas A1 não usem essa norma, a nossa Matrizes, revista do Programa de Pós-Graduação em Ciências da Comunicação, recomenda o uso da APA.

É isso, pergunte na sua biblioteca e consulte a norma.


Orientação aos artistas

09/03/2020

Quem está fazendo sua tese ou dissertação em formato tido como “normal”, ou seja, texto acadêmico com introdução, objetivos, metodologia, desenvolvimento e conclusão, pode contar com a ajuda das Diretrizes para apresentação de dissertações e teses da USP. Na ECA usamos a versão Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), mas também há Diretrizes para outros estilos de normas.

Trata-se de um manual, preparado por bibliotecários da Universidade, que reúne num único documento as orientações de todas as normas necessárias para elaborar trabalhos acadêmicos: referências, citações, sumário, página de rosto, paginação etc. A consulta desse manual ajuda bastante mas, se as dúvidas persistirem, os bibliotecários podem dar uma força. Basta nos procurar.

Mas e os artistas? O pessoal da área de concentração Poéticas Visuais do Programa de Pós-graduação em Artes Visuais costuma apresentar trabalhos em forma de gravuras, desenhos, objetos, livros de artista etc.  Outros programas, como o de Artes Cênicas, também aceitam apresentações gráficas diferentes e criativas. São trabalhos que pouco tem a ver com folhas de papel digitadas de um lado só e encadernadas em percalux de cor escura.

Envoltórios, tese de Marcos Martins

Nesses casos, as normas de formatação não têm aplicação rígida – ou nem mesmo se aplicam. Normas existem para ajudar, não para atrapalhar a existência do pesquisador.

As Diretrizes, por exemplo, recomendam a apresentação dos textos em papel branco ou reciclado, formato A4 (21 cm x 29,7 cm), digitados na cor preta. Essa indicação, naturalmente, não precisa ser seguida nos trabalhos de arte, nem em qualquer trabalho cujo programa permita abordagens mais criativas. Os limites para a “desobediência” às normas devem ser negociados entre o candidato e seu orientador.

Algumas informações, entretanto, são obrigatórias. Por exemplo:

página de rosto, contendo título do trabalho, nome do autor e do orientador, data, nome da instituição. São informações importantes para identificar o trabalho, e interessam tanto ao leitor quanto ao pessoal da biblioteca

folha de avaliação ou aprovação, com nome completo do candidato, título, natureza: tipo do trabalho (dissertação ou tese) e objetivo (aprovação em disciplina, grau pretendido e outros); nome da instituição; programa e área de concentração, data de avaliação ou aprovação,nome, titulação e instituição a que pertence os componentes da banca.

resumo e palavras-chave, informações muito importantes para a compreensão do trabalho pelo leitor, mesmo que seja um trabalho de caráter visual, por exemplo. E não se esqueçam das pobres das bibliotecárias, que precisam entender seu trabalho para catalogá-lo e divulgá-lo de forma correta. É um livro de artista? Um livro-objeto? Um fotolivro? Nenhuma das anteriores? Mesmo que para você, o autor, essas categorias não tenham tanta importância, talvez tenham para outros pesquisadores, que procuram por esses termos com muita frequência aqui na Biblioteca da ECA.

normalização das citações e referências, caso sejam feitas citações e referências a textos e outros documentos, como é o caso da maioria dos trabalhos acadêmicos, ainda que sejam trabalhos práticos. Se você vai citar alguém, é importante que essa citação seja feita de forma correta e que a referência possa ser identificada pelos seus leitores. Se ficar difícil, corra até a Biblioteca e peça ajuda. Mas é mesmo obrigatório citar e referenciar nesse tipo de trabalho? Bem, localizamos alguns no acervo que não apresentam nada disso. Consulte seu orientador.

Para itens como formato, encadernação ou forma de acondicionamento, apresentação gráfica, tipo de papel etc, as escolhas são do artista. Temos no acervo trabalhos  acondicionados em caixas, pastas  ou sacolas plásticas, menores que um smart phone ou maiores que uma TV de 32 polegadas. A Biblioteca recebe todos os trabalhos que foram aprovados pela banca. Nosso único problema é o local de guarda. Trabalhos que não cabem nas estantes normais, ou que sejam tão frágeis que possam se deteriorar se não forem manuseados com muito cuidado talvez não fiquem nas estantes abertas, mas em salas de consulta mediada pelos funcionários que denominamos Coleção Especial. Assim, se sua tese não estiver na estante com as demais, fale conosco. 

Tese de Gustavo Garcia da Palma

O corpo, o artista e a feiticeira – tese de Kim Cavalcante

Cidade entre olhares, tese de Júlia Lopes da Mota

Deriva, dissertação de Helena Rodrigo Küller

Da imensidão ao poema, tese de Tiago Cardoso Gomes

Para conhecer esse acervo, porque nossas teses e dissertações são as mais bonitas da USP!

E a ficha catalográfica, que causa tanta perplexidade entre os autores, sejam artistas ou não? A ficha é um elemento exigido pelas normas da Associação Brasileira de Normas Técnicas para elaboração de trabalhos acadêmicos (NBR 14724), mas, se o autor e o orientador estiverem de acordo quanto a isso, pode ser eliminada. Para prepará-la não é necessário pedir nada aos bibliotecários, basta preencher este formulário disponível no site da Biblioteca e a ficha será gerada automaticamente.

Dúvidas? Procure a bibliotecária ou os bibliotecários de referência da ECA.

 

 

 

 

 

 


Um modelo de TCC

01/07/2019

O momento de elaborar o trabalho de conclusão de curso pode ser angustiante para muitos estudantes. Escolher o tema, levantar referências, pesquisar, ler muito, elaborar um texto na adequada linguagem acadêmica, tudo isso demanda esforço e habilidade. E aí, quando o texto começa a tomar forma (ou até antes disso), o orientador avisa que a formatação não está correta, as referências e citações estão uma bagunça e tudo isso precisa ser feito de acordo com a ABNT.

Onde encontrar, como fazer, qual dos mil documentos que encontramos na internet é o correto? Todas essas informações estão na Biblioteca, claro, não há motivo para pânico. A parte triste é que as normas da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) necessárias para fazer um TCC não são poucas: referências, citações, sumário, resumo, numeração progressiva etc. Muitos alunos correm até a Biblioteca para consultar os trabalhos dos colegas que já passaram por isso, mas a estratégia nem sempre funciona bem. Para não fazer feio, o ideal é consultar as normas mesmo e as Diretrizes USP para elaboração de dissertações e teses, que também servem para TCCs.

Para facilitar um pouco a vida dos alunos nessa fase, pelo menos nos quesitos normalização e formatação, a Biblioteca da ECA elaborou um modelo visual de consulta rápida, com exemplos corretamente formatados de todas as partes do trabalho.

Página de rosto? Veja o exemplo:

Parágrafos, espaços entre linhas, citação com mais de 3 linhas?

O modelo não substitui a consulta às normas, seu objetivo é apenas agilizar a formatação. Se necessário, as bibliotecárias e o bibliotecário estão sempre à disposição para ajudar e tirar dúvidas.

Sugestões serão bem-vindas! Quem tiver alguma, comente neste post ou mande um e-mail para ecabiblioteca@usp.br.

Para acessar e baixar o modelo, clique aqui:

Modelo prático para formatar um TCC

Mais informações na página Normalização do nosso site:

http://www3.eca.usp.br/biblioteca/servi%C3%A7os/normalizacao

Mais dicas sobre TCCs aqui mesmo neste blog:

https://bibliotecadaeca.wordpress.com/2019/04/08/tcc-dicas-orientacao/

https://bibliotecadaeca.wordpress.com/2013/10/29/como-pesquisar-tccs-no-dedalus/

 

 


Normalização sem drama

13/08/2018

O trabalho no serviço de referência da Biblioteca da ECA, frequentemente, coloca os bibliotecários diante de estudantes angustiados com dúvidas sobre como fazer citações e referências seguindo as normas da ABNT.  As angústias mostram-se maiores quando as dúvidas são sobre tipos documentais que não estão contemplados – ou suficientemente contemplados – pelas normas NBR10520 e NBR6023.

As tecnologias de informação e comunicação e os novos fluxos informacionais fazem com que, cada vez mais, sejam utilizados como referência para os trabalhos acadêmicos recursos com formas de apresentação variada. Gravações de entrevistas disponíveis em canais como o Youtube, textos disponibilizados em mídias sociais, filmes ofertados em serviços de streaming, textos disponíveis em sites, gravações sonoras disponíveis online, etc., compõem o referencial para muitos trabalhos acadêmicos, sobretudo, considerando o público das áreas de comunicações e artes.

Diante das diversas dúvidas e dessa necessidade latente elaboramos o Manual de normalização da Biblioteca da ECA: complementar às Diretrizes do SIBiUSP, desenvolvido justamente com a função de suprir essa lacuna. Portanto, o foco do manual é a elaboração de citações e referências de recursos que não estão abordados a contento pelas normas da ABNT.

O material disponível para download em nosso site foi elaborado com base nas normas NBR10520 e NBR6023, respeitando uma função essencial da normalização de citações e referências: fazer com que o leitor seja direcionado com clareza para as obras citadas e referenciadas no texto.

Além dele, elaboramos uma apresentação pontual com os diferentes exemplos para que todos os interessados possam consultar: Normalização sem drama.

Em nosso site, na aba treinamentos há uma novidade: Agora é possível agendar horário com um bibliotecário para uma atividade específica sobre normalização de trabalhos acadêmicos, de acordo com as normas ABNT.

 

 


Normalização de trabalhos acadêmicos

23/11/2015

Uma etapa obrigatória de boa parte dos cursos de graduação e pós-graduação é a elaboração de um trabalho escrito, que deve seguir regras de apresentação e formatação indicadas pela instituição. No caso da ECA, o trabalho deve ser feito segundo as normas da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT). Essas normas têm por objetivo facilitar a comunicação científica, pois possibilitam a identificação (e a verificação da informação) de cada documento consultado e citado durante a feitura do trabalho.

No entanto, esta é uma tarefa meio árida, às vezes trabalhosa, não por outro motivo, é deixada para o final ou encarregada a terceiros, gente especializada nesse tipo de trabalho.

Hoje, porém, há ferramentas que prometem facilitar essa etapa da pesquisa científica.

Há softwares gratuitos, como o Monografando, que prometem “facilitar a vida de quem está fazendo o seu trabalho de conclusão de curso ou a sua monografia”.

Há os gerenciadores de referências, que criam de forma automática a lista de referências e as citações no momento da escrita do trabalho, no estilo de citação escolhido. São fáceis de usar e aqui na Biblioteca da ECA ainda oferecemos uma ajudinha, pois quem quiser aprender a usar o EndNote Basic, um dos mais populares desses programas, pode agendar um horário com a gente, por aqui http://www3.eca.usp.br/biblioteca/servicos/treinamentos

Quinn Dombrowski

Foto: Quinn Dombrowski, Flickr

Os bibliotecários estão atentos a essa necessidade dos pesquisadores. Em nosso blog, por exemplo, os posts que ensinam a fazer citações e referências de filmes e músicas estão entre os mais lidos.

O Sistema Integrado de Bibliotecas da USP preparou as Diretrizes para apresentação de dissertações e teses da USP, “com o objetivo de auxiliar a estruturação e organização dos textos”. São orientações que têm por base as normas da ABNT que tratam de trabalhos acadêmicos. O documento também está disponível para download segundo as normas da American Psychological Association (APA), International Organization for Standardization (ISO) e o estilo Vancouver.

A USP oferece acesso ao Target GEDWeb, que tem em seu acervo as normas da ABNT para trabalhos acadêmicos e várias outras normas do Brasil e do Mercosul. O acesso pode se dar nos computadores da USP ou remotamente via VPN.

Mas, se ainda precisar de ajuda, aqui na Biblioteca da ECA oferecemos, para a comunidade ecana, atendimento para esclarecimentos de dúvidas sobre elaboração de referências bibliográficas e citações. É só aparecer e procurar por um dos bibliotecários do serviço de atendimento.


Normalização de trabalhos acadêmicos: perguntas frequentes

26/08/2013

Durante a elaboração de seu TCC, dissertação ou tese, você terá que se deparar com as famosas normas da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) que tratam de normalização de trabalhos acadêmicos. Talvez você deixe esse encontro para o final, como fazem muitas pessoas, quando o desespero já está batendo à porta.

Existem várias normas que regulam a elaboração dos trabalhos acadêmicos. Normas que tratam de numeração das seções do documento, resumo, sumário, referência, lombada, índice etc. Dessas, algumas são realmente imprescindíveis, aquelas das quais você não conseguirá escapar, que são:

ABNT NBR 6023, que trata da elaboração de referências.

ABNT NBR 10520, sobre citações.

ABNT NBR 14724, apresentação de trabalhos acadêmicos.

Além dessas existem as Diretrizes para elaboração de dissertações e teses da USP, uma espécie de compilação de todas as normas da ABNT que regulam trabalhos acadêmicos.

A Biblioteca da ECA oferece orientação para normalização de trabalhos acadêmicos, esclarece dúvidas principalmente sobre referência e citação. Preparamos uma espécie de FAQ com as dúvidas mais comuns que nos chegam. As respostas aqui dadas baseiam-se nas normas da ABNT, nas Diretrizes para apresentação de dissertações e teses da USP e em recomendações dos programas de pós-graduação aqui da ECA.

Posso colocar nas referências textos que foram lidos durante a feitura do trabalho, mas não são citados?

Não. Nas referências devem estar apenas os documentos citados no texto, se não foi citado não coloque nas referências. Caso você queira listar outros documentos lidos durante a elaboração do trabalho, mas que não foram citados faça isso em lista à parte e chame de Bibliografia complementar, Leitura complementar, Indicações de leitura etc.

Todos os documentos relacionados nas Referências devem ser citados no texto, assim como todas as citações do texto devem constar nas Referências.[Diretrizes… p. 44].

Sou cineasta, artista plástico, jornalista, ator etc. já trabalho e, portanto, já tenho um nome no mercado, posso usar meu ‘nome artístico’ no trabalho, ao invés do nome completo?

As Diretrizes… dizem com todas as letras para usar o ‘nome completo do autor’ na capa, na lombada e na folha de rosto. Na lombada pode-se abreviar as iniciais dos prenomes se o espaço não for suficiente. Mas se você prefere usar seu nome artístico, vá em frente.

Devo listar nas minhas referências um texto que cito mas não tive acesso?

Essa é a famosa citação de citação, ou seja, quando você cita um trecho de uma obra a que não teve acesso; no texto é identificada pela expressão latina apud. Recomenda-se seu uso com moderação, apenas na impossibilidade de acesso ao documento original. Deve-se colocar em nota de rodapé o trabalho citado, mas não consultado e nas referências a obra realmente consultada.

Fiz várias entrevistas durante a feitura do trabalho, devo colocá-las nas referências?

Não. Cite em nota de rodapé. E ponha em apêndice a transcrição, áudio ou vídeo das entrevistas. As Diretrizes… recomendam que informações não publicadas ou verbais: informações obtidas de comunicações pessoais, anotações de aula, trabalhos de eventos não publicados, não devem ir para as referências, devem ser mencionadas em nota de rodapé.

A capa precisa ser azul marinho?

Os programas de pós-graduação não fazem essa recomendação, dizem apenas que dois dos exemplares impressos devem ser encadernados com capa dura.

Tenho que citar sites, documentos online, e, se sim, faço isso numa lista à parte?

Todos os documentos devem estar relacionados em listagem única. Quanto à referência de documentos online não há muita diferença, segue-se o mesmo padrão usado para documentos impressos, acrescentando-se o endereço URL e a data de acesso.

Fiz a tradução de um trecho citado, preciso colocar o texto original em nota de rodapé?

A norma diz que “quando a citação incluir texto traduzido pelo autor, deve-se incluir, após a chamada da citação, a expressão tradução nossa, entre parênteses.” Ou seja, não precisa. No entanto, documento disponível no site do PPGCI  diz que as “transcrições de textos em outros idiomas podem ser traduzidas ou mantidas no idioma original, a critério do autor. Em ambos os casos, devem ser mantidas as aspas. Se a citação for traduzida, o autor pode indicar o trecho no idioma original em nota, no rodapé da página.” [Guia para apresentação de dissertações e teses, p. 29].

Começo a numeração dos capítulos a partir da Introdução?

Todos os elementos textuais do seu trabalho, ou seja, aqueles que fazem parte de sua argumentação, devem receber um número de seção, portanto a Introdução deve receber número sim.

Vi em algum lugar que se a tese tiver mais de 250 páginas tem de ser dividida em dois volumes…

Nessa altura do campeonato, quando o povo começa a se preocupar com normas e a ansiedade já tomou conta, ninguém sabe onde leu isso ou aquilo. Essa recomendação de que a tese não tenha mais de 250 páginas num único volume não parte da ABNT, são recomendações dos programas de pós-graduação em Ciências da Comunicação e Ciência da Informação (PPGCOM e PPGCI). Ambos dizem que cada volume não deve ultrapassar 250 páginas.


%d blogueiros gostam disto: